Manto Negro

11 Capítulo XI


Novamente acordei com uma picada, sendo que agora foi na panturrilha.

— Leona! Tenho que repetir quantas vezes? — Exclamei

— Você vai dormir a merda do dia todo? São quase 16 horas! — Rebateu

Era obvio que se usasse minhas habilidades de madrugada, eu iria dormir como uma pedra pra recuperar a energia perdida.

— E porque não me acordou antes? — Perguntei

Ela ergueu as mãos e saiu do quarto falando.

— Não sou um despertador —

— Mas age como UM! — Gritei

Tomei uma ducha rápida, relembrando minha aventura, fiquei feliz e empolgada por ter dado certo. Aproveitei o restante da tarde, estava morta de fome assim que comi mais do que o normal.

— Dormir tanto tempo te deixou faminta? — Maya observou

— Tenho problemas pra dormir, então acabo dormindo muito tarde — Falei

— Leona não te deixa dormir? Imagino que deva ter sonhos eróticos com Hazel — Falou rindo

Leona ficou vermelha igual ao cabelo, cheguei a acreditar no que Maya disse. Como vingança, encostou no ombro de Maya e o braço ficou dormente, derrubando seu suco.

— Viu, ela faz isso quando tenho razão —

— Posso fazer com uma voltagem maior, se continuar falando o que não sabe — Rebateu

Ficamos rindo por um tempo, até que apareceu Vlad, sentou do meu lado e me deu um beijo no rosto.

— Então, sobre o que estavam rindo? -Perguntou

— Nada em especial, coisas aleatórias — Leona respondeu rapidamente

— E vocês, desde quando estão juntos ? — Maya perguntou

Senti o café amargo descer queimando, acabei tendo uma crise de tossi.

— Desde de ontem — Vlad respondeu

— hãm? não estamos juntos...Ainda — Corrigi

Como ele poderia dizer aquilo depois de um beijo? Não tinha nada de mais.

— Como pode dizer isso? você retribuiu — Ele rebateu

— Hm...contem mais, Guta não falou nada pra gente — Leona falou curiosa

Eu realmente não sei lidar com esse tipo de situação, ainda mais na frente dessas duas, que pareciam entreter-se com a cena. Mas, graças a Deus, não precisei responder, porque uma garota morena de cabelo preto e desgrenhado apareceu na mesa.

— Posso falar com você? — Se aproximou do Vlad

Vlad ficou sério de um segundo para o outro, se despediu de todos e saiu com a garota ao lado.

— Quem é ela? — Perguntei

— Esta com ciúmes? — Maya perguntou

Revirei os olhos ao ouvir aquilo, eu não tinha interesse no Vlad, apenas o achava atraente e simpático, mas por conta do maldito beijo, fui condenada a ser "a garota que se apaixonou pelo projeto de pantera negra".

— Ela é Erza, uma das internas mais antigas depois de Vlad e Hazel -Leona respondeu

— Qual é dessa de "internos mais antigos"? — Perguntei

— É uma hierarquia, os mais velhos tem mais autoridades que os mais novos, devemos sempre mostrar mais respeitos por eles. — Respondeu

Eu já estava na Casa a mais de um mês, e mesmo assim, não entendia certas coisas.

— São quantos? —

— Ao todo são seis; Vlad, Hazel, Erza, Kurt, Blue e Hórus — Maya respondeu — Tinha mais dois, o irmão da Erza e Vênus, mas foram mortos

Quando citou a ultima frase, falou tão baixo que precisei me aproximar.

— Mortos pelo Carniceiro? — Perguntei no mesmo tom

Maya se recusava a responder isso dentro do refeitório, aonde qualquer pessoa poderia ouvir, então nos levantamos e fomos para o pátio, ficamos afastadas dos grupos. A luz do dia quase me cegou, por sorte já estava acostumada a acordar colando o óculos.

— Erza tinha um irmão mais velho, Apolo. Aconteceu quando eu estava nos meus primeiros meses na Casa, ainda era legal os torneios com poderes. — Contou ainda sussurrando — Era a final do torneio, Apolo contra Vênus, lembro que foi uma luta intensa, Vênus venceu porém Apolo não aceitou a derrota e lançou um dos seus espinhos no peito dela, acertando o coração. Não sentiu remorso, ficava falando "Não é uma luta sem perda", nem mesmo Hórus pode salvar Vênus — Disse por fim

— E como Apolo morreu? —

— Hazel o matou, aconteceu uma grande confusão depois daquilo e Hazel acabou expulsa da Casa, não pode viver aqui — Respondeu

Ficamos em silencio por alguns segundos, e eu só pensava naquela garota loira que estava na minha frente na caminhonete. Cogitei a possibilidade de usar minhas habilidades nela, apenas pra saber em qual versão da Hazel, deveria ter em minha cabeça. No entanto, não tenho o direito de invadir a mente de ninguém.

— Logo depois que Leona entrou na Casa, os torneios com poderes foi proibido — contou

Eu observei a Casa, imensa com suas inumeráveis janelas escurecidas e tinta branca envelhecida, tentei me imaginar a 4 anos atrás, assistindo a esse torneio, fitando uma Hazel mais comunicativa e alegre, e depois furiosa, buscando acertar um golpe preciso em Apolo. Porém era quase impossível, não a conhecia, mas queria conhecer.

— Não conte a ninguém sobre isso, okay? o pessoal daqui não gosta de reviver esse dia — Pediu

Concordei e voltamos a rotina do dia a dia, no entanto, toda vez que esbarrava com Erza pensava no seu irmão morto, e novamente, queria invadir seus pensamentos mais obscuros, e assistir sua a versão do ocorrido.

Já era noite, quase 2 da manhã, me preparei para sair e me aventurar na vida noturna da cidade. Meu coração acelerava só em pensar nas possibilidades que poderia conquistar ao treinar minhas habilidades.