Marcos Flich e o Segredo dos Grimpaus
8 Um segredo
Umas três horas depois de termos chegado Carol e Thiago chegaram voando e pousaram perto de nós.
— Carol – chamei – pode vim aqui um instante?
Assim que ela se aproximou eu falei:
— Oi! Você esta bem? – observei a expressão de carinho dela – Vocês conseguiram achar alguém?
— Oi – ela falou meio sem jeito e corando, me lançando o olhar verde mais lindo que já vi – estou bem, nós não conseguimos encontrar ninguém, só rastros, estão perto só que mais ao norte – ela fez uma pausa – então resolvemos volta – Foi ai que ela fez um bico lindo para mostrar que estava brava – Você mandou o Max ficar de olho no Thiago?
— Vamos conversar sobre isso depois – aquilo com certeza me pegou de surpresa, como ela sabia disso? – Selena e eu encontramos três guerreiros, mas tem um grimpau gravemente ferido, preciso que você dê uma olhada, ver o que pode fazer. Tá bom?
— Vamos conversa sobre aquilo depois – Ela me lançou um olhar de “com certeza iremos conversa depois” o que não me deixou mais tranquilo – Eu irei dar uma olhada onde eles estão?
Eu a levei até o lugar onde Mariana e Cristal estavam era uma área grande e gramada onde passava um rio perto de onde a cabeça de Cristal estava, havia uma grande tenda branca perto da barriga da Cristal, dentro estava Mariana que saiu assim que nos viu.
-Oi – ela falou com os olhos inchados de tanto chorar, ela vestia um vestido que não era velho, mas estava rasgado e ensanguentado.
— Oi – Falei – não precisa se preocupar, falei que iria trazer Carol para ver o que ela pode fazer, enquanto isso vou procurar algumas roupas e comidas para vocês.
Quando cheguei onde o resto do grupo estava pude ver que Rivan estava conversando com Thiago e os outros ainda estavam montando as tendas. Andei até onde Selena esta e falei:
— Você tem algumas roupas sobrando? É porque a Mariana está precisando de novas roupas. – ela acenou positivamente com a cabeça – ótimo, daqui a pouco venho buscar.
— Esta bem – ela falou andando em direção a uma tenda mais distante onde um dragão enorme e azul cercava
Logo depois fui até onde Teseu estava descansando.
— E ai grandão – o chamei – tudo bem?
Ele fez alguns barulhos felizes; era uma pena que eu não pudesse entendê-lo. Fiquei olhando suas escamas extremamente pretas e fortes por mais um tempo e falei:
— Você poderia arrumar alguma comida para a Mariana e Cristal? – ele fez um aceno com a cabeça e foi em direção a floreta.
— É uma pena que você não possa entendê-lo – a voz de Selena invadiu meus ouvidos – Então você era muito novo para aprender?
— Exatamente – respondi
— É só você ou Carol e Rivan também?
— Rivan começou a aprender, mas não sabe tudo só o básico, Carol como eu também não sabe. – respondi novamente
— Entendo – ela falou pensando algo – Acho que posso tentar ensinar algumas coisas para vocês. Já que vocês não sabem, isso acaba sendo uma vantagem para os inimigos não acha?
— Eu não tinha pensado por esse lado, você tem toda razão eles estão com uma vantagem muito grande sobre agente. Selena eu ficaria muito grato se você fizesse isso por nós.
— Vou fazer – ela afirmou me passando uma sacola embrulhada com roupas dentro – E quem sabe vocês não acabam descobrindo o segredo dos grimpaus? Iria ser divertido ver a cara que você fariam – ela deu uma risada baixinha e saiu andando para ajudar Bianca que estava com dificuldade em montar a tenda.
— Que segredo? – Sei que ela escuto, mas fingiu que não. E isso me deixou grilado.
Então voltei até Mariana e lhe entreguei o pacote.
— Vista isso vai ficar melhor – falei com um sorriso encorajador.
— Esta bem – ela falou – vou tomar um banho primeiro.
— Vou olhar como Carol esta se saindo, e pode deixar que eu não olho para trás – falei rindo
— E eu vou confiar em você – ela falou com um sorriso na cara e saiu em direção ao rio.
Quando cheguei a Carol ela estava mexendo nas costas do dragão roxo, onde havia um ferimento enorme, como se uma unha de um dragão tivesse sido cravada ali, o que era verdade.
— Nossa – falei
— Tem como curar – ela falou – só vai levar uns três dias, depois ela terá que ficar um tempo sem fazer muito esforço.
— Beleza – falei sorrindo – podemos esperar – Ela deu um sorriso e começou a sair.
— Carol – chamei – precisa falar com você.
Ela me olhou com um sorriso novamente, mas esse logo se desfez o que não tirava nem um pouco de sua beleza e falou:
— Não tenho mais nada para falar sobre esse assunto.
— Mas eu tenho – falei – por favor, me escuta.
— Tá, mas seja rápido.
— Desculpa se eu te magoei, eu juro que não queria – comecei – mas você tem que entender eu te amo muito, claro que eu confio em você, mas têm segredos que não é meu, eu só guardo, eu não posso contar o segredo dos outros, por favor, me entenda, eu faço qualquer coisa.
— Me prova – ela falou – eu também te amo, mas preciso que você me prove que o que você falou é verdade e não palavras soltas para me iludir, não quero mais brigar com você, nunca mais é por isso que eu te peço que me prove.
— E como eu provo?
— Não tenho a mínima idéia, quem tem que me dizer isso é você.
Eu a beijei quando ela terminou de falar, foi o beijo mais intenso que eu já a dei, foi um beijo apaixonado.
— Já é um começo – ela falou quando nossos lábios se separaram.
— Um começo? – fiquei magoado – só isso?
— Sim – afirmou – um começo que pode ter um final feliz.
Ela saiu andando em direção ao resto do grupo para pegar material de primeiros socorros, deixando só seu cheiro em minhas roupas, seu gosto em minha boca, e sua imagem em minha mente. Marina acabou o banho logo depois que Carol saiu, ela estava com um vestido branco com detalhes roxos e rosas, ela estava magnífica, mas não chegava nem perto de Carol.
— As roupas deram – ela falou.
— Estou vendo – falei – E uau! Você esta linda.
— Obrigada – ela falou corando.
— Carol foi pegar materiais de primeiros socorros. E Teseu esta chegando agora com a comida.
Quando falei isso Teseu entrou com três búfalos pendurados pelos rabos em sua boca.
— Bem ensaiado – ela falou aplaudindo.
— Digamos que não foi ensaiado, eu escutei os passos dele, mas obrigado.
Teseu colocou os dois maiores búfalos perto da boca de cristal e o menor em frente à Mariana.
— Obrigada Teseu – ela olhou com cara de fome para o búfalo.
— Vamos fazer uma fogueira para esquentar a comida. Teseu vamos pegar aqueles galhos ali.
Teseu e eu rapidamente voltamos com os galhos, Mariana estava tirando o pelo do animal com facilidade. Colocamos os galhos em um lugar perto da tenda, Teseu cuspiu fogo e os galhos entraram m chamas. Mariana começou a esquentar a comida, mas não conseguiu esperar ficar no ponto, ela comeu o búfalo quase cru. Quando ela acabou de comer foi deitar junto a Cristal para esquecer.
Teseu e eu voltamos a nossa tenda e eu estava me perguntado: Qual é o segredo dos grimpaus?
Fale com o autor