Marcado

29 Capítulo 29 – Proibido


Notas iniciais
Geeeente julho está acabando e eu vadiei o mês inteiro. Que desperdicio de vida, gastando tempo com anime, seriado, fanfics... wait... Mais um capítulo pra vocês... degustem sem moderação!! :D

Marcado

Kaline Bogard

Capítulo 29 – Proibido

A espera mostrou-se a pior parte do plano precário de Kagami. Depois de arrumar o colchão para ocultar o estrado quebrado, sentara-se e aguardara. Era impaciente e cabeça quente, não conseguia se concentrar e calcular se passaram várias horas ou poucas.

Vez ou outra Daiki entrava em contato, sondando a situação. Talvez por captar altas doses de sua ansiedade. Nesses momentos, Taiga o tranquilizava e garantia que ainda estava tudo bem e se certificava de que o próprio Alpha também estava bem.

Era um alívio que ainda não tivessem feito mais mal ao rapaz, já ferido. Por algum motivo que não compreendia, Aomine parecia enfraquecido. Isso fazia parte do esquema de Hanamiya. A angústia de captar seu companheiro fraco e machucado trazia uma sensação de impotência, de inutilidade. E culpa.

Afinal, ele fôra trazido como arma para causar danos a Kagami. Uma peça para aprofundar o tal vinculo negativo, como o inimigo tanto alardeara anteriormente. Fazia sentido: estavam na lua cheia, se encaminhando para a minguante. Mas a influencia do ciclo atual ainda era forte, a sentia em si.

Também sentia a força da Marca em seu corpo. Inconscientemente, levou uma mão ao pescoço e tocou a cicatriz que se curava lenta. Sabia que a pele sensível ainda tinha manchas feias e doía um pouco, não tanto quanto antes, todavia.

Taiga começava a compreender um pouco daquele mundo. Bastava somar as informações e até uma criança entenderia: precisavam da lua cheia para marcar um shifter, mas sem um vínculo profundo; a Marca que Daiki lhe dera não seria suplantada. Por isso Kentaro teria que esperar um mês, na certeza de que criaria um laço forte o bastante para afetar Taiga. Não por completo; afinal, lembrava-se claramente das palavras que ouvira na primeira conversa em seu apartamento, quando Kise ou Kuroko havia lhe dito: Daiki e ele teriam um vinculo de companheiros. Um vínculo criado pelo amor. E esse era o único tipo de ligação que não podia ser quebrada.

Precisava admitir uma coisa, mesmo a contra gosto. Sentia o vínculo negativo começando a tomar forma. Kagami não podia controlar. Pensava no que sofria naquele momento. No que Daiki sofria, e ondas de rancor e raiva o dominavam. Todos voltados contra os inimigos. Ainda não focava diretamente em um, desprezando Alpha e Beta igualmente. Mas sabia que isso mudaria em breve.

Tão logo Kentaro tomasse a iniciativa de fazer mal direto a si ou, pior, direto a Daiki, tornaria-se alvo de todo sentimento ruim que Kagami pudesse nutrir! Não podia evitar, tinha uma parte humana no fim das contas. Jamais seria sequestrado, maltratado ou assistiria alguém importante sofrer e manteria-se nulo. Não tinha sangue de barata!

O ciclo parecia infinito. Angustiava-se por compreender todos esses fatos. A angustia trazia desespero por não ser capaz de se controlar. Desespero causava mais rancor contra o Pack que os fazia sofrer assim. Tudo isso somava-se e começava o rascunho de um vínculo negativo profundo. Exatamente o que Hanamiya e sua corja desejavam.

Com um resmungo alto, deixou-se cair de costas no colchão e arrependeu-se quase imediatamente. Esquecera do improvisado bastão que estava na cama e acabou arranhando suas costas.

Ficou de pé e andou em círculos. Expectativa e ansiedade torturando seus nervos sem piedade. Voltou a sentar-se algum tempo depois, respirando fundo.

Foi então que seus sentidos ampliados captaram a movimentação do lado de fora do quarto. O Beta que vigiava a porta afastou-se, silencioso. Mas o animal interior de Kagami agitou-se sentindo a proximidade do Alpha e seu aparente braço-direito vindo naquela direção.

Imediatamente ficou de pé. Pegou sua arma e escondeu atras das costas, segurando-a firme com as duas mãos e tentando não parecer suspeito, na medida do possível.

Assim que a porta se abriu, Seto entrou no pequeno quarto. Vinha com um sorriso confiante, cheio de si. Sua presença deu a impressão de ocupar todo o local, quase fazendo Kagami dar um passo involuntário para trás. Apesar do instinto, o Ômega manteve-se firme no lugar. As mãos apertando a madeira com mais força, ignorando algumas ferpas ásperas que rasparam em sua pele.

— É hora... — o Alpha falou baixo.

Foi o sinal para que Taiga agisse. Não perderia tempo com mais maquinações. Deixaria sua parte animal reagir e falar por si só. Usaria o fator surpresa.

Em um segundo, moveu-se rápido, exibindo sua arma. Segurou-a com as duas mãos e colocou toda a sua força para acertar Kentaro em cheio no rosto. O rapaz caiu para o lado, rosnando algo que Kagami não tentou entender. Aproveitou a brecha e correu para a porta entreaberta, atravessando-a sem hesitar.

Saiu em um pequeno corredor que terminava em uma escada que subia. Não havia mais aposentos por ali, deduziu em uma rápida análise. Logo os olhos pousaram sobre Hanamiya, que assistiu sua ação com as sobrancelhas erguidas, encostado na parede, com os braços cruzados.

Taiga fez menção de atacá-lo também, mas o inimigo desviou do golpe e, ao invés de revidar, foi em direção à porta, verificar as condições de seu Alpha. Tal atitude displicente deixou o Ômega um tanto desconfiado, embora não reclamasse da chance. Deu as costas e correu para as escadas, pronto para sair dali e encontrar Daiki e Tatsuya.

Makoto cruzou as mãos atrás da cabeça, dando uma ultima olhada para Ômega que escapava, antes de mirar o interior do quarto. Kentaro erguia-se devagar. O sorriso no rosto não diminuíra em nada, assim como as ondas de satisfação que chegaram ao outro rapaz.

— Fala sério, cara. Você é um sacana mesmo — resmungou observando-lhe a face ferida. Seto levou a mão ao rosto, tocando com cuidado. Algumas farpas rasgaram a cutis, fazendo-a sangrar. Estava bem dolorido e avermelhado, mas já se iniciara o processo de cicatrização. Logo deduziu de onde seu prisioneiro tirara aquela ripa de madeira grosseira — Dar esperança, pra depois tirar. Mas caralhos voadores... Aquele Ômega é retardado? Ele acha que vai conseguir fugir assim?

— Vai ajudar um bocado no vínculo — deu de ombros sem pressa alguma de ir atrás do prisioneiro. Se fosse imediatamente atrás dele nem teria graça. Deixaria que o garoto alimentasse a esperança e então a esmagaria sem piedade.

Ele era um Alpha. A emoção da caçada o instigava. E seria fácil seguir o rastro, o cheiro que o Ômega largara atrás de si. Kagami fôra marcado, sua essência mudara. Shifters que recebem a Marca cheiram como proibido.

E para Kentaro, o proibido é sempre mais gostoso.

R&B

Akashi revisou o plano mentalmente mais uma vez. Não tinha muito o que estruturar, pois trabalhariam com poucas informações. Gostaria de fazer uma investigação mais profunda sobre o que estavam prestes a enfrentar. Mas, para isso, precisaria de tempo.

Cada hora que perdiam era decisiva para solucionar o problema. Não conseguiria dizer o quanto seus inimigos avançaram na tentativa de fazer um vínculo com Kagami. Acreditava piamente que o Alpha estava vivo. Se ele tivesse sido morto, apesar de toda a distância, Akashi sabia que todo o Pack sentiria a perda, pelo menos um pouco.

Discutira o que pretendia com seu pai e obtivera aprovação. E um veiculo que os levaria à uma das casas de descanso da Kirisaki Daichi. Sim, era para tal residência que Daiki e Kagami foram levados. A outra opção era a casa com campos de arroz.

Hanamiya agia de forma muito precavida, a ponto de matar dois humanos. Essa tentativa extrema de apagar o rastro e evitar que soubessem que violara uma das regras mais importantes da comunidade fizeram Akashi desconfiar de algo. Kentaro Seta e Hanamiya Makoto agiam sozinhos como um Pack, sem conhecimento de outros Packs que frequentavam o colégio Kirisaki Daichi.

Seguindo essa linha de pensamento era óbvio deduzir que Hanamiya desejaria que o minimo de pessoas soubessem o que aprontara. Uma casa com campos de arroz, naquela época do ano, significava pessoas que o cultivassem e cuidassem da plantação. Testemunhas para o que pretendiam fazer.

A casa de campo, por outro lado, oferecia privacidade o bastante, sem a presença de indesejados. O cativeiro perfeito.

Somavam seis Betas para agir ainda naquela noite. Recusara qualquer oferta de ajuda que seu pai e a mãe de Daiki pudessem oferecer. A Geração Milagrosa era um Pack que caminhava com as próprias pernas desde o Fundamental.

Akashi fazia planos e os punha em prática, pensando como adulto, ainda que fosse adolescente. Queria que se tornassem mais fortes e fossem reconhecidos como os prodígios que eram. E para isso, lutaria com as forças que seu grupo possuía.

Com sua inteligencia e com a força de cada um de seus companheiros Betas, soubera do Ômega, o encontrara e o trouxera para o grupo. Por sua inexperiência o perdera. E com sua capacidade o traria de volta.

Assim como traria o Alpha da Geração Milagrosa. Perder um Alpha podia ser o fim de um Pack. Eles se separariam em definitivo, encontrariam outro ao qual se juntariam. Shifters precisam se associar a criaturas de sua espécie.

Ir para um novo Pack significava largar mão do poder que conseguira. Akashi nunca se submeteria a um Alpha. Não desistiria de sua liderança.

Além disso, claro, Daiki era um amigo importante. Tinham laços fortes de amizade. Ainda que não a amizade convencional e utópica que a sociedade fantasia. Trazê-lo de volta era mais do que uma questão de honra.

Com esses pensamentos, voltou a se concentrar nos preparativos. Partiriam essa noite, aproveitando a influência da lua cheia, já não tão poderosa; mas o suficiente para ajudar com os sentidos sobrenaturais. Seu animal interior estava agitado e mais vivo do que nunca. Dava a impressão de que algo importante estava prestes a acontecer.

Só não conseguia sentir se esse “algo” era bom. Ou não.

R&B

Taiga terminou de subir os degraus correndo. O coração agitado martelava forte contra seu peito. Adrenalina corria abundante nas veias, alertando todos os sentidos, fazendo a testa se permear de suor.

A escada dava acesso a outro corredor. Avançou por ele, sem parar em frente a nenhuma das portas fechadas em ambos os lados. Não sentia Daiki por perto. Foi então que parou abruptamente. E se seu irmão estivesse ali? Não poderia senti-lo, afinal, Himuro era humano! O que fazer? Olhar porta por porta atras dele ou ir ao resgate do Alpha?!

De repente Kagami não soube o que fazer.

continua...

Notas finais
Hum... olha só o plano meia-boca funcionando. Mas só porque o Seto deixou! De maldade... hashausausa e a maldade tipo 'sangue-no-olho' já vai começar!! Até sexta-feira que vem!! 8D