Marcado

35 Capítulo 35 – Resgate


Notas iniciais
Achei que o capítulo ficou compacto demais, até pensei em trabalhar ele melhor, esticar e dividir em dois. Mas sabem como é: senti preguiça, daí ficou assim mesmo. Nada de min julga. Importante: minha Beta linda é biologa, então ela me deu um monte de diks sobre os animais, com muita paciência. E eu, claro, sou uma autora de merda e ignorei todas! Haha, então não leve nada a sério, onegai. Se bem que em uma fic de shifters não dá pra levar nada como cientificamente veridico, né? xD Acho que é isso. Boa leitura! :D

Marcado

Kaline Bogard

Capítulo 35 – Resgate

Momoi segurava no volante com firmeza. A sensação era de viver um sonho, sentia-se um tanto fora do ar.

Na frente da Sprinter corria um leão, o pêlo reluzia a luz da lua, o porte era imponente. A juba dourada balançava a cada passo pesado que arrancava poeira do chão. Entendeu perfeitamente porque tal criatura era considerada o rei da selva. Ferocidade encontrava reflexo nos olhos ametista.

Mais a frente dele corria um leopardo. Não tão grande quanto o leão, mas veloz e igualmente selvagem. O pêlo amarelado era salpicado de pequenas pintas pretas, num padrão único de beleza rudimentar. Os olhos eram tão verdes quanto esmeraldas.

Havia ainda um lince, o mais veloz dos felinos e que já desaparecera de vista, de tão rápido que corria. Sua imagem fortemente gravada na memória de Satsuki, o menor dos três felinos, cujo porte mediano se compensava com a agilidade assombrosa. Um animal de pêlo marrom claro rajado com algumas listras em tom mais escuro. E olhos na cor âmbar que refletiam a luz como jóias raras.

Ao lado do carro, oferecendo proteção ao veículo, ia uma rara raposa de pêlo prateado, os olhos cordatos possuíam o tom calmante do céu tingido de azul celeste. Equiparava-se em tamanho ao lince, porém não corria tão rápido quanto ele. Talvez para permanecer ao alcance da Sprinter.

Por fim, o primeiro Beta a se transformar e único que não era mamífero até então.

Impressionada, Momoi lançou um olhar para o céu, admirando a águia que cortava o ar com suas asas imensas. O pássaro imponente voava com segurança, como o rei das alturas, mostrando claramente que a visão privilegiada era seu melhor guia.

Acabou respirando fundo. Por muito pouco não se transformara também. Quase conhecera seu animal interior. Não lamentaria muito, haveriam muitas chances disso acontecer dali pra frente, desde que resgatassem os companheiros.

A visão da transformação a impressionara e assustara um pouco. Trazer o animal da Zona era doloroso, um sofrimento. Nem podia ser diferente: um corpo humano mudando a nível celular causava isso. Apenas em filmes um homem podia se transformar tão fácil quanto espirrar!

Jogou a ansiedade para o fundo de sua mente. Aproximavam-se da casa de campo, sua presença já podia ser detectada, muito provavelmente. Embora nada pudesse fazer quanto a isso. Estava ali para dar cobertura, compreendia a intenção de Akashi ao impedi-la de se transformar.

O tempo para considerações acabou. Já via os inimigos.

R&B

A Pantera saiu pela porta entreaberta e ganhou o pátio deserto, a flexibilidade felina emprestava um tom quase sensual aos movimentos dos músculos fortes. Caminhou com leveza e graça até o centro do terreno, bem a frente da casa. O luar bateu em seu pêlo muito negro, fazendo-o reluzir ainda mais. Passou a língua pelo focinho, limpando um pouco do sangue.

O instinto apurado e os sentidos ampliados lhe trouxeram a certeza de que seu Pack estava perto o bastante para oferecer o reforço que precisava. Um lince foi o primeiro a chegar, graças a agilidade característica da espécie, ampliada pelos poderes sobrenaturais shifters. Parou a certa distancia do Alpha e rosnou baixo, inclinando-se de modo a expor o pescoço, maior sinal de submissão e respeito ao líder do Pack.

Uma águia voou rasante e foi pousar no telhado, perto do beiral. Analisou os felinos com o olhar bicolor antes de gritar e bater asas mais uma vez, seguindo rumo a lateral da casa. Queria que lhe acompanhassem. Sua visão magnífica descobrira um ponto de acesso.

A Pantera avançou. O Lince a seguiu. Logo viram grandes janelas que davam para uma sala de jantar. O vidro de uma delas estava quebrado. O Alpha tomou impulso e saltou, entrando na casa. No instante em que o Beta faria o mesmo, dois rapazes surgiram da direção que parecia ser da porta dos fundos. Paralisaram-se de medo e surpresa pelo encontro inusitado.

Mais três garotos vieram do lado da entrada principal. Cinco rivais estupefatos e perdidos. A pouco tempo atrás, a presença do prisioneiro desaparecera. Então tentavam organizar-se precariamente e descobrir o que acontecia. Só não planejavam encontrar um lince parado no terreno.

E piorou ao ouvirem um rosnado baixo, ameaçador. Vinha de outro animal selvagem. Dessa vez um leopardo, que sequer perdeu tempo antes de saltar sobre o mais próximo e derruba-lo no chão. As presas afiadas já rasgando-lhe a garganta e interrompendo o grito de terror.

Os outros garotos dispersaram-se, correndo para longe sem a menor coragem de enfrentar as feras que invadiam seu território. O Lince tomou aquilo por sinal. Era a primeira vez que saia da Zona e sentia os elementos da natureza tão vivazmente, direto no próprio corpo. Era a primeira vez que tinha a chance de caçar. Por isso seguiu o exemplo do leopardo, porém em sentido contrário, disposto a não parar enquanto não derrotasse suas três presas.

Dentro da casa, a Pantera completou o salto com graça e desenvoltura, o lugar era amplo e pôde aterrissar sem colidir com a longa mesa de jantar. Farejou o ar. Captou o cheiro do sangue de seu companheiro de um lado. Do outro, sentiu o cheiro de um Alpha. Seguiu naquela direção. A animosidade decidindo a estratégia a ser seguida.

Saiu em uma grande sala de estar. Ganhou a atenção de três rapazes que conversavam nervosamente, articulando algum plano precário. Dois deles deram um passo para trás. Eram Betas. O outro ficou firme no lugar.

Apesar da situação crítica, Kentaro logo entendeu o que acontecia e o porquê da presença do outro Alpha ter desaparecido. O sofrimento do Ômega trouxera a parte animal de seu companheiro para fora da Zona. De algum modo, a Geração Milagrosa descobrira onde se escondiam e vinham bater a porta. A presença da fêmea tornava-se cada vez mais evidente. O Pack impulsionara ainda mais a transformação para a forma completa. Ali estava o resultado.

Ambos se entreolharam, enquanto os Betas se rendiam à covardia e fugiam dali pela porta da frente. Ao menos um, já que o outro não teve tanta sorte. O Leão barrou-lhe a fuga. Um grito de horror foi seu último gesto. A morte o alcançou impiedosa, trazida pelas afiadas presas do caçador.

Kentaro estava de costas para a porta. Apenas sentiu aquilo. Assim como intuiu a morte de outros dois Betas de seu Pack, as vidas roubadas com violência e sem piedade. Pânico, dor e desespero fluíam através do vinculo que o ligava a eles. Estava acabado, sabia.

Talvez, agarrando-se a um ridículo fio de esperança, tivesse alguma chance se o Alpha rival viesse para a luta em sua forma humana. Contra aquela máquina de matar, controlada por instinto e sede de vingança, suas chances eram nulas.

Acreditava que o jogo seria perigoso desde o começo. A ambição de Hanamiya não conhecia limites e Seto concordava com todos os planos ardilosos apenas para satisfazê-lo. Afinal, eram companheiros. Arriscara tudo o que tinham, desafiando leis antigas e violando regras quase sagradas para a comunidade. Desdenhara dos oponentes. Subestimara o elo entre Alpha e seu companheiro. Não dera a devida importância ao que um nascido Ômega poderia proporcionar. Mas não se arrependia de nada. Se tivesse a chance, faria tudo outra vez.

Agora era hora de pagar o preço por seus atos.

— Me diverti muito — provocou, sem desviar os olhos da Pantera — Fazendo seu Ômega chorar...

A Pantera rosnou alto, um som feroz gritando juras de um destino terrível. Fúria fria brilhou nos olhos que eram como safiras e nada mais além da promessa do fim. O animal saltou ágil e certeiro, caindo sobre o shifter, pronto para roubar-lhe a vida, devorar seu último suspiro.

A morte veio definitiva. Mas não foi rápida.

R&B

Makoto cumpriu as ordens de Kentaro, ficando à porta da prisão do Ômega. Não que achasse que o cara fugiria nas condições em que estava, mas para evitar que o perdessem. Não compreendeu como o outro prisioneiro podia sumir daquela forma! Onde estaria o Alpha líder da Geração Milagrosa?

Shifters sempre seriam captados por outro shifters! A não ser que perdessem a vida. O que não era o caso ali. Não houvera sinal ou precedente que indicasse ferimento mortal em Aomine. Sua energia não enfraquecera gradativamente.

Ficou confuso. Seu plano era tão perfeito, tão cuidadosamente elaborado! Mas deixara uma brecha! O que teria ignorado, no fim das contas?

Foi um alívio quando Hara aproximou-se, graças a indicação de Seto, para que ajudasse a cuidar de Kagami. Todavia, a sensação evaporou mais rápido que cerração ao pôr do sol. Os outros Betas caiam como moscas, feridos mortalmente. Algum inimigo imperceptível invadia o cativeiro. Seriam humanos?

A resposta veio a si em um insight, tão logo teve cabeça para concentrar-se e captar a fêmea rival muito perto dali. A Geração Milagrosa os descobrira. Alguém tão inteligente quanto Hanamiya somou todas as partes do problema e compreendeu o que acontecia. A lenda era verdade: apenas a forma humana era captável para os outros. A forma animal, não. De algum modo o esconderijo fôra desvendado. Akashi Seijuro e demais Betas estavam ali, para o resgate. Isso trouxera a força que Aomine precisava para atender o chamado em proteção ao Ômega e tirar o animal interior da Zona.

Então Hara segurou o amigo pelo braço e o puxou em direção às escadas. A mente pareceu desfazer-se em confusão. Seto Kentaro tinha acabado de...? O seu Ken-chan?

Tropeçou nos degraus, mas Hara não deixou que fosse ao chão. O Beta sabia bem que, uma vez vencido o Alpha, Aomine viria direto ali, atrás de seu companheiro. Seriam derrotados fatalmente. Tudo o que importava era garantir pelo menos a vida de Hanamiya. Era o que Seto desejaria que fizesse.

Portanto, abriu a primeira porta do corredor, aquela que usavam para espancar os prisioneiros, e empurrou o amigo para dentro, fechando-a em seguida. Que fosse uma parca proteção, pouco importava. Alimentaria a esperança de ser o bastante.

Encostou-se na porta. O coração disparou de medo. Antes, somavam um total de quinze shifters que escondiam-se ali. Agora mal podia sentir cinco, talvez seis. Os outros? De algum modo, tiveram suas vidas obliteradas. Inclusive o Alpha daquela geração de atletas do basquete da Kirisaki Daichi.

Não teve consciência de quanto tempo ficou naquela posição, defendendo a porta, ouvindo o coração de Hanamiya bater na mesma proporção do seu, enquanto os sonhos grandiosos de ter um Pack completo desmoronavam. Mas foi tempo o suficiente para o suor frio escorrer por sua testa e costas, umedecendo o tecido da camiseta que vestia.

Agiam de modo escuso e indigno? Oras, era sua marca registrada. Não havia espaço para arrependimento.

Então Hara encarou a morte de frente. Ela surgiu no corredor. Possuía a forma de uma pantera negra, com profundos olhos azuis. Caminhava com graça e elegância, em passos firmes. Exalava perigo e selvageria, guiada por um único objetivo.

O garoto pensou que nunca antes, em toda sua vida, encontrara um animal tão magnífico.

R&B

Dentro do quartinho, Hanamiya captou o medo de seu amigo escapar a qualquer medição. O terror de quem encara o fim.

Cobriu os ouvidos com as mãos, tentando abafar o grito de dor. Não conseguiu. O som atravessou seus tímpanos e foi além. O atingiu na própria alma.

Sangue vermelho e quente fluiu pelo vão da porta. Seria a sua vez?

continua...

Notas finais
Não tem muito o que falar. Sangue, o povo queria sangue. Taí o sangue! Haha E o Hanamiya? Morre lenta ou rapidamente? >) Ganho chocolates agora? Até mais!