Marcos Flich e o Segredo dos Grimpaus
12 Revelações
Eram mais ou menos cinco horas quando Selena saiu da sua tenda. Ela veio andando em minha direção meio sonolenta e falou:
— Caiu da cama hoje Flich?
— Eu bem que queria que esse fosse o motivo – respondi.
— Posso saber qual foi o motivo então?
— Tive um pesadelo – respondi de novo.
— O mesmo de antes? – ela questionou.
— Não – falei – desta vez foi pior – Contei-lhe todo meu sonho, ela não falou nada, só escutou. E quando eu terminei, ela falou:
— E o que você pretende fazer?
— Só sei que tenho que acabar com Frederico. – Fiz uma pausa e analisei sua expressão – Quero que você comece a me ensinar a falar com Teseu ainda hoje, esta bem?
— Claro, antes só vou dar uma olhada em Rivan, para ver se ele precisa de alguma coisa.
— E eu vou falar com Carol.
Entrei na tenda e Carol estava trocando de roupa.
Esta se sentindo melhor? – perguntei olhando atentamente para cada movimento que ela fazia.
— Estou sim – ela respondeu – aonde você vai?
— Selena vai me ensinar a falar com Teseu hoje – comentei – você quer ir junto?
— Agora não dá, mas mais tarde eu apareço por lá.
— Estou indo então – falei.
— E você vai de pijama? – ela observou.
— Verdades eu tenho que trocar – respondi e tirei a minha blusa, Carol me jogou uma calça jeans – que eu havia esquecido na tenda dela sem querer – e como estava muito calor eu fui sem camisa mesmo.
Selena saiu da barraca de Rivan logo depois, seguimos andando até um gramado perto do acampamento, Ketrin e Selena ficaram em cima de uma pedra que até agora u não sei o porquê. Então Selena falou:
— Pode levar algum tempo para você conseguir entender Teseu, como você pode entendê-lo da primeira vez que tentar falar com ele.
— E o que eu tenho que fazer? – perguntei, depois olhei para Teseu.
— Você tem que tentar canalizar todos os sentimentos por ele, e depois entra na mesma linha de raciocínio. Entendeu? – ela perguntou.
— Acho que sim – respondi.
— Então pode começar – ela falou por fim.
Comecei a pensar em todas as coisas boas que nós passamos juntos, todas as felicidades, lembre-me da última vez que cheguei à fazenda em Minas Gerais a felicidade que ele ficou naquele momento e então tentei entrar na mesma linha de raciocínio dele, não deu certo. Então perguntei:
— Como que eu faço para entrar na mesma linha de raciocínio que Teseu?
— Não sei, está é a parte difícil – Selena falou – cada grimpau tem a sua linha de raciocínio, você tem que descobrir qual é a do Teseu. Vou te dar uma dica, concentre se só nele, em mais nada, esqueça tudo a sua volta, nesse momento só existe vocês dois.
— Certo vou tentar – concentrei mais uma vez relembrando todos os momentos, desta vez eu fechei os olhos, então tentei entrar na mesma linha de raciocino dele e nada de novo. Tentei mais umas quinze vezes e nada de uma voz surgir, aquilo era mais difícil do que parecia. Já deviam ser umas quatro horas quando Carol e Max chegaram. Selena explicou tudo para eles e eu quis observar. Depois de uns cinco minutos Carol fala:
— Que incrível! Max tem uma linda voz.
— Você conseguiu entendê-lo de primeira? – perguntei admirado e confesso que estava com um pouco de inveja.
— Não consegui entender muitas coisas, só palavras soltas – ela falou – o que já é um começo né Max?
— Eu não consegui entender nada até agora – resmunguei chateado.
— Calma você só precisa se concentrar mais – Selena comentou.
— Faz mais uma vez que eu vou ficar aqui olhando – Carol prometeu.
Concentrei-me mais uma vez, lembrando de todas as nossas felicidades de novo, mas aconteceu algo diferente, eu estava escutando a respiração de Teseu, escutava seu coração bater e de repente uma voz masculina e afinada veio em meus ouvidos:
— Estou com fome! – aquilo foi um tanto esquisito. Então falei:
— Você esta com fome?! – a indignação foi grande – você acabou de comer.
Teseu deu um gemido, Carol e Selena não conseguiram segurar os risos altos.
— Parece que você entendeu – Carol observou sarcasticamente.
— Já é um começo – falei depois dei uma risada – Vamos Teseu, vamos pegar algo para você comer.
— Carol e eu vamos voltar para o acampamento – Selena falou.
— Esta bem, mais tarde eu encontro vocês lá – respondi e saí correndo com Teseu em direção à floresta.
— O que você quer comer? – perguntei e me concentrei para tentar entender, foi quando eu passei por uma árvore com espinhos e eu lembrei que estava sem camiseta.
— Teseu, nós temos que voltar para eu pegar uma blusa, se não eu irei ficar todo machucado.
Estávamos chegando ao acampamento quando vi uma sena que eu preferia morrer a ver, Carol e Thiago estavam se beijando! Mas por quê?! Eu sabia que ela não queria, será que ele a forçou? Cadê Selena, Max e Ketrin?
— O que esta acontecendo aqui? – falei num tom de raiva.
— Um beijo – Thiago respondeu me deixando com mais raiva ainda.
— Amor ele me agarrou – Carol falou desesperada, o que eu não sei o porquê me fez acreditar nela.
— Você jura pra mim? – perguntei.
— Ela esta dizendo a verdade – Selena saiu de dentro da mata falando – Carol havia falado para Max, Ketrin e eu irmos porque ela queria falar alguma coisa para você. Então quando saímos decidi voltar para não deixá-la sozinha quando eu cheguei vi Thiago tentando agarrá-la e conseguiu por ele ser mais forte que ela, eu ia entrar para acabar com isso no momento em que você chegou.
— De que lado você esta? – Thiago perguntou para Selena.
— Do deles – ela respondeu – eu falei que não iria te ajudar nessa idéia maluca de acabar com o namoro deles.
— Ele ainda achava que iria conseguir? – perguntei puxando Carol para o meu lado – só se ele fosse louco.
— Quem sabe eu não sou – ele falou com a voz mais rouca – Martin mate à todos, meu tio Frederico vai me dar um prêmio por eu acabar com a rebeliãozinha de você, que vamos combinar que não iria dar em nada.
— Teseu! – Chamei e ele já estava ao meu lado, nós nos colocamos na frente de Carol e Selena que eu escutei chamarem Max e Ketrin. Eu estava sem espada, como iria lutar? Minha cabeça começou a girar e eu percebi que era um poder de Thiago, então por extinto falei:
— Adwstécla! – Mirei nele com as minhas mãos e começaram a sair fogo da palma das minhas mãos em direção a Thiago. Pensei que tínhamos pegado eles, mas eles se esquivaram e fugiram voando. Olhei para o lado e vi que Carol estava pronta para ir atrás deles.
— O deixe ir – falei e elas não entenderam o porquê – ele é só um lixo, não vai ser vantagem nenhuma matá-lo agora – Olhei para elas e vi que Carol estava vindo em minha direção, quando ela chegou até onde eu estava dei-lhe um abraço forte e ela falou:
— Você foi incrível!
— Não tanto quanto Selena – olhei para ela – muito obrigado, de verdade.
— Não foi nada – ela falou meio sem jeito – bom vou deixar vocês sozinhos, qualquer coisa estarei com Ketrin.
— Esta bem – Carol respondeu.
Quando Selena se afastou eu dei um beijo em Carol.
— Tem um lugar que eu quero te mostra – ela começou – da última vez quem mostro um lugar foi você agora é a minha vez.
— Tudo bem, mas você tem que me dar um beijo antes.
Ela não resistiu e me deu um beijo é claro. Carol e eu começamos a andar para um lugar mais dentro da floresta de mãos dadas, Max e Teseu vieram nos seguindo um pouco afastados.
— Feche os olhos – ela falou. Fechei meus olhos e ela começou a me guiar por um tempo até um lugar onde o vento era muito forte – Pode abrir – quando abri meus olhos vi que eu estava em cima de uma montanha muito alto, pois as nuvens estavam a baixo de nós e quando olhei para a floresta pude ver Naso e um pouco mais afastado nosso acampamento, vi também a lagoa onde Teseu e eu tomávamos banho.
— Incrível – falei finalmente – dá para ver tudo daqui de cima.
— E o melhor você ainda não sabe.
— Qual é? – perguntei.
— Ninguém pode ver a gente aqui em cima.
— Sério? – Falei com um sorriso no rosto.
— Muito – ela respondeu retribuindo o sorriso.
— Teseu pode ir para o acampamento – falei sem tirar os olhos de Carol – não temos horas para voltar, então não se preocupe.
— Pode ir também Max – Carol falou – faça companhia para Teseu.
Assim que eles saíram, nós começamos a nos beijar e a falar coisas fofas do tipo “eu te amo e nunca vou te deixar” até que o clima começou a esquentar, como eu já estava sem blusa era uma coisa a menos para fazer, Carol estava com uma blusa regata azul que se rasgou facilmente em minhas mãos, a essa hora minhas calças jeans já estavam sendo pisoteada no chão por nós dois, tirei a saia rodada da Carol com facilidade e nossa segunda vez foi ali mesmo no chão.
Acordei de madrugada porque Carol parecia inquieta, pensei que estava tendo um pesadelo, então achei melhor acordá-la.
— Carol, meu amor acorda. – falei com carinho.
— Rivan! – ela tinha acordado chamando o Rivan e não me deixou nada feliz – Rivan é meu irmão, quer dizer no sonho era não sei ele parecia tão real.
Como ela descobriu? Como ela pode ter sonhado algo verdadeiro?
— Temos que ir – falei sério colocando minhas calças.
— Por quê?! – ela falou indignada, e de repente ela se tocou – o que eu sonhei era verdade?
Eu não respondi.
— Marcos Flich! Responda a minha pergunta agora – ela falou brava.
— Não sou eu quem tem que responder. – falei
— Não tem como eu sair daqui sem blusa. – ela lembrou.
— Verdade – falei meio constrangido – Max! – gritei.
— Porque você esta o chamando?
— Ele vai levá-la até sua tenda, todos estão dormindo, ninguém vai ver, se você fosse andando chegaria quando o sol estivesse nascendo.
— Entendi – ela falou quando Max estava chegando.
— Carol – falei.
— Oi – ela respondeu quando ia subir em Max.
— Não se esqueceu de nada? – falei e ela deu um sorriso vindo em minha direção e me deu um beijo – não fale nada com ninguém até eu chegar. Promete?
— Por quê? – ela perguntou.
— Só promete – respondi.
— Esta bem? – ela falou meio sem paciência e saiu voando em Max.
+ Selena narra +
Acordei no meio da madrugada pensando em Flich, não sei porque eu comecei a chorar, lágrimas escorriam pelo meu rosto, a angustia de não tê-lo comigo foi apertando meu coração. Então escutei a voz de Rivan:
— Posso entrar? – a voz dele parecia calma e preocupada.
— Claro – respondi enxugando as lágrimas do meu rosto – Ketrin pode deixá-lo passar.
Então vi Rivan entrar em minha tenda, ele vestia uma calça de pijama branca e estava sem camisa, seu cabelo estava um pouco fora de ordem, mas estava lindo – o que era normal das pessoas ali. – percebi que ele tinha um peitoral muito definido, não só o peitoral como os bíceps, tríceps, abdome e tudo o que tinha direito.
— Estava sem sono então resolvi andar, quando estava passando aqui perto pensei ter escutado você chorar e parece que eu estava certo – ele falou.
— Esta muito na cara? – perguntei.
— Esta literalmente na cara – Rivan respondeu me fazendo rir.
— Desculpa – falei.
— Você esta me pedindo desculpa por esta chorando? – ele perguntou.
— Parece que sim – respondi meio sem jeito e percebi que estava corando.
— Você é muito engraçada, mesmo chorando de tristeza, você consegue ficar com vergonha, suas bochechas estão completamente vermelhas. – isso com certeza me deixaram minhas bochechas vermelha ainda e por incrível que pareça quando eu estava com Rivan eu não conseguia pensar em Flich e isso me deixava feliz. – Porque você estava chorando?
Não sei por que eu não consegui responder, eu simplesmente não conseguia falar de Flich com ele.
— Entendi você não quer falar sobre isso – eu fiz que sim com a cabeça – mas acho que um abraço de um amigo possa ajudar né?
— Eu o abracei o mais forte que eu pude, as lágrimas começaram as escorrer novamente pelo meu rosto.
— Você fica muito mais bonita sorrindo – ele falou me afastando para poder enxugar as lágrimas que escorriam pelo meu rosto, então ele me olhou bem nos fundos dos olhos, o silêncio era total e nós nos beijamos, foi um beijo intenso que me fez entender que era ele quem eu realmente gostava. Nosso beijo foi interrompido por um barulho de asas se aproximando.
+ Marcos Flich narra +
Estava andando o mais rápido que podia, quando estava chegando ao acampamento escutei a voz de Carol:
— Eu tive um sonho ele era muito real, você era meu irmão, perguntei a Flich e ele falou que não era ele quem tinha que responder – foi quando cheguei perto o suficiente onde eu podia ver todos e todos podiam me ver – Rivan você é meu irmão?
— Carol... Entenda... É que... – ele não conseguia falar e me olhou com uma cara de desespero.
— Fala de uma vez Rivan! – Carol gritou.
— Sou seu irmão sim! – ele conseguiu falar e Carol fez uma cara de choque.
— Porque você nunca me contou? – ela perguntou com os olhos cheios de lágrimas, eu queria consolá-la, mas sabia que tinha que deixar os dois se entenderem – Quem mais sabia?
— Eu sabia – Falei.
— Eu também sabia – Selena falou deixando tanto Carol quanto Rivan surpresos.
— Então Rivan? – Carol falou – por que você nunca me falou?
Rivan contou tudo a ela, todos seus motivos, seu medo de que ela nunca o perdoasse, lágrimas escorriam de seus olhos azuis e por fim ele falou:
— Se não quiser que eu fique aqui é só falar.
— Rivan... – Carol falou com lágrimas nos olhos.
— Entendi, já estou indo embora – Rivan falou virando as costas.
— Rivan – Carol chamou – Novamente correndo na direção dele e lhe dando um abraço forte – eu nunca pediria que você fosse embora, te amo muito irmãozinho!
Rivan retribuiu o abraço forte também e os dois ficaram ali abraçados com lágrimas nos olhos.
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