Marcada a fogo
1 Prólogo - O círculo de fogo.
Notas iniciais
O vento frio e denso ia ao encontro da face de Ryan enquanto o mesmo era arrastado por nada menos do que duas mulheres para o interior de uma floresta nada aconchegante.
Haviam hematomas em varias partes de seu corpo, marcas de sua persistência em não ser acorrentado e sequestrado.
Obviamente, persistência completamente vã.
–Me larguem suas vadias! Eu sou Ryan Reichendor! – Gritava o garoto enquanto se debatia entre os braços que o seguravam – Assim que voltarmos a Maquiwell, ordenarei que vocês sejam decapitadas!
Risadas ecoaram no ar, femininas e masculinas, debochando do ganancioso Ryan que mal enxergava o local onde estava, devido à escuridão da noite, quem dirá seus captores, que pelo visto, eram bem mais do que duas garotas.
– Cale a boca garoto, chame minhas irmãs de vadias outra vez e será você o decapitado.– Uma voz masculina disse com repreensão — E nem precisará esperar que cheguemos a Maquiwell para que isso aconteça.
–Pare de ameaçar o garoto Sirius. – Disse uma das mulheres, que arrastava Ryan com certa delicadeza – Deveria se sentir honrado garoto, nem todo mundo é escolhido para um ritual.
–Mas que diabos “ritual” signific... – Ryan começou a dizer rispidamente, sem terminar sua frase, devido a sua perplexidade.
Eles haviam parado de caminhar repentinamente. E uma mulher curiosa,que aparecera repentinamente, acendeu uma fogueira, apenas com um estalar de dedos.
Ryan, finalmente, viu todas as nove pessoas que se encontravam no local.
Estavam no interior de uma floresta, não havia como fugirem.
As árvores eram altas, e suas folhas dançavam com os ventos gelidos da madrugada. Os raios lunares atravessavam algumas de suas folhas, e não era possivel ver as estrelas, devido as altas copas de árvores.
Outras três pessoas haviam sido arrastadas, e é claro que Ryan sabia o nome de todas, afinal, eram de famílias nobres.
Todas elas eram.
Marco Tenybrard, Elizabeth Gharnes e Octavius Leziryn. Cada um deles, havia sido arrastado por um homem, tirando o próprio Ryan, que havia sido pelas duas mulheres. E claro que ninguém naquelas terras seria ingênuo o suficiente, para não saber que aqueles cinco sequestradores eram irmãos.
Os irmãos Maquiwell, herdeiros do trono, basicamente, tinham o sangue dos Reis e Rainhas antigos e futuros.
Ryan até teria se arrependido por chamar Ariadne Maquiwell de “vadia”, se não tivesse sido sequestrado repentinamente e desconfortávelmente.
Uma mulher, considerada por Ryan nem velha nem jovem, de cabelos pretos com seu comprimento indo até sua clavícula, também se encontrava no local. E com o olhar mais calmo do mundo, ela que havia simplesmente acendido uma fogueira com um estralar de dedos, sorriu para o garoto.
“Bruxa” pensou Ryan.
–Estamos na floresta de Thrigard... Não estamos Milady? – Disse Ryan se direcionando a Ariadne, um pouco temeroso com seu tom de voz.
Ele recebeu um olhar de repreensão, porém nenhuma resposta. Mas sabia que estavam na famosa floresta das bruxas.
Havia uma mesa de pedra com símbolos e riscos estranhos, que estava localizada no centro do local. Os quatro nobres foram empurrados para sua volta pelos Maquiwell que ficaram ao lado dos mesmos, a mulher que havia acendido a fogueira, começou a cantar cantigas consideradas por Ryan no mínimo tenebrosas. Um círculo de fogo se ergueu em volta deles e da estranha mesa.
Tirando Nicolau Maquiwell, o caçula dos irmãos, todos os quatro estavam dentro do circulo. Um com cada nobre.
O olhar de desprezo e raiva de Nicolau, passava de irmão para irmão, e de nobre para nobre.
Ryan entrou em pânico ao ver uma espécie de faca ser desembainhada, por cada um dos quatro irmãos. Ele pensava em maneiras de fugir dali, mas não havia, se tentasse, seria queimado vivo e se não tentasse, provavelmente, seria morto de algum jeito desagradável, e ele com toda certeza não queria morrer naquele dia.
–Com esse sangue, declaro crença aos deuses primordiais – Disseram os irmãos em uníssono fazendo um corte na palma de suas mãos, deixando que seus sangues se derramassem sobre determinados símbolos na mesa de pedra. – Aos deuses Água, Terra, Fogo e Ar.
Ryan permaneceu estático. Seus cabelos negros e lisos se bagunçavam a medida que o vento gélido e seco aumentava sobre a copa das árvores. A expressão dos outros nobres não era diferente, eles simplesmente aguardavam por suas mortes enquanto a bruxa continuava a cantar em uma língua estranha.
Cada irmão, segurou a palma da mão direita de um dos nobres virada para cima, fazendo um corte nas mesmas, e deixando que sangrassem e o derramassem sobre um único símbolo presente na mesa. Mais especificamente, sobre o símbolo escolhido para cada um. Para cada Deus.
Ryan sentia uma dor lancinante em sua mão. Como se a faca usada possuísse o pior dos venenos. O que significava aqueles símbolos afinal?
–Porque estão fazendo isso conosco?! – O grito desesperado de Elizabeth ecoou no local.
Os irmãos ignoraram a garota, e continuaram o ritual.
–Que as terras de Atfa sejam bem cuidadas por vocês, meus nobres, e que a partir desse dia dediquem suas vidas a seu próprio povo e a seus respectivos portais que serão bem guardado por vocês. – Pronunciou Melanie Maquiwell com tom de superioridade.
Ryan estava confuso, eles ganhariam terras? Com portais? Não seriam mortos?
–Cada um de vocês, terá uma parte deste mapa. Cada um de vocês será a chave para seu respectivo portal junto com o objeto entregue a vocês está noite. – Disse Baltazar Maquiwell apontando para a mesa de pedra. -Cuidem deles até que a morte venha a vocês, e então está honra se passará para seus filhos, netos, bisnetos e até onde sua linhagem durar.
Ryan se sentiu estúpido por não ter percebido, que os riscos e símbolos na enorme mesa de pedra redonda era um mapa. Mas ao mesmo tempo sentia alivio, não morreria naquela noite...
Somente carregaria o fardo de ser dono de uma terra e de um portal para o resto da vida.
– Sintam-se honrados, pois os Reis e Rainhas de Maquiwell confiam em vocês, afinal, não existiria outro motivo para estarem aqui se suas famílias não fossem confiáveis... e poderosas. – Disse Ariadne Maquiwell, olhando fixamente para cada um dos nobres.
Ryan ficava cada vez mais confuso e irritado, com a canção que saia da boca daquela maldita bruxa.
– Se confiam tanto em nossas famílias, porque estamos fazendo um juramento de sangue sobre símbolos que não temos idéia do que significam? – Disse Marco Tenybrard, rispidamente.
“Então era isso que estamos fazendo... um juramento de sangue” Pensou Ryan.
– Ora, o que é a vida sem garantias? E no momento, significados de símbolos não importam! Agora escolham um dos objetos, não temos a noite toda. – Disse Sirius Maquiwell apontando para o centro da mesa onde haviam aparecido, uma espécie de colar contendo uma pedra de Safira presa sobre um pequeno suporte de metal, para que se prendesse a corrente, um anel com uma pedra Obsidiana, uma adaga com uma pedra de Rubi em seu cabo, e um broche redondo, com uma espada em seu interior e pequenas pedras de cristal compondo seu cabo e acompanhando a circunferência do broche.
Ryan apontou para o colar de Safira, Elizabeth apontou para a Adaga, Marco para o Anel, e Octavius para o Broche.
Os irmãos entegraram os respectivos objetos a eles, e quando Ryan colocou o colar sobre seu pescoço, sua visão escureceu e ele sentiu seu corpo começar a cair em direção ao chão. Em direção as chamas do círculo de fogo.
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