Marcada

1 Lobo Negro


Notas iniciais
Bom, gente... Essa é minha primeira fic, então desculpinhas pelos erros e falhas, prometo tentar melhorar sempre. Se você leu até o final, por favor deixe seu comentário, elogio ou crítica, isso me motiva a continuar escrevendo,se vcs gostarem, eu continuo. Então favoritem se puder, e deixem sua opinião, é mt importante.
Kyaaaa, até o proximo capítulo!

8 meses à frente...

- Estou... viva?! — tosses

Não consigo enxergar nada além da fumaça, por que estou no meio de um círculo de fogo?! Mais tosses, as chamas altas me impedem de ver o que está do outro lado, ouço vozes, gritos... Por que estão gritando o meu nome, tento abrir mais os olhos, a fumaça turva minha visão novamente, os gritos soam com mais clareza.

- Derick? É você? — sussurro tentando visualizar melhor

Vejo vultos, pessoas gritando meu nome, Derick! Ele está aqui, alguém o está segurando.

- Por que você está chorando? É meu dever não, é?! Não chore — repito num falho sussurro

Ouço meu nome novamente, dessa vez do outro lado, as chamas sobem mais ao meu redor, respirar é quase impossível.

- Jess! Jess, está me ouvindo?! Jess você precisa sair daí, agora! — mais gritos desesperados

Vejo as fagulhas do fogo pousarem nos fios loiros, alguém está tentando apagar as chamas com o casaco.

- Kaeth, a marca dela está sumindo, Kaeth... — gritos carregados de medo e desespero ecoam pelo lugar

Vejo o rapaz loiro se aproximar, as chamas sobem mais, ele fala algo sobre a barreira o repelir, não consigo acompanhar o diálogo, meu cérebro está quase sem oxigênio, volto minha atenção para meu braço esquerdo, há sangue escorrendo por ele, a marca está sumindo, ergo minha mão a frente do meu rosto, tento encarar uma última vez aqueles três rostos desesperados me encarando, sorrio, chegou a hora, fecho os olhos, escuridão, as vozes se afastam, é o fim.

Atualmente...

- Jess, Jess... está me ouvindo, Jess?!- sinto alguém empurrar meu quadril, a voz torna-se mais reconhecível, Kat, levanto subitamente ainda arfando.

- Ah meu Deus — toco a testa fria de suor — estou viva!- falo naturalmente

- Claro que está viva, que papo é esse Jess? Anda fumando uma por acaso? Olha, acho que deveria dar uma parada nesses remédios que toma pra dormir

Essa é Kat, Katerina Collins, minha segunda melhor amiga, sim tenho sorte em ter duas. Nos conhecemos ainda crianças, antes de vir para Seattle, ela era minha unica amiga, lembro como se fosse hoje, tínhamos seis anos de idade, eu não era muito popular no jardim de infância, nem agora na verdade, haviam meninas mais velhas que sempre sujavam meus vestidos de creme de amendoim e suco de uva, todos os vestidos que minha mãe fazia pra mim, um após outro, sujos e manchados, eu nunca contei a minha mãe, mas Kat sabia, claro. Até que um dia vi algumas meninas humilhando ela por conta do seu nome de origem latina, dei uma surra nelas, apanhei bem mais, claro, mas desde esse dia, Kat sempre esteve ao meu lado pra me ajudar e vice e versa. Resultado disso? Parei de usar vestidos, comer creme de amendoim e tomar suco de uva, e Kat a odiar seu nome completo, além de uma louca e grande amizade.

Não demorou muito pra July se juntar a nós, de personalidade forte e marrenta, perdi a conta de quantas brigas July já arranjou pra nos proteger, desde as patricinhas aos valentões, e claro, ela era a que sempre saía vitoriosa, houve uma vez em que ela colocou uma cobra dentro do armário de uma menina, e um ninho de ratazanas no dormitório feminino, nem preciso dizer o quão loucas são minhas amigas. E cá está uma delas, cuidando de mim, como sempre.

- Alô? Terra chamando Jess, você ta ouvindo o que eu to falando?!- berrava agitando os braços na minha frente implorando atenção, abri um sorriso incontido

- Sobre garotos, sim- falei dando de ombros enquanto transferia o olhar para janela

- E..??

- E o quê?

- O que mais?

- Ahn... garotos bonitos? — dei de ombros tentando disfarçar a mentirinha

- Jess! — bufou- Você não está prestando atenção em mim!
- Desculpe, é que você sempre tá falando sobre garotos, achei que fosse sobre..

- Ah.. -seu tom de reclamação me lembrava uma criança birrenta- O que estava dizendo é... Precisamos sair mais, as aulas estão prestes a acabar e nem lembro a última vez que saímos, me sinto uma mulher das cavernas! Daqui a pouco não vou saber mais conviver em sociedade.

- Ah, não seja dramática! E outra, temos uma prova de matemática amanhã, esqueceu mocinha?- brinquei com um fio loiro de seu cabelo, gostava de brincar com os cachos, eram tão bem caprichados, invejava a vaidade de Kat

- Prova? Olha, a única prova que estou passando é a de sobrevivencia! Vamos Jess! É natal, tempo de sair pela neve, usar toucas estilosas, e paquerar os garotos da faculdade com seus sueters caros! — suspirava enquanto abria a janela do meu quarto

- Não,não... É tempo de estudar para os teste para não termos que ir pras aulas de recuperação!- fechei a janela, e me deparei com um vento forte invadindo meu quarto, um arrepio rápido percorreu minha espinha, parei um pouco

- O que foi?

- Já teve a sensação de estar sendo observada alguma vez? — falei encarando a neve que caía lentamente sobre os pinheiros

- Ahn... Não, acho que você anda assistindo muito filme de terror, isso sim

- Não, é sério! Sinto muito isso ultimamente, como se alguém estivesse lá fora, me observando em silêncio, cada passo meu- retruquei aninhando minha mão ao peito

- Olha, escuta o que eu to falando, você precisa sair mais, espairecer um pouco, você vai acabar ficando louca com esses delírios ai

Parei de encarar o ambiente lá fora, e me voltei para ela, tentando eliminar qualquer pensamento desse tipo, Kat tinha razão, estava delirando demais.

- Onde vai? — ela arrumava algumas coisas na bolsa

- Pra casa, ja deve ter começado a minha novela, vi que a Ana vai se declarar para o Ricardo, não posso perder o beijo dos dois, comprei até pipoca pra assistir — Kat podia renegar suas origens, mas amava uma novela mexicana, era a pessoa mais dramática que conhecia

- Ok, me diga como foi depois

- Pode deixar! Me ligue se quiser fazer algo que não seja se enfurnar em caixões e sarcófagos — ela deu uma piscadela antes de bater a porta

- Sarcófagos não!- gritei entre risos

Aproveitei a minha deixa sozinha, chutei alguns cd's e objetos de cima da cama, e relaxei. Estava sozinha em casa, por conta do trabalho noturno John sempre chegava tarde, o que me obrigava a dormir sozinha. John é meu padrasto, nunca conheci meu pai e minha mãe... Bom, morreu quando eu tinha cinco anos, não lembro direito mas, tenho quase certeza que essa marca no meu braço direito surgiu depois de sua morte. Ainda não sei a relação que isso tem, ou se é pura coincidência, prefiro achar que sim.

Após longos segundos se arrastando, consegui pegar no sono. Um cochilo, um cochilo de quinze minutos foram suficientes pra me levarem de volta aos meus pesadelos. Dessa vez, uma garotinha pequena correndo em meio a floresta cercada de neve, três lobos correndo atrás dela, tudo escuro, a neve se transforma em chamas, os lobos pulam em cima da garotinha, a garotinha sou eu, sangrando, estou morta, acordo arfando, minha marca queima, queima tanto quanto um ferro quente dilacerando minha pele, corro pro banheiro para lavar o braço, água fria deve resolver. Ouço a janela bater, ótimo, só falta as luzes piscarem e aparecer o Jason com uma serra elétrica.

Enxugo as mãos, me volto pra janela, abro ela, nada... Só o vento frio carregando os flocos de neve, decido descer e ver de perto, ponho o roupão listrado sem graça que John me deu de aniversário, calço minhas pantufas de coelhos, vou averiguar. Acho que se estivéssemos num filme, essa seria a parte em que o telespectador grita xingando a protagonista por estar indo em direção ao perigo, bom, a protagonista burra, seria eu.

O frio que está aqui fora é congelante. Respirar é quase um desafio, de movimento, só as árvores que balançam abruptamente, o céu está obscuro, sem estrelas, so nuvens carregadas e uma lua cheia. Há quanto tempo não via uma dessas, tão perfeita em seu formato cuidadosamente desenhado, era a única luz que se tinha ali. O vento se torna mais forte, batendo contra os meus cabelos ruivos violentamente, pouso as mãos em volta da minha cintura, sinto um calafrio percorrer cada póro meu. Ouço passos rápidos, me assusto, não há nada.

- Hey, Kat? É você? John? Você está ai? July? Alguém?

Recuo alguns passos, penso em voltar pra casa. Alguém passa por mim tão rapido que sinto meus cabelos esvoaçarem, não há pegadas, minha marca começa a arder, pouso a mão em cima dela, a dor continua, e os passos velozes também.

Eu vejo, rápido mas vejo, um vulto negro, uma sombra, com uma perfeita silhueta, vejo dois pontos vermelhos em meio a negritude a altura do rosto, julgo ser os olhos. Deus, o que é isso?! Quero gritar, quero correr, não consigo sair do lugar. A sombra começa a girar ao meu redor como um catavento, ouço sussurros proximo a nuca, ela para, e avança em minha direção, quero correr o mais rápido que puder, não posso, meus pés estão cravados na neve, fecho os olhos e espero... espero...

Ouço um rugido alto, um leão, um tigre, não... é mais forte que isso, sinto o chão tremer, abro os olhos devagar, desejei não ter aberto. Uma fera gigante, parecia um lobo, mas com o dobro do tamanho de um. Vejo seus dentes atracados a silhueta, ouço gritos de desespero enquanto aquela imensa fera de pêlos negros dilacera o meu inimigo, meu inimigo... ele também não seria um?! Recuo alguns passos, temo ser a próxima vítima enterrada entre aquelas presas gigantes, quero correr, pés cravados, merda!

O lobo para, a sombra escapa feito fumaça, ele me encara, olhos famintos, e antes que eu pudesse pensar em reagir, ele avança, não corre, apenas num salto, e que salto! Ele pula em minha direção, é meu fim, já podia sentir minha cabeça rolando na neve enquanto ele me dilacerava, tinha visto isso em Crepúsculo, devia doer muito.

Fecho os olhos de novo, nada... ele abocanha outra sombra que estava a centímetros de distância atrás de mim, ela tem o mesmo destino da primeira, estou apavorada. Ele me olha, sinto que estou sendo engolida por aqueles olhos castanhos amarelados, aqueles poucos segundos significaram uma eternidade, é como se estivesse hipnotizada por aqueles olhos, ele me encara, é então... quando ouço uma voz ecoar na minha mente. Uma voz máscula, cheia de fulgor, gelo, congelo.

"Corra, corra agora!!! O mais rápido que puder, esconda essa marca custe o que custar, vá!"

Eu não sabia se corria, se gritava, ou se desmaiava ali mesmo, preferi não pensar, apenas fiz o que ele me mandou, ele? O que era ele, aquilo... Corri, corri o mais rápido que podia tropeçando e levantando, aquelas pantufas de coelho não colaboravam nem um pouco.

Quando finalmente entrei em casa, pus cadeados em tudo, até na caixa de correio, janelas, tudo. Não havia mais sinal daqueles seres sobrenaturais, sentei na cama ainda arfando tentando achar um sentido pra tudo aquilo. Havia sido atacada por uma sombra de olhos vermelhos, e salva por um lobo de três metros que fala. Não tinha ideia do que tinha acabado de acontecer, mas alguma coisa me dizia, que dali pra frente, minha vida iria mudar completamente.