Manto Negro

5 Capítulo V


E era verdade, o homem grande chamado Vladimir, tinha amigos que o esperavam em uma caminhonete velha. Uma mulher que tinha o cabelo amarelo como ouro, estava amarrado em um coque desajeitado, e por algum motivo ela usava um óculos arredondado e escuro, o outro era um rapaz de cabelo escuro.

Vladimir me colocou no chão e ouvi a conserva do trio.

— Pegou ele? — O rapaz perguntou

— Sim, mas vai voltar logo, conseguiram salvar as gémeas? —

— Sim, estão no carro — Respondeu

Olhei de relance, e vi duas garotinhas idênticas, abraçadas aparentemente com amedrontadas.

— Quem é essa? — A garota loira perguntou

— Maria Augusta, salvei ela do Carniceiro, seu poder é realmente incrível — Respondeu

A mesma garota loira,pediu silencio e todos se calaram, mas eu não ouvia nada além da brilha batendo nos galhos.

— Ele esta vindo, vamos logo — Falou

Subimos na caminhonete, fiquei na parte de trás com as crianças e a garota loira, que era cega.

— Aonde vamos? — Perguntei

— A um lugar seguro — Respondeu

Eu estava tão cansada, mas não queria dormir, me recusava a fechar os olhos e confiar naquelas pessoas.

— Não precisa ter medo, não vamos machucar ninguém, somos como vocês — Ela dizia enquanto olhava para o nada.

Eu adormeci depois de alguns minutos lutando contra essa vontade, me perdi nos pensamentos e fechei os olhos. Queria que tudo não passasse de um pesadelo, mas quando acordei já era de manhã, minha vista nesse tempo era horrível, tive que colocar o óculos para amenizar a situação.

Anda estávamos de viajem, a loira continuava olhando para a mesma direção, e segurava um bastão de guia, de dia seu cabelo era ainda mais brilhante, e sua pele não era bronzeada, mas não de praia e sim de alguém que ficou andando de baixo do sol por horas.

Ela era realmente cega? a algumas horas perguntou sobre mim sem ninguém falar nada. Em um teste idiota, estendi a mão e abanei na frente dela, perto do seu rosto.

— Sim, eu sou cega, idiota. Não precisa abanar essa mão, era só me perguntar. — Falou

— Como é possível? —

— Como é possível que você tenha poderes? — Retrucou

Não soube o que responde naquele momento, apenas aceitei o fato de que alguém cego podia ver o que eu estava fazendo.

— Então você é 100% cega? — Perguntei

Sua resposta foi tirar os óculos escuros, seus olhos eram normais, bem azuis como céu.

— Não exatamente, eu enxergo através de vibrações. Não consigo distinguir características físicas, mas posso sentir e ouvir qualquer coisa — Respondeu

Era incrivelmente triste.

— Sei por exemplo que esta ansiosa por seu coração esta batendo mais rápido que o normal —

— Okay, entendi o que pode fazer — Falei

Desconfortante, saber que alguém podia saber minhas emoções apenas ouvindo ou sentindo sei la o que ao meu redor.

— Tenho que te perguntar, se você me permitir... -

— Tudo bem — Falei

— Enquanto Vladimir tentava te ajudar, teve um momento em que eu não podia ouvir ou sentir nada, parecia que ele tinha entrado em uma bolha... O que você pode fazer? — Perguntou

— Ah sim... É complicado de explicar, mas é como seu eu anulasse qualquer tipo de sentido, deixasse a pessoa... Cega e impotente — Respondi

Ela soltou um pequeno sorriso.

— Isso é interessante —