Mares Perdidos
3 Passado 3: Tenten
Notas iniciais
Neji estava sentado à mesa sozinho, bebendo uma caneca de cerveja quando Tenten se aproximou com um sorriso sugestivo no rosto e ele virou o que restava de sua bebida e se levantou.
– O que quer?
O sorriso no rosto dele dizia muitas coisas e nenhuma delas inocente. O sorriso da garota aumentou e ela segurou sua mão. Neji a seguiria tranquilamente, mas ficou surpreso por ela estar levando-lhe para o lado de fora.
– Venha comigo.
Andaram durante algum tempo e nada dela parar. Neji estava começando a suspeitar que a garota estava aprontando alguma coisa quando ela parou e apontou para um lugar escondido atrás de algumas pedras.
– Vamos – falou soltando sua mão.
– Trouxe aqui para me matar? – perguntou irônico.
Ela lançou um olhar divertido em sua direção: — Não, te matar seria muito fácil. Prefiro você vivo para outras coisas. Vamos, sente-se ali.
Havia uma toalha esticada no meio das pedras, o que levou o garoto a crer que ela planejara aquilo com antecedência. Caminhou com tranquilidade e sentou-se onde ela indicara. Tenten pegou uma garrafa d’água e uma cesta, que estavam atrás de outra pedra e sentou-se a seu lado.
Antes que Neji pudesse tomar qualquer atitude ela disse: — Vamos lá, Hyuuga. Antes de pular em cima de mim, não quer saber minha história?
Ele olhou para ela confuso e curioso e, por fim, acabou concordando. Por mais que quisesse se convencer do contrário, queria de verdade saber sobre o passado daquela louca que virara seu casinho particular.
– Conte-me, então.
Tenten deitou-se em cima do cobertor e olhou para as estrelas. Ela respirou fundo e parecia realmente satisfeita por estar conversando com ele. Neji ficou um pouco desconcertado com aquele fato e sentiu uma satisfação inconveniente subir para seu peito.
– Eu era uma criança rodeada de familiares amorosos e carinhosos – começou tirando-o de seus próprios pensamentos. – Todos eram trabalhadores honestos e batalhavam por suas coisas como qualquer família normal. Vivíamos em uma cidadezinha costeira de Yawan. Minha mãe, meu pai e eu.
“Eu devia ter uns sete anos quando nossa rainha foi sequestrada e torturada e uns oito quando a princesa fugiu. Nada disso tinha realmente afetado nossa família até aquele ponto, mas tudo mudou quando os rebeldes começaram a atacar as pequenas habitações para afetarem o estado” ela voltou seu olhar para ele. Agora sua expressão estava dolorida. “Eles conseguiam ser bem cruéis, sabe? Achei que não conseguiríamos fugir, mas no final tudo deu certo.
Minha mãe e meu pai me pegaram e fugiram para cá, o país Colt, e nos instalamos em outra cidade costeira. A única coisa que meu pai sabe fazer é pescar e minha mãe apenas sabe cuidar de casa, então nossa vida não era mais como antes, mas mesmo assim era muito boa e feliz”.
Ela parou e voltou-se para ele e confidenciou: — Sabia, eu não tinha motivo nenhum para virar pirata e nem cogitava fugir de casa quando era menor, estava realmente satisfeita com minha vida.
– E por que fez isso? – perguntou realmente perdido. As palavras dela estavam carregadas de sinceridade e aquilo confundia-o ainda mais.
– Porque pareceu legal.
Neji lançou um olhar chocado para ela e sentou-se, encarando-a surpreso. Tenten teve que segurar a risada, mas não se ofendeu com aquela reação, sabia que dizer uma parte da verdade faria qualquer um pular sentado.
– O que foi? – perguntou chamando a atenção dele.
– Você ainda pergunta? Poderia ter tido uma vida pacífica e tranquila, sem riscos constantes e perigos eminentes e, mesmo assim, optou por se jogar de cabeça nisso! – exclamou curioso. – Apenas me explique por quê!
– Porque pareceu...
– Não ouse dizer legal – interrompeu-a cruzando os braços. – Diga a verdade, qualquer um poderia dizer que isso é uma mentira muito descarada e péssima.
Tenten encarou-o durante algum tempo, calada, mas deu um sorriso meio triste para ele e começou a falar: — Ok, você ganhou. Vou parar com as brincadeiras.
“Uma parte de mim achava que seria legal, sim! Mas o principal motivo foi a necessidade. Minha mãe ficou doente logo depois que saímos de Ywan e precisava de tratamento; já meu pai não conseguia mais manter a família sozinho, pois o trabalho não rendia mais quanto antes.
Eu comecei a trabalhar como empregada primeiro, mas não conseguia ajudar em praticamente nada e os medicamentos para minha mãe eram muito mais caros do que eu poderia ganhar. Então decidi que precisava de algo mais lucrativo, foi quando conheci Sasuke e o resto da tripulação, eu fui a última a me juntar ao “Pérola”. E comecei a mandar quase toda a minha parte dos saques para meus pais”.
A expressão no rosto dela era calma; sem arrependimentos. Neji podia perceber o quanto ela estava satisfeita com a vida que estava levando e quão feliz ela era. Sabia que as pessoas dentro do “Pérola” eram como uma família, mas não esperava que fossem tão apegadas umas as outras.
– Seus pais, como estão? – perguntou de repente.
– Aah! Eles estão muito bem! – respondeu com um sorriso inocente. – Minha mãe já está curada e meu pai conseguiu um emprego fixo, mas continuo mandando o máximo de dinheiro que posso, não quero que eles passem dificuldades. Sem contar que minha irmãzinha tem que ter tudo do bom e do melhor!
Neji sentiu algo quente em seu peito, ela realmente se importava com sua família e aquilo o lembrava de sua falecida avó. Sabia que estava se impressionando com a garota e aquilo era um problema, então resolveu mudar de assunto.
– Você tem uma irmã? Isso não é bom, que tipo de exemplo você vai dar para ela? – perguntou sarcástico.
– Um exemplo de mulher forte e independente – ronronou sentando-se e segurando a mão dele. – E que pode conseguir qualquer coisa que quiser.
O Hyuuga encarou-a durante um tempo antes de puxa-la para si e depositar um selinho gentil em seus lábios, surpreendendo a garota: — Você é mais diferente do que mostra, não é?
– Isso você vai ter que descobrir – murmurou sorrindo.
Neji decidiu que aquele seria um bom desafio e quando voltasse para casa conversariam melhor, agora o Hyuuga estava mais preocupado em retirar as roupas dela e deita-la para que pudessem aproveitar.
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