Notas iniciais
Acho que não tenho muita coisa para falar hoje nas notas... Só desculpem os erros!

Aos poucos Ruki foi acordando com a visão ainda embaçada, acordou estranhando o que aconteceu. Encarou o teto branco e constatou que estava em um hospital.

Aoi estava em um sofá no mesmo quarto que o vocalista, estava com a cabeça abaixada apoiada nas mãos. Começou a entender o que estava acontecendo,

_A... Aoi. — A voz saiu rouca, seus olhos estavam avermelhados.

O moreno ergueu a cabeça assustado e se levantou depressa.

_Cadê...?-Ruki perguntou receoso.

_Ele... -parou incerto. Mesmo com poucas palavras Aoi sabia que o vocalista perguntava sobre Reita.

Ruki QUERIA escutar que Reita se feriu e não corria risco de morte. Que entraria pela porta, ferido, pedindo desculpas pelo susto. Não seria o que iria escutar.

_Ruki... Ele não resistiu aos ferimentos e acabou... Morrendo no local do acidente.

_NÃO! É MENTIRA! Para de mentir-Aumentou o tom da voz- Eu quero vê-lo agora!-Chorou.

_Não torne... As coisas mais difíceis para você...

_Eu vou sair daqui e vou achá-lo!- Ameaçou a se levantar, mesmo que estivesse tonto.

Aoi o segurou e apertou o botão que chama a enfermeira. Essa entrou na sala depressa com uma ajudante e aplicou um calmante no menor.

_Shiroyama-san, vou pedir que se retire.

Ele afirmou cansado, foi ver como Uruha estava. O loiro tinha acordado algumas horas depois, não falava com ninguém, nem mesmo com Aoi. Estava quebrado emocionalmente.

_Uruha...

O loiro olhou Aoi ainda meio perdido nesse caos, estendeu a mão mostrando a caixinha preta. Uruha deixou uma lágrima escapar, deixando o coração do moreno acelerado. Aoi pegou a caixinha e a abriu, vendo as alianças de ouro com diamantes negros, pegou uma delas lendo as escritas: "Reita & Ruki".

_Iria pedi-lo... Em casamento antes do acidente. Aoi piscou algumas vezes para evitar as lágrimas.

(...)

Ruki recebeu alta na manhã seguinte ao acidente e voltaria para casa junto aos amigos, precisava do apoio deles ou não saberia como agüentar. Na saída do hospital, foram surpreendidos e cercados por fotógrafos, os seguranças ajudaram na escolta, mas não impediram que os bombardeassem com perguntas.

“Uruha-san, Uruha-san como foi o acidente”?

"Aoi você tentou prestar socorros à vítima?"

"kai onde estava no dia e hora do acidente?"

"Foi confirmado o fim do The GazettE?"

"Ruki-san vocês eram amigos íntimos?"

Mas ninguém respondeu as perguntas, entraram direto em um carro preto de vidros escuros, sendo levados para casa.

_Eu vou ficar na casa do Ruki. — Pela primeira vez depois de algum tempo Uruha falou.

Os dois desceram na frente do prédio, Ruki respirou pesado sabendo que aquilo o traria dolorosas lembranças. Foram andando sem muita pressa para dentro do prédio. Já na porta do apartamento, Ruki tirou a chave do bolso e a encaixou na fechadura. Perdeu-se durante alguns instantes vendo o chaveiro que havia ganhado duas letras "R" entrelaçadas.

Abriu a porta deixando-a aberta para que Uruha pudesse entrar, parou no meio da sala olhando tudo ao redor, estava tudo do jeito que Reita tinha deixado, Ruki podia sentir o cheiro do namorado.

Olhou para o sofá se lembrando dos momentos em que estavam juntos se beijando ou deitados assistindo TV. Observou os enfeites sobre a mesinha, viu um golfinho de cristal que ganhou quando fizeram os dois primeiros meses de namoro. Ruki jogou tudo no chão, quebrando a maioria dos enfeites que eram de vidro e cristal, virou a mesa e a quebrou. Tacou algumas coisas na parede enquanto chorava. Por fim deixou-se sentar no chão, exausto.

_Você não devia ter me deixado... Ma... Maldito! Disse que... Não... -Parou sem conseguir terminar a frase.

Uruha sentou ao lado do menor e o abraçou com força, o loiro tentava não chorar com a cena.

_Ele... Disse que voltaria... Disse que era para eu esperar... Ele mentiu para mim!-Ruki estava desnorteado.

Uruha colocou Ruki no sofá para tentar acalmá-lo, o menor conseguiu dormir enquanto Uruha limpava a bagunça.

(...)

_Aoi, leia isso. -Kai estendeu um jornal enrolado.

O moreno pegou o jornal e começou a ler.

“Morre na noite de Terça-Feira, aos 29 anos, o baixista Suzuki Akira, também conhecido como Reita, da banda The GazettE, vítima de um atropelamento.

Não foram dados muitos detalhes sobre o ocorrido e, de acordo com nossas fontes, o autor do crime ainda não foi identificado. Câmeras de segurança de algumas das lojas próximas ao local do crime poderão ajudar nas investigações.

Caso seja reconhecido, o motorista poderá pegar de dois a cinco anos de cadeia inafiançável. O suspeito fugiu sem prestar socorro à vítima por e será acusado de homicídio culposo (quando não há intenção de matar)

Os outros membros da banda ainda não deram nenhuma entrevista a respeito do acidente, também não foi divulgado se a banda substituirá o baixista ou a carreira de oito anos do The GazettE será encerrada por conta da tragédia.

Segundo o empresário da banda, estão sem previsão de quando estarão aptos a poderem depor. Os depoimentos serão essenciais para o reconhecimento do veículo usado no dia do crime, o dono do mesmo e o desfecho da investigação. Mas, corre o boato que três dos quatro membros já fizeram os depoimentos.

Foi divulgado que o velório será nesse sábado às 16 horas, porém parentes e amigos foram avisados para não divulgar o nome do local para evitar tumultos e prováveis confusões de fãs revoltados.”

Aoi arremessou o jornal no chão e se irritou.

_Como substituí-lo? Reita não é um objeto que se quebrar podemos simplesmente trocar. Merda se acham no direito de invadir toda uma vida de alguém.

_Calma, estão apenas fazendo o que são pagos para fazer. Vamos esfriar a cabeça. Sabe que não podemos parar no tempo... Temos que tentar seguir... Mesmo sendo difícil, temos que tentar.

_Sei disso e você deveria saber que tentar apagar Reita do The GazettE ou qualquer outra coisa está fora de questão. Ele ajudou a construir a banda e todo o sucesso que temos, prefiro dar como encerrada a banda a ter que continuar sem ele.

_Eu compreendo, e não quero apagá-lo de nossas vidas e mesmo que quisesse não poderia. — Kai respirou, cansado. Podemos resolver isso mais tarde, agora temos outras prioridades.

O moreno se jogou no sofá exausto, Kai sentou-se ao seu lado.

_Vai ser difícil, to sabendo. Ele... Era muito especial. -Sorriu triste- Às vezes tenho a impressão que Reita vai me ligar pedindo desculpas pelo atraso no ensaio e que estaria chegando. Ou que ele vai entrar pela porta... Invadindo meu apartamento, como sempre fazia.

_Nem me fale. Lembra de como brincávamos? Lembro até hoje daquele Live que fiz com um pano vermelho, ele ficou falando que eu estava fazendo cosplay dele, e ficava irritado. -Aoi sorriu e lágrimas se formaram.

_Se eu estivesse lá com vocês ao invés de ir embora, será que eu poderia ter evitado isso tudo?-Kai ficou serio.

_Provavelmente não, nem mesmo a gente pode.

_Sei lá! Ele me pediu para ficar um pouco mais, disse que queria os amigos por perto... E eu o que fiz? Fui egoísta querendo vir para casa encontrar o Miyavi... -Kai não pode segurar o choro.

_Não tinha como saber. Não mesmo.

Aoi suspirou vendo Kai secar algumas lágrimas que insistiam em escorrer pelo rosto. Lembrou-se que Uruha entregou uma coisa no hospital.

_Kai... — O baterista o olhou com o rosto vermelho- Uruha achou isso nas mãos do Reita... Quando ele ainda estava no chão.

Kai pegou a caixinha preta e a abriu, arregalou os olhos e não conseguiu mais prender a angústia, tirou uma das alianças e a leu. Não teve uma reação exata, deixou-se encostar no ombro do moreno, estava ficando em prantos, seu choro pesava. Aoi o abraçou forte tentando reprimir a vontade de chorar, não conseguiu. Aos poucos kai se acalmou, em seu rosto ainda tinha marcas das lágrimas.

_Ruki sabe que... Reita ia pedi-lo em casamento? -Guardou a aliança na caixinha.

_Não.

_Precisam falar para ele.

_É uma coisa difícil... Uruha ainda não fala muita coisa, acho que foi o choque. E eu? Não tenho a menor ideia do que fazer.

_Deixa que eu falo. Vou esperar a primeira oportunidade.

Aoi afirmou com a cabeça, sabia que mesmo para Kai, que tentava resolver alguns problemas mais pesados seria uma coisa difícil a fazer.

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"Embora a dor te filtra o coração cansado, faze silêncio.

Ainda que tua alma chore amargamente, silencia."

Notas finais
Esse trecho final eu tirei de um livro que achei que ficaria apropriado para esse capítulo, mas não lembro o nome dele.Espero que estejam gostando. *-*Reviews?