Marcas do Passado
24 Capítulo 24
Notas iniciais
Karina
– E onde vai ser esse piquenique? – Nós já estávamos no carro de Pedro, o tempo estava favorável, o ar estava coberto por uma brisa refrescante, havia grandes nuvens fofas no céu que brincava com algumas cores nesse entardecer, e a lua já mostrava que veio.
– Bom, é uma lugar muito especial pra gente, digamos que eu vivi os melhores momentos da minha vida ali – Ele me olhou e como sempre o contado de nossos olhos provocou sensações maravilhosas em mim, sempre que eu fitava aqueles olhos castanhos era como se eu estivesse olhando á coisa mais linda da minha vida. Pedro não precisou dizer mais nada para que eu soubesse que lugar era esse.
– É o nosso lugar.
– O nosso lugar.
Ele voltou á olhar para rua que estava pouco movimentada. A paisagem começou á mudar de grandes prédios e indústrias, para muitas árvores e muito verde, o ar já era mais respirável e o clima ali era diversificado, era como se estivéssemos mudado de cidade. Pedro estacionou o carro naquela estradinha de terra e nós saímos do veiculo. O vento forte bateu em meus cabelos os jogando para trás e o perfume das flores invadiu minhas narinas. Pedro pegou á cesta do piquenique e uma toalha e entrelaçou nossos dedos.
– Amor será que alguém vem á esse lugar? Ele parece ser tão deserto, intocável.
– Eu não sei, durante todos esses anos eu nunca vi ninguém por aqui, nunca vi se quer marcas de pneu ou algo do tipo.
– Será que somos os únicos que sabemos disso aqui?
– Provavelmente, esse é o nosso mundinho particular.
Continuamos andando até chegarmos aquela árvore de sempre, Pedro estendeu á toalha na grama e colocou á cesta ao lado dela.
– Você quer comer agora? – Ele perguntou e eu neguei – Então vem cá.
Pedri encostou-se à árvore ficando meio que deitado, eu me sentei ao seu lado e ele envolveu minha cintura juntando nossos corpos, eu afundei minha cabeça em seu pescoço respirando aquele intoxicante perfume.
– Como eu pude viver tanto tempo sem você? – Eu disse depois de um tempo. Pedro olhou para mim e como sempre seus olhos hipnotizantes logo me dominaram.
– Eu me faço essa pergunta todos os dias.
– Será que o nosso amor é para sempre?
– Eu acho que vai muito além disso. O nosso amor já estava escrito antes mesmo de nós nascermos, é como se nós viéssemos á este mundo pré-destinados á ficarmos juntos, nosso amor é algo novo, inexplicável, ele reúne tudo aquilo que hoje em dia as pessoas não acreditam, magia e encanto, transformando ele em algo único.
– Eu também acho isso, eu sempre me pergunto como duas pessoas podem se amar tanto dessa maneira, é como se fossemos á metade de um todo, sabe aquilo, carne e unha, alma gêmea, as metades da laranja, dois amantes dois irmãos, duas forças que se atraem, servem muito bem para nos descrever.
– Eu te amo, eu te amo, eu te amo, eu te amo – Pedro me abraçou forte – Eu sinto que essas palavras não servem para ditar o tamanho do meu amor por você.
– Não precisa, quando eu olho em seus olhos eu vejo todo o amor que você sente por mim, á cada palavra, a cada gesto seu fica provável que você foi feito pra mim, você foi feito para me fazer completa — Quando dei por mim lágrimas já rolavam por minha face.
– Eu tenho tanto medo de te perder – Pedro espalhou beijos por todo meu rosto secando minhas lágrimas – Se te tirarem de mim eu sinto que eu não vou ter mais vida, eu sinto que dessa vez eu não vou suportar.
– Isso jamais vai acontecer você é meu e eu sou sua e isso já foi decretado á muito tempo.
– Eu e você, além do infinito.
– Muito além disso.
Eu aproximei meu rosto do dele e selei nossos lábios e comecei um beijo que se misturaram com ás lágrimas saldadas, as nossas lágrimas salgadas, selando ali mais uma promessa que eu tinha feito á mim mesma, ficar com ele, com Pedro, com o homem da minha vida até que meu ultimo sopro de vida fosse lançado.
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