Marcada pela ferocidade
1 Capitulo 1
Notas iniciais
Meu nome é Jade Mikaelson. Tenho dezesseis anos a não sei quanto tempo. Perdi as contas desde que fugi. Tenho sobrevivido na Villa Negra nos túneis subterrâneos de Wallstreet. Medo é o meu único sentimento. Sou uma Dominadora Não aprendi a controlar meus poderes, tenho tudo a temer.
Não desejaria a minha vida para ninguém, este não teria controle de si, ao menos que receba treinamento,o que não é muito comum. As tragédias são constantes em Villa Negra assim como as mortes, os Dominadores são mais que constantes, elas são assíduas as raízes do poder.
Meus pais morreram, misteriosamente, quando eu era uma criança e desde então eu sobrevivo. Nessas minhas sobrevividas da vida, aprendi com um bárbaro do norte a usar arco e flecha, não ou muito boa, mas ando praticando.
Minha vida sempre foi muito solitária, desde criança. Primeiro fui levada para um orfanato onde surpreendentemente fui adotada várias vezes, talvez porque o meu temperamento não seja muito bom na minha condição barbárie de ser. Com uma família em especial, a última, eles se aproveitavam de mim para conseguir o que queriam e se eu não fazia era torturada, atos desumanos. então fugi, numa noite gélida, peguei o máximo de roupas que consegui e esperei até que todos dormissem para sair. Abri a porta morosamente e sai em passos de algodão– era o que eu meu pai costumava me dizer, quando eu não podia fazer barulho-, quando finalmente estava fora da casa me senti livre, como um pássaro, uma passarinha, sem ter para onde ir.
Caminhando serenamente em pleno dilúculo pelas ruas da Villa Negra, pude sentir o vento frio que ia de encontro com a minha pele, passando pelos meus volumosos agasalhos. Abri a boca e soltei um bafo quente, as temperaturas opostas fez com que subisse uma breve fumaça, aquilo já me bastava para ser feliz. Então, sozinha, vagava pelas ruas desocupadas, quando aconteceu... Com uma pontada na minha mente, eu já estava no chão me contorcendo de dor e foi quando de relance comecei a ver e a ouvir a voz de um homem dizendo onde era o lugar, ele falava com tom de urgência, fazendo piorar as coisas, mas o mais estranho é que ele e o lugar me eram familiares.
Assim que a dor cessou me recompus e comecei a seguir o rumo que o homem me falou. Sei que é estranho seguir o que a mente te diz, e que não é normal, mas eu não sou normal, as coisas que acontecem comigo não são normais e eu não tenho mais para onde ir.
Segui para a estação de trem. Era a única que eu podia pagar, peguei uns centavos emprestados, que eu provavelmente não voltaria para devolver. Tive muito tempo para pensar e percebi que meu maior engenho talvez seja sobreviver, sempre desde que meus pais morreram, só o que fiz foi sobreviver. Isso sim é útil.
A trajetória foi longa, mas cheguei só um pouco congelada na estação. A estação era um casarão de tijolos e telhas japonesas, tinha inúmeros degraus até chegar a porta principal, depois de subir a escada, olhei mais atentamente para a porta e vi que tinha desenhos renascentistas esculpidos, empurrei a porta, fazendo todos que estavam no recinto olharem para mim, ignorei-os com sutileza e ética.
O balcão para comprar bilhetes ficava no outro lado do saguão, andei firmemente para não parecer uma criancinha. Quase não conseguia ver a atendente, mesmo na ponta do pé, o que piorava a minha reputação e como eu ia ser tratada. Ao contrário do que pensei a moça me atendeu normalmente e eu pedi uma passagem para Oklahoma, o que fez sobrar apenas alguns míseros centavos do meu dinheiro "emprestado", me sentia culpada por roubar, mas não havia outro jeito.
O trem só sairia dali a uma hora, então perguntei onde era o banheiro e fui. Vi minha condição barbárie quando me olhei no espelho, lavei o rosto; Sou como uma típica garota da Villa Negra, cabelo castanho e sigilosos e grandes olhos verdes, meus cabelos estavam presos em um coque desajeitado e meus olhos estavam fundos pelo dia cansativo. Sai do banheiro esbarrando em uma senhora, pedi perdão abaixando a cabeça e me esquivando rapidamente.
Eu estava de volta no centro da estação, era um grande saguão com enormes lustres de cristal iluminando-o com clareza, havia também alguns guichês de informação, mas não eram tão úteis, pois quase sempre estavam fechados. Com o passar do tempo a estação ia se esvaziando e logo o meu trem chegou. As pessoas iam se amontoando, se empurrando e dando cotoveladas para entrar, apenas para pegarem um lugar melhor e eu que só quero sair de WallStreet. Entrei no trem e peguei um lugar no meio, não tão ruim, as cadeiras eram de um pano xadrez surrado e eu afundava nelas com ingenuidade. Adormeci rápido. Quando acordei já estava no ponto de Oklahoma.
Era um sentimento novo, não era medo, nem solidão... Era um sentimento de aventura, bem o que eu precisava. Desci do trem com um sorriso bobo estampado no rosto, mas não sabia para onde seguir. Entrei no saguão da estação de Oklahoma e procurei um guichê de atendente e GRAÇAS tinha uma atendente.
– Por favor, poderia me dar uma informação?- perguntei inocentemente- como faço para chegar na Casa dos Firefields?
Ela me olhou com uma cara de quem diz você-vai-querer-mesmo-ir-para-là, e finalmente falou:
– Do outro lado da praça, siga em frente, entre na ultima ruela antes do contorno e siga em frente. Tome cuidado menina.
–Tomarei, obrigada.
Sai andando firmemente e pensando o que me aguardava. Agora já que comecei vou até o final, aquele lugar me era familiar, tudo o que é familiar, no meu estado, é bem vindo.
A chuva tomava conta da cidade, mas logo ia clarear e eu queria estar o mais cedo possível na Casa. Respirei fundo, coloquei o casaco sobre o cabelo e entrei com tudo na chuva. As ruas eram esburacadas então minha calça e o meu pé estavam encharcados, não era uma sensação muito boa. Os arranha-céus em contraste com os postes de luz amarela ofuscante, faziam sombras parecendo uma cidade fantasma. Entrei na última ruela, assim como a atendente informou, me escondia debaixo
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