Mantendo Você Perto De Mim

5 Capítulo 5: Alguns pontos no í


Rachel não sabia bem o que pensar sobre essa revelação.

Quinn era apaixonada por ela a mais tempo do que pudesse se dar conta?

Eu não sei o que deu em mim. Num minuto eu era toda pateta sobre essa noticia, e no minuto seguinte eu socava qualquer parte do corpo de Quinn que estivesse ao meu alcance.

Acho que meus golpes não pareciam fazer algum efeito nela. Mas com certeza eu a surpreendi. Acho que eu estava mais fazendo cócegas do que fazendo algum dano.

Consegui me esquivar dela e saí apressada da cozinha.

Minha mente era um caos.

Subi para a suíte e nem me dei ao trabalho de fechar a porta. Consciente da desaprovação que me seguiu porta adentro. Supunha-se que eu não entrasse no quarto sem ela; supunha-se que eu não deveria pensar em rejeitar seu afeto; e por Deus, supunha-se que eu não derreteria o coração, por ela. Quinn fez tudo muito rápido e com movimentos tão sutis ou não, que eu me senti abraçada fortemente com a sua proteção em vez de sufocada com tanta dominação.

Otária

Mas algo dentro de mim se recusava a se abrir totalmente e eu tenho absoluta certeza que o que resguardava isso era o meu medo. Por quê? Eu já caí de cabeça em relacionamentos apostando meu coração para que tudo desse certo. Por que dessa vez a cautela?

Tal como eu suspeitei, Quinn entrou no quarto pisando duro, 1,73m de irritação e arrogância Fabray. A raiva aumentou dentro de mim, mas estava mais nela do que em Quinn.

Eu levantei meus olhos, adotando a minha expressão mais severa. E até isso não pareceu perturbá-la.

Quinn teve a audácia de me olhar furiosamente, a sua cabeça inclinada, o seu cabelo no comprimento do ombro, caia em volta de seu rosto como de um anjo caído. Os olhos verdes faiscavam de irritação, e a sua expressão era muito malditamente sensual para ser assustadora exceto que parecia muito primitivo.

Oh sim, Quinn Fabray me intimidava, mas isso nunca me impediu de cutucá-la com a vara curta. Mas eu estava a um passo de perder o controle. Não pareceria bem no seu resumo?

“Você não correrá mais de mim como um pequeno coelho assustado que foge de uma visão. Não permitirei isso.” As palavras saíram trituradas de Quinn.

“Você não permitirá?” eu alarguei os meus olhos em estupefação. “Desculpe-me, Srta. Fabray, mas você não tem uma correia em volta do meu pescoço ou papéis de propriedade com o meu nome neles. Faço como me agrada”

Eu Rachel Berry nunca estive tão enfurecida. Isso é bem melhor que o medo, com certeza, pois eu estava sentindo um chilique chegando.

Quinn avançou em mim até estar a meros centímetros.

“Você não faz”. A sua cabeça abaixou, o seu nariz que quase a toca, enquanto como raiva faiscava dentro dela como fogo chamejando fora do controle.

Eu pus minhas mãos contra seus ombros, tentando empurrar ela para trás. Tentou, porque ela não se moveu nem um centímetro.

Irritante

“Você é inacreditável e incrivelmente arrogante“ briguei.

Ela sorriu, apesar da raiva ainda brilhar nos olhos dela

“Estou somente assustada de verdade com você!” O sorriso sumiu do rosto de Quinn num instante. As suas mãos foram aos seus quadris, os seus lábios apertados. Na sua típica pose de intimidação. “O que você vai fazer comigo, rosnar para mim até eu morrer? Obrigar-me a assistir sua rotina militar de líder de torcida até os meus olhos caírem da minha cabeça? Oh não, espere, você vai levar todas as minhas coleções da Broadway.” Olhei falsamente assustada. “Oh, Quinn, estou tão assustada. Por favor não.”

Wou, Rachel Berry, você sabe realmente como apertar os botões dela.

Quinn rosnou. Não foi uma vibração forte de som, mas foi um barulho muito sutil que atingiu com eficiência a parte cautelosa do cérebro de Rachel. E ela poderia ter prestado atenção se ela não estivesse tão furiosa.

“Você está no meu caminho.” Ela se esticou toda até que o seu nariz tocasse o de Quinn. “Saia dele.”

A cena teria tido mais efeito se ela não estivesse só de calcinha e um blusão. E na ponta dos pés não era tão intimidante.

A expressão de Quinn mudou, então, transformou-se subitamente. Os seus olhos estreitaram-se, e a determinação selvagem, sem remorsos que ela usava todas às vezes, enquanto controlava com mãos de ferro o Mackinley, estava direcionada a Rachel.

Eu devia correr agora mesmo. Eu devia ter me virado e corrido tão rápido quanto aqueles coelhos que ela mencionou antes. Num instante as suas mãos prenderam meus braços, no segundo ela soube a sua intenção e a cabeça dela abaixou, eu devia ter reagido. Se eu tivesse tido tempo.

Entre um segundo e o seguinte os lábios dela cobriram os meus, a sua língua empurrou entre os meus lábios quando eles se separaram em surpresa, e oh inferno em um minuto estava perdida. Seus lábios me devoravam. A sua língua acariciava dentro da minha boca, preenchendo meus sentidos.

O nosso beijo tinha um gosto. Não o sabor normal de um beijo, mas o sabor de uma promessa selvagem, uma tarde de deserto, quente e cheia de mistério e fome.

Rachel encontrou-se derretendo contra a loira. Ela tremia. Aquele corpo duro e delicioso sustentou seu peso enquanto cada mão agarrava um globo carnudo do seu traseiro e a levantava apertando para mais perto do seu corpo. Sua cabeça inclinou, o beijo tornou-se mais profundo, um rosnado forte soltou do fundo da sua garganta, quando ela deixou os seus lábios rodear a sua língua de provação, e ela buscou mais do seu gosto.

Estava lá, cada vez que ela acariciou a língua que se entrelaçava com a sua, sutil, incitando-a a consumi-lo mais, mantê-la mais perto, devorar o beijo de Quinn.

E ele a aterrorizava. Eu senti o meu orgulho, conquistado com empenho e dificuldade, lutando contra uma reclamação que ela sentia chegar, gritando avisos até que eu me movesse aos arrancos para trás, lutando, para me libertar dos braços delicados porem fortes, quando encarei Quinn, eu arquejava com vontade súbita de chorar.

Levantei a minha mão, toquei os lábios dela. Os lábios que me hipnotizavam, deixava-na com dor, um milagre do prazer, tal como ela soube que eles seriam.

Quinn não estava em melhor estado do que eu. Mas a maldita sabia se recompor com rapidez eficiente. Que inveja.

“Você é minha.” Não havia nenhuma provocação sensual na voz dela, nenhum flerte brincalhão e sedutor. Os seus olhos verdes brilharam com consciência predatória e triunfo.

Eu realmente queria dar uma bofetada nela.

Afastei minha mão dela.

“Você está louca” eu ofeguei.

“Minha.” A voz dela era absolutamente determinada.

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Eu sei o que todos acham que sabem da minha personalidade. Fria, calculista e manipuladora.

Estão todos certos...

Na maioria das vezes.

A única lição que realmente valeu apena ser aprendida pelo meu pai, foi que não importa o que houver, jamais demonstre suas fraquezas. Seus inimigos nunca se quer podem desconfiar que você tenha uma. Não foi a toa que a treinadora Silvester me tem como sua pupila.

Enquanto fui crescendo fui aprendendo esta importante lição. Eu era o patinho feio e gordo, de quem todas as crianças zombavam no primário. Sempre sujeita a intermináveis xingamentos. Mas um dia dei a volta por cima e de lá fiz de tudo ao meu alcance para não sair.

Ao chegar ao ginasial eu já sabia o que tinha de ser feito. Esmague todos sobre seus pés, todos que possam ser uma ameaça ao seu poder.

A moeda corrente do ensino médio dos populares.

Mas uma única pessoa se recusou a ser esmagada por mim.

Rachel Berry

Ela era a única pessoa de quem eu tinha medo.

É, eu Quinn Fabray tinha medo de Rachel Berry. A garota com zero senso de moda, quase megalomaníaca, que só sabia falar em parágrafos, mandona e que teimava em querer ser minha amiga.

Mas também a garota com mais confiança e dignidade que qualquer um, que nunca baixou a cabeça para ninguém e em nenhuma situação. A garota que constantemente é tratada como pária, até mesmo dentro do clube Glee. A garota que leva raspadinhas e ninguém acode, mas quando é o inverso é a primeira a estender a mão. A garota que fica de pé por quem ela é sorri com orgulho por isso.

Eu invejava isso em Rachel, sua capacidade de ser quem ela é e ser firme nisso. Enquanto eu escondo minhas inseguranças nos recantos mais escuros da minha mente. Ela era perigosa...

A principio eu não entendia essa cisma dela em querer se aproximar de mim, eu já havia feito ela passar por inúmeras humilhações. Mesmo assim lá estava Rachel no dia seguinte, ostentando um sorriso de trinta e três dentes na minha direção e me desejando bom dia. Com a certeza que no fundo eu tinha alguma bondade em mim, e que se ela continuasse insistindo uma hora esse meu lado viria a tona.

Ao mesmo tempo em que ficava irritada, estava também curiosa com ela.

Sempre me considerei bastante calma e controlada. Bastava Rachel aparecer e eu virava um touro enfurecido.

Sou perceptiva e inteligente. Rachel me transforma em tola.

Sinceramente, como é que eu fui cair naquele papo de que bebês judeus fazem testes específicos? Meus hormônios maternos não poderiam ser desculpa pela minha idiotice.

Pensando bem, ela já me deu umas voltas sem que eu percebesse.

Vergonhoso Fabray, muito vergonhoso.

E o que falar sobre a minha aparente incapacidade de dizer não a ela. Tsc... Tsc...

E o mais importante. A aparência.

Hoje em dia é de conhecimento de todos que eu me remodelei para o que é este corpo agora. Bem, na verdade a única intervenção médica mesmo foi a rinoplastia. O restante foi puro sacrifício físico. A aparência foi um dos meus temas preferidos de ataque a Rachel, desde seu nariz até sua estatura mínima. Confesso que fui bastante insistente nesse assunto, quase uma obsessão. Era irritante como sem que eu percebesse, meus olhos seguiam-na assim que ela entrava no meu campo de visão, e que inadvertidamente se demoravam nas suas pernas. E em vez de insultá-la, ficava apreciando.

Sério, como é que uma anã de jardim como ela, parece que tem pernas que podem durar para sempre?

E eu não era a única a notar. Durante as performances do clube, as quais usavam roupas mais teens, muita gente tinha que engolir a língua por falar do corpo dela. Geralmente isso se aplicava a mim e Santana. Quem poderia imaginar que de baixo daqueles suéteres esquisitos existisse um corpo formidável? Santana foi uma que tinha um olhar pecaminoso em direção a Rachel, durante nosso desempenho de Start me up.

Ao lembrar isso, também veio a minha mente, o desejo de querer quebrar a cara da Santana por fazer isso. Só depois é que fui entender que aquilo era ciúme.

Eu tinha ciúmes da Rachel.

Aos poucos fui juntando pequenas peças que foram se encaixando para me fazer entender essa relação toda esquisita com Rachel. E quando compreendi, foi como ter levado um soco no estomago.

E como sou a rainha da negação, piorei meu comportamento com relação a ela, só para negar um pouco mais a minha descoberta. E me arrependo muito disso. Aquela altura, não suportava o olhar de decepção que ela me dava toda vez que dizia ou fazia algo para magoá-la.

E até aquele ponto não tinha percebido uma coisa.

Eu precisava que ela continuasse a ter fé em mim quando ninguém mais o fazia, inclusive eu. Eu me recusava a deixá-la fazer isso.

De um jeito torto, eu e Rachel tínhamos uma ligação. E eu sempre fui muito egoísta com tudo que fosse muito íntimo e próximo a mim. Assim como Rachel tem esse poder bizarro de ver e ler minha alma. Eu também posso fazer o mesmo com ela. E eu vejo nos olhos dela com clareza, o mesmo que eu sinto por ela.

Quinn viu como os olhos de Rachel se arregalaram, uma pitada de medo brilhava nas profundidades daqueles olhos escuros, misturada com raiva e excitação.

Ela sabia o que tinha feito. Ela deveria sentir remorso em vez de satisfação.

“Você sente isto agora, não é Rachel?.” Ela disse o nome dela, provou-o na própria língua e apreciou o som disto.

“Eu sinto sua loucura”. Sussurrou Rachel. Ela moveu-se depressa para longe de mim, a cautela apertando o corpo dela de forma gritante.

Quinn a olhou, enquanto deixava o olhar seguir cada movimento dela, como eu inalei o cheiro dela, ainda saboreando o gosto dela.

Eu ainda podia senti-la; em baixo do gosto do hormônio era o gosto da paixão dela, das necessidades que ela manteve firmemente guardadas dentro dela e a batalha que ela empreendeu para conter tudo.

A sua Rachel, tão inteligente quanto ela era, tão suavemente esbelta e sensual como era o corpo feminino dela, estava desiludida, magoada, tudo por causa de garotos fracos de espírito, ineptos que não tiveram o bom senso para ver o presente que Deus deu a eles. Eu sei qual é o medo dela.

E agora eu a enfrentava, sabendo que já tinha cometido muitos erros aos seus olhos. Uma vez que ela aprendesse o que aquele beijo de fato significava. Eu tinha tirado a escolha dela. Eu comecei algo que a atou irrevogavelmente a mim e por meio disso levou o controle que ela tão altamente estimava.

“Não estou louca” eu suspirei. “Pelo menos não mais”.

Notas finais
:D