Mamãe só está cansada ...

5 porque ninguém avisa ?


Notas iniciais
Obrigada por vir ler !

Todos os dias em que estive na maternidade, ninguém veio falar comigo, sobre depressão pós parto, na verdade ninguém veio nenhum momento se quer saber como eu me sentia, como minha cabeça estava, e cá entre nós eu precisava muito desabafar com alguém. Mas na maternidade tudo que importa é o bebê, o desenvolvimento dele, e a sua saúde.

Mas acho que ninguém se tocou ainda, que para um bebê crescer feliz e saudável, ele precisa de uma mãe mais feliz e mais saudável ainda, afinal carinho, afeito, e leite, depende e muito do psicológico das mães. Até porque mães estressadas, ou depressiva tem as chances maiores de secar o leite materno do que mães bem resolvidas psicologicamente.

Eu estava perturbada sim, mas eu nem sabia o que era depressão pós parto, eu pensava que uma mãe que sofre de pressão pós parto são aquelas que tentam matar o filho, ou fogem de casa pra nunca mais voltar com a roupa do corpo. E depois de anos fui descobri que não tem nada a ver com isso.

A depressão pós parto, pode ocorrer até mesmo ano depois do nascimento da criança, não precisa ser necessariamente no mesmo mês que o bebê nasceu. E os sintomas variam muito, mas são bem nítidos, pode ser o mais comum que é quando o leite materno seca, ou quando a mãe tem medo que alguém tire o seu bebê e o leve pra longe, ou se recusa a cuidar dele, ou não consegue dormir no mesmo lugar, ou o mais comum ( Na minha opinião) quando você não se sente mãe do bebê, quando ele começa a se afastar e a mãe se afasta dele, e as mães acabam o vendo apenas como um acidente.

E isso aconteceu comigo, depois de tanto a minha maldita sogra me pressionar, me julgar e tentar me moldar, a minha ligação com a Lili foi rompida de um jeito brutal. Ela ja não queria meu colo, foi perdendo o interesse em mamar, e eu fui me afastando dela, e quando percebi, depois de longas semanas, eu a tratava como minha irmã mais nova, e dei o lugar de mãe para minha sogra.

Obviamente, eu não percebi o que estava fazendo, acho que meu subconsciente achou que isso era o mais certo a fazer devido as condições que eu estava. Ela havia se tornado uma criança problema, um obstáculo para mim, era como se o meu amor por ela, e o dela por mim, fosse ligeiramente roubado. E foi. Então comecei a trabalhar isso em mim primeiro, a me recompor, eu me conhecia e sabia que tinha algo errado, e novamente meus instintos não me falharam, eles sabia que algo havia sido imposto a mim, e não acontecido deliberadamente.

Primeiro avisei ao Henrique, que tinha algo errado, e ele disse que era só o fardo materno caindo sobre mim e eu fraquejando. Foi ai, que notei que eu estava em ambiente inimigo, ninguém me daria ouvidos, ninguém veria que ela era o meu problema, a sogra era a minha depressão. E travei uma guerra que jamais acabará com ela, retomei minha filha, minha autoridade e com o perdão da palavra mandei ela, e seus conselhos que nunca pedi, à merda.

E então percebi que aos poucos a minha Lili voltou pra mim e eu pra ela, e nosso laço desta vez voltou mais forte e resistente. Mas devo admitir isso tudo seria evitado de uma assistente social, ou até mesmo uma psicóloga na maternidade tivesse feito o seu trabalho tudo isso poderia nem acontecer. As mães são sempre tratadas como seres à parte, não são seres humanos nem alienígenas mas, ninguém as ajuda com nada, principalmente nos desabafo.

Quando uma mãe reclama no "facebook" por exemplo, sempre tem um homem pra dizer "Se não queria ser mãe, porque abriu as pernas?" ou pior, mulheres falando " Na hora de revirar os olhinhos ninguém reclamou", o que é de extremo mal gosto e até caso de retardo mental, uma vez que a relação sexual para o homem também resulta em um filho, mas ele tem total apoio da sociedade pra recusar conviver e reconhecer com o seu filho, ele pode simplesmente pagar qualquer miséria e esquecer do que resultou em "pegar" alguém.

Mas se uma mãe reclama do cansaço, do desgaste de ser mãe, ela se transforma em um alienígena comedor de criancinhas que todos devem combater e matar sem piedade,porque ninguém admite que mãe também é gente. Que chora, que se cansa, que tem surtos, que quer jogar tudo pro alto, mas sem deixar de amar e cuidar dos filhos. Todo mundo se cansa dos irmãos, das mães, dos pais, das famílias em geral, porque esse luxo tem que ser nagado as mães?

Eu gostaria muito que um dia eu pudesse ir em maternidades e conversar sobre isso com as mães, sobre como pode ser difícil mas não letal, perceber que está depressiva. Perguntar se elas estão felizes, e dizer que está infeliz é normal, compreensível e que terá ajuda. As vezes um ombro amigo, mesmo que não seja de um profissional, pode evitar muitas coisas para as mães. Sem gente dizendo que para a mulher sexo é sinônimo de filhos e consequentemente infelicidade.

Mas depois de eu "rodar a baiana" , me mudar da casa dela, e dizer com quantos paus se faz uma canoa, tudo finalmente deu certo, cada um ficou no seu devido lugar. Essa é uma situação em que para tudo ficar normal você precisa ser anormal.