Mar De Monstros - Brittana
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Acordei sentindo lábios no meu pescoço e abri um sorriso leve. Virei-me e fiquei encarando o rosto de Santana por alguns minutos, enquanto ela passeava com os dedos contornando meu rosto.
- Acordou faz muito tempo? – perguntei sentando na cama.
- Não muito. – ela respondeu sentando ao meu lado.
Levantei da cama e Santana veio logo atrás de mim. Deixei que ela se abraçasse à minha cintura e afundei meu rosto no seu pescoço.
- Há quanto tempo sabe... Disso? – perguntei.
- Três anos. – ela respondeu me apertando em seus braços.
Aquilo doeu em mim. Senti como se tivesse levado uma facada em meu peito da minha melhor amiga. Afastei-me de seus braços e comecei a subir as escadas sem olhar para trás. Tínhamos uma missão pela frente, e ao menos eu sabia que não era agora que eu iria morrer.
Sentei à mesa e cumprimentei Joe e Kurt com um sorriso. Tomamos café em um silêncio constrangedor, com os olhares direcionados a mim. Sentia-me um pouco incomodada, parecia que eu já tinha morrido.
- Eu estou bem – comecei – e já sabemos que eu não vou morrer este ano. Estamos em vantagem, não acham?
Imediatamente todos desviaram seus olhares de mim. Fiquei satisfeita, odiava quando as pessoas sentiam pena de mim. Era irritante o jeito que me olhavam e falavam comigo, como se eu fosse feita de porcelana e pudesse quebrar a qualquer momento.
Santana voltava os olhos para o meu rosto de cinco em cinco minutos, como se quisesse me dizer alguma coisa. Assim que terminei de comer, levantei da mesa e fui para o convés. Ficar mais próxima da água me faria bem.
Fechei os olhos e fiquei sentindo a maresia em meu rosto. Senti braços repousarem na minha cintura e virei-me para encarar a latina ao meu lado. Ela me olhava com um jeito cauteloso e dolorido, o que me deixou levemente irritada.
- Britt... – ela começou – E quanto a nós?
Olhei-a confusa.
- O que quer dizer? – perguntei.
- Nós... Ainda existe... Como estamos? – ela gaguejou. – Quer dizer, eu e você, ahn, ainda estamos juntas?
Suspirei pesadamente. A latina baixou os olhos escuros e deixou uma lágrima solitária correr pela bochecha. Sabia que aquilo estava a matando, pois Santana odiava chorar na frente de qualquer pessoa. Até mesmo eu.
- Você me magoou Santana. – falei quase em um sussurro. – Escondeu uma coisa de mim por um ano que eu tinha mais do que o direito de saber. Eu sinceramente não conseguiria olhar para você todo o dia sabendo que estava mentindo para a pessoa que eu mais amei no mundo. E eu só posso chegar a uma conclusão: você me ama, Santana? E não minta para mim. Mesmo que doa, apenas diga a verdade.
- É claro que te amo, Brittany. – ela respondeu – Você é tudo para mim, minha companheira, minha melhor amiga, minha namorada... Eu te amo como ninguém.
- Então me ajuda a entender, Santana! Por que mentiu para mim? Por quê? – perguntei apertando seu rosto entre minhas mãos.
A latina baixou os olhos e começou a chorar baixinho. Segurei seu queixo e ergui seu rosto, fazendo-a olhar para mim.
- Porque eu te amo. – ela respondeu – Eu achei que eu estivesse te protegendo. Só isso. Nunca quis te magoar assim e nunca o faria se não achasse que fosse o melhor a se fazer.
Soltei o rosto de Santana e segurei suas mãos com firmeza. Ela encostou o rosto no meu e ficamos em silêncio.
- Eu te amo, latina besta. – sussurrei – E nós estamos bem. Você estava certa. O que nós temos é tão bonito, não posso simplesmente estragar de uma hora pra outra. Mas me prometa que nunca mais vai mentir pra mim, por mais que a verdade doa. Eu te amo, mas não posso aguentar a ideia de que não possa confiar em você. Isso seria demais para mim, Sanny.
- Eu prometo, Britt-Britt – ela disse com os olhos marejados – Eu te amo tanto, minha Cabeça de Alga.
Santana se inclinou e selou nossos lábios. Abracei o pescoço da latina e escondi meu rosto em seu peito.
- Mas vamos com calma. Eu ainda estou magoada com você. Vai ter que me dar um tempo para recuperar a minha confiança por completo. Pode fazer isso por mim? Por nós? – perguntei.
- Tudo por você, minha princesa. – San respondeu e eu sorri.
Ficamos abraçadas no convés apenas olhando o mar. Kurt e Joe chegaram saltitando alguns minutos depois e deram um sorriso ao nos verem abraçadas.
- Então... Temos um casalzinho de novo? – Kurt perguntou.
- Temos. O melhor casal de todos. – respondi capturando os lábios de Santana.
- Minhas queridas, observem o que está logo à frente de vocês. Esta é a entrada do Mar de Monstros. – Kurt falou.
Senti meu sangue gelar. O que eu conhecia pelo mundo mortal do famoso Triângulo das Bermudas não era nada bom. Saber que ele era controlado por um monstro não me ajudava em nada a lidar com isso.
Joe começou a choramingar baixinho.
- O motor não foi feito para este tipo de profundidade. – ele murmurou.
Não sei como ele sabia disso, mas fiquei nervosa de imediato. E não consegui ficar mais tranquila ao ver as manchas escuras tomando forma na nossa frente.
- Furacão? – San arriscou.
- Não. – Kurt respondeu – Caríbdis.
- Você enlouqueceu? – Santana perguntou empalidecendo.
- É a única entrada pelo mar de monstros, Salsita.
- E as Simplégadas? Jasão as usou! São outro portal...
- Os canhões não conseguem explodir rochas – Kurt respondeu – Já monstros...
- Você está louco, Hummel. – Santana resmungou.
Quanto mais nos aproximávamos dos monstros, pior o mar ficava. Ondas de três metros invadiam o navio e nos deixaram encharcados. San cuspiu água e veio em minha direção.
- Britt, tente controlar o mar. – ela pediu.
A ideia me pareceu boa, e resolvi tentar. Mas não consegui. Quando me dei por conta, estávamos dentro de um redemoinho. Iriamos morrer.
- Bote salva-vidas! – San gritou e tentamos correr para o mais próximo.
De repente, o navio virou. Tudo o que conseguimos fora agarrar um bote antes de sermos lançados ao mar. Agarrei a cintura de Santana e caímos no mar, com uma força que quebraria todos os ossos dos nossos corpos se eu não fosse filha do deus do mar. Senti minha cabeça bater com força em um rochedo e o sangue escorrer por minha testa. A última coisa que me lembro é de San nos segurando no bote salva-vidas e abrindo a garrafa de Hermes para nos tirar do redemoinho. Joe e Kurt não estavam conosco.
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