Manual Do Sexo E Do Amor

1 Prólogo - Introdução aos 4 diferentes mundos


Na verdade, isso não deveria ser chamado de Manual. Não é como se eu fosse expert no assunto. Longe disso. 16 anos, ainda virgem. Não que eu esteja preocupada com isso, mas o quê me incomoda realmente é a importância que as pessoas atribuem ao sexo e aos relacionamentos. Como se a vida se resumisse a isso.
A propósito meu nome é Janaína, mas me chame de Jana, por favor.
Você deve estar pensando: O quê essa garota sabe? Ela é virgem e nunca teve um namorado de verdade. Bom, acontece que não são as minhas experiências que eu vou analisar nesse "manual", mas as de meus quatro melhores amigos. Acredite se quiser: é muita coisa para analisar!
Ah! Você deve estar pensando que eu sou uma daquelas aspirantes a psicólogas, mas, só para esclarecer, eu vou fazer medicina.
Enfim, aqui vai uma lista das características da vida amorosa de cada um dos meua amigos:

Amigo número 1 — Alice

Alice tem 17 anos e ainda é BV(acho que todo mundo sabe que BV significa "boca virgem", ou seja, nunca deu um beijo de verdade num cara). Ela tem sérios problemas de auto-estima por causa da quantidade de gorduras localizadas na barriga(um eufemismo para "gorda"), apesar de possuir cabelos castanhos de dar inveja, um rostinho angelical e uma personalidade encantadora.

Amigo número 2 — Aiana

Aiana tem 17 anos e transa com o cara por quem é apaixonada, mas que não está nem aí para ela. Apesar de não ser mais virgem, ela nunca teve um relacionamento de verdade com um cara porque sempre se apaixonada por rapazes que não sentem o mesmo por ela.

Amigo número 3 — Caio

Caio tem 18 anos e vive sua vida baseado na típica filosofia "Vou me divertir o quanto eu puder hoje porque posso não estar vivo amanhã". Ele não está nem aí para os estudos, nem para relacionamentos sérios. Tudo o quê ele mais ama na vida é sexo sem compromisso, álcool e festas. É um depravado.

Amigo número 4 — Nicole

Nicole é a mais velha de nós todos, tem 19 anos e é a única que já completou o ensino médio e agora cursa engenharia ambiental na faculdade. Ela tem uma sensualidade que toda mulher gostaria de ter. A desgraçada parece com a Angelina Jolie com aqueles lábios carnudos, rosto quadrado e maçãs do rosto proeminentes, apesar de ter cabelos mais escuros que os da Angelina e não ter olhos claros. Ela também é a única de nós que já teve um relacionamento sério. Na verdade, atualmente ela está namorando o cara de seus sonhos, seu melhor amigo há 10 anos, Fabrício. Uma vez, quando estávamos todos na casa do Fabrício, eles fizeram sexo num quarto ao lado do quê nós estávamos, sabendo que nós sabíamos o quê eles estavam fazendo. Foi constrangedor e engraçado ao mesmo tempo.

Eu não entendo o porquê deles me criticarem o tempo todo, só porque eu decidi não me envolver com ninguém até a faculdade. Quer dizer, não é como se eles fossem mais felizes do que eu em suas vidas amorosas. Talvez eu estenda esse "não envolvimento" até quando me formar.

"O quê você está fazendo?" — Alice me pergunta, colocando a cabeça sobre meu ombro para ler o quê estou escrevendo. Afasto bruscamente meu caderninho para o lado.

"Escrevendo sobre vocês." — respondo — "Mais especificamente sobre suas vidas amorosas."

"A vida amorosa da Alice é inexistente." — Diz Caio com um sorrisinho de divertimento no rosto.

"A sua também, Caio." — Alice rebate.- "Ou você acha que transar com a primeira garota que estiver na sua frente e que não seja uma de nós pode ser classificado como vida amorosa?"

"Isso se chama vida sexual. Você deveria tentar um dia desses." — Caio responde.

"Isso se chama depravação." — Alice responde de volta.

Vai começar... — penso comigo mesma.

"Ai, Alice, por que você tem que ser sempre a miss vivo num conto de fadas esperando o príncipe encantado?

"Caio, por que você tem que ser sempre um robô sem sentimentos e ninfomaníaco?"

Deixo os dois discutindo, como sempre fazem quando o assunto é esse e me viro para Aiana que bate freneticamente nas teclas do celular.

"Pra quem está mandando mensagem?" — Pergunto.

"Pro Álvaro." — Ela responde e seus olhos brilham quando olha para mim.

"É, imaginei que fosse pra ele." — Respondo. — Então... Vocês fizeram ontem?"

"É. Fizemos." — Ela diz com aquele sorrisinho de quem acabou de aprontar uma e os olhos brilhando.

"Você deveria parar de fazer isso consigo mesma, Aiana." — Caio fala, subitamente parando sua discussão acalorada com Alice e prestando atenção à nossa conversa.

"O quê eu faço comigo mesma?" — Aiana pergunta.

"Você deixa ele te usar sexualmente quando for conveniente pra ele, ou seja, quando ele não tem mais ninguém para fazer sexo. O cara praticamente te deixa em modo stand by."

"Ai!" — Exclamo.

"Você já parou pra pensar que talvez eu goste de ser usada?" — Aiana responde, levemente irritada.

"Não, você não gosta. Você gosta de fazer sexo com ele, mas odeia o fato de gostar porque está apaixonada por ele e você sabe que amanhã a essa mesma hora ele pode estar fazendo a mesma coisa com outra pessoa."

"Ok. Essa conversa já está indo longe demais." — Digo, mas ninguém realmente me escuta. Essa é uma das desvantagens de ser a mais nova do grupo. Ninguém leva a sério o quê eu falo. É como se eu fosse um filhotinho irritante de cachorro, latindo o tempo todo.

"Eu não me importo que ele faça sexo com outras garotas. Eu também posso fazer sexo com outros caras. Nossa relação é estritamente física."

"você se importa sim, mas aceita isso porque você acha que não vai conseguir nada mais além dessa relação sexual descompromissada e acha isso melhor do que nada."

"Olha, não é você quem fica nos dizendo o tempo todo para aproveitar a vida e fazer sexo com quem a gente sentir vontade? E daí que eu esteja apaixonada por ele?"

"E daí que ele sabe dos seus sentimentos por ele e não está nem aí. Ele está te usando e, quando cansar de você, vai te dar um pé na bunda. Olha, por que você acha que eu não transei com você quando estava apaixonada por mim?"

"Por que você nos considera suas irmãs?"

"Isso e porque valorizo você e sua amizade e jamais arriscaria nossa amizade por sexo, que, aliás, posso fazer com qualquer outra garota sem ter que me preocupar com os sentimentos dela depois."

Finalmente o sinal toca, pondo fim ao intervalo depois do que pareceu uma eternidade. Vamos para a sala com um clima estranho pairando entre nós e, para quebrar o gelo enquanto o professor não chega, tento colocar em foco um assunto diferente.

"Vamos encontrar com a Nicole depois da aula?" — Pergunto. — "Ela madou uma mensagem. Dizia que era urgente."

"Claro." — Alice responde e Aiana se limita a um aceno de cabeça.

"Eu não vou. Tenho que ajudar meu pai lá no pet shop." — Caio responde.

"Nicole é tão sortuda!" — Alice comenta.

"Por que?" — Pergunto.

"Ela está namorando o melhor amigo dela. Alguém que ela conhece há anos, que sabe tudo sobre ela e que realmente se importa com ela. As coisas ficam muito mais fáceis assim. Acho que toda garota deveria namorar o melhor amigo. É a solução para todas essas questões complicadas sobre relacionamentos."

Viu? Não importa o quanto eu tente, a conversa sempre volta para esse assunto. É irritante! Será que ninguém consegue manter o foco numa conversa sobre coisas como filmes, livros, escola ou qualquer outra coisa que não seja sexo, amor e relacionamentos?

"É, eu acho que eles foram feitos um pro outro." — Diz Aiana.

"Não existe esse tipo de coisa." — Diz Caio.

O professor entra na sala e a aula transcorre normalmente sem maiores discussões de nossa parte. Finalmente eu posso respirar um pouco e concentrar minha mente na minha matéria preferida: Biologia, algo relamente importante e nada complicado.

Depois da aula, nos despedimos de Caio e vamos até a sorveteria próxima ao colégio, nosso point de encontro usual. Estou super feliz, pensando em meu sorvete de coco com calda de chocolate até que vemos Nicole aos prantos, sentada a uma mesa num canto isolado da sorveteria, remexendo penosamente seu sorvete (agora quase todo derretido) com uma colher de plástico.

Tchauzinho sorvete de coco...

"Nicole, o quê houve?" — Perguntamos todas ao mesmo tempo enquanto tomamos nossos lugares.

"Fabrício terminou comigo..." — Ela responde e as lágrimas voltam a escorrer por seu rosto uma atrás da outra.

Será que agora você consegue me entender? Relacionamentos são mesmo complicados...

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.