Manhattan
13 XIII
Notas iniciais
P.O.V Newt
Hoje é segunda-feira, dez horas da noite, e todos estamos jogados na sala das meninas depois de acabarmos todos os trabalhos da semana da faculdade, esperando Zoë chegar em casa.
Ela havia ido comprar um pouco de comida e já devia estar de volta há algum tempo. Tentamos ligar para ela, mas não está rolando.
Caminho inquieto pela sala, preocupado demais com Zoë pra me preocupar em ver o jornal que passa na TV.
-Sabe, Newt, talvez devêssemos assistir ao jornal, se tiver acontecido algo grave com Zoë eles podem passar a reportagem — fala Kat.
-Vira essa boca pra lá, Katniss! — falamos em uníssono.
—Ué, estou apenas expondo os fatos — ela justifica.
Bufamos.
-Gente! — berra a Reyna, que estava olhando pela janela, espalhando esperança pela sala. — Olha! Eu estou vendo uma luzinha no final da rua! Será que é a Zoë?
-Hã... Até onde eu sei, Zoë não brilha — fala Finnick meio confuso.
-Ela com certeza não brilha — comenta Annie.
-Ai, eu 'tô preocupada — fala Thalia, que está comendo mais que o normal. Ela tem uma maçã em uma das mãos e um pote de sorvete na outra. Tem uma Nutella na mesa ao seu lado também. Ela come muito quando está nervosa.
Viramos para ela.
-Todos estamos preocupados — fala Cato.
-É que eu nunca fico preocupada — Thalia retruca.
-Ah, aí é um problema seu — fala Joh transpirando sua delicadeza natural.
E é nesse momento em que o celular de Joh toca com a música "Numb" do Linkin Park e ela vai atender, mas Kat é mais rápida e coloca o celular no ouvido.
-ZOË? — ela berra.
Seja lá quem for que ligou para Joh fala alguma coisa é Kat suspira de alívio.
-AONDE É QUE VOCÊ ESTÁ, SUA LOUCA? — Katniss continua a berrar e, pela conversa, deduzo que é Zoë do outro lado da linha.
-NÓS QUASE MORREMOS DE PREOCUPA... — Katniss para de falar abruptamente. — COMÉQUEÉ? — ela volta a berrar com uma cara de taxo. A pessoa do outro lado da linha, que deve ser Zoë, fala algo e então Kat fala:
-Ok, estamos indo. Segura as pontas aí, Moonlight — quando ela acaba de falar isso, desliga o celular e o abaixa lentamente do ouvido, com uma cara perplexa.
-Tem... Tem um bêbado perseguindo Zoë — ela fala com o olhar distante e voz morrendo.
—COMÉQUEÉ? — falamos em uníssono.
A pouca tranquilidade que eu havia adquirido se vai ao mesmo tempo em que Reyna, que ainda está perto da janela pega impulso e se joga pela janela em direção à Michaela, esperando alcançar um de seus galhos.
—REYNA! — berramos e Mione vai até a janela e olha para baixo.
-Eu 'tô bem! — fala Reyna.
Então Clo vai até um quarto que presumo ser o dela e volta com cinco canetas na mão.
Percy a olha confuso:
-Pra quê as canetas?
-Pra nos defendermos, ué — Clo fala como se fosse óbvio.
-Ok, vamos logo — fala Kat e saímos em disparada escada abaixo.
Chegando na garagem, encontramos Reyna e Kat berra, correndo em direção ao carro de Peeta:
—Eu dirijo! — olho para ela.
—Kat, você não sabe dirigir — Peeta lembra.
—Ah, é. O Peeta dirige!
Então Katniss, Peeta, Clove, Cato e Reyna entram em um dos carros. Percy, Annabeth, Rony, Mione e Leo entram em outro, embarco sozinho em minha moto e observo enquanto Thalia embarca na moto do Finnick e Johanna na de Nico. Franzo a testa. Achei que Thalia iria com Nico e Johanna iria com o Finnick, mas resolvo não comentar. Precisamos ir rápido.
Saímos em disparada pelas ruas de Manhattan. Pelo que Katniss disse, Zoë estava a umas duas quadras do Empire State Building, ou seja, levaríamos uns dez minutos para chegar lá.
—VAI MAIS RÁPIDO! — ouço Hermione berrar do carro de Percy. Ele acelera e ela solta um berro maior ainda:
—VAI MAIS DEVAGAR, SEU DESNATURADO!
—Se decida, moça! — Percy fala, diminuindo a velocidade.
—Percy — Annabeth fala. — Vai mais rápido.
Ele obedece.
•••
Estamos passando por uma rua não muito movimentada quando vejo Johanna olhar para a frente, dando de cara com a parte de trás de Nico. Ela franze a testa e sua boca se abre em um pequeno 'O'.
—THALIA! — Johanna chama.
—Oi! — Thalia responde.
—Eu acho que nós trocamos de lugar — Joh comenta e Thals olha para a frente, puxando os cabelos de Finnick para cima.
—Ai! — Finnick reclama. — Isso dói, Thalia!
—Isso aqui é... loiro?! NICO! — Thalia exclama.
—Oi, Gótica Suave — ele a cumprimenta.
—FINNICK? — Johanna chama.
—Oi, boneca! — ele responde e consigo ver que a Joh revira os olhos.
—Vamos pular? — pede Thalia e penso que ela está brincando.
—Sim — responde Joh.
—Nico, chega mais! — Thalia manda. Não, ela não está.
—QUÊ? Vocês vão se machucar! — Nico exclama.
—Não vamos não — Joh fala. — Anda, Nico.
—Não! — ele fala. Então Johanna se inclina para a frente e segura o guidão da moto, o virando em direção a moto de Finnick.
—JOHANNA, VOCÊ QUER NOS MATAR?! — Nico exclama.
—Claro que não — fala ela, se levantando em cima da moto e Thalia faz o mesmo. As motos estão à uns cinquenta centímetros de distância uma da outra quando elas pulam de suas motos, trocando de lugar e caindo sentadas nos bancos.
—Loucas! — Cato e Clove berram do carro de Peeta e Finnick exclama:
—Vocês podiam ter se matado!
—Bacana — comenta a Joh.
—Podíamos repetir mais vezes, né? — Thalia pede.
—Claro! — Johanna concorda e todos berramos:
—NÃO!
—Ah, vocês são muito frescos! — Thalia reclama.
—Não sei como vocês não notaram que tinham errado de moto — comenta Nico e Thalia bufa:
—Eu estou preocupada com a minha amiga, seu Punk Desalmado!
-OLHA! É A ZOË! — falo quando vejo uma garota a uns metros de nós na rua escura.
-Cheguem mais perto! — sussurra Joh. — E não berre, Newt!
-Ok — falo e dirigimos até um ponto em que nossa visão fica melhor.
-Me deixe mostrar meu talento a você! — pede um homem que parece bêbado. Ele persegue Zoë, que tenta manter-se distante dele, com uma expressão amedrontada.
-Hã... — ela hesita.
-Por favor! As pessoas sempre fogem de mim! — fala ele cambaleando e se embolando com as palavras, triste. Penso que Zoë também teria fugido dele se não estivesse encurralada numa rua sem saída.
Ela nos vê e parece ficar mais tranquila.
-Hã... Ok — fala ela.
Então o homem que parece ser uns quarenta anos mais velhos que Zoë começa a cantar uma música country e a sapatear, o que não fica muito bom, já que ele cambaleia e se enrola todo.
-Ah! Bravo! Parabéns pelo talento! — fala Zoë ainda mais assustada. — Hã... obrigada, mas acho que agora eu vou indo... — ela então tenta passar por ele, que está entre ela e nós, mas assim que ela se mexe, ele agarra seu braço.
-Ah... — Zoë não deixa o bêbado terminar de falar e dá uma voadora nele. Literalmente.
Ele cai no chão tonto.
-Ah, desculpe, senhor! Eu preciso ir! — então ela corre até nós e suspiro aliviado, porém o bêbado levanta e olha para nós, começando a correr atrás de Zoë.
-Mocinha! Volte aqui, mocinha! — a expressão amedrontada de Zoë volta e ela corre mais rápido em minha direção.
-NEWT! LIGA A MOTO! — ela berra para mim e o faço ela rapidamente chega até mim e monta na moto, agarrando minha camisa quando eu acelero para fazer a volta e fugir do bêbado.
-Conseguimos! — berra Leo do carro.
-Obrigada — fala Zoë atrás de mim.
-Não há de quê — falo e, com Thalia, Clo e Joh ameaçando o bêbado com canetas, voltamos para casa.
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