Notas iniciais
OLÁ TERRÁQUEOS (ou não). Viu? Dessa vez nós demoramos UM POUCO, MAS NÃO MUITO. Realmente, um grande feito. Sim, fatores externos como o término repentino da minha bateria quando eu estava prestes a clicar no botão para postar o capítulo contribuíram para a demora. Mas o que que vocês (se é que alguém ainda lê essa nota e essa fanfic) querem saber sobre minha bateria? Vamos direto ao ponto. Esse capítulo contém: —Asilos —Velinhos (dã) —Reyleo —Michaela Já dei spoiler de mais. OBRIGADA BELLA KUN SUA DIVA POR COMENTAR DE NOVO E NOS INCENTIVAR SEMPRE❤ E não se esqueçam de deixar comentários e reviews gorditchos. ~lê eu sonhando alto. 2BJS

P.O.V Reyna

Enquanto olho pela milésima vez ao meu redor e não tenho ideia de onde estou, tenho que admitir que estou perdida. Que não faço mínima ideia de onde estou agora.

Como eu consegui me perder aqui?

Ok, você deve estar pensando que é extremamente comum se perder em Manhattan, afinal é uma cidade grande.

Ok, até aí tudo bem.

Mas o fato é que eu consegui me perder do meu bairro.

DO MEU BAIRRO.

E o bairro onde eu moro não é grande: há alguns prédios, e todos os prédios são ocupados por estudantes. Sim, é uma bairro estudantil.

O local onde me encontro agora definitivamente não é um bairro de jovens.

Um senhor passa pela minha frente e nem dá sinal de que me vê. Ele apenas continua seu caminho com sua muleta.

Ando mais um pouco estranhando a falta de calçada sob meus pés, lembrando das paredes entre as quais tive de passar para entrar nessa rua.

Pois é. Paredes.

Vejo uma velhinha sentada num banco. Ela dorme com a boca aberta, absorvendo a calma que o local (com floresta demais para uma rua em Manhattan) passa. Mas, pensando bem, também não é comum ver uma senhora de aproximadamente 100 anos dormindo num banco de rua, então ok.

Ando pelo que parecem ser mais 5 minutos, com cenas cada vez mais estranhas e descomunais para uma área urbana de Manhattan, até que eu me toco de um fato.

Velhinhos.

Áreas verdes.

Paz exalando da natureza.

Eu não sei como, mas na tentativa de voltar para casa, eu consegui me perder num asilo.

NUM ASILO.

Paro estaticamente e olho ao meu redor, confirmando minhas suspeitas. Ao longe, uma placa colocada na frente do grande casarão diz "Asilo Armstrong — Você só vive depois de conhecer". Quase cuspo milk-shake que tenho na mão ao ler o lema e o nome do local. Não posso deixar de imaginar o vocalista do Green Day, Billie Joe Armstrong, cantando e fazendo um show para os velinhos com aquele jeito todo gótico dele, vestindo suas roupas pretas e com seu ar rockeiro. Seria hilário.

Paro de rir sozinha quando um senhor me olha com ar reprovador e uma expressão de quem vê um louco.

Me viro para trás, não conseguindo ver o portão (agora eu me dei conta de que aquelas duas paredes entre as quais passei eram um portão. Na entrada tinha uma guarita e tudo) por onde entrei aqui. Então olho para frente, percebendo que daqui a uns cem metros, no canto esquerdo, tem uma mini saída por um maciço muro (deve ser uma saída de emergência).

Recomeço a andar, recebendo mais olhares curiosos de senhores e senhoras enquanto passo pelo gramado. Eles devem estar pensando o que uma jovem como eu deve estar fazendo no meio de um asilo sem o uniforme do mesmo. Bem, eu estou perdida, mas eles não sabem disso.

Aperto o passo e alcanço a "saída", abrindo a porta de ferro ou o que quer que esteja formando a porta.

Me preparo para dar um passo para a calçada, plana e bem abaixo de mim, porém quase caio quando meu pé encosta no piso inclinado com ranhuras da rampa de decida. Na verdade, eu caio mesmo. De bunda no chão e tudo. Quanta ignorância a minha. Eu devia ter me tocado de que, como é um asilo, a saída obviamente teria uma rampa para os idosos deficientes com cadeira de rodas.

Trato de me levantar e recompor-me, batendo a sujeirinha das minhas roupa.

Dou uma olhada para os lados, procurando ver se alguém viu meu tombo, mas ao olhar, percebo que ainda estou numa rua vazia. Ainda estou perdida.

Bufo de frustração e continuo andando, uma vez que o céu já está escurecendo.

Ué, eu quero pelo menos estar num local movimentado quando escurecer de vez.

Ando por mais uns metros, quando avisto uma senhora morena, que, apesar da idade, é muito bonita.

-Hã... Olá — chego perto dela e falo. Ela me olha como que se desculpando, e então faz gestos com as mãos, tentando me dizer algo.

—Você sabe como se chega na Quinta Avenida?

E então ela começa a falar numa língua diferente.

Como tenho descendência espanhola (sim, minha mãe, que é espanhola, me ensinou espanhol desde quando eu era uma mini Reyna, então eu sei), posso perceber que, apesar de a língua não ser espanhol, é bem parecida, por isso consigo entender algumas palavras meio aleatórias, formando uma frase meio se nexo (apesar de dar para entender a ideia):

Brasil. Não peça. Não sei. Catifinda fugiu para o Paraguai.

Apesar de a última oração não poder ser compreendida e ser preferível que esta não seja imaginada, eu consegui pegar a ideia principal (ou o que eu acho ser a ideia principal): ela é do Brasil e não sabe onde fica a Quinta Avenida.

Eu estou perdida num fim de mundo, só pode.

Agradeço em espanhol e continuo andando sem rumo até que noto que daqui a alguns minutos o céu já estará completamente escuro.

Dorga. Eu realmente queria chegar em casa ou a Quinta Avenida antes de anoitecer.

Começo a apertar o passo (ou a correr, mas eu optei por usar "apertar o passo" por que assim eu pereço uma lady inglesa) para chegar ao meu destino rápido, o que não é muito efetivo, pois 15 minutos depois estou correndo (sim, agora não tem como disfarçar que estou andando com classe) pela rua sob uma chuva torrencial.

Por que chvas torrenciais gostam tanto de mim?

Para vocês terem uma ideia, nem um carrinho passou por aqui desde que eu estou perdida nessa rua.

Quanta decadência.

Vejo uma luz a distância, achando se tratar de um carro vindo ou algum sinal de vida, mas quando me aproximo mais posso ver que se trata de um carro preto quebrado com o farol piscando e o alarme tocando.

Deve ter sido assaltado.

Muito reconfortante.

Além de estar perdida, provavelmente há marginais por aí.

Isso aquece meu coração.

Minha sorte deveria ser estudada.

Corro ainda mais, se é que é possível.

Após um bom tempo de corrida, ainda sem rumo, ouço alguém me chamando:

-Rey?!

Me viro para trás, soltando um suspiro de alívio.

Leo está correndo um pouco atrás de mim, tentando me alcançar. A chuva fez com que seus cachos castanhos caíssem sobre a testa.

Nós dois. Numa chuvona. De novo.

Estou começando a acreditar em destino.

Ele, que estava apenas com um dos fones de ouvido na orelha, tira-os e os guarda na bolsa, abafando os últimos acordes de "Wonderwall" do Oasis.

-Está perdida? — ele pede enquanto tira sua jaqueta e a coloca em mim, ficando com sua camiseta de malha. Eu obviamente não teria aceitado se o Valdez não fosse um cara prevenido e não tivesse uma camiseta mais grossa por baixo da jaqueta que ele me deu.

Como ele tem, aproveito sua oferta, apertando a jaqueta dele ao meu redor.

-Sim — respondo sua pergunta sobre se eu estou perdida.

-Eu também — ele fala.

-Então podemos encontrar o caminho juntos — comento, não me sentindo mais tão sozinha.

-Como você parou aqui? — pede ele com a testa franzida.

Ótimo. Agora ele vai rir da minha história envolvendo o asilo do Billie Joe Armstrong (eu sei que não é dele, mas me deixe com meus devaneios sobre Green Day. Ok, estou parecendo a Thalia), uma rampa assassina e uma senhora brasileira cuja amiga/parente/qualquer coisa Catifunda fugiu para o Paraguai.

-Hã, tudo começou quando eu me perdi num asilo — decido ser direta.

Leo quase se engasga com a água da chuva abundante que cai.

-Prossiga — ele fala e vejo que se esforça para não começar a gargalhar ali mesmo.

Voltamos a correr num ritmo mais acelerado, que tínhamos abandonado ao nos encontrarmos por acaso, e assim ficamos por mais longos minutos.

Suspiro.

-E aí eu consegui sair do asilo... — olho para ele, que olha para mim com uma cara de "e aí você caiu". É nesses momentos que eu fico com raiva por ele me conhecer tão bem. Suspiro de novo, derrotada. — E aí eu caí.

Ele nem se preocupa muito, apenas checa se estou inteira.

Sim, ele sabia que eu tinha caído antes mesmo de eu falar.

Maldito Sexto Sentido Valdezinático.

Bem, eu não conseguiria mentir para ele mesmo.

-E aí... — ele me incentiva a continuar meu vergonhoso relato.

-E aí eu andei um pouco sem rumo até que achei uma senhora brasileira.

Por favor, não me pergunte mais. Por favor.

-E o que aconteceu? — ele pergunta cutucando minha barriga com os dedos e com seu típico sorrisinho "fale agora, você não terá a opção de calar-se para sempre", que basicamente te obriga a falar o que quer que ele queira que você fale.

As cócegas também ajudam.

Resmungando um pouco, explico de cara amarrada:

-E aí ela falou que era do Brasil, não sabia onde ficava a Quinta Avenida e... algo sobre a Catifunda ter fugido para o Paraguai. Mas acho que eu entendi errado essa parte.

Leo vira a cabeça para a frente, com uma cara confusa.

-É, é bastante provável que você tenha entendido errado. Ou — ele dá de ombros — vai que a Catifunda tenha mesmo fugido para o Paraguai?

***

Leo e eu estamos correndo já fazem uns 10 minutos quando ele para de supetão, me puxando junto.

Estamos numa área em que, quando olhamos para cima, para o horizonte que se estende, vemos umas 30 árvores.

Porém, com muita certeza e brilho nos olhos, Leo indica uma das árvores mais distantes, misturada com as várias outras, e declara:

-Aquela ali é a Michaela.

O olho incrédula.

-Leo! Estamos perdidos, não é como se você pudesse chutar que uma árvore aleatória entre não sei quantas outras é a Michaela.

E então, ele olha para mim profundamente e diz seriamente:

-Eu não estou chutando, estou afirmando.

Reviro os olhos.

-Leo, você também tinha certeza que o Rony ia dormir com a cara em cima da poça de leite ontem, mas ele dormiu murmurando Sweater Weater em cima de uma poça de suco de laranja.

-Queria ter a capacidade de dormir murmurando músicas — fala ele sonhador, mas logo volta à realidade. — É, mas eu tenho CERTEZA, muita CERTEZA. Aquela é a copa da Michaela, e a altura e a largura são como as da Michaela.

Como é a melhor opção que temos (pelo menos agora podemos andar tendo um rumo definido), começo a correr de novo, Leo ao meu lado e a chuva nos molhando.

Em rumo a árvore que supostamente é a Michaela.

***

Já fazem uns 40 minutos que eu e o Leo estamos correndo visando aquela árvore. Sinceramente, não faço ideia de como ele teve o palpite de que aquela seria a Michaela. Vá saber. Talvez ele esteja delirando com a chuva.

Olho para ele, retirando mais um galhinho de seus cabelos.

Já passamos por tantas árvores que nem sei como o Valdez ainda consegue manter a suposta "Michaela" à vista.

-Você vai ver, aquela é a Michaela — Leo fala com a certeza que ele vem mantendo desde que ele viu a bendita árvore.

Apenas reviro os olhos novamente.

Demoramos uns 40 minutos para chegar até aqui debaixo de chuva, saindo de ruas sem saída e caminhos que o Leo disse "não levarem a Michaela."

Se aquela árvore não for a Michaela, um latino terá de correr.

Bem é bastante provável que aquela árvore não seja a Michaela, mas pelo menos as coordenadas do Valdez estão nos levando a algum lugar, uma vez que o local em que nos encontramos agora já tem movimento.

Agora não sou mais um peixinho solitário. Sou um peixinho solitário com outro amigo peixinho no meio de outros peixes.

Ué, a situação melhorou um pouco agora, pelo menos.

Reviro os olhos quando Leo comenta que estamos perto da "Michaela". Ele estende a mão e retira uma folha do meu cabelo, proveniente das várias árvores sob as quais passamos.

***

Dez minutos depois, Leo segura meu pulso, me fazendo parar.

-Vem, temos que virar aqui — ele fala indicando a esquina ao nosso lado.

-Leo, francamente, você nem esta mais vendo a Michaela, como...

-Eu sinto que é por aqui — fala ele de olhos fechados respirando fundo.

Me seguro para não cair na risada e revirar os olhos de novo.

Uma tarefa difícil, muito difícil.

Apenas o sigo pelas esquinas seguintes, até que ele fala/berra:

-Ali! Aquela é a Michaela.

Sim, ele supostamente recuperou de vista a suposta Michaela.

Eu mereço.

-Leo...

-Apenas siga o mestre!

Continuamos correndo por mais algumas ruas e esquinas por uns minutos, quando Leo brada:

-Eu falei! MICHAELA!

Olho para ele, que corre em direção a...

MICHAELA.

A única coisa que penso é correr para os galhos grossos e longos da árvore do outro lado da rua, na frente do nosso apartamento.

MICHAELA PARTE 2.

Me jogo nos braços/tronco da Michaela sentindo as pontas dos dedos do Leo tocarem as pontas dos meus do outro lado da árvore.

Ele agarra a minha mão e diz:

-Eu não falei?! Eu disse que era a Michaela!

Nem eu consigo acreditar que ele conseguiu reconhecer a Michaela a quilômetros de distância, mas o fato é que ele conseguiu.

E agora ele vai ficar implicando comigo sobre como eu não tenho falta de confiança na sua intuição e nos seus palpites.

Mas não importa.

Estamos em casa.

De novo debaixo de uma chuva torrencial, mas estamos em casa, juntos.

Agora, isso é tudo o que importa.

Droga, agora ele vai encher meu saco eternamente.

Notas finais
Eai, gostaram? REYLEO. DEIXEM REVIEWS GORDOS VAI. BJS POR QUE TUDO ESTÁ EM LETRAS GARRAFAIS? BJS