Manual para ser pedida em casamento
13 I Have Waited a Hundred Years…
Notas iniciais
POV BELLA
Seattle não era Capri.
Não havia mar azul infinito, nem falésias douradas, nem o cheiro doce de limão no ar. Seattle era cinza, úmida, silenciosa… e, ainda assim, naquela manhã, parecia o lugar mais seguro do mundo.
Porque eu estava ali com ele, na nossa casa.
Acordei antes de Edward, o que era raro. A luz fraca da manhã atravessava as cortinas do quarto, desenhando linhas suaves sobre o chão de madeira e sobre o corpo dele ao meu lado. Ele dormia de costas, uma mão relaxada sobre o travesseiro, a respiração calma, estável… como se, pela primeira vez em muito tempo, ele não estivesse em guerra com nada.
Nem comigo.
Nem com ele mesmo.
Eu fiquei ali por alguns minutos, só observando. Era um tipo de silêncio diferente do de Capri. Não era pesado. Não era carregado. Era… inteiro.
Com Edward, o mundo não gritava.
Ele respirava tranquilo.
Estiquei a mão devagar, tocando de leve as costas dele, desenhando uma linha quase invisível com os dedos. Ele se mexeu, murmurando algo baixo, algo como "paraíso", e então virou o rosto na minha direção, ainda meio perdido entre o sono e a realidade.
Os olhos verdes encontraram os meus e ele sorriu.
Não aquele sorriso controlado, educado, perfeito.
Um sorriso verdadeiro.
— Você está me olhando de novo — ele murmurou, a voz rouca.
— Você sempre percebe.- Eu sorri de volta acariciando seu rosto.
— Sempre — ele respondeu, puxando meu corpo para mais perto.
Eu encaixei o rosto no peito dele, sentindo o calor, o cheiro familiar, o ritmo do coração dele sob minha bochecha.
E por um segundo…só um…eu achei que talvez fosse possível ficar ali para sempre.
Sem Capri.
Sem Damon.
Sem escolhas impossíveis.
Só nós, mas a vida não funciona assim.
E talvez, pela primeira vez, eu estivesse pronta para aceitar isso.
— Bella… — ele disse baixo.
— Hum?- disse passando meu nariz pelo seu queixo.
Ele ficou em silêncio por um instante, como se estivesse pensando em algo importante demais para sair sem cuidado.
— Fica comigo.
— Eu já estou com você. — Eu ri, baixo.
Ele respirou fundo.
— Não… eu digo… fica de verdade. Sem fugir. Sem pensar no que vem depois. Só… fica.
Levantei o rosto para encará-lo.
— Eu estou aqui e eu vou ficar, Edward.
E dessa vez…
Eu estava.
De verdade.
O dia passou lento, simples.
Quase normal.
Nós fizemos café juntos, brigamos por causa de quem tinha feito mais bagunça na cozinha, rimos de coisas idiotas, ficamos tempo demais no sofá sem fazer absolutamente nada.
E em todos esses momentos…
Eu sentia.
Algo mudado.
Edward não estava mais esperando o momento perfeito.
Ele estava vivendo.
Comigo.
E aquilo…Aquilo me fazia apaixonar por ele de novo.
De um jeito diferente.
Mais real.
Mais adulto.
Mais perigoso.
Porque agora… não havia desculpas.
No fim da tarde, a chuva começou.
Claro que começou.
Seattle sendo Seattle.
Eu estava na sala, sentada no chão, folheando distraidamente um álbum antigo que encontrei na estant, fotos nossas, de anos atrás, versões mais jovens de nós dois tentando entender o que era amar alguém sem saber ainda o quanto aquilo podia doer.
— Eu lembro desse dia — disse Edward, aparecendo atrás de mim e apontando para a foto em que estávamos na argentina em um restaurante com show de Tango.
Eu levantei os olhos.
— Você odiou esse restaurante.- disse rindo.
— Eu odiei o garçom — ele corrigiu, sentando ao meu lado.
— Porque ele falou comigo.
— Porque ele estava flertando com você.- disse ele entre risos.
— Você sempre foi dramático.- Eu ri.
— E você sempre foi bonita demais para o meu próprio bem.
Silêncio.
A frase ficou no ar e havia algo diferente nela agora.
Não era brincadeira.
Era… verdade.
Edward puxou o álbum da minha mão e fechou devagar.
E então…ficou em silêncio.
Um silêncio diferente.
Carregado.
Eu senti antes mesmo de entender.
Meu coração acelerou.
— O que foi? — perguntei, baixinho.
Ele passou a mão pelos cabelos, nervoso.
Edward Cullen...Nervoso...
— Eu não queria fazer isso assim — ele começou.
Meu corpo inteiro ficou alerta.
— Assim como?
Ele respirou fundo.
— Sem planejamento. Sem cenário perfeito. Sem…
— Edward — interrompi, suavemente — Para.
Ele me olhou e naquele olhar…
Eu vi tudo:
Medo.
Amor.
Arrependimento.
E uma decisão.
— Eu esperei demais — ele disse suspirando.
Simples.
Direto.
Meu coração apertou.
— Eu achei que precisava fazer tudo certo. Do jeito certo. No momento certo… — ele continuou — e enquanto eu estava tentando fazer isso… eu estava te perdendo.
Silêncio.
— E eu vi você ir embora — a voz dele falhou por um segundo — e foi a pior sensação da minha vida.
— Edward…- Eu senti meus olhos arderem.
Ele balançou a cabeça.
— Não… deixa eu terminar.
Ele se levantou e meu coração disparou.
— Eu não quero mais acertar o momento, Bella… — ele disse, a voz firme agora — Eu só quero não errar você de novo.
O mundo parou.
Literalmente.
Eu não respirava.
Não me mexia.
Só… sentia.
Ele levou a mão ao bolso.
E então…tirou.
A pequena caixa.
A mesma.
Meu peito travou.
— Eu comprei isso há meses — ele disse — Quando ainda achava que tinha todo o tempo do mundo.
Ele abriu a caixa.
O anel brilhou sob a luz suave da sala.
E dessa vez…não havia plano.
Não havia perfeição.
Só verdade.
Edward deu um passo na minha direção.
E então…se ajoelhou.
— Eu não sou perfeito — ele disse. — Nunca fui. Mas eu sei uma coisa com certeza absoluta…
A voz dele baixou.
— Eu amo e quero você.
Meu coração estava fora de controle.
— Nos dias bons… nos ruins… nos confusos… nos que a gente não entende nada…
Ele respirou fundo.
— Eu quero construir uma vida com você. De verdade. Sem esperar mais nada.
Silêncio.
O mundo inteiro parecia ter encolhido para aquele momento.
— Casa comigo, Bella.
A frase não foi ensaiada.
Não foi perfeita.
Foi… real.
E isso tornou tudo mais forte.
Mais certo.
As lágrimas vieram antes da resposta.
— Edward…
Minha voz falhou.
Eu ri.
Chorei.
Balancei a cabeça.
— Você demorou demais — sussurrei.
Ele sorriu, nervoso.
— Eu sei.
Eu dei um passo à frente e toquei o rosto dele.
— Mas você chegou e o que eu mais quero nessa vida é ficar com você.
Silêncio.
E então…
— Sim, eu aceito.
A palavra saiu em um sussurro.
Mas foi suficiente.
Os olhos dele se iluminaram de um jeito que eu nunca tinha visto antes.
Ele colocou o anel no meu dedo com cuidado, como se estivesse tocando algo precioso demais para ser apressado.
E então se levantou.
E me beijou.
Não com urgência.
Não com desespero.
Mas com uma certeza que eu nunca tinha sentido antes.
Como se, pela primeira vez…
a gente estivesse escolhendo um ao outro sem medo.
No dia seguinte, o almoço na casa do meu pai foi… caótico.
Barulhento.
Cheio.
E estranhamente perfeito.
A mesa estava cheia de comida, vozes se sobrepondo, Emmett falando alto demais como sempre, Rosalie revirando os olhos e acariciando a barriga enorme, Alice já planejando o casamento na cabeça sem nem disfarçar.
— Eu só quero dizer — Emmett começou, levantando o copo — Que sem mim isso não teria acontecido.
Emmett gesticulava animadamente para mim e para Edward, eu fechei os olhos suspirando fundo enquanto meu noivo ria do irmão.
— Lá vem…- sussurou Seth dando um gole em sua cerveja.
— Eu basicamente fui o cupido internacional — ele continuou. — Organizei passeio de barco, distraí italiano suspeito…Tudo para o meu irmãozinho ir lá e meter o gol!
— Você só queria ver o barco e beber álcool caro — Jasper disse.
— Não importa! O resultado é o que conta!- disse meu cunhado rindo.
— Emmett… — Rosalie suspirou o repreendedo.
— Eu só acho que mereço um discurso de agradecimento me chamando de melhor irmão do mundo ,Edward...Cadê o microfone, Seth??
— Você não vai pegar nenhum microfone, não fez mais do que sua obrigação como irmão do Edward... — Alice respondeu dando um tapa no ombro do grandão..
Todos riram e pela primeira vez em dias…eu me senti leve.
Edward segurava minha mão por baixo da mesa.
Presente.
Firme.
Real.
— Emmett — ele disse chamando a atenção do irmão. — Obrigado, você é o melhor irmão do mundo.
Edward sorriu para Emmett e o grandão ficou com os olhos cheios de lagrimas...
—Mas nós temos uma coisa importante para dizer a vocês— Edward continuou e me olhou sorrindo.
O silêncio veio aos poucos.
Todos olhando.
Esperando.
— Nós vamos nos casar !- gritei animada levantando da cadeira e mostrando o anel como uma adolescente.
A explosão foi imediata.
Alice e Rosalie levantaram também gritando e dando pulinhos de alegria.
Sue sorriu.
Charlie ficou em silêncio por um segundo… e então assentiu, emocionado.
— Era sobre isso — ele disse baixo.
Meu peito apertou.
Felicidade.
De verdade.
E então…A campainha tocou.
Todos pararam.
— Eu atendo — Charlie disse, se levantando.
Alguns segundos depois…silêncio.
Um silêncio estranho.
E então a voz dele:
— Bella… você precisa ver isso.
Meu estômago gelou.
Eu me levantei.
Fui até a porta.
E parei.
O caminhão ocupava metade da rua.
Rosas.
Centenas.
Talvez milhares.
Vermelhas.
Exageradas.
Sufocantes.
E no meio…
um cartão.
Minhas mãos tremiam quando abri e vi aquela caligrafia perfeita.
“Non è finita, bella mia.
Algumas histórias… não terminam quando você decide ir embora.
Ci vediamo presto.
— Damon.”
O mundo ficou frio.
O ar pesado.
E pela primeira vez desde que voltei…eu entendi.
Isso não tinha acabado, nem de longe e talvez…nunca tivesse sido só uma história de amor.
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