Marcado

26 Capítulo 26 – Inimigo


Notas iniciais
Olá!! Alguém aí viu o desafio de julho do site? To pensando em arriscar participar com uma AoKaga, imaginem? Alguém leria essa viagem de puro acido? Hauhsuashuasha Mas... voltando a outro ácido: boa leitura! PS: Kawaii, a sua tá quase pronta :D

Marcado

Kaline Bogard

Capítulo 26 – Inimigo

Kagami estava desnorteado. Desde que conhecera aquele mundo shifter, fôra avisado sobre a possibilidade de um grupo aproximar-se e tentar obrigá-lo a algo. Mas, até então, era uma teoria tão absurda que ele não pensava que realmente aconteceria. Se incomodara com a vigilância quase obsessiva esquematizada por Akashi, achara exagero que se preocupassem com sua proteção a tal ponto.

Tantos fatos absurdos se somavam, que ele não conseguia pensar no pior. Tinha entendido que shifters não se associavam aos humanos. E um deles batera em sua porta. Com uma arma. Ferira Daiki, o garoto da sua idade, seu companheiro; bem diante de si. Não pudera fazer nada para impedir. Esse mesmo garoto que parecera disposto a enfrentar uma arma sem pensar nas conseqüências de seu ato.

E se Kagami não tivesse conseguido acalmar o instinto do Alpha? Shifters tinham qualidades superiores aos dos humanos, mas não eram imortais! E se... Não. Não podia pensar nisso.

Por fim, descobriram que o invasor não estava sozinho. Outro humano aguardava por ele em um furgão, igualmente armado. Foram colocados na parte de trás e trancados. Segundos depois, o veículo arrancava dali.

Nos primeiros minutos ficaram quietos, tentando escutar alguma coisa. Mas os dois homens eram espertos, mantinham-se em silêncio sabendo que qualquer palavra pronunciada seria ouvida graças aos sentidos sobrenaturais.

Depois de uma breve análise no lugar banhado pela penumbra, Taiga foi sentar-se ao lado do Alpha. Não havia muito o quê fazer para escapar, porém podia ajudar seu companheiro. Rasgou um pedaço da blusa que vestia e usou para envolver-lhe o ombro que ainda sangrava. A dor ficou visível no rosto empalidecido. A prata misturada com pólvora impedia que o fator de cura shifter entrasse em ação. Além disso, parecia doer como o inferno.

Eu... sinto muito...”, tentou desculpar-se pelo vinculo mental. O sofrimento de Daiki incomodando seu animal interior.

Por que, baka? Não é sua culpa.”; felizmente tinham aquele contato ainda.

Se eu não fosse a droga de um Ômega...”.

Não me venha com essa”, cortou a reclamação e o vínculo com Taiga, que não compreendeu a atitude. Ficou um tanto magoado por ser bloqueado da conexão, até Daiki segurar em seu braço com a mão boa e lhe lançar um olhar significativo. Kagami não compreendeu, mas ficou quieto.

O ruivo não tinha a presença de espírito do Alpha, principalmente por ser tão novato no mundo shifter. O ferimento no ombro doía mais que um chute nas bolas, a prata queimava e impedia seu corpo de se curar e atrapalhava sua concentração. Podia captar a angústia do companheiro, mas a prioridade era manter-se conectado a Akashi. O instinto apurado reconhecia o caminho que seguiam, distanciando-se de Tokyo. Enquanto conseguisse dar as coordenadas para o Beta, priorizaria o elo com ele. Depois trataria de acalmar o Ômega.

Além das coordenadas, avisou que os humanos não apenas tinham ligação com a Kirisaki Daichi, como os reconhecera. Já vira ambos em um dos jogos passados. Eram o técnico e seu auxiliar do time de basquete. Melhor falando, eram os dois que fingiam atuar nesse cargo diante do resto do mundo, já que todos sabiam que Makoto era o verdadeiro mentor por trás das táticas sujas tanto do Pack quanto do time de basquete.

Tal gesto de se aliar a humanos demonstrava o quão pouco Hanamiya se importava com as regras da comunidade shifter. Bem, não podia jogar a culpa toda no moleque. Afinal ele era um Beta. E se agia assim com tanta liberdade era por ter permissão de seu Alpha, Seto Kentaro.

Alguns Betas eram mesmo problemáticos...

Calculava cerca de 15 quilômetros quando a presença de Akashi desapareceu. Levando em conta que Daiki estava ferido, aquela era uma boa distância para se manter o vínculo. Poderiam ampliar quando se recuperasse. Sim, Daiki não tinha nenhuma dúvida de que a Geração Milagrosa conseguiria sair daquela confusão.

Respirando fundo, permitiu que a presença de Kagami preenchesse o vazio deixado por Seijuro.

Você tá bem, Baka?

Por que me pergunta? Você que levou o tiro!”, Taiga respondeu de mau humor, encolhido ao lado, evitando olhar para a silhueta do companheiro que entrecortava a penumbra.

Eu estava na linha com Akashi.”

— EE?!

A exclamação fez Daiki girar os olhos. Recostou a cabeça contra a lataria do furgão. Sangue ainda escorria do ferimento, manchando o improvisado curativo. Pensou por um segundo se tivesse ignorado seu companheiro e tentado tirar a arma do humano, estariam em uma situação melhor? Ou pior?

Não adiantava chorar sobre o leite derramado. O jeito era seguir a correnteza e agarrar a primeira chance de escapar da enrascada.

R&B

— Eles estão seguindo para o noroeste — Akashi informou assim que a distância impediu o vínculo com o Alpha.

Kuroko e Kise tinham acabado de chegar ao apartamento de Kagami, assim todos os Betas estavam reunidos para decidir o que fazer. Felizmente, Seijuro estava acostumado a tomar a frente das situações. Não vacilou um segundo sequer antes de entrar em ação.

Ligou para o pai e informou da atitude suja da Kirisaki Daichi de se aliar aos humanos. Tal ato não podia passar sem punição, os demais Packs precisavam saber para tomar as devidas providências.

Tokyo tinha uma concentração considerável de comunidades shifters, a ponto de existir um Conselho de Alphas, responsável por decisões que visavam o bem geral e garantia que pudessem coexistir não apenas entre si, mas com outras criaturas sobrenaturais e simples seres humanos.

O avô de Daiki era um dos Alphas que fazia parte do Conselho e ele nunca permitiria uma afronta dessas à sua família. Os demais não aceitariam uma jogada que expusesse a existência deles de tal forma. Principalmente envolvendo um Ômega, que já fôra marcado e requisitado como companheiro.

Talvez Hanamiya tivesse cometido o maior erro de sua vida. Apenas seqüestrar Kagami seria um ato visto como afronta entre Packs e o Conselho lavaria as mãos. Agora era diferente.

Humanos que descobriram o segredo só tinham um destino: eram mortos antes que espalhassem para mais alguém. Shifters que compartilhassem esse segredo com humanos seriam marcados e se tornariam proscritos no mundo sobrenatural.

Mas para se vingar de Makoto, era necessário descobrir onde ele se escondia. Agora que conhecia a direção tomada, Akashi possuía peças que ajudariam a desvendar o mistério.

— Shintaro — Akashi finalmente decidiu que estratégia seguir — Ainda tem aquelas informações que mandei você coletar?

— Claro. Todas as propriedades registradas no nome de familiares da Kirisaki Daiki. Foquei no Alpha Seto e seu Pack. E duas gerações anteriores.

O capitão dera aquela ordem para Midorima ao saber que Hanamiya andava rondando. Conhecer seu inimigo era um dos pontos mais importantes que seu pai lhe ensinara.

— Excelente. Vá com Atsushi e avalie quais dessas propriedades estão a noroeste de Tokyo. Provavelmente um lugar afastado de tudo, uma residência local com muita privacidade. Separe qualquer informação que acharem válida — então Akashi voltou-se para outra dupla de Betas — Tetsu e Ryota vão à casa do treinador do time de basquete e de seu auxiliar técnico, não me importa o que tenham que fazer para descobrir os endereços. Vasculhem tudo em busca de uma pista e algo que comprove a ligação com Hanamiya. E você, Satsuki, vá à casa de Daiki e avise aos pais dele. Peça que Kaoru san entre em contato com a Touou e a Seirin amanhã pela manhã e encubra as ausências de Daiki e de Kagami.

Makoto podia ter um dos QIs mais elevados entre os estudantes da atualidade, mas o rapaz encontrara em Akashi um oponente à altura. A diferença entre eles estava no caráter, Hanamiya não respeitava qualquer regra para conseguir o que queria. Já Akashi, usava essas mesmas regras ao seu favor.

Hanamiya declarara guerra ao Pack errado.

R&B

Muito tempo depois, o furgão finalmente parou. Não precisava ser um gênio para entender que não estavam mais em Tokyo. Tudo ali era diferente: o ar, os sons, os cheiros. Tudo remetia a natureza e paz. A sensação, apesar dos pesares, era boa.

Mas logo se tornou ruim assim que as portas traseiras foram abertas por um rapaz já conhecido. Um Beta de cabelos escuros repicados e olhos estreitos, que tinha um sorriso de arrepiar.

— Ora, ora! Seja bem vindo, Ômega! — a animação do garoto era notória — Você se lembra de mim? No vimos uma vez no Intercolegial. Sou Hanamiya. Hanamiya Makoto.

Não era muito alto ou forte, nada nele denunciava perigo ou ameaça. Inofensivo o bastante para Kagami arriscar uma investida, sendo tão cabeça quente. Trocou um breve olhar com Daiki, e antes que o Alpha ferido interferisse, ele saltou ágil em direção ao Beta, pronto para acerta-lo com o punho fechado.

Hanamiya já esperava algo assim. Deu um passo para trás, liberando espaço e assim que Kagami saltou do furgão, um outro rapaz cortou sua investida, entrando na frente de Makoto. Um Alpha com uma presença impressionante. Possuía a mesma estatura de Taiga, mas, por algum motivo, dava a impressão de ser maior, muito maior. Era Seto Kentaro.

O animal interior de Kagami intimidou-se, precavido; fazendo-o hesitar por um segundo, tempo suficiente para que o outro reagisse, avançando e prendendo Kagami pelo pescoço com uma das mãos.

— Ee...? Ômegas não deviam atacar um Alpha, sabia?

Taiga ofegou, sem ar. As mãos, instintivamente, seguraram o pulso do outro, tentando afrouxar o apertão.

— Não posso me defender de você, Ômega — Hanamiya cruzou as mãos atrás da nuca e sorriu — Vou deixar todas as honras para o Alpha, para que tenham um vinculo bem bonitinho. Seto chan vai...

O deboche não chegou a ser finalizado. Uma sombra saltou de dentro do furgão em direção ao outro Alpha. O ar encheu-se de intenções agressivas enquanto Kentaro libertava Taiga para poder se defender do ataque de Daiki.

Hanamiya exultou de felicidade. Era a primeira vez que via dois Alphas se atacando com tanta fúria. O animal dentro de si se agitou, reagindo a brutalidade. Se pudesse, deixaria que continuassem, para ver quem sairia vitorioso. Mas seus planos eram diferentes. Fez um gesto de cabeça para outros dois Betas que assistiam a cena. Um deles, o rapaz de longa franja, segurava um bastão mediano nas mãos e o usou para acertar a cabeça de Aomine, fazendo-o perder os sentidos. O garoto caiu ao lado de Kagami, que ainda estava tonto e sem ar. No pescoço, as marcas dos dedos de Kentaro misturavam-se com a Marca, pois o curativo havia sido arrancado.

O único som que se ouviu foi a gargalhada de Makoto. O Beta mal podia se conter diante do que estava por vir. A brincadeira apenas começara.

continua...

Notas finais
Tenho uma nota para esse lance de vínculos e Marca, mas vou esperar até a primeira conversa do Taiga com o Hanamiya, pra evitar spolers! Até mais :D