Notas iniciais
Miguxos, tudo bem com vocês, seus lindos! Importante:
1- Parei de trollar porque ninguém mais cai i.i mas um dia eu volto! Juro que volto!
2- Entramos na reta final. Contagem regressiva para o 'The End'. Já vão preparando o coração aí.
3- Nota importante no final! Leia :D
Aprecie sem moderação!
Marcado
Kaline Bogard

Capítulo 30 – Fragmentos
A escada dava acesso a outro corredor. Avançou por ele, sem parar em frente a nenhuma das portas fechadas em ambos os lados. Não sentia Daiki por perto. Foi então que parou abruptamente. E se seu irmão estivesse ali? Não poderia senti-lo, afinal, Himuro era humano! O que fazer? Olhar porta por porta atrás dele ou ir ao resgate do Alpha?!
De repente Kagami não soube o que fazer.
Chegou a dar um passo para trás, determinado a testar a porta mais próxima. A dúvida era cruel de ser sanada!
Acabou recuperando um pouco do bom senso. Aomine estava ferido e podia ser localizado, caso conseguisse captar sua presença. Se libertasse o Alpha seriam mais fortes para enfrentar o inimigo. Kagami, um Ômega, e um humano não seriam páreo.
Decidindo-se, por fim, avançou pelo corredor. A precária arma firme nos dedos longos, mínima chance de defesa contra quem quer que aparecesse. O coração apertado e pequenino diante da possibilidade de estar deixando o irmão para trás, preso em um dos cômodos.
No final daquele corredor também havia uma porta. Antes de abri-la, respirou fundo. Podia sentir Kentaro e Hanamiya no andar debaixo, parados. Teria acertado o outro com tanta força assim?!
Então concentrou-se no lado de fora. Aparentemente não havia ninguém! Seu instinto alertou para o fato de algo estar errado. Mas que opções tinha? Voltar atrás? Não! Decidido, abriu a porta e deu com uma grande cozinha. O local construído todo nos padrões ocidentais estava vazio. E iluminado pela luz do dia que entrava pelo vidro das janelas fechadas com cadeados. A paisagem lá fora era bonita e desoladora: um gramado verde a perder de vista. E altos muros perdidos na distância. Onde raios estava?!
Isso ajudou Kagami a se orientar melhor no tempo, mas não no espaço. Antes sequer sabia se era noite ou dia! Agora restava a charada de que ponto do mapa ficava aquele lugar!
Pensando rápido, pegou uma das cadeiras e a usou para travar a maçaneta da porta por onde passara. Não era grande coisa, mas ajudaria a atrasar os inimigos um pouco. Depois correu até o armário e rapidamente abriu as gavetas. Encontrou algo que procurava: uma faca afiada que seria muito útil para se defender.
Havia mais duas portas na cozinha. Uma dava para o lado de fora e a outra levava para o cômodo adjunto da casa. Se Aomine não estava com ele naquele porão, as chances de que estivesse ali dentro eram pequenas! Onde o teriam aprisionado?
Tentando manter a calma, concentrou-se. O Tigre tentava ajudá-lo naquele momento. Corriam contra o tempo, mas não podia perder a cabeça. Fechou os olhos e concentrou-se. Sentiu dois Betas dentro da residência, mas acima dele. Compreendeu que a construção tinha mais de um andar.
Continuou sua busca e foi recompensado. Captou fragmentos da presença de Daiki, no lado de fora. Mas eles flutuavam a si ínfimos, como se o garoto estivesse longe ou fraco. Provavelmente a segunda opção. Sabia que ele estava ferido.
Porém, o mais importante: ficou óbvio que ele estava fora da casa.
Avançou para a porta que o deixaria sair. Trancada, para sua surpresa. Ou não. E não era uma simples obra de madeira, como a de seu quarto. Era de aço reforçado. Arrebentar a tranca não seria tão fácil.
A solução foi dar a volta e tentar uma saída pelo interior da residência. Era só continuar com as precauções e...
Taiga gelou. O Alpha e o Beta do andar de baixo estavam se movendo, claramente vindo naquela direção! Abandonou o bom senso. Sozinho não daria conta de dois inimigos ao mesmo tempo, sem o elemento surpresa.
Avançou para o próximo cômodo, era uma sala de jantar grande e de certa elegância. Deu a volta na mesa de madeira, mal reparando nas cadeiras de alto espaldar e forro de veludo vermelho, de bom gosto.
Seguiu em frente e praguejou. Os Betas do andar de cima também se colocaram em movimento. Ficaria sem escapatória!
Acelerou os passos e correu em frente, única forma de sair da sala de jantar. Acabou invadindo uma sala de estar decorada com requinte, mas em um estilo rústico dificilmente visto em casas urbanas. Ou seja, provavelmente estava em uma residência de veraneio ou mesmo uma construção de campo. Isso combinava com a vista de fora das janelas da cozinha. Estava longe da cidade. Muito longe.
Mal teve tempo de continuar o plano de fuga. Mais um Beta entrou em seu espaço pessoal, mas esse estava do lado de fora, não muito longe. Um barulho alto deu a entender que o Alpha chegara a porta da cozinha que travara com uma cadeira. Merda!
Taiga se viu obrigado a desistir daquela rota. Pensou rápido, como um verdadeiro jogador de basquete que precisa mudar a jogada no último segundo. Regressou para a sala de jantar. Ali haviam grandes janelas, fechadas, claro. Mas construídas com grandes placas de vidro.
Olhou em volta. A decoração requintada exibia muitas possibilidades para o que planejou. Movido pelo desespero de saber que os inimigos estavam cada vez mais perto, pegou o grande vaso de centro da mesa de jantar e o jogou contra uma das placas de vidro de uma das janelas, fazendo-o se espatifar com um som agudo e alto.
Sequer perdeu tempo se preocupando com as lascas afiadas que ficaram. A intenção era sair logo dali e talvez ter uma chance de alcançar Daiki. Precisou segurar na lateral da janela, sem soltar a faca, e acabou cortando a palma da mão no estilhaço dos vidros. Não deu a mínima. Conseguiu passar uma das pernas. Rasgou a calça jeans e sentiu uma ponta raspar na pele da panturrilha, ganhando um novo corte. Chegou a dar impulso para passar a outra perna e saltar. Porém soube que era tarde demais.
O Alpha estava ali.
A próxima coisa que sentiu foi uma mão grande, de dedos fortes, fechar-se em sua nuca e puxá-lo com violência para dentro, de encontro ao chão. O pedaço de madeira escapou-lhe, mas a faca continuou firmemente segura.
— Isso não teve nem graça — Seto debochou. Então lançou um olhar divertido para os dois Betas que pararam na porta de acesso a sala de estar — Vocês começaram cedo demais. Deviam ter esperado para ele explorar um pouco mais.
Um dos Betas, Hara Kazuya, o rapaz de longa franja que estivera com Hanamiya no dia que entregaram o celular para o Ômega, deu de ombros.
— Foi mal.
A conversa encheu Taiga de raiva. Aquele cara dizia que o deixara escapar de propósito? Só pra se divertir?! Kentaro se arrependeria por enganá-lo daquele jeito. Não ia se render sem luta!
Ergueu-se de um salto exibindo a faca. Não tinha a Eagle Vision, mas tentou manter os Betas e o Alpha em seu campo de visão. Registrou vagamente as expressões de diversão que recebeu. E isso o deixou mais furioso.
Investiu contra Kentaro, decidido a acertá-lo com a lamina afiada, completamente esquecido de qualquer código humanitário. O Alpha desviou fácil com um movimento rápido e fluído. Taiga passou direto por ele. Antes que conseguisse dar meia volta para tentar novo ataque, aqueles dedos, que eram como garras, o prenderam pela nuca a segunda vez.
No instante seguinte, sentiu-se empurrado com violência contra a parede. Um som horrível de pancada confundiu-se com seu gemido no instante em que bateu o rosto com força. Sangue jorrou do nariz machucado e de um corte sobre a sobrancelha.
Caiu no chão uma segunda vez, mas sem a mínima chance de tentar nova resistência. Ficou tonto, desorientado.
Um dos Betas riu, sem que Taiga conseguisse distinguir qual era.
— Ômegas não são de nada! — o mesmo rapaz ironizou.
Kagami não tinha condições de revidar aquilo. E a situação estava prestes a piorar. Por sobre a nuvem de confusão e dor que era sua cabeça, sentiu o Alpha abaixando-se ao seu lado. Teve dificuldade de enxergar graças ao sangue que escorria da sobrancelha e o pouco que viu o tornou receoso. O sorriso do inimigo era cruel.
Kentaro segurou o cordão que escapara de sob a blusa de Taiga, a prata queimando sua pele. Puxou com força, arrebentando e jogou longe. Não queria que nada o incomodasse. Então espalmou a mão ferida no rosto de Kagami e o obrigou a olhar para o lado, de um jeito que expunha o pescoço alvo.
— O gosto de raiva e de ressentimento são bons. Mas o melhor... é o gosto do medo — terminou a fala inclinando-se e passando a língua pela Marca, devagar, como se saboreasse o contato íntimo.
Um toque que fez Kagami estremecer de asco. Aquilo era repulsivo. Repugnante. Totalmente o contrário do que sentia quando Daiki o tocava, ainda que seu companheiro tivesse gestos estabanados e impacientes.
Revoltado com o abuso, o Ômega ainda teve um frágil reflexo de defesa, debatendo-se para tentar libertar-se. O desespero aumentou quando uma das mãos de Kentaro insinuou-se por baixo de sua blusa, contato tão desagradável que o fez gelar. Ao redor, os Betas riam da cena. Humilhação veio a ele e foi esmagadora.
— Pare — tentou soar ameaçador, mas a palavra foi menos do que um sussurro.
A risada de Seto uniu-se as demais. Acabou obedecendo e erguendo-se, com Kagami em seus braços. Ficou satisfeito com o resultado alcançado. Fragmentos minúsculos vinham do Ômega até si. Desespero, raiva, asco. Medo. Um tênue vínculo começava a ser formado...
R&B
Alguma coisa estava acontecendo. Algo sério.
Daiki sentiu que seu companheiro estava impaciente de forma anormal. Tentou entrar em contato, mas o garoto se esquivou todas às vezes, de modo evasivo. Então a ansiedade foi suplantada por uma forte onda de adrenalina que atiçou a Pantera em sua alma.
Ansiedade. Pressa. Dúvida. Desespero. Esperança. Sentimentos fortes que dominaram a mente de Kagami, de tal modo que Daiki não conseguiu mais uma brecha para o elo mental. Ficou inquieto, sem sossego, sentado no chão frio daquele lugar. O ombro estava amortecido, fazia Aomine desconfiar de que sua ferida estava feia... A improvisada máscara mal fornecia proteção contra os efeitos do wolfsbane e do mistletoe.
Então, de repente, a urgência de Kagami o deixou desnorteado. E receio. Por fim, a dor.
Algo grave abatera o ruivo. A dolorosa humilhação do rapaz o atingiu com força tal, que o fez ficar de pé, precariamente, e avançar até a porta, ainda que fosse incapaz de abri-la no estado em que se encontrava.
Identificava o sentimento, ainda que nunca houvesse passado por algo assim antes. Sabia com toda certeza do mundo que outro Alpha tocara Kagami Taiga. Tocara seu Ômega. Seu companheiro. Intimamente.
A raiva veio intensa. Misturada com uma animalidade nunca experimentada antes. Um rosnando escapou dos lábios de Aomine, vindo direto da criatura em sua alma. Ele arqueou as costas, enquanto os olhos brilhavam em azul. A Pantera tentava sair da Zona e clamar vingança contra a audácia de seus inimigos.
Acabou caindo com um joelho no chão, ofegante e enfraquecido. Não estava pronto para a transformação. Precisava do resto do Pack. Precisava da força dos números.
Antes que fosse tarde demais.
continua...
Notas finais
Olá jovens Betas do meu Pack. Sentem-se, pois a nota será longa. Eu já estava devendo isso faz um tempo, mas enrolei até agora. Precisamos falar sobre interação, vínculos e a Marca. Perdoem os erros e vamos lá.
Todo contato humano pressupõe uma interação, mas nem toda interação pressupõe um vínculo. Explicando por partes:
Interação positiva: você sai de casa, pega um ônibus e consegue se sentar. Aí vai lotando, o povo começa a ficar de pé e entra algum idoso. Você, como uma pessoa educada, se levanta e diz: 'senhor, sente-se aqui.'. Ele te agradece, talvez até sorria e aceita. Chega o seu ponto, você desce do ônibus muito feliz consigo mesmo e vida que segue. Aqui se tem um exemplo de interação, foi algo positivo. Criou vínculos? Provavelmente não. No final do dia você nem lembra mais desse gesto educado. Mas não podemos negar que ocorreu uma interação, inclusive com troca de palavras.
Interação negativa: é justamente o oposto. Imagine que você está andando pela rua, distraído e falando ao celular. Dai passa alguém apressado e esbarra em você e TADA! Seu celular voa pro chão. O pior? O cidadão nem pede desculpas. E você, sendo educado ou não, é capaz de deixar escapar um “Filho da puta!” antes de ir ver o prejuízo. Foi uma interação ruim, muito. Se trincou a tela do seu precioso então... você vai lembrar e xingar muito o desgracento. Criou um vinculo? Não. Foi tão rápido que nem deu pra ver a cara do infeliz, mas te prejudicou. As coisas ruins tem um poder impressionante de deixar marcar muito profundas.
Agora os vínculos. Vamos pensar sob a perspectiva humana:
Vínculo positivo: aquela pessoa que é sua/seu BFF, a sua família, a maioria das pessoas tem um vínculo positivo com os pais. Isso significa que é tudo um mar de rosas? Não. Tem briga, tem discussão, tem discordância, tem egoísmo, tem picuinha e todas essas coisinhas humanas que nos magoam. Mas, ainda assim, é uma relação de respeito, de solidariedade, de ética e valor.
Na fanfic: o Kagami começou a história tendo um vínculo com os jogadores da Seirin, porque eles são amigos, e por isso estava dividindo sua energia com eles. Vinculo positivo. Dai chegou o Daiki com seu cavalo branco e eles se reconheceram como companheiros destinados (Almas Gêmeas). E com tudo isso, com todos os sentimentos e ansiedades, em momento algum o Daiki forçou algo contra a vontade do Taiga, porque o que eles tem é positivo. Lembram quando o Taiga harmonizou com o Tigre? Foi muito forte e ele quase não aguentou. Ele estava morrendo, e o Daiki, ainda assim, não forçou nada. Ele deu a oportunidade de escolha: ele pediu pro Taiga abrir o coração e confiar. Porque é isso que um companheiro faz: ele respeita seu par, não obriga nem força nada. E, mesmo que briguem, se estranhem, sejam competitivos e talz, um nunca machucaria de propósito ou apenas pela crueldade.
Um vínculo positivo pode ser substituído? Depende da situação. Algumas pessoas se casam com o primeiro amor, outras não. Porque o vinculo enfraquece, por N motivos que não vem ao caso. Mas aqui falamos de Almas Gêmeas, então não, o vinculo não pode ser feito com outro shifter. Um vinculo positivo, que fique claro. O Tigre não vai reconhecer outro como companheiro pois já achou sua metade perfeita e esse reconhecimento é pra sempre.
O caso Kise/Kuroko/Momoi, tem um lance de reconhecimento aí, mas não é destinado, eles não são Almas Gêmeas. Dai entra o lance da espécie de shifter. Lobos: lobos nunca reconhecem outro companheiro. É um só e é pra vida toda. Mas, não sabemos se algum dos três é um lobo (eu sei, hehe). Tem shifters por aí que nunca (ou raramente) criam um vínculo de companheirismo, Macacos, Gorilas, Tubarões por exemplo, são poligâmicos. Depende bastante da parte animal e aí vem o lance de cada espécie.
Vínculo negativo: aqui vem a filhaputagem na vida real e na fanfic. Eles existem e são fortes. E, dependendo do caso, podem suplantar os positivos. Por exemplo: aquele seu vizinho que ouve funk todo dia de manhã no último volume, que joga lixo no seu quintal, que solta o cachorro pra fazer cocô na frente da sua casa, etc etc etc. É uma convivência difícil e já te deu uma ulcera. Aí não tem respeito, o vizinho tá nem aí com a educação. E se você tenta falar na boa, ele te manda 'tomar no cu'. Nem sempre você pode simplesmente se mudar. Não é tão simples. Tem alguma chance de vocês combinarem um churrasco familiar no fim de semana? Dificilmente. Você quer é distancia dessa pessoa. Apesar de tudo, não podemos negar que existe um vinculo entre você e seu vizinho. Negativo. E esse não é o único vinculo negativo na sua vida, infelizmente. Não podemos fugir deles, porque nem todo mundo se dá bem e é legal. Se não a 'Terra' se chamaria 'Paraíso'.
Aí chegou o ponto principal: a síndrome de Estolcomo. Como é essa doidera?
Vamos imaginar uma situação como a do Taiga: ele foi levado por alguém contra a sua vontade para o cativeiro. Naturalmente ele vai se revoltar, tentar lutar, revidar, fugir, confrontar... mas tudo o que ele faz tem uma resposta: seja violência física e/ou psicológica. Os dias passam e a vitima continua sofrendo, sofrendo... aos poucos é como se todas as saídas se fechassem e a chance de escapar ficasse cada vez mais longe, vem aquela sensação de que se vai passar o resto da vida assim ou... ser morto! Aí nesse sofrimento dia-após-dia, ele começa (inconscientemente) a perceber que: a) se ele não luta, então não apanha. b) se ele não confronta, então não é queimado com o ferro. c) se ele fica submisso, então seu agressor não o faz sangrar durante o estupro. Ninguém gosta de sofrer, ninguém quer morrer assim, sendo humilhado, torturado, agredido. Então a mente humana começa a ceder e a fazer uma 'aliança' com o agressor e criar um vinculo com ele. Até que a certo ponto está tão fragilizado e destruído mentalmente que lutar não faz mais sentido. E começa essa relação com o agressor, que não precisa mais bater e ameaçar para conseguir a satisfação que quer. É um vinculo positivo? Não, mesmo que a vitima não tente mais fugir ou confrontar, é totalmente negativo, um relacionamento verticalizado, onde a vontade de um é tudo, e o outro é menos que nada, um objeto de satisfação. E é um mecanismo de defesa inconsciente. Nenhuma vitima pensa: oh, vou fazer assim agora pra ele me poupar. É um sentimento que vem com o tempo, de tanto que a pessoa é humilhada, pisada, agredida. A mente humana busca uma solução pra não entrar em colapso. Entre ceder ao raptor e ficar louco, nossa mente opta pela solução que vai te proteger e preservar a sua vida. Se significa se submeter a uma pessoa da pior espécie, não cabe julgamento. Só quem passou por tal situação sabe o que é estar encurralado, sem saída, temer que a qualquer segundo o agressor pode se cansar e não parar com a tortura até que você esteja morto.
Chegamos a 'Marcado'. Por que o Seto quer um vinculo negativo? Por que deixaram o Daiki marcar o Taiga? Por que levar o Daiki junto? Eu respondo:
Por que o Seto quer um vinculo negativo?
Lembram que eu disse que o Daiki e o Taiga tem um reconhecimento de Almas Gêmeas? Quando o Hanamiya foi sondar o terreno ele sentiu isso, aí ficou claro: se o Omega encontrou o companheiro destinado então ele NUNCA faria vinculo positivo com o Seto ou qualquer outro Alpha. Essa possibilidade foi descartada. Um Pack dentro das regras respeita isso. A Kirisaki Daichi não respeita. Se o Omega já conseguiu um vinculo positivo então eles vão tentar a outra face da moeda, o vinculo negativo.
Por que deixar o Daiki marcar o Taiga?
Porque a Marca intensifica TUDO. Antes da Marca, o Kagami começou a sentir através do vinculo, mas depois da Marca, ficou mais profundo, é como se fosse com ele, dependendo da situação. Quando o Daiki levou o tiro, a sensação foi tão ruim que o Taiga chegou a ficar tonto. O Hanamiya viu nessa intensidade a chance de tornar a tortura pior do que seria em condições naturais. Porque o Makoto é desses.
Por que levar o Daiki junto?
Bom, eu sou uma pessoa muito calma. Se alguém tenta pisar no meu calo, eu dou risada e sigo em frente. Mas se pisam no calo de alguém da minha família... ah, dai eu chuto na cara sem piedade.
Então eu parti desse principio: torturar o Taiga é ruim, mas torturar alguém importante pra ele é muito pior. Imagina torturar alguém que é importante pra ele e que ele vai sentir que está sendo torturado? Quando o Seto der umas porradas no Daiki, o Taiga vai sentir toda a dor como se fosse dele, vai sofrer junto e ficar com muita raiva do Seto e da situação, vai achar que a culpa é dele por ser um Omega, vai se sentir impotente por não poder fazer nada... e quando o Seto estiver dando umas porradas no Taiga, ele vai saber que o Daiki também sente cada uma das suas dores! É um círculo vicioso.
Levar o Daiki foi uma forma de garantir que o Taiga vai sofrer em dobro e isso ajuda MUITO no vinculo negativo, que já começou a se desenvolver.
Vínculos são baseados em emoções. E ninguém controla emoção. Você apenas sente: raiva, rancor, ódio, medo... no caso dessa fanfic. E esse era o plano inicial do Hanamiya, mas foi tudo pro espaço quando o Seto botou os olhos no Taiga. Eles são Alpha e Omega, afinal de contas. Então o Seto decidiu que toda a sua atenção vai pro Taiga e dane-se o Daiki. Deixa ele lá, jogado como um trunfo e uma carta na manga, mas ele quer por as mãos direto no Omega.
E por que o Seto precisa de um vinculo pra fazer a Marca?
Porque a Marca não é apenas uma mordida. A Marca implica transformação sobrenatural e uma ligação acima do que a gente pode compreender. Se o Seto chegar agora e morder o Kagami não vai acontecer nada. Porque eles não tem um vinculo.
Lembram que o Daiki fez um vinculo com o Taiga quando eles harmonizaram com o Tigre? Graças a isso o Daiki foi capaz de marcar o Taiga.
Mas o Seto não tem um vinculo com o Taiga, então não pode marcar. E ele não vai ter um vinculo positivo, porque esse vinculo o Daiki já estabeleceu. Sobra o vinculo negativo: qual a forma que ele encontrou de desenvolver um vinculo negativo? Raptando, ameaçando, agredindo etc.
Pronto: o Seto está conseguindo o vinculo. Dai precisa de mais: uma noite de lua cheia e o sexo. Com esses três fatores o Seto pode marcar o Taiga e funcionar.
Por que o Seto quer marcar o Taiga?
Porque apenas com um Omega o Pack fica completo. Ele quer todos os poderes que um Omega pode oferecer. Lembram que depois do vinculo os Betas da Geração Milagrosa ficaram mais fortes, conversam por pensamento etc? Tudo isso deixaria de ser da Geração Milagrosa e seria da Kirisaki Daichi. Claro, o Hanamiya não sabe quais são os poderes, ele está agindo as cegas com o pensamento de 'o que vier é lucro'.
O Taiga ficaria com o Seto depois da Marca?
A principio não de livre vontade, claro. Ele é a grande vitima nessa história toda. Mas... sendo torturado, agredido, humilhado etc... lembram da Síndrome de Estocolmo que eu mencionei ali em cima? Então, eventualmente o Taiga deixaria de lutar sim, e desenvolveria uma empatia com o Seto graças a essa sindrome. Mas a fic não vai chegar tão longe. Acaba antes, né? Haha.
E agora? Essa notinha deixou as coisas mais claras? Espero que sim! :D
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