Marcas do Passado
43 Epílogo
Notas iniciais
No dia seguinte os corpos de Karina e Pedro foram encontrados sem vida, todos se comoveram com tal cena, os dois com as mãos entrelaçadas e ainda com lágrimas no rosto.
Ao saber da noticia da morte dos dois todos ficaram muito abalados, Bianca entrou em uma depressão profunda que aos poucos foi curada com todo carinho e paciência de suas filhas e Duca. O pai de Karina ficou desolado ao saber da morte da filha, era á única filha que tinha, á única família, e agora ela havia partido. O pai de Pedro ficou desesperado e acabou passando mal, seus dias eram regados de lágrimas e recordações. João ao saber da morte dos dois, sorriu, mas não sorriu por eles terem morrido, e sim porque quando criança ele se lembrava que os dois tinham falado que se um dia eles partirem desse mundo, eles partiriam juntos, João sempre ria quando eles falavam tal bobagem, mas não é que no fim das contas eles estavam certos. Todos os amigos ficaram sem reação diante do acontecido, o caso foi investigado e notaram que o carro foi sabotado, mas eles infelizmente não encontraram nenhuma pista de quem havia feito isso.
É como dizem tudo que vai, volta, e com Alice não poderia ser diferente, em uma certa viagem que ela fazia com Rony, seu carro capotou sem mais nem menos, Rony morreu na hora mas ela sobreviveu, quer dizer, em partes já que ela perdeu os movimentos da cintura pra baixo e entrou em depressão profunda tendo que ser internada por conta da agressividade que ganhou.
Á história de Karina e Pedro foi relembrada diversas vezes, todos os amigos próximos ao casal acreditavam que eles partiram felizes, partiram felizes porque estavam na companhia um do outro, estava com seu grande e verdadeiro amor.
O amor… Ahhh se existisse amor tão intenso. Amor, daqueles que deixamos uma parte nossa com á outra pessoa quando ficamos longe dela, amor que se concretize na eternidade e fique marcado para á história.
Tudo que aconteceu com Karina e Pedro foi muito intenso é claro, surpreendente, se o pai de Karina não vivesse viajando, se ele fosse um simples empregado que ficasse o dia inteiro trancado em uma empresa, será que Karina teria conhecido Pedro? Se eles não tivessem se esbarrado naquele dia, naquele dia que a história deles começaram, será que surgiria algo entre eles? Muitas vezes á males que vêm para o bem, temos que aceitá-los e tirar bom proveito deles. E quem disse que á história desses dois teve um fim? Não acredito que tiveram nem um meio que dirá um fim. O começo dessa história veio de anos e anos atrás, reencarnação? Não sei, alguém acredita nisso? Tudo é possível, olhe ao nosso redor e veja as coisas que acontece, veja as pessoas que cruzam seus caminhos e que desaparecem dele, se pergunte se em outras vidas vocês já se conheciam, se perguntem se já existira outras vidas. Karina e Pedro, Pedro e Karina, dois caminhos cruzados, dois corações se tornando um só, duas vidas diferentes, mas que vivia no mesmo ritmo, duas paixões, dois amores, duas almas puras, dois irmãos, um par perfeito, feito para sempre para completar um ao outro…
50 anos depois…
– Ahhh não papai, você jogou muito longe.
– Foi sem querer filhão, eu vou lá pegar.
– Não, deixa que eu pego – O pequeno saiu correndo antes mesmo de seu pai falar algo. A bola havia caído perto do lago e assim que ele á avistou sua velocidade aumentou, o pequeno virou o rosto e olhou para seu pai sorrindo, mas de repente se chocou em algo.
– Aii.
– Me desculpe – Ele disse. O garotinho havia se esbarrado em uma garota.
– Tudo bem, mas sai de cima de mim por favor, você não é levinho – Ele sorriu sem graça e tentou se levantar, mas algo o impediu.
– Seu colar prendeu na minha camisa.
– Tente tira-lo, mas cuidado com ele – O garotinho com toda delicadeza desprendeu o colar de sua blusa e levantou-se ajudando á menina.
– Me desculpe mesmo.
– Tudo bem – Os dois se olharam nos olhos.
– Esperai, eu acho que ti conheço.
– Eu também acho que ti conheço apesar de ter certeza que nunca o vi.
– Pelo que eu me lembro eu também nunca vi você, mas sei lá, você é muito familiar pra mim.
– Idem.
– Ahh bonito colar.
– Obrigada, minha bisavó que me deu, ela disse que foi de alguém muito importante que passou pela vida dela – O garotinho tocou no objeto.
– Eu e você… Até o infinito… Linda frase.
– Também acho, mas sempre quando alguém á diz eu á complemento com muito mais além disso.
– Sério? – ele arregalou os olhos e á menina consentiu – Eu também falo assim, meu pai sempre diz, eu e você até o infinito e eu digo, muito mais além disso.
– Engraçado – Ela sorriu e ele á olhou com um sorriso tímido nos lábios.
– Eu ainda estou com á sensação que ti conheço.
– Eu também, é como se… fôssemos amigos á muito tempo.
– Também sinto o mesmo apesar de ter só 7 anos…
– Eu tenho 6.
– E qual seu nome?
– Ahh é nem me apresentei. Karina, prazer – A garotinha estendeu á mão.
– O meu é Pedro – Ele pegou em sua mão e á sensação que ambos tiveram ao sentir o toque um do outro e olhar na profundeza dos seus olhos, foi que eles não se desgrudariam nunca mais.
Fim.
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