Manto Negro
1 Capítulo I
Enquanto eu esperava a Holly chegar com as pipocas, um grupo de crianças passou por mim, deveriam ter por volta de 13 anos. Conversavam sobre um garoto peculiar de sua escola, que de um dia para o outro ele não apareceu mais as aulas, ninguém sabe o que aconteceu.
— Meus pais falaram que precisamos denunciar essas anomalias, podem nos machucar! — Exclamou
Eu, usava o termo peculiar pois era menos pior que anormais/anomalia/mutante/experimento errado/demônio.
— Mas nem todos os mutantes são do mau — Outro garoto disse
— Você é um idiota? É só ligar a televisão e você ver como são maus! —
A mídia, como sempre ajudando a influenciar o lado trágico de ser um peculiar, como se já não bastasse ter que nascer carregando esse peso, agora somos julgados todos os dias por atos mal interpretados.
— Vamos? o filme já vai começar — Holly chegou segurando dois potes de pipocas
Peguei o meu e segui com passos largos, irritada com que estava ouvindo.
— O que aconteceu? — Ela perguntou
— Apenas ouvir novamente a indignação humana sobre os peculiares — Sussurei
É perigoso você manifestar interesse neles, as pessoas podem achar que você é um, ou que protege eles.
— Guta, se você for se irritar toda vez que ouvir isso, vai acabar morrendo com um ataque no coração —
— Isso não faz sentido — Retruquei
Ela concordou comendo uma pipoca. Entramos na sessão, e acabei adormecendo durante o filme, era o clássico romance entre um homem branco que usava terno quase o tempo todo, e uma mulher que não podia trabalhar porque a sociedade não permitia tal ato depravante.
Holly adorava esses clássicos, enquanto eu apenas ficava frustava com o tanto de machismo que era explicito em uma tela gigantesca.
— Por que nunca tem um negro ou negra nesses filmes? — Sussurrei
— Mas tem, olha — Respondeu no mesmo tom
Uma negra passou, com roupa de faxineira e segurando uma vassoura.
— Odeio esses filmes —
Sou mestiça, mas minha pele deixava claro a qual lado puxei mais, escura de cabelo ondulado e negros, descia até a cintura, minha mãe dizia que a única coisa que tinha puxado do meu pai fora seus olhos âmbar e sua habilidade peculiar. Nunca o conheci, porque um Carniceiro o levou, minha mãe não se aprofunda no assunto pois se sente culpada pela tragédia.
Quando o filme enfim acabou, já era noite, calma e fresca, minha vista não me incomodava tanto quanto de dia, o óculos de grau quase se tornava uma opção pela noite.
— Vou chamar um táxi — Holly falou
Esperei enquanto ela mexia no celular, discando para o taxista. Dois homens usando moletom preto se aproximou da entrada do cinema, e de repente tirou uma arma da cintura e atirou para cima, soltando junto um grito eufórico.
— TODOS NO CHÃO! —
Fale com o autor