Mar

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É no azul que me reflete gelado que eu me encontro transparente. Tão profundo e tão solitário, pareces-me a melhor das companhias. E, nestes momentos, eu penso em ir embora. Apagar esta existência que, por vezes, me parece insuficiente.

Sinto-me cansada do filtro automático que construí. Ou da monotonia dos dias que aceitei. Das garantias que não estou disposta a assumir. Ou, ainda, dos riscos que adorava tomar e abdiquei.

Não se pode ter tudo. E, seja lá como for, eu quero tudo!

Não quero seguir um dia após o outro. Nem um sonho ofuscado numa noite mal dormida. Não. Porque não existem meias felicidades. Existem momentos. Felizes ou mal interpretados. Eu quero os meus momentos, senti-los como sinto esta tua brisa reconfortante, ainda que gelada. Desalinhando-me os pensamentos. Consertando-me a alma. Destruindo as ilusões. Viver deveras a sensação de estar vivo.

Nisto, questiono-me que pensar em nós próprios é quase tão complicado como pensar no universo, talvez porque queiramos saber tanto dos dois e mesmo que julguemos haver imenso por se descobrir, tenhamos medo que, no fim, não haja grande coisa que nos justifique a ilógica vontade de perseguir pelo que nos é desconhecido, que tal não seja tremendamente incrível, um orgulho por si só. Esse. Medo. A porção mais estúpida da humanidade.

E, mesmo no desalinhamento que os pensamentos me levam hoje, alucino que quanto menos sinto o meu lado excluído, mais anseio, mais me é querido e desejado. Olhar nesse sentido, doer tanto, sem que, no entanto, me esgote a curiosidade de querer um pouco mais desse lado proibido, em que o afastamento é demais a meu ver. Maldita brisa. Maldita vontade.

Queres um mar de emoções. Ou um rio de tubarões?

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Notas finais
O que preferiam?
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!