Mar de Sangue

1 Capítulo 1 - Nariz Decepado


Notas iniciais
Esse é um capítulo de introdução e demonstração de como toda a história ira ser escrita. À partir dele, começarei a contar a origem de Pier.

1719

Certo dia decepei o nariz de um homem.

Se minha memória não falha em torno de 1719, ou por volta desse ano. Foi durante uma incursão que efetuamos em um brigue da guarda britânica. Nosso objetivo era capturar um único homem, o cozinheiro.

Já estávamos há mais de dois meses sem um, meus homens já estavam cansados de comer apenas sopa de batata e tomar um pouco de rum.
Nosso antigo cozinheiro sempre gostou de tragar um pouco de rum antes dormir. Em uma noite de águas calmas o ouvi cambaleando sobre minha cabine, não havia me preocupado pois já era de seu costume sair para tomar um pouco de ar. A surpresa foi quando acordamos e vimos que ele não estava mais no navio.

Seu aprendiz conseguiu manter as coisas por um tempo, até um dia ser visto urinando no mastro, algo que não permitia. A punição era beber uma caneca com a urina de toda a população, confesso que nunca vi a punição da caneca matar um marinheiro, mas após dormir, ele nunca mais acordou.

Após interrogar um antigo integrante de uma embarcação britânica soube que um antigo cozinheiro da rainha estava sendo levado para uma comemoração em Lisboa. Não acreditei muito na história, o que não me impediu de repeti-la para minha tripulação, e ainda disse que até o final dessa semana. Quando vimos o brigue não hesitamos em atacar.

Sempre mantive o Queen Anne’s Revenge em bom estado e bem armado, o que me dava certa vantagem sobre as outras embarcações. Ao se aproximar do brigue o sino tocou e meu homens começaram a bombardeá-lo com chumbo.

Quando já estava sem os mastros e com parte do casco danificado minha tripulação invadiu o navio como ratos em meio à uma fumaça densa de pólvora, enxofre e sangue, como sempre estava logo atrás, com minha Zweihander nas costas, uma adaga na cintura e duas pistolas no peito.

Logo após por meus pés no convés vieram dois homens em minha direção, o primeiro dei cabo com minha espada atravessando seu crânio, o que não contava era ela fincar fundo demais. O segundo já estava quase em cima de mim, seus olhos desesperados, provavelmente desacostumado com batalhas, sacando minha adaga desferi um golpe em seu rosto decepando-lhe o nariz. Acabou rapidamente, boa parte da tripulação morta, mas adverti a todos que, não importando o que aconteça não devem ferir o cozinheiro.

Reuni todos na cabine do capitão, meus homens todos com a fome nos olhos e bocas salivando. Então pedi para o cozinheiro dar um passo à frente.

—Cá estou – Porém soou mais como “Castor”, já que algum idiota havia lhe decepado o nariz.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.