Manhattan
17 XVII
Notas iniciais
P.O.V Thalia
Cá estou eu, no apartamento, travando uma guerra contra um salto dourado brilhante enquanto meus amigos estão no hospital ajudando a Mione, que (vocês já devem ter percebido) torceu o tornozelo feio.
Eu podia estar lá, dando um apoio moral para ela, mas estou aqui. Lutando contra esse monstro dourado.
Ui. Pensar nisso até me dá náuseas.
Deixe-me explicar a você, prezado leitor, o motivo cabeludo de eu estar usando essa coisa.
Ah, além disso, o vestido que estou usando (não ouso chamá-lo de meu) é dourado. Com brilhantes.
Ok. Estou usando esses ultrajes pois minha prima decidiu dar uma festinha (sim, ela mora por aqui), então eu pedi para meu irmão, o Jason, me dar uma força e comprar uma roupa para mim. Eu nem me preocupei em dizer o modelo que eu queria, já que ele é meu irmão e, supostamente devia conhe cer meu estilo. Foi o que eu pensei. Mas quando ele me apareceu aqui com um vestido dourado brilhante e um trombolho (popularmente conhecido como salto) da mesma cor com um LAÇO, eu passei a duvidar seriamente disso.
E foi aí que eu me toquei de que Jason devia ter ficado com preguiça de comprar o vestido com o dinheiro que eu dei para ele, e deve ter terceirizado a tarefa para sua namorada, Piper (um amor de pessoa), que gosta desses vestidos de festa extravagantes, apesar de ser uma pessoa discreta.
Você, querido leitor, consegue me imaginar usando essas roupas? Se sim, meus parabéns, sua imaginação é realmente extraordinária. Se não, estamos no mesmo barco.
Ok, voltando para a parte em que estou tentando fechar a fivela do meu salto (para piorar, ele é daqueles que tem a fita no tornozelo). Não me julguem, mas eu não consigo fechar essa fivela. Ué, eu simplesmente não tenho capacidade para me contorcer e encostar a mão no tornozelo para fechar a fivela. É pura falta de alongamento. Não que eu não faça atividade física (tudo bem, eu não faço mesmo), mas não sou dessas que tentam romper um tendão tentando encostar a mão no pé. Não estou te desincentivando a praticar exercícios, mas é que a vovó Grace aqui não possui tal capacidade.
Ouço alguém andando pelo apartamento e pego o copo de água que deixei na cabeceira da minha cama ontem à noite. Ué, vai que é um marginal.
Fico quieta e procuro ouvir o som dos passos.
-Thals? — ouço a voz de Nico me chamando, o que me acalma imediatamente.
-Di Angelo? Chega mais! — berro para ele, que vem até onde estou e se escora no batente da porta do meu quarto.
Ele tem o cabelo bagunçado (o que, é verdade, o deixa charmoso) e os fones de ouvido na mão indicam que ele devia estar ouvindo alguma música aí.
Green Day talvez.
-Você não devia estar no hospital com os outros? — peço.
Ele apenas me olha assustado e surpreso, o que faz com que eu jogue os braços para cima e os deixe cair em seguida.
-Olha não fui eu quem escolheu essa roupa!
-Ah, bom — responde ele meio abobado, mas parecendo mais aliviado. -Eu... Precisava pegar meu celular e ver se você estava bem — esclarece ele minha pergunta anterior.
-Oh, Niquito, agradeço à preocupação, mas estou bem, se tirar esses saltos e esse vestido.
-Quero ajuda com os saltos? — pede ele indicando meu aperto para pôr os ditos cujos.
-Sim, Niquito, por favor — falo e ele vem até mim, se ajoelhando perto do meu pé e o virando e passando a tira pelo meu tornozelo, fechando a fivela. Ele faz o mesmo com o outro salto.
—Você sabe andar com esse trombolho? — pede ele.
-Minha tia me obrigou a aprender a andar com isso quando eu tinha quatorze anos. Depois disso, nunca mais usei, acho que estou meio enferrujada.
Nico se levanta e me estende a mão, que agarro.
Me levanto e o salto parece dar uma deslizada, pu seja, eu quase Caio para trás. QUASE. Nico vê que vou cair e me segura, passando a mão ao meu redor.
Me equilibro nele e depois tento andar novamente.
Depois de uns cinco minutos e de uns dez tombos/desequilíbrios (sem mentira), consigo ficar de pé e dou um passo para a frente. Dou outro e depois outro, até que ganho mais confiança.
Dou mais alguns passos.
—Acho que agora foi — Nico observa.
—Sim. Obrigada, di Angelo! — falo aliviada e dou um abraço nele.
—Não há de quê, Thals. É, a propósito, você fica muito bem com trajes dourados.
Com esse comentário, mostro a língua para ele, que ri, mas fala:
—É sério!
P.O.V Clove
Cato escancara a porta, entrando no apartamento. Os outros saíram e me deixaram alone de modo que — até ele praticamente tentar arrombar a porta e quase me matar do coração — eu estava lendo o final da série A Seleção tranquilamente e falando sozinha, debatendo mentalmente sobre, o que para muita gente, eh a dúvida do século: KILE OU EIKKO ?
— Clo? Quem eh KILE? — Aponto para meu livro.
— Você atrapalhou minha leitura.
— Quem é KILE?- ele pede meio desesperado — Arrumou um namorado?
O olho divertida.
— Capaz! Ciúme, é? Ele ele é só um personagem do livro. Mas por que você entrou aqui todo revoltado?
— Ah — fala ele se tranquilizando de repente. Seguro o riso. — A minha irmã vai casar, acredita?! Mas bem que já tá na hora: ela tem trinta anos e já namora o felizardo há uns dez anos!
— Bem que ela faz. Assim ela já conhece bem o indivíduo — comento — Mas o que lhe aflinge, Catito?
— Bom, como irmão da noiva, acho que pegaria mal se eu fosse sozinho no evento, não?
— Mal é pouco — concordo. — Provavelmente vão ficar falando que você vai ficar para a titia — comento.
Ele me olha fixamente e diz:
— Não pretendo ficar para a titia — dou de ombros, tentando esconder a vermelidão que invade meu rosto. Quando garotos querem ser discretos eles o fazem perfeitamente, mas quando querem dar na cara, o efeito eh mais eficaz do que pintar as palavras em tinta neon na testa com letras garrafais e berrar a frase do alto do Empire State Building.
— Ótimo. Prossiga, Catito.
Ele de repente parece encabulado e abaixa de leve a cabeça, mas não desvia os olhos da minha cara, o que faz com que seus olhos azuis fiquem mais vivos do que nunca.
De repente ele parece meio encabulado e meio — POR MAIS INCRÍVEL QUE PAREÇA — vermelho. Mas é tão discreto que não posso ter certeza.
— E eu estava pensando ... Hã... Quer ir comigo? Digo, no casamento?
Por essa eu não esperava. O que, obviamente, não me impede de ficar animada. Encaro-o com os olhos semicerrados tentando ver qualquer resquício de brincadeira ou dúvida em seus olhos. Nada. Sorrio.
— Craro, Catito — falo a palavra errada propositalmente.
— Obrigado, Clo! — ele hesita por um momento, então me esmaga em um abraço e me beija na testa.
...
Quando acabo de colocar meu vestido rosa clarinho com rendas bordando a parte de cima do meu corpo (minha linda barriguinha, meu peito e minhas costas, para você, prezado leitor, não ficar boiando no Oceano Atlântico e se localizar) e, na minha cintura, caindo numa saia de tule que vai até meus pés, ouço a campainha tocando. Cato nunca toca a campainha. Nenhum dos garotos toca. Tampouco minhas amigas que moram aqui no apartamento. Ele deve estar com medo de eu ainda não ter colocado o vestido.
Reviro os olhos e vou atender a porta. Você deve estar se perguntando se eu já fiz minha maquiagem e deixei para colocar o vestido só agora, depois que minha maquiagem já estaria impecável. A resposta é: não. Obviamente eu sei que é arriscado demais colocar o vestido com a cara já pintada, já que os riscos de estragar o traje (aliás, que traje o meu vestido, hein) são grandes. Ah, outro detalhe: como sou madrinha, graças à insistência da irmã de Cato para que este fosse padrinho (o que já foi mencionado, e eu realmente espero que você não esteja com amnésia e não se lembre, a cor do meu vestido já estava pré-determinada. Sim, com as frescuras de hoje em dia, a noiva decidiu que TODAS as madrinhas deveriam usar vestidos (obviamente, longos) de um rosinha claro. Apesar de ser frescura, eu achei bem legal a ideia.
Enfim: finalmente abro a porta e me deparei com um Cato de camisa social branca ( cujas mangas agora estão arregaçadas devido o calor) com um terno que ele carrega no braço. Tudo isso é incrementado com uma gravata rosa claro para combinar com nossos vestidos da mesma cor. Mas ele ainda não colocou a gravata no pescoço, vou ter que ajudá-lo (todos os padrinhos precisam usar essa gravata, como todas as madrinhas precisam usar os vestidos iguais).
O.k., eu preciso admitir: Cato está bonito. Ele não somente está, como também é. Não que eu só tenha notado hoje, mas agora não dá mais para negar.
Suspiro quando olho para seus cabelos louros com alguns fios mais escuros. Eles estão bagunçados como sempre. Mas, obviamente, vou arrumá-los para trás para o casamento.
— O... — ele meio que perde a fala quando olha para mim. Seguro o riso.
Dou um beliscãozinho na sua bochecha e ele parece acordar para a vida e continua seu 'oi' já iniciado:
-Iii — rio do seu torpor e do 'oi' travado que ele falou.
— Olá, Catito — falo pegando a gravata de seu braço e o terno também, colocando-os sobe o sofá para que não se amassem.
— 'Tá bem, hein — Cato comenta e dou a língua para ele, que ri.
— Vamos arrumar esse cabelo e colocar essa gravata e esse terno, hã? — falo e o arrasto para o banheiro, pegando cuidadosamente a gravata e o terno.
— Ah, Clo, hoje 'tá muito quente para eu usar esse terno. Não dá para colocar só na hora do casório? — rio do desespero dele, mas concordo.
— Tudo bem, mas se lembre de me lembrar de pegar o terno na hora de sairmos, caso contrário — o olho ameaçadoramente- se considere um garoto extremamente ferrado.
Ele me olha com uma cara retardada e já sei que aí vem bomba.
— Um garoto muito gato extremamente ferrado — ele fala e reviro os olhos novamente.
— Nem é convencido — comento. — Agora se sente aqui.
— Vai dar uma de cabeleira, Clo? — ele me provoca. — Mulher bom-bril.
— Bom-bril vai ser o que eu vou esfregar na sua cara se você der mais uma de engraçadinho — falo intimidadoramente.
Começo a pentear para trás o cabelo dele e, depois que consigo, passo um pouquinho que fixador, mas sem exageros para não parecer que Catito trocou o cabelo por um arranjo de palha do dia para a noite.
— Gostou? — peço a ele, que assente satisfeito.
— Valeu, Clo.
— De nada, Catito. Agora só cuide para não passar a mão no cabelo exageradamente.
Pego a gravata que deixei pendurada na maçaneta da porta do banheiro e falo para ele ficar de pé.
Ele o faz e fica de frente para mim, que passo a gravata ao redor de seu pescoço e arrumo atrás.
— Aprovado? — peço.
— Com certeza — ele responde com os olhos brilhando. — Valeu, mesmo, Clo — ele me dá um beijinho na testa para não correr o risco de amassar meu vestido ou sua roupa.
— Agora, eu preciso passar a maquiagem, então trate de sentar no sofá, mas sem encostar as costas em nada e pode ver TV, mas cuidado para não amassar nada. Ah, cuidado pra não sentar em cima do seu terno também.
Começo a passar aquilo que as pessoas chamam de maquiagem, mas, sério mesmo, eu tenho sérias suspeitas de que alguns desses utensílios tenham sido usados como instrumento de tortura no regime escravista ou algo assim.
Um desses utensílios é o delineador.
Pela madrugada, o quê é aquilo?
Depois de uns vinte minutos de luta Clove x Delineador, eu consigo vencê-lo e obtenho um bom resultado no meu olho. Além da sombra que já havia passado antes do delineador (dã), também passo uma boa dose de rímel, pó na cara (meus nomes para essas maquiagens são melhores do que os originais, olhem bem: eu posso simplesmente chamar o rímel de Sirius Black, não é maravilhoso?)
***
Depois que acabo minha maquiagem, olho no relógio e observo que ainda faltam duas horas para o evento. Ótimo. Meus pés podem ficar livres daquela coisa que as pessoas chamam de salto por mais um tempinho. Suspiro e vou para a sala. Sobre meu cabelo, fui no salão mais cedo e vou soltá-lo e dar a arrumada final só mais perto da hora do casamento para ele não desmanchar, já que tem os grampos prendendo o cabelo enrrolado para não estragar o efeito.
Vou para a sala e me deparo com Cato em seu traje inacabado (faltam a gravata e o terno ainda), Newt, Zoë, Reyna e Leo na sala. Provavelmente os outros deram uma passada no Starbucks. — 'Tá linda — fala Zoë.
— Uau, Clovelita — fala Leo brincando.
— Não me chame de Clovelita — falo para ele emburrada.
— Ahhhhh, que vestido lindo! — fala Newt afinando a voz e todos riem.
— Ai, que diva — fala Zoë.
— Arrasou meu coração — fala Cato. Apenas rio dos comentários.
— Que horas começa o casamento? — pede a Kat entrando pela janela com Peeta atrás.
— 19:30 — responde Cato.
— Muito bem — comenta Mione olhando para mim e para Cato, entrando pela porta com Annabeth, Rony e Percy atrás e todos concordam.
— Cato, assim, não tem como você tentar convencer sua irmã a deixar vocês lê levarem um pouco da comida para nós? Por favor? — Joh brinca também pulando pela janela com Finnick atrás.
Nesse momento, os dois maiores pés-de-valsa desse mundo entram (pela porta) dançando uma valsa ao som de... É, Green Day mesmo. Eles parecem não se importar com a batida animada de Stray Heart, que toca no celular de Nico e este continua a girá-la pela sala, até que tropeçam no sofá (pois é, com a coordenação deles, eles conseguem essa proeza) e caem por cima do encosto do mesmo. Thalia consegue controlar a queda e para divando nas almofadas fofinhas do sofá. Nico não tem a mesma sorte e, ao invés de parar junto com Thalia, ele vai ao chão, a música abafada pela camiseta preta dele (ele caiu sobre o celular).
Depois que Thalia o ajuda a se levantar, ela olha para mim e Cato e diz:
— Nada mal — Nico concorda com a cabeça e vai até Cato, observando o cabelo arrumado (por mim) deste.
— Foi você quem arrumou, Clo? — ele pede.
— Sim — respondo e ele pede:
— Achou muito piolho?
— Até que não — então rimos e trocamos um soquinho enquanto Cato resmunga:
— Vão tomar banho.
— Já tomei — eu e Nico respondemos em uníssono e Cato revira os olhos, parecendo um lorde inglês naquela camiseta com as mangas arregaçadas, a gravata e o terno, que ele carrega no braço.
Me posiciono em frente ao espelho e com cuidado, começo a soltar meus cabelos enrolados. Eles caem aos redor de meu rosto, começando mais curtos e se alongando. A parte de trás do meu cabelo se ergue num coque incrementado feito no salão, que é enfeitado com uma tiara (repito, tiara, não coroa) de metal com uns brilhiozinhos, mas tudo muito discreto.
Sorrio com o resultado, olhando no relógio. 18:00 horas. Suspiro, colocando meus preciosos pés na tortura que as pessoas chamam de salto. Como quanto menos tempo com isso, melhor, levo um chinelinho numa sacola, que eu obviamente deixarei no carro.
Saio de meu quarto e vou para a sala, vendo uma Katniss roncar no seu quarto (segundo Katniss, ela só foi dar uma 'relaxada'. Percebe-se que a relaxada dela inclui um travesseiro babado, já que ela também baba enquanto dorme, como o Percy, um cobertor e um colchão bem macio. Reviro os olhos. Nunca vi um ser dormir tanto quanto Katniss Everdeen. Ah, melhor: ela não dorme, ela imberna, só pode.
Chego na sala e Cato está me esperando na sala enquanto os outros estão na cozinha, comendo, para variar.
Catito balança a cabeça afirmativamente, aprovando meu visual. Faço o mesmo com ele, que ri de canto.
Vamos para a cozinha nos despedir dos outros.
— Ohhhhhhhhh! — eles falam quando entramos.
— O casal 20 'tá bem, hein! — fala a Zoë e todos riem. Eu e Cato reviramos os olhos.
— Nós vamos sair agora, o.k.? — fala Cato.
— Já vão tarde! — exclama Finnick de algum lugar atrás da mesa.
— Nossa, estão nos tocando daqui?
— Não, é que daqui a pouco nós vamos pro Starbucks — responde o Nico, enfiando um sanduíche na boca.
— Vocês vão ficar lá até que saiamos do casamento? — peço. Nós havíamos combinado de voltar juntos para casa.
— É — Percy dá de ombros.
— Mas e se sairmos tarde do casamento? — pede Cato e eles são de ombros.
— Tá bom. Bye, criaturas! — digo e Cato se despede.
— Hey! Esse apelido é meu! — berra Johanna.
— Quem você chama de criatura? — pede Newt.
— Eu — Finnick dá de ombros.
Depois de Finnick dizer isso, retiramos os olhos e saímos do apartamento (pela porta mesmo).
Entramos no carro.
— Eai, Clo, preparada para o casório? — ele pede.
— Claro. É só ficar na fila das madrinhas e esperar a vez para entrar, certo? — procuro confirmar.
— Sim, mas não precisa se preocupar, eu vou ficar sempre do seu lado. É só seguir o mestre — ele fala e dou uma risada nervosa.
— Música? — ele sugere.
— Com certeza — respondo e ele coloca 'Do I Wanna Know' do Arctic Monkeys. Começo a cantar como uma doida enquanto ele me acompanha.
Cantamos como dois retardados enquanto Cato dirige para o espaço aberto onde será o casamento.Acho que é um sítio ou algo assim.
Uma senhora no carro ao nosso lado nos olha torto e eu falo para ela:
-Ouça Arctic Monkeys! As músicas são maravilhosas! Dois beijos! — então Cato (que havia parado no semáforo) acelera em direção ao nosso destino: o casamento.
Continuamos cantando e quando a música acaba, Cato coloca 'R U Mine', também do Arctic Monkeys.
Vamos cantando músicas até que chegamos ao bendito casamento. Vai ser assim: vai ter a cerimônia ao ar livre e depois vamos até o local da festa, um salão alugado mais dentro da cidade. Depois que acabar, nossos amigos vão ficar nos esperando do lado de fora, então iremos para casa. Sim, eles falaram que iam no Starbucks para esperar, mas, sinceramente, não sei o que eles pretendem fazer lá até de madrugada, já que eu e o Cato combinamos de ficar no casamento até umas duas ou três da manhã. Talvez eles aproveitem para realizar o sonho do Newt: experimentar todos os lanches e comidas do Starbucks.
—Chegamos, Clo — declara Cato e sai do carro para abrir a minha porta. Reviro os olhos.
-Cato, eu sei abrir minha porta sozinha — falo.
-Ah, eu sei, Clo. É cavalheirismo.
-Ok, nesse caso, eu aceito seu cavalheirismo — falo.
Ele ri. Pego sua mão e ele puxa meu braço delicadamente, enganchando meu braço no dele. Dou uma olhada no seu traje. Arrumo sua gravata e passo a mão pelo meu vestido para evitar que fique amassado.
-Pronta? — pede ele.
-Ah, claro — falo e nos dirigimos à fila dos padrinhos e madrinhas. O casamento está organizado assim: tem um corredor formado por grama bem aparada, com flores delicadas delimitando a divisão do corredor que as pessoas vão passar (a noiva e tal) e as cadeiras, organizadas em grupos de cada lado do corredor. Na frente de tudo isso, há um altar, onde, pelo que Cato me falou, um pastor vai ministrar a cerimônia. De ambos os lados do altar há cadeiras onde os padrinhos e madrinhas sentarão.
Os padrinhos e madrinhas formam uma fila para entrar no corredor. Suspiro. Fico na fila das madrinhas e Cato fica ao meu lado, apartando minha mão com a sua nos nossos braços entrelaçados. Olho para ele, que ostenta um sorrisinho confiante. Ele me dá uma piscadinha. Reviro os olhos (eu sei, reviro muito os olhos) e retribuo sua piscadinha no momento em que a fila a minha frente (de padrinhos e madrinhas) começa a andar.
***
Solto o ar de meus pulmões, que eu nem percebi que estava segurando. A cerimônia já terminou, e depois de os fotógrafos fazerem algumas fotos dos noivos com os padrinhos (ah, aliás a irmã do Cato é bem querida. O noivo também me pareceu ser legal), vamos até carro. Cato abre a porta para mim. Olho para ele divertida. Ele só continua com aquele sorriso na cara. Entro no carro e Cato vai para o banco do motorista.
-Ai — comento. -Esses saltos estão me matando. Acho que vou por os chinelos.
Quanto aos chinelos, não é problema que eu os use, já que meu vestido cobre meus pés. Só Cato saberá que eu não estou com aquela maldição que chamam de saltos.
—Ah, por mim, fique à vontade para tirar esses saltos. Assim você vai voltar à altura normal e começar a bater no meu queixo de novo — fala ele sobre como eu sou baixinha e, na minha altura normal, minha cabeça fica na altura do seu queixo.
-Haha! Muito engraçadinho você, hein! — falo enquanto ele ri. Bufo.
-Você fica uma gracinha com raiva — ele comenta rindo mais.
— Uma gracinha vai ficar esse seu rostinho se você me provocar mais uma vez — falo e ele coloca uma música no rádio, revirando os olhos azuis.
Começamos a cantar 'Numb' do Linkin Park como dois loucos.
Depois de uns trinta minutos e mais músicas (rock, na grande maioria), chegamos ao local da festa.
Saímos do carro e, vendo que boa parte dos convidados já chegaram, entramos. Cato e eu pegamos uma mesa para nós (eu sei que tem casamentos que os padrinhos e madrinhas sentam com os noivos, mas a irmã do Cato e seu noivo preferiram que cada um pegasse uma mesa para todos ficarem mais à vontade) e sentamos.
-Catito, que horas são? — peço, usando o apelido que eu uso com ele às vezes.
-Hum... Nove horas — ele responde.
-Ah, bom.
Então garçom passa trazendo uns aperitivos que antecedem a janta. O cara também pede se queremos alguma bebida. Ele oferece um champanhe, que eu e Cato, ambos, recusamos. Se você está se perguntando, sim, eu não bebo álcool. Minha opinião quanto a esse tipo de coisa é bem clara: pra quê se estragar bebendo uma coisa ruim (cá entre nós, álcool é ruim) que além de não acrescentar nada pra você só vai fazer mal pra sua saúde? Pois é. Ao invés disso, peço um suquinho de laranja para mim e Cato pede uma limonada suíça, que o atendente rapidamente trás para nós.
Como o aperitivo e suspiro. Isso é só o início e já está maravilhoso. É por isso que amo comida de casamento.
-Nossa, Clo, e eu achando que você tinha vindo no casório por causa desse lindo cavalheiro aqui — ele aponta para si mesmo. — Mas você aceitou vir foi por causa da comida — ele se faz de ofendido e eu reviro os olhos.
Ok. Eu vou tentar não revirar os olhos mais. Mas, com Cato ao meu lado, não prometo nada.
-Cato, é óbvio que eu vim por causa desse cavalheiro completamente egocêntrico que você é — falo e ele um daqueles sorrisinhos convencidos dele. Resisto bravamente à vontade que tenho de revirar os olhos.
— Eu sei, só estava fazendo um draminha para ver se você admitia — ele continua com aquele sorriso convencido na cara. Ok. Me desculpem, mas não vai ser possível não revirar os olhos. Reviro os olhos.
-Nem sei por que eu ainda me surpreendo com você — falo e ele se inclina por sobre a mesa.
-Eu tenho a habilidade de surpreender as pessoas — retruca ele. Viram como é difícil ficar com Cato sem revirar os olhos? Viram?
-'Tá bom, então, Catito — falo e eles começam a servir o rango numa linga mesa enfeitada. Chegou a hora da boquinha.
Eu e Cato nos entreolhamos, nos levantamos e andamos o mais rápido que conseguimos até a mesa, sendo uns dos primeiros da fila. Eu e Cato trocamos um soquinho. Nha. Comida.
Nos servimos (aliás, a comida parece estar maravilhosa) e depois nos sentamos novamente, começando a devorar aquela comida, que, eu admito, é uma das melhores comidas que comi até hoje.
***
P.O.V Cato
Faço cara de pidão.
-Clo... — completo minha cara com um beicinho irresistível.
Clove parece lutar contra a fofura que eu traslnspiro e diz:
-Não, Cato.
-Ah, fala sério! Se você não for, vou começar a fazer uma cara mais fofa e aí você vai ver que eu transpiro fofura! — falo.
-A única coisa que você está transpirando agora é insistência — ela retruca.
-Ah, Clo...
-Cato, se você continuar com isso, você eu vou pegar aquele buquê! — ela exclama e acho que atingi meu objetivo.
-Sério?! — peço, mal podendo conter minha alegria por a ter convencido a tentar pegar o buquê.
-Sério. Eu vou pegar o buquê da mão da sua irmã antes de ela jogá-lo para aquele monte de mulher e vou usá-lo como arma para ver se você cala essa boca! — assim, Clo acaba com as minhas esperanças de eu tê-la convencido.
-Ah! — falo desanimado.
-'Ah' é o quê você vai berrar quando eu acertar o buquê nesse seu rostinho!
Choramingo mais um pouco, mas Clo me ameaça e eu decido que é melhor parar.
-Mas você está solteira, né? Ou tem algum babaca que eu não conheço ocupando seus sonhos? — peço apavorado.
Ela revira os olhos.
-Não, Catito, fique frio que o único sonho terreno que tenho nesse momento é o de dar com aquele buquê no seu traseiro — ela responde e, apesar da ameaça, fico mais tranquilo.
-Ah, que bom, por que nenhum troglodita rouba a minha Clove de mim — falo. — Sem machismos, ok? Não quis dizer que você é um objeto de posse ou algo do tipo — explico e ela ri.
-Cato, você ao menos sabe o quê é 'troglodita'?
-Quem se importa? Desde que nenhum ser dessa espécie esteja atrás de você, 'tá tudo certo! — falo abraçando de lado.
Clo dá um sorrisinho de canto ao ver o buquê ser lançado e uma garota alta e loira pegá-lo.
-Podia ter sido você, Clo — falo e ela olha para mim ameaçadoramente de novo.
-Cale a boca, senão eu dou um jeito de roubar o buquê dela e dar seguimento ao meu plano 'bater em Catos'
-Catos? — peço com ênfase no 's'.
-Tem algum outro Cato na festa? — pede ela.
-Não, eu sou peça exclusiva aqui.
-Bom pra mim. Não sei se tão bom pra você — então ela me dá uma piscadinha que dá medo.
Eles já serviram a janta e o bolo (ai, que delícia) e eu e a Clo co conversamos muito. Agora eu a estou obrigando a ir pegar o buquê, que minha maninha vai jogar.
-Vai lá, Clo! Vai que você seja a sortuda da vez! — tento convencê-la a ir lá e dou um sorriso maroto.
Ela bufa e diz:
-Não! Se quer tanto assim o buquê, vai lá você!
***
Bom, agora é aproximadamente uma hora da manhã e eles acabaram de liberar a pista de dança, que pelo que sei começa com uma banda tocando músicas mais calmas e depois vai para as músicas mais agitadas.
-Clo — a chamo.
-Fale, Catito — ela responde.
Adquiro um sorriso galante.
-Quer dançar? — peço e ela finge parar para pensar.
-Hum... Ok, mas não pise no meu pé — ela fala.
-Eu sei dançar, Clo. Fique fria — falo sorrindo.
-É bom mesmo.
Enlaço meu braço no dela e a levo até a pista de dança.
Começa uma música calminha e, apesar de eu preferir um bom rock, a música é boa pra se dançar.
Passo meus braços (esse terno está me matando) pela cintura, a puxando para mim e ela passa os braços por meu pescoço.
-Catito dançando música clássica hein?! — fala ela.
-Sou um homem de muitos gostos — falo.
-Ah, claro — ela fala e depois começa a rir.
-O quê que deu? — peço.
-Estou... Imaginando a Thalia e o Nico dançando essas músicas — fala ela e não posso evitar rir.
-Seria hilário. A Thalia com um vestidinho rosa shock e o Nico de terno — apesar de eu já tê-lo visto de terno, sei que ele odeia.
Clo e eu rimos e puxo ela mais para perto quando outra música lenta começa. Ela encoata a cabeça em meu peito e, de algum modo, consigo sentir que ela tem um sorriso na cara, assim como eu.
Ficamos assim até que as músicas lentas acabam e as mais agitadas começam. A primeira que eles tocam é 'Get Lucky' do Daft Punk.
Eu e Clo nos separamos, mas ainda assim ficamos perto um do outro, dançando.
É, para mim, isso dura por muito e muito tempo.
***
*P.O.V Clove*
Agora são quatro horas da manhã e eu e Cato estamos saindo da festa, obviamente rindo muito de uma piada que Cato acabou de fazer.
A primeira coisa que vejo quando ponho o pé para fora do salão onde foi a festa são quatorze criaturas jogadas no chão, encostados na parede do lado de fora.
Rony está meio acordado e Hermione dorme no seu ombro, o tornozelo torcido sobre uma garrafa de água.
Peeta e Katniss são os únicos que parecem estar totalmente acordados. Katniss canta _Youth_ do Troye Sivan. Zoë está com a cabeça nas pernas de Newt e as pernas no colo de Annabeth e Newt está com um hamburger pela metade na mão esquerda enquanto a direita está sobre o cabelo de Zoë, indicando que ele devia estar fazendo cafuné nela antes de apagar.
Annabeth está escorada em Percy com as pernas dobradas (tem gente que forme assim) e Percy babá enquanto dorme, como sempre.
Leo encontra-se escorado num cano do lado do estabelecimento, com Reyna deitada em seu ombro, Johanna deitada nas pernas dela e Finnick roncando no ombro da Joh. Os quatro estão formando uma sinfonia magnífica de roncos.
Joh abre a boca para berrar alguma grosseria, mas a única coisa que ela consegue pronunciar é:
—Quero a minha cama.
Leo parece voltar a dormir, mas Reyna o impede, berrando 'It was a perfect illusilion' no ouvido dele.
—Finalmente! — fala Katniss. Para as quatro da manhã, ela está bem acordada.
-Quê? — eu e Cato pedimos confusos. Eles falaram que iam nos esperar, mas achei que só estavam brincando e que soubessem que íamos voltar tarde.
-Nós estamos esperando vocês aqui desde meia noite — fala Peeta quase caindo no sono.
-Seus fedelhos — Newt acorda e diz, sonolento.
-Que horas são? — pede Rony ao acordar.
-Quatro — falo.
-Ah... — ele quase volta a dormir, mas...- Clove?! Cato?! — pede, se agitando repentinamente.
-Oi — respondemos.
-Achei que sairiam logo da festa! — exclama Rony.
-Hã... Sobre isso... Receio dizer que vocês se iludiram — fala Cato.
-It was a perfect illusion — Leo murmura a música da Lady Gaga em seu sono profundo. -It wasn't love... It wasn't love... It was a perfect illu... — ele para abruptamente e abre os olhos, chacoalhando Reyna, que acorda e mexe em Johanna, que, ao acordar, chuta Finnick, o acordando e o fazendo berrar.
-Percy! Você está babando de novo! — Annabeth berra para Percy assim que acorda. Percy acorda e rapidamente enxuga a baba. Ele olha para mim e para Cato.
-Achei que não viriam mais — assim, ele volta a babar. Annie o cutuca e ele desperta novamente.
-Qual é o problema de vocês, eu... — Zoë, que acaba de acordar, fala, mas vê eu e Cato.
-Ah, finalmente tomaram vergonha na cara e vieram nos buscar? — pede.
Optamos por não comentar que eles é quem deveriam nos buscar no ano inicial, mas agora acho que eles precisam mais do que nós.
-Mione... Vamos — Rony acorda Mione, mas ela volta ao seu sono e ele levanta, a pegando no colo, já que ela não poderia andar de qualquer forma, resgatando também a garrafa de água que o tornozelo de Mione usava como apoio.
***
Acabamos indo todos no apartamento das meninas, já que Rony está com Hermione no colo e os outros resolveram, por algum motivo não abandonar o amigo.
Quando chegamos no apartamento eu e as outras meninas vamos escovar os dentes. (menos a Mione, que já está dormindo.)
—My youth, my youth is yours — Kat ainda está cantando e Annabeth se junta ao coro enquanto escovamos os dentes.
Quando voltamos à sala encontramos Hermione deitada no sofá e outros oito corpos estirados no chão.
Pelo que percebo, eu e as minhas amigas reviramos os olhos em conjunto. Depois de fazermos isso, ouvimos Leo, que está no vigésimo sono murmurar:
—And I roll my eyes — todas olhamos para ele, mas Leo não esboça nenhuma reação.
Zoë dá de ombros e fala:
—Deixa ele sonhar.
Então nos deitamos no chão mesmo e Kat e Annie terminam a música do Troye Sivan:
—My youth, my youth is yours!
E apagamos.
*P.O.V Peeta*
Às 7:00 da manhã acordamos com o barulho ensurdecedor de todos os despertadores da casa tocando juntos. Então tudo ocorre ao mesmo tempo: todas as meninas (menos a Hermione) acordam e saem correndo. Os garotos então acordam e tentam descobrir o que está acontecendo, enquanto Hermione continua com seu sono tranquilo no sofá.
Ouvimos vários despertadores serem desligados e um baque de algo batendo na parede e se espatifando seguido de uma voz:
—Johanna, de novo não! — fal a Zoë.
—Desculpa, não deu pra evitar!
Pouco depois as meninas voltam e nos encaram com caras de sono, e então notamos que ainda há o barulho de um despertafor. O de Hermione. Todos saímos correndo para desligá-lo.
—Ai, esse tapete tava tão gostoso — comenta Thalia, que então se joga no tapete. — Oi, Estronseo. Senti sua falta.
E todos nos jogamos em Estronseo, o tapete, e voltamos a dormir.
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