Marcados – Crescendo
1 Capítulo Único
Acordei com o barulho do chuveiro ligado. Olhei para a janela. Já devia ser tarde.
Levantei da cama e fui para o banheiro. Encontrei Daryl tomando banho.
Já estávamos acostumados com essa intimidade. No começo foi difícil para nós, principalmente para ele que não gostava de chamar atenção para si. Mas conseguimos entrar em um acordo. Não ficaríamos trocando beijos e carícias na frente das pessoas, mas iríamos morar juntos.
Observei seu corpo nu, a água escorrendo por ele. Bastava um olhar e tudo se acendia dentro de mim. Seus olhos azuis me encararam e ele sorriu estendendo a mão para mim.
— Achei que fosse demorar mais dorminhoca. — Debochou.
Fiquei embaixo da água morna e senti seus braços em minha cintura. Meu corpo pegou fogo como se fosse uma fogueira. Seus lábios procuraram os meus e o beijei com vontade.
Desliguei o chuveiro para não gastar a água e ele sorriu porque iríamos demorar um pouco. Em um movimento rápido me virou de costas para ele e encostou meu corpo na parede sendo pressionado pelo seu.
Seu membro pronto para me invadir. Mordeu meu ombro depois deu uma palmada fraca na minha bunda.
— Gostosa. — Sussurrou.
Algum tempo mais tarde terminei de vestir a regata preta, calça preta, jaqueta de couro marrom e calçar meu inseparável coturno marrom.
Cheguei na cozinha e encontrei Daryl comendo um sanduíche.
— Planos para hoje? — Perguntou.
— O de sempre. — Respondi me servindo de leite. — Fazer uma vistoria no local. Estamos com tudo abastecido.
— Eu vou sair.
— Tente não demorar.
Ele sorriu se inclinando para beijar meus lábios.
— É linda, sabia?
— Sim. Você diz isso todos os dias.
— Por que é a verdade. — Seus dedos calejados tocaram meu rosto. — Ainda tenho medo de tocá-la.
Sorri segurando sua mão contra o meu rosto.
— Já disse que não me importo com suas cicatrizes, suas mãos calejadas, nem mesmo com sua sujeira. Esse é você. O cara que não se importa com a opinião dos outros.
— Só com a sua.
— Te quero assim, Daryl.
Ele abriu e fechou a boca algumas vezes.
— Amo você, Julie. — Sorri.
Era a primeira vez que ele dizia as palavras. E sabia o quanto era difícil para ele dizer isso.
— Amo você, Daryl Dixon.
— Nunca pensei que alguém como você iria querer alguém como eu.
— Não tem nada de errado com você.
— Achei que tivesse.
— Se você ao menos se desse um pouco de valor veria que tem uma penca de mulheres loucas por você. Mas foi melhor você não fazer isso ou nunca estaria nas minhas garras agora.
Riu. Seus olhos ficando pequenos com aquele sorriso lindo. Vê-lo sorrindo era como se tudo se iluminasse. Já tentei dizer a ele que devia sorrir mais. É claro que ele achou bobagem. As únicas pessoas que arrancam seus sorrisos sou eu e Judith.
Judith estava enorme e era a mascote da comunidade. Todos eram encantados com sua doçura e beleza.
Terminamos de comer e saímos para a rua. Caminhávamos lado a lado levando os olhares de todos.
— Achei que uma hora ou outra eles iriam se acostumar com isso. — Resmungou e dei de ombros.
Abri a boca para retrucar, mas escutei o grito de Maggie.
Corri até ela que estava sendo amparada por Glenn, estava de vestido e vi suas pernas molhadas.
— A bolsa estourou. — Falou.
— Está tudo bem. Vamos. — Ajudamos ela a caminhar até a enfermaria.
Glenn ajudou-a subir na maca e Daryl nos deixou sozinhos. Consegui ver uma aglomeração de pessoas esperando.
— Ai! — Resmungou colocando a mão na barriga. – Nossa, isso dói.
— É normal, são as contrações.
Empurrei seu vestido para cima e tirei sua calcinha.
— Acho que vou vomitar. — Glenn murmurou ficando verde.
— Segura. — Falei. — Vou precisar de você aqui, entendeu? — Nunca imaginei que veria Glenn com os olhos arregalados, mas vi.
— Não me deixa morrer. — Maggie segurou minha mão. Os olhos suplicantes.
— Maggie, se acalme. Você tem o que Lori nunca teve. Esta saudável. É nova. E está pronta para ganhar de parto normal. Vai dar tudo certo. Mas você tem que controlar isso. É uma mulher forte e corajosa. Vai conseguir facilmente. — Ela assentiu.
Quando agarrei o menino. Sorri. Era como ver nossa fé e esperança crescendo.
— É um menino. — Maggie sorriu agarrada ao braço de Glenn. — Um lindo menino.
Carol foi muito prestativa trazendo as roupas do bebê e roupas confortáveis para Maggie. Entreguei o bebê a mãe já limpo e vestido. Vi o sorriso iluminar o rosto dela e de Glenn. Vi ali a maior arma que tínhamos contra todos fora da comunidade.
O amor.
Era isso que nos mantinha vivos e unidos.
Senti uma lágrima descer pela minha bochecha quando o vi mamando. Era maravilhoso trazer uma vida ao mundo. O recomeço. Nosso futuro estava ali.
— Obrigada. — Maggie falou sorrindo.
— Descanse Maggie, retornarei depois. Quero que fique aqui por enquanto, pelo menos até eu ter certeza que está bem para leva-la para casa. Você sabe que por mais bem preparados que estivemos para a chegada do bebê ainda assim nos falta recursos. E tudo o que menos queremos é uma infecção. — Ela assentiu.
Sai encontrando toda a comunidade ali esperando notícias.
— Correu tudo bem. É um menino lindo e saudável. — Eles gritaram e aplaudiram animados. Lancei um sorriso a Daryl. Seus olhos brilhando de orgulho.
— Preciso me lavar. — Assentiu e me acompanhou até nossa casa de novo.
— Está errada sobre uma coisa.
— O que?
— Não são as crianças nosso motivo de fé e esperança, nosso futuro. — Balançou a cabeça. — É você Juliety. Você nos mantem vivos. Sem você... Essa comunidade não seria nem metade do que é hoje.
— Bobagem Daryl. Todos aqui trabalham igualmente bem. – Ainda esta incrédula que ele estava me corrigindo sobre algo que havia pensado instantes antes.
— Sim, mas precisam de um comando. E é você quem dita as regras.
— Eu dito as regras?
— Sim. Por exemplo, desde que roubou meu coração já deixou claro que ele era seu.
— Você é um bobo. — Beijei seus lábios aproveitando que estavam todos na enfermaria esperando para ver o bebê.
— Você me deixa assim. E... Eu gosto disso. Meu irmão Merle deve estar se debatendo no túmulo agora.
— Talvez ele mudasse de opinião. Eu acredito que ele te amava. Do jeito torto dele, ele te amava. E se te visse feliz acabaria aceitando as coisas como elas são, do contrário, iria chuta-lo até parar de te incomodar.
— Essa eu queria ver. Sabe que eu acho que ele gostaria de você. Sem frescura, talentosa e bonita.
— Sinto informar, mas duvido que eu gostaria dele se o conhecesse.
— Eu sei. E duvido que você gostasse de mim, com ele eu era outra pessoa.
— Bobagem. Você não mudou. O que tem aqui. — Toquei seu peito onde fica o coração. — Não muda nunca.
— Eu tenho que ir. Só vou passar antes para conhecer o bebê. Se eu demorar mais um pouco só volto de noite.
— Se cuida lá.
— Eu sempre me cuido.
— Eu sei, mas sempre é bom lembrar. — Beijei seus lábios antes de seguir para o banheiro.
Horas mais tarde encontrei com Maggie observando seu filho dormindo.
— Onde está o Glenn? — Perguntei.
— Foi arrumar o quarto do bebê. Já posso ir para casa?
— Sim. — Respondi escrevendo em um papel. — Vou anotar aqui tudo que precisa comer para se manter forte e alimentar esse bebê.
— Ok. É estranho me sentir estranha?
— É normal, afinal seu corpo abrigou uma vida dentro dele por 9 meses. E agora não tem mais nada ai dentro. Demora até se acostumar. Parabéns Maggie, você foi muito corajosa.
— Outras diriam que fui burra.
— O que muitos chamam de burrice, eu chamo de Coragem. — Dei de ombros e vi Glenn entrar na enfermaria.
— Já posso leva-la?
— Sim, eu ajudo com o bebê. Já sabem, 40 dias sem sexo. — Glenn ficou vermelho, mas Maggie fez careta.
— Essa é a parte ruim.
— Não. O bebê vai tomar todo o seu tempo, acredite. Ajudei a cuidar do Dean. Sabe o que é vida social? Nunca tive. — Ela gargalhou.
— Você fala que eu sou corajosa, mas você que é.
— Por quê?
— Por tudo que já fez e faz aqui. — Glenn respondeu.
— E por conseguir fisgar o Daryl. — Maggie debochou sorrindo.
— Vamos. — Mudei de assunto.
Deixei eles em sua casa e depois segui para os muros. Dean e Sean faziam a guarda quando parei ao lado deles.
— Nem acredito que conseguimos chegar até aqui. — Sean murmurou observando a comunidade atrás de nós.
— Não foi fácil. — Dean resmungou.
— O que importa é que estamos aqui. Vivos. Unidos. — Lancei um olhar para a comunidade que estava crescendo ainda mais. — Nosso futuro está ali.
— Na verdade não. — Debochou. — Seu futuro está ali. — Olhei para a floresta onde meu irmão apontava. Daryl estava retornando e junto dele um cavalo preto.
— Seu príncipe encantado. — Sean não controlou a risada.
— Com um cavalo preto. Tinha que ser preto. — Sorri descendo e abrindo os portões. — Como o encontrou? — Gritei.
Da floresta zumbis começaram a sair tentando chegar até o cavalo que Daryl tentava puxar.
Corri até eles tirando minha arma do coldre e começando a atirar nos zumbis. Conseguimos levar o cavalo para dentro da comunidade, depois fechamos os portões de novo.
— Vi ele ontem.
— E não me contou?!
— Era uma surpresa. Um presente na verdade. — Murmurou. — Fiquei sabendo que gostava de cavalos.
Sorri antes de beija-los.
O que tem dentro do coração não muda, só cresce.
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