Marcas da Melodia

9 Doces Lembranças


Era uma vez
O dia em que todo dia era bom
Delicioso gosto e o bom gosto
Das nuvens serem feitas de algodão
Dava pra ser herói
No mesmo dia em que escolhia ser vilão
E acabava tudo em lanche, um banho quente
E talvez um arranhão
Dava pra ver
A ingenuidade, a inocência cantando no tom
Milhões de mundos e universos tão reais
Quanto a nossa imaginação
Bastava um colo, um carinho
E o remédio era beijo e proteção
Tudo voltava a ser novo no outro dia
Sem muita preocupação
É que a gente quer crescer
E quando cresce quer voltar do início
Porque um joelho ralado
Dói bem menos que um coração partido
Da pra viver
Mesmo depois de descobrir que o mundo ficou mal
É só não permitir que a maldade do mundo
Te pareça normal
Pra não perder a magia de acreditar
Na felicidade real
E entender que ela mora no caminho
E não no final
(...)
(Era uma vez — Kell Smith)

Hoje, aos 35 anos, aqui neste parque, vendo minha filha brincar com seus amiguinhos, me recordo dos meus momentos na infância. Quando eu tinha 8 anos, minha mãe me trazia aqui neste mesmo parque. Foi aqui que passei momentos inesquecíveis da minha infância.

Quando eu e minha mãe vínhamos, ela ficava me olhando brincar com meus amigos e eu sempre ficava brincando na caixa de areia, construindo castelos e muralhas. Lembro da primeira vez que uma abelha me picou.

Eu estava na caixa de areia, como de costume, quando minha mãe me trouxe um picolé. Era um dia ensolarado e fazia muito calor. Quando eu peguei o picolé, duas abelhas se aproximaram e, por eu ser muito inocente, abanei para que elas saíssem de perto. Então, uma delas acabou me picando. Doeu bastante e descobri que sou alérgica, porque logo depois da picadura, minhas bochechas ficaram vermelhas e fiquei cheia de bolinhas por todo o corpo.

Minha mãe teve que me levar ao hospital e fiquei por algumas horas em observação e, então, o médico me disse que tenho alergia. Agora, sempre tomo muito cuidado com abelhas.

Lembro-me também do dia em que conheci minha melhor amiga. Foi em uma tarde que minha mãe comprou um cachorro-quente para a gente comer. Eu estava no escorrega e minha mãe me chamou para irmos até a barraquinha que vende o melhor cachorro quente de BH. Quando chegamos lá, Nathaly estava comprando um cachorro quente com seu pai. Ela me chamou para brincar no balanço e me disse que era um de seus brinquedos favoritos do parque, assim como também era um dos meus, por isso aceitei o convite e fomos.

Naquela tarde, ficamos horas brincando e descobri que ela também vinha todos os dias ao parque. Desde então, brincávamos juntas sempre. Depois de alguns meses, ela passou a estudar na mesma escola que eu. Nos tornamos inseparáveis e hoje somos como irmãs. Quando o filho dela nasceu, fui escolhida para ser a madrinha. Somos muito próximas.

Tive ótimos momentos como esses na infância, momentos dos quais sinto muita falta.

Quando cheguei na minha adolescência, passei por alguns momentos conturbados. Um deles foi quando rompi meu primeiro namoro. Henrique é o nome do grande amor da minha adolescência. Eu o conheci no final do ensino fundamental e logo me apaixonei, pois ele era um menino fofo e tratava as meninas como se elas fossem princesas, além de ser muito bonito. Nossa história começou quando eu tinha 13 anos.

Eu entrei em uma escola nova e por ser tímida, não conversava com quase ninguém. E em um dia de verão, Henrique veio conversar comigo. Ele vendia as rifas para ajudar no comitê da escola. Quando me viu sozinha, sentou ao meu lado e começou a conversar. O papo foi fluindo e quando nos demos conta, já tinha acabado o intervalo e ele nem tinha falado da rifa. No dia seguinte, ele veio conversar novamente comigo e passamos todo o intervalo nos conhecendo. Após esse dia, não paramos mais de conversar.

Fizemos uma amizade muito bonita, pois ele sempre foi muito educado e se preocupava demais comigo. Quando chegou no dia 12 de julho de 1996, ele me contou que estava apaixonado por mim e que não conseguia mais esconder. Eu fiquei super aliviada em saber que ele sentia o mesmo que eu. E foi nesse mesmo dia que começamos a namorar.

Meu namoro com Henrique foi um conto de fadas. Meus pais o amavam e o tratavam como se fosse um filho. Ele me tratava como uma princesa, sempre me respeitando o máximo possível e sendo o mais fofo que conseguisse. Nós íamos, voltávamos da escola e passávamos o intervalo juntos, porque ele era mais velho e era de outra sala. Ao fins de semana, ele passava o dia todo em casa e só ia embora para dormir. Tínhamos um namoro caseiro. E ele me fazia a garota mais feliz. Mas, como em todo relacionamento, tínhamos nossas desavenças e em uma delas decidimos que seria melhor romper com o namoro e continuar a amizade, pois meu pai tinha sido promovido no emprego e eu e minha família teríamos que mudar pra uma outra cidade um pouco longe de Belo Horizonte.

Quando nos nós mudamos, achei que minha vida ia acabar. Eu sofria muito naquela época. Saí de minha cidade e fui para outra onde não conhecia ninguém, estava longe de todos os meus amigos e a pessoa que mais me fazia feliz tinha acabado de romper comigo. Foram os 12 meses mais difíceis da minha vida. Mas com todo o apoio da minha família, eu consegui me reerguer e fui me adaptando à nova cidade e percebendo que podia ser feliz naquele lugar.

Depois de um ano e meio morando em Juiz de Fora, eu comecei a fazer amizades e voltar a ter uma vida social normal, como das adolescentes da minha idade. Porém não queria me relacionar com ninguém novamente. Eu estava apreensiva, pois achava que iria sofrer outra vez. Mas a vida nos surpreende.

Quando estava terminando o ensino médio, estava estudando muito para prestar vestibular. Consegui ingressar em uma faculdade federal e, logo quando entrei, conheci Guilherme, um garoto que me lembrava muito Henrique, e, devido a isso, acabei me apaixonando. Nossa história foi um pouco conturbada. Mas quando estávamos no terceiro ano da faculdade, começamos a nos relacionar. Depois de um mês de namoro, eu vi que ter sofrido no passado por deixar Henrique foi bom, pois ele não era o homem da minha vida.

Casei-me com Guilherme quando tinha 26 anos. Com 28, engravidei da Emanuellle. Durante a gravidez, passei por uma fase muito linda da minha vida. A sensação de gerar outra vida é única. Quando a Manu nasceu eu era a mulher mais feliz de todo o mundo. E desde então formamos uma linda família.

Hoje, neste parque, vendo minha filha brincar e recordando os acontecimentos do passado, posso perceber que a infância é uma etapa muito boa de nossas vidas. A infância é uma fase onde aprendemos, brincamos, sonhamos... Mas não precisamos ficar presos ao passado para sermos felizes, pois nós é que fazemos o momento e podemos torná-lo melhor que qualquer outro pelo qual já tenhamos passado.

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Escrito por Stefany Porte, premiada por Obediência Irrestrita às Regras.