Manual para ser pedida em casamento

21 Pa’ presentarte como mi marido


Notas iniciais
Chegamos até aqui…E, sinceramente, eu nem sei por onde começar. Essa história nunca foi só sobre Bella e Edward. Nunca foi só sobre amor, caos, escolhas ou recomeços. Foi sobre sentir. Sobre mergulhar em algo intenso, imperfeito, às vezes doloroso… mas sempre verdadeiro. E agora… estamos no último capítulo. Dá um aperto, né? Mas também dá orgulho. Porque essa trajetória foi linda. Foi construída com carinho, com emoção e principalmente com vocês, que estiveram aqui em cada capítulo, em cada surto, em cada teoria, em cada comentário cheio de amor. Ficamos em 6º lugar no desafio do mês passado, e isso não é só um número… é o reflexo de tudo que a gente construiu juntos. Obrigada por não soltarem a minha mão nessa jornada. Agora respira fundo…Porque esse é o nosso final. E eu prometo que ele vai valer a pena.

POV BELLA

O mundo não voltou de uma vez.

Ele foi retornando devagar, como se cada pedaço da realidade precisasse pedir permissão para existir novamente dentro de mim. Primeiro veio o som. Um bip ritmado, constante, firme… depois o peso. O peso do meu corpo contra o colchão, o peso das cobertas sobre mim, o peso de estar ali… viva. A palavra demorou alguns segundos para fazer sentido, como se fosse grande demais para caber dentro da minha cabeça de uma vez só. Viva. Eu respirei fundo, sentindo o ar entrar devagar, ainda incerto, ainda estranho, e então veio o cheiro hospital, limpo demais, frio demais e junto com ele… algo que não fazia parte daquele ambiente.

Calor.

Familiar.

Seguro.

Edward.

Antes mesmo de abrir os olhos, meu coração já sabia que ele estava ali. Sempre soube. Era como se o meu corpo reconhecesse a presença dele antes de qualquer outra coisa no mundo, como se fosse impossível existir em qualquer lugar sem que Edward Cullen estivesse, de alguma forma, me encontrando. Quando finalmente abri os olhos, a luz não machucou. Era suave, quase gentil, como se o mundo estivesse me recebendo de volta com cuidado. E então eu vi.

Ele.

Sentado ao meu lado, inclinado para frente, segurando minha mão com força demais, como se tivesse medo de que eu desaparecesse se afrouxasse um pouco. Os olhos dele estavam vermelhos, marcados, cansados, carregando um desespero que eu nunca tinha visto antes. Edward sempre foi controle, sempre foi razão… mas ali, naquele momento, ele era só um homem que quase perdeu tudo.

— Bella… — a voz dele saiu baixa, falha, como se quebrasse no meio do caminho.

Eu sorri. Ou pelo menos tentei.

— Você não vai se livrar de mim tão fácil… — murmurei, a voz rouca, mas carregada de um humor leve que nem a morte conseguiu arrancar de mim. — Eu esperei tanto tempo pra casar com você… tô achando que nem a morte separa a gente agora, sabia?

Os olhos dele se encheram imediatamente, e eu continuei, mais suave, mas completamente sincera:

— Eu ainda preciso ter o sobrenome Cullen.

A reação dele foi instantânea. Uma mistura de riso e choro, completamente desarmado, completamente entregue. Ele encostou a testa na minha mão, fechando os olhos como se finalmente pudesse respirar depois de dias segurando tudo dentro de si.

— Você quase me matou… — ele murmurou.

— Não mesmo… — provoquei sorrindo.— Eu me joguei na frente de uma bala por você...

— Eu amo muito você…

— Eu também amo — respondi, olhando direto para ele, firme — Eu não vou a lugar nenhum.

O silêncio que se instalou depois não era vazio. Era cheio. Cheio de tudo que a gente sobreviveu, de tudo que quase nos destruiu e, principalmente… de tudo que ainda estava ali.

Vivo.

Os dias passaram como um sopro leve depois da tempestade. Ainda havia dor, ainda havia marcas, mas havia algo maior do que tudo isso: a certeza. Antes de voltar para Seattle, porém, existia uma coisa que eu precisava fazer. Algo que não era sobre medo, nem sobre passado… mas sobre liberdade.

O lugar era frio demais. Branco demais. Silencioso demais. Cada passo ecoava de um jeito estranho, como se até o som tivesse dificuldade de existir ali dentro. Edward caminhava ao meu lado, a mão firme na minha, como se estivesse pronto para me puxar de volta caso qualquer coisa saísse do controle.

— Tem certeza? — ele perguntou baixo.

Eu assenti.

— Eu preciso disso.

E então… eu vi.

Damon.

Sentado.

Mais magro.

Mais vazio.

Mas ainda assim… ele.

Quando os olhos dele encontraram os meus, houve um momento , pequeno, quase imperceptível, em que tudo parou.

— Bella… — ele disse, a voz diferente, quebrada de um jeito que eu nunca tinha ouvido antes.

Eu não senti medo, não mais.

— Eu vim me despedir — falei, firme, mas sem dureza.

O silêncio entre nós era pesado, mas necessário.

— Eu te perdoo, Damon.

As palavras não saíram com raiva. Nem com dor. Saíram leves.

Livres.

E pela primeira vez… ele não tentou controlar nada.

Apenas aceitou.

— Addio, amore… — ele murmurou.

E eu soube.

Era o fim.


POV EDWARD

Seattle nunca pareceu tão certa.

O céu, o vento, o ar… tudo parecia finalmente no lugar, como se o mundo tivesse se reorganizado depois de quase tirar ela de mim. Bella estava ali, ao meu lado, viva, respirando, sorrindo… e aquilo ainda parecia um milagre.

Eu não ia esperar mais.

Não dessa vez.

— Eu fiz tudo errado — comecei, olhando para ela — Esperei demais, pensei demais… e quase perdi você.

Ela não interrompeu.

Só me olhou.

Como sempre.

— Mas eu não vou esperar mais — continuei, tirando o anel — porque não existe momento perfeito… só existe a gente.

Me ajoelhei.

Sem medo.

Sem dúvida.

— Acho que essa aliança não pode sair nunca mais do seu dedo...

Ela riu baixo, e abriu um lindo sorriso para mim.

— Só quando eu for ter nosso bebê no hospital...

E quando coloquei o anel no dedo dela…eu soube.

Era para sempre.


POV BELLA

O altar estava cheio.

Doze madrinhas.

Doze vestidos.

Doze versões da minha história.

Alice estava chorando. Rosalie deslumbrante. Todo mundo ali… presente.

E Edward…esperando.

— Eu vos declaro marido e mulher…

Eu nem deixei terminar.

Levantei a mão me virando para as minhas 12 madrinhas:

— EU CASEIIIIII!

As risadas explodiram e o padre me olhou com os olhos assustados.

— Finalmente, padre! Foram 10 anos, 12 madrinhas, 12 buquês… milagres acontecem!

Edward gargalhou e então me puxou.

O beijo veio intenso, profundo, cinematográfico… como se carregasse tudo que fomos, tudo que perdemos e tudo que sobrevivemos.


A música mudou suavemente, como se o próprio universo estivesse acompanhando o ritmo do nosso final.

E então… aconteceu.

As luzes diminuíram levemente, um burburinho percorreu o salão, e antes que eu pudesse entender, a voz começou.

Ao vivo.

Forte.

Perfeita.

— Yo me caso contigo…

Eu congelei por um segundo, virando o rosto devagar, enquanto Edward soltava uma risada baixa, claramente culpado.

— Você não fez isso… — sussurrei, arregalando os olhos.

— Eu fiz — ele respondeu, com aquele sorriso torto que sempre me desmontava — Ideia do Emmett.

E claro que era.

No centro da pista, como um verdadeiro espetáculo inesperado, Karol G cantava ao vivo, enquanto Emmett levantava os braços como se tivesse acabado de organizar o evento do século.

— EU FALEI QUE IA SER HISTÓRICO! — ele gritou, orgulhoso.

Eu levei a mão à boca, rindo sem acreditar, enquanto Alice praticamente surtava ao lado da pista, pulando e chorando ao mesmo tempo. Rosalie sorria com aquele ar de quem já esperava algo grandioso, Jasper apenas balançava a cabeça com um meio sorriso, Charlie observava tudo com um olhar emocionado e rendido, Sue dançava com Seth e Leah, Carlisle sorria, Renee e Phil dancando juntos e Esme… Esme tinha lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto.

E Edward…Edward só me olhava.

Como sempre.

Como se, no meio de tudo aquilo, ainda fosse só nós dois.

— Dança comigo, senhora Cullen? — ele sussurrou, aproximando o rosto do meu.

Meu coração tropeçou dentro do peito.

— Eu achei que você nunca ia pedir isso — respondi, provocando, enquanto colocava a mão no peito dele.

Ele me puxou.

Devagar.

Certo.

Perfeito.

As mãos dele encontraram minha cintura, firmes, seguras, como sempre foram. Meu corpo respondeu sem esforço, como se a gente nunca tivesse esquecido o ritmo um do outro, como se cada movimento já estivesse gravado em nós há anos.

Ele me girou.

O vestido rodou ao meu redor.

E eu ri.

Livre.

Feliz.

Inteira.

— Você continua se aproveitando de música latina pra se esfregar em mim em público — provoquei, baixinho.

Ele inclinou a cabeça, os lábios roçando perto do meu ouvido.

— E você continua gostando disso.

Eu mordi o lábio.

— Um pouco.

Ele sorriu.

Aquele sorriso.

O mesmo de quando eu tinha dezessete anos.

O mesmo que sempre me fez acreditar que tudo ficaria bem.

— Yo me caso contigo… — ele cantou baixinho, dessa vez só pra mim.

Meu coração falhou.

— Edward…

— Mi nombre suena bien con tu apellido…

Eu ri, emocionada, sentindo os olhos encherem enquanto ele me puxava mais para perto, nossas testas se encostando, o mundo desaparecendo mais uma vez ao nosso redor.

— Finalmente — sussurrei.

Ele encostou a testa na minha.

— Finalmente.

E então me beijou.

Não foi um beijo apressado.

Não foi desesperado.

Foi… completo.

Um beijo que carregava dez anos de história.

De amor.

De espera.

De erros.

De reencontros.

De quase perdas.

E de escolhas.

Quando nos afastamos, ainda próximos, ainda presos naquele pequeno universo só nosso, eu sorri.

E pela primeira vez…

sem medo nenhum…eu soube.

Nós conseguimos.

Contra tudo.

Contra todos.

Contra nós mesmos.

E dessa vez…era para sempre.

Porque algumas histórias não terminam quando tudo dá certo.

Elas começam ali.

E a nossa…finalmente…estava começando.

Notas finais
E então… acabou. Ou talvez não. Porque histórias como essa não terminam de verdade. Elas ficam. Nos personagens que a gente aprendeu a amar, nas cenas que marcaram, nas frases que ficaram na cabeça, nos momentos que fizeram a gente rir, sofrer, surtar… e principalmente sentir. Bella e Edward finalmente chegaram onde sempre deveriam estar. Mas o que torna isso especial… não é o final. É o caminho. Cada erro. Cada escolha. Cada despedida. Cada reencontro. Obrigada por viverem essa história comigo. Por cada comentário, cada mensagem, cada leitura silenciosa que mesmo sem palavras, fez tudo isso crescer. Vocês transformaram essa história em algo muito maior do que eu imaginei. E isso… eu nunca vou esquecer. Com todo carinho, Até a próxima história. 🤍
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.