Marcado

21 Capítulo 21


Notas iniciais
Olá, queridos, tudo bem com vocês? Mais um capítulo chegando! Estamos adorando o rumo que a fanfic está tomando e esperamos que vocês também gostem. Agradecemos de coração os comentários e os rostinhos novos que apareceram^^ Ficamos imensamente felizes. E leitores fantasmas, não tenham medo de entrar na luz! A gente ama vocês! Se algumas palavras estiverem juntas, por favor, nos avisem. Tem sido difícil controlá-las. A todos: Boa leitura!

Marcado

Capítulo 21

Castiel Laser observou o homem parado a sua frente com um misto de pânico e fascínio. Durante toda a sua carreira policial, ele numa havia topado com alguém como Dean Winchester. Admirava a persistência do loiro por nunca desistir do irmão, mas sabia que o Winchester havia escolhido o pior caminho na busca por sua justiça. De todos os casos em que trabalhara, esse sem dúvida era o mais desafiador, pois Dean Winchester parecia não ter medo de nada.

E agora, trancado e amordaçado, Castiel sentia as consequências da carreira perigosa que havia escolhido. Estava numa situação tão crítica, sua vida podendo acabar a qualquer segundo, que lamentava apenas o fato de não ter ninguém lá fora que sentisse sua falta. Na verdade, lamentar talvez não fosse a palavra certa. Culpava-se pelo seu jeito fechado e de sempre afastar as pessoas que tentavam se aproximar de si. Depois da morte de Richard, havia se fechado num mundo só dele, mas agora, ironicamente, não desejava nada além de ter alguém que chorasse por ele, caso o pior fosse acontecer.

─ Vejo que Alan lhe fez uma visita. ─ Dean falou, torcendo o nariz e olhando desconfiado para as gazes que o menor havia colocado sobre as feridas de Castiel. ─ É um bom garoto, mas não conhece os próprios limites.

─ Ainda não sei o que quer comigo, e muito menos porque estou sendo mantido refém. ─ O moreno disse num tom desafiador. Estava com medo, mas não deixaria que o loiro percebesse.

─ Não? ─ Dean indagou, pegando um objeto longo e comprido que descansava sobre a mesa.

O corpo de Castiel estremeceu. Seus olhos se arregalaram, quase saltando de seu rosto, e ele acabou engasgando com o ar seco daquele quarto abafado. Ele sabia exatamente o que Dean segurava entre os dedos, pois aquilo também era utilizado por policiais em caso de extrema necessidade. Era ameaçador, do mesmo modo como é ameaçador um rochedo alto e inclinado.

─ Deixe-me refrescar a sua memória, então. ─ O Winchester falou, rachando a cara de pau num sorriso, mas voltando logo à inexpressividade anterior. Ele avançou e parou em frente à cadeira em que Castiel estava amarrado, cutucando uma das feridas do moreno com a ponta do objeto.

Castiel fechou os olhos por puro reflexo, mas, a princípio, sentiu apenas um leve incômodo em seu peito. Dean sorriu de canto e colocou mais força em seu movimento. A gaze branca que cobria o machucado do moreno foi ganhando um tom avermelhado, e o sangue começou a escorregar da ferida recém-aberta. O Winchester parecia se divertir com o sofrimento do moreno, olhando satisfeito a trilha vermelha de sangue que começava a percorrer o corpo do policial.

Castiel respirava com dificuldade, mas mantinha a boca e os olhos fechados, sem dar a Dean o prazer de ouvir seu sofrimento. Sentiu a pressão em seu machucado desaparecer e, quando tudo parecia terminado, a ponta do bastão se iluminou e Castiel soltou um grito rouco e dolorido.

A garganta ressecada por falta de água ardeu, e o choque percorreu seu corpo como chamas de fogo ardente.

─ Vai me dizer o que eu quero saber? ─ Dean indagou em tom firme, ainda pressionando o bastão à ferida do moreno. ─ Estou perdendo a paciência, Castiel.

Castiel permaneceu calado, ainda tentando se recuperar do súbito choque. Dean bufou e repetiu o gesto anterior, e dessa vez Castiel urrou, se inclinando na cadeira em que estava amarrado. Ele podia sentir a pele dos pulsos voltando a rasgar e o suor voltar a cair de sua testa como se ele tivesse acabado de correr uma maratona.

─ Por favor, apenas diga o que quer de mim. ─ Pediu ofegante, os olhos lacrimejando de tanta dor.

─ É simples, policial. ─ Dean falou, batendo o bastão elétrico na palma de uma das mãos. ─ Quero que me diga tudo o que sabe sobre o assassinato dos meus pais. Quero que me fale onde está o meu irmão e por fim, quero que me diga quem é Águia Negra.

Castiel abriu a boca e tornou a fechá-la. Pareceu pensativo, pelo tempo de uma respiração funda, depois falou, como se escolhesse as palavras com muito cuidado:

─ Eu já lhe disse... Encerramos as buscas pelo seu irmão há dois anos. Não tínhamos nenhuma pista... Nada que nos levasse a acreditar que...

─ Que o quê? Vamos continue! ─ Bradou, ameaçando o policial com o bastão.

─ Que ele ainda estivesse vivo.

Dean ficou em silêncio por alguns segundos, e então soltou uma risada forçada que fez os pelos do corpo de Castiel se arrepiarem.

─ E quanto ao Águia Negra?

─ A única coisa que sei é que ele é um traficante. Eu disse a você antes, eu não sou...

─ Não é o responsável por isso. Sim, eu sei! Parece que você não é responsável por nada, policial! ─ Disse em tom seco, passando uma das mãos nos cabelos cor de areia.

─ Eu quero te ajudar, Dean. Eu não estou apenas dizendo, eu realmente quero poder fazer alguma coisa por você.

─ Se quer tanto me ajudar, Castiel, comece me dizendo tudo o que sabe. ─ Falou, e sua paciência estava realmente se esgotando. Ele não acreditava nas palavras do policial, mas não ia começar uma discussão que não os levaria a lugar algum.

─ E o que vai fazer comigo depois que eu te disser? Vai me matar assim como fez com Olívia, Steven Belmont e tantos outros?

Dean voltou a passar uma das mãos nos cabelos, dando um risinho. ─ Você tem muita coragem, Castiel. ─ O mais novo falou, tocando o rosto do moreno com a ponta do bastão. Castiel prendeu a respiração por longos segundos, esperando sentir o choque que percorrera o seu corpo anteriormente. ─ Mas, não se preocupe, não estou com pressa para te matar. ─ Disse, em tom sinistro.

Um silêncio perturbador caiu sobre o quarto, e tudo o que Castiel ouvia era o som de sua própria respiração.

─ E não estou com pressa para conseguir minhas respostas, pois o policial encarregado pela minha captura está aqui, e isso me dá muitas vantagens, não acha? ─ Um canto da boca de Dean se levantou num sorrisinho irônico. Quando ele sorriu, Castiel sentiu um rompante de raiva, mesclado com angústia e medo. ─ Vamos lá, eu acabei de dizer o que eu quero saber. ─ Dean falou, e então pegou uma chave que guardava em um dos bolsos da jaqueta de couro. Ele se abaixou, ficando de frente para o moreno. ─ Última chance para abrir a boca.

Castiel sustentou o olhar de Dean, e o loiro voltou sua atenção para a chave que segurava. ─ Tudo bem, se não quer me dizer... Eu realmente não queria fazer isso.

Ele abriu a algema que prendia os pés do moreno e depois deu meia volta na cadeira. Castiel tentou mexer as pernas, mas elas estavam dormentes e pesadas. Sentiu a corda que prendia seus pulsos se afrouxar e não acreditou quando seus braços caíram soltos ao lado de seu corpo.

Dean não esperou um só segundo e pegou o policial pelo ombro e o jogou no chão com força.

─ Espere. ─ Disse rápido Castiel, tentando se erguer. ─ Qual o seu problema, afinal? Sente prazer em fazer as pessoas sofrerem? Porque não podemos conversar sem que você me maltrate? ─ Não estava realmente gritando, mas acabou sem fôlego do mesmo jeito. Sua explosão de raiva esvaiu-se com a mesma rapidez com que tinha surgido e ele sentiu medo de ter ido longe demais.

Dean olhou para o policial de forma resignada e depois balançou secamente a cabeça. Tirou a jaqueta de couro e jogou-a para longe.

─ Não passa de um covarde. ─ Castiel resmungou e Dean esbofeteou-o com a palma da mão.

─ É uma pena, pois estava evitando machucar o seu belo rosto. ─ Disse em tom zombeteiro. Ele então se aproximou, quase colando seus corpos, e puxou Castiel para perto da parede gelada.

Castiel arregalou os olhos, tamanha a facilidade que Dean o conduzia, mas, antes que tivesse tempo de reagir, Dean jogou-o no chão novamente. Pegou um dos braços do moreno e o ergueu, passando uma algema pelo pulso e depois em volta de um pilar.

A posição era extremamente desconfortável e a mão presa ao pilar já começava a ficar dormente.

─ Vai ficar assim até resolver cooperar. Minha paciência está se esgotando, Castiel. ─ Advertiu, pegando a jaqueta de couro e andando em direção à porta. ─ Vou voltar mais tarde, e se não cooperar, vou ser obrigado a usar alguns outros... brinquedinhos. Quero ver quanto tempo irá aguentar.

Castiel escutou quando Dean deu a volta na chave, gesto um tanto exagerado já que ele não tinha a menor possibilidade de se soltar. Permaneceu imóvel, por vários minutos, e olhou para o fino raio de luz amarelo sob a porta.

E esperava.

(...)

Carlos morava num conjunto de apartamentos de tijolos brancos, a apenas cinco minutos de caminhada da delegacia. Não era exatamente o lugar de seus sonhos, mas ele havia conseguido transformar o local em um lar agradável. Gostava de levar uma vida discreta, mas às vezes sentia falta de desfrutar as coisas boas da vida.

Como qualquer outra pessoa, tinha seus fascínios, segredos e defeitos. Entre seus maiores segredos, estava a aliança com um sujeito chamado Águia Negra e o amor doentio que nutria por Castiel.

Carlos era um sujeito diferente de todos. Era um homem com traços de personalidades múltiplas. No lado profissional, era teimoso e correto, um exemplo de conduta para todos os colegas. Já no lado pessoal, era obcecado e extremamente focado no parceiro de longa data.

Havia tomado um banho longo, e agora, vestindo apenas uma calça jeans, esperava ansioso a chegada de sua visita. Não que fizesse isso com frequência, mas às vezes o stress era tão grande que ele simplesmente precisava de algo para aliviar a cabeça de pensamentos tediosos. Considerava o sexo como um passatempo e não sentia vergonha alguma do que fazia nas horas escuras da noite.

Não demorou mais que alguns minutos e a campainha tocou.

Abriu a porta e viu um rosto e um colo bem apresentado de mulher, emoldurados por uma cascata de cabelos escuros. A pele era branca como leite, com uma levíssima sugestão de sardas. Os lábios eram de um vermelho perigoso e os olhos de um azul vivo.

Carlos pegou a mão da recém-chegada e a conduziu até o sofá da sala. Então, sem qualquer cerimonia e pudor, ele a colocou sobre seu colo. A mulher sorriu divertida ao sentir o membro, já desperto, através da calça jeans que ele usava.

─ O de sempre? ─ Ela perguntou, deslizando para fora do sofá de modo sedutor.

Ele concordou com a cabeça, pôs uma mão atrás da nuca da mulher e forçou-a a ajoelhar-se entre suas pernas.

─ Vamos lá. ─ Ele disse, abrindo o zíper da calça. ─ Não tenho a noite toda.

Ele pegou a cabeça da mulher com as mãos e virou-lhe o rosto para vê-la nos olhos.

─ Seja rápida e silenciosa.

Carlos esperou até que ela abaixasse o olhar, submissa, para fechar os olhos. Sentiu seu falo ser massageado pelos dedos elegantes e depois o hálito quente se aproximando de sua região sensível. A mulher, Roxy, como a chamavam no cartão, descerrou os lábios e pôs o seu membro inteiro na boca e Carlos arqueou as costas quando ela começou a brincar com a língua.

Em momento nenhum ele deixou de segurá-la pela nuca e de pressioná-la violentamente. Movimentou seu quadril para frente, enterrando-se ainda mais na boca da mulher, começando a se movimentar de forma frenética, enquanto ela o sugava de forma desejosa e lasciva.

Ele sentia o prazer começar a tomar conta se seu corpo, e automaticamente pensou em Castiel. Pensou em seu cabelo mal arrumado, seus olhos límpidos, sua boca convidativa... Pensar no colega mergulhava-o em delicias que nenhum outro homem ou mulher sabiam lhe dar.

Carlos gemeu e segurou a cabeça de Roxy com tanta força que ela mal podia respirar, mas, mesmo assim, terminou o trabalho em menos de quinze minutos. Ele jogou a cabeça para trás, sussurrando o nome de Castiel enquanto gozava na boca da mulher.

Quando terminaram, deixou que ela usasse o banheiro, depois pagou pelos serviços e se deixou cair no sofá.

Mesmo depois da recusa de Castiel e de saber que nada entre os dois jamais iria acontecer, era impossível para Carlos deixar de amá-lo. Sempre o amaria e faria qualquer coisa para que Castiel retribuísse seus sentimentos.

Qualquer coisa.

(...)

Os minutos eram todos iguais, com exceção de que a cada segundo passado, Castiel ficava cada vez mais cansado. A iluminação do quarto era precária, o que dificultava saber se era dia, tarde ou noite. Tentava se concentrar em memórias felizes e dizia a si mesmo que a cada hora passada ele estava mais próximo de sair daquele lugar. Ele estava exausto, faminto e desidratado, e tinha plena consciência de que Dean estava apenas começando com seus jogos de tortura.

Já havia abandonado qualquer tentativa de se soltar. Estava acordado, mas mantinha os olhos fechados. Estava absorto em seus pensamentos quando um prato de comida foi depositado à sua frente, com um baque. Levantou a cabeça, abriu os olhos e viu um rosto familiar.

– Obrigado – Castiel falou, com certo atraso.

– De nada. – Alan respondeu e ficou observando Castiel pegar o pedaço de pão duro e mastigá-lo com dificuldade.

– Não precisa ficar aqui garoto, eu consigo me virar sozinho, obrigado. – Disse em tom gentil.

– Na verdade, eu preciso. Preciso que coma rápido também. – Alan admitiu com certo receio.

– Porque está fazendo isso?

– Por favor, não faça perguntas, apenas coma. Eu não quero me encrencar. – Admitiu, virando o rosto e olhando para a porta que estava aberta.

Castiel passou longos segundos analisando o rapaz a sua frente. Estava tão cansado que não conseguia pensar direito, mas, mesmo assim, sabia que o garoto não se encaixava naquele lugar.

– Quantos anos você tem, garoto? – Indagou curioso.

– Eu disse para parar com as perguntas. – Alan respondeu, mas havia algo de incerto em sua voz. Era como se quisesse conversar, mas não tinha coragem de fazê-lo.

– Desculpe. – Castiel falou acelerado. – A última coisa que quero é que sofra por minha causa.

Castiel achou a companhia dele surpreendentemente relaxante. A situação era inusitada, mas ele raramente conversava com outras pessoas. Não se tratava de timidez, é que para ele, as conversas tinham uma função puramente prática.

Alan abaixou o olhar e esperou que Castiel terminasse de comer em silêncio.

– Vou tentar voltar mais tarde. – Disse, se levantando e andando em direção à porta aberta.

– Eu vou estar aqui. – Castiel resmungou para si mesmo.

(...)

Ao amassar o papel em que estava desenhando, seus olhos passaram pelo quarto mergulhado na escuridão. De repente, captou um movimento com o canto do olho. Não havia luz alguma além da iluminação fraca da tênue lua crescente que entrava pela pequena janela, mas ainda assim conseguia distinguir o contorno de uma figura sombria andando em sua direção.

– O que você quer, criança? Sabe que não gosto de ser interrompido.

– Estou com fome. – Sam respondeu, mantendo os olhos abaixados. Mesmo depois de quatro anos ao lado daquele homem, ele ainda sentia medo de estar em sua companhia.

– E por acaso tenho cara de babá? – Águia Negra indagou em tom seco. – Talvez eu tenha que te lembrar quem é que manda por aqui. – Disse, aproximando-se um pouco. Havia um brilho perigoso em seu olhar predador, e Sam se encolheu um pouco mais na cama.

– N.. Não, senhor.

– Melhor assim. – Disse, olhando fixo para o adolescente. – Não se preocupe, pequeno, não vou deixar que passe fome. Não quero ter que enterrar mais um corpo. – Falou com a voz gelada e Sam sentiu o corpo estremecer. – Mandarei Carlos preparar alguma coisa assim que ele chegar. Até lá, fique quieto e se comporte como um bom menino. Já terminou de catalogar a mercadoria?

– Já sim. – Respondeu sem ânimo. Fazia alguns dias que Carlos o havia ensinado a catalogar todas as mercadorias que chegavam. A princípio, Águia Negra não ficara contente, mas tendo em vista a falta de tempo de Carlos, não havia outra opção a não ser treinar o garoto.

– Muito bem. Eu sabia que você me seria útil. – Águia Negra falou, dando meia volta e saindo do quarto.

Sam esperou que ele trancasse o quarto para se encolher ainda mais na cama, colocar as mãos no rosto e começar a chorar baixinho.

Notas finais
Obrigada a todos por lerem. Esperamos que tenham gostado. Qualquer dúvida, crítica construtiva, sugestões... Será sempre bem vindo. Até o próximo capítulo! Beijos, Kaay e With.