Notas iniciais
Obrigada por vir ler !

Depois que finalmente a Lili se adaptou a escola, minha vida, e a dela, passaram rápido e cheios de altos e baixos. Mais baixos do que alto admito. A adaptação dela não foi muito difícil mas também nada fácil, nessas horas tem muito a ser trabalhado, minha cabeça, meus sentimentos e os dela.

Eu por mais segura que estivesse por fora, me sentia mal por dentro, era como se estivesse abandonando a minha filha a própria sorte, porque afinal, desde que ela nasceu éramos quase literalmente grudadas, tomávamos banho juntas, dormíamos juntas, almoçávamos e jantávamos juntas, e no outro dia, fazíamos tudo de novo, juntas.

E quando essa rotina é quebrada, a adaptação de ambas as partes é resistente. Mas deu tudo certo, e para a minha surpresa foi nesse período que Lili e eu finalmente nos aceitamos como mãe e filha e como amigas. Agora com dois anos e onze meses, ela já sabe o que significa ser amiga, e ela faz isso muito bem, eu não impus nada a ela. Ser a minha filha era o suficiente, mas sabe quando dizem sobre vidas passadas? Eu e a Lili com certeza éramos grandes amigas e nos dias atuais somos melhores amigas.

Mesmo sem eu ensinar, ela pergunta se estou bem, se estou feliz, me faz carinho, a Lili, que era alguém totalmente fora da minha vida, da minha rotina, alguém cuja ligação era fraca e inconstante, agora ainda pequena, era meu portinho seguro. A lili me ensinou muito mais, do que eu a ela, acho que era isso que faltava na minha vida.

Pode parecer clichê mas, eu era uma pessoa completamente vazia de objetivos, e nem sonhos eu tinha, sim, toda vez na escola, na faculdade e até em família, o que eu queria ser, ou fazer pro mundo, eu sempre dizia: " Nõ faço a mínima ideia". E realmente não fazia, passei anos tentando encontrar um lugar para me encaixar, um curso na faculdade, um grupo no colégio, eu sempre me senti solta no mundo, exatamente como se um pedaço meu estivesse em outro lugar além dos meus conhecimentos e esse pedaço era a Lili.

E quando ela nasceu, eu senti medo de perder aquele mundo que eu ja conhecia e entrar em uma mundo onde jamais estive e quis estar, e com o tempo ela foi me moldando e eu a ela. É incrível que esse tipo de ligação, esse tipo de aprendizado não seja contato por nenhuma mãe independente da idade. Todas as mães já esperam que esta ligação ja venha pronta assim que a criança nasce, que tudo entre a mãe e o bebê já esteja naturalmente acertado, que o amor, o carinho e a amizade entre eles, nasce magicamente.

As mães precisam saber, que quando isso acontece é normal, é normal não sentir nada pela criança nos primeiros dias, se sentir mal, se sentir sufocada, surtar, querer correr pra longe e deixar tudo para trás, normal chorar até seu rosto inchar e seus olhos quase saltarem para fora. Mas que com o tempo, e esse tempo não é exatamente rápido, as coisas vão se encaixando, na sua cabeça e no seu coração, e assim igualmente com o bebê.

É normal o desespero, a raiva a vontade de voltar no tempo, mas é preciso ter calma e força, porque ser mãe pode não ser natural para toda mulher, mas se você já resistiu a vontade de deixar para adoção e ainda está com ele no seu colo, quer dizer que a ligação vai surgir aos poucos, isso se você não ignorar seus instintos e não deixar ninguém calar a sua voz interior.

Ela sabe mais do que qualquer sogra, mãe ou avó, ela sabe dizer a você como agir com seu bebê, ela vai te guiar sobre como cuidar e educar a sua criança, e se alguém tentar te calar, dá uma de louca, roda a baiana, chuta o pau da barraca mas não deixe que ninguém mine a sua relação, a sua ligação com seu filho.

Se dê uma folga, descanse, deixe com uma babá, com a sogra ou a sua mãe, mas vá fazer algo seu, algo pessoal, vá ao salão, vá ao cinema ou saia para correr, mas tire um tempo para você, seja mulher, seja humana antes de ser mãe, não se anule, não se rebaixe, e jamais pense que a sua vida acabou e que nada lhe sobrou porque você tem uma criança.

Ser mãe é ser alguém que protege, que educa, não alguém que precisa agradar meio mundo, pra mostrar que é a mãe perfeita, que sabe exatamente o que fazer e quando fazer. Ninguém nasce sabendo e aceite suas limitações, aceite que nem sempre você vai saber o que fazer, saber porque ele ta chorando, mas com o tempo, você vira PHD em ser mãe, apenas relaxe, essa é a dica que eu posso dar, depois de tudo que te contei. Relaxe, sempre que possível relaxe, nada é perfeito,você não é perfeita e se errar,ah e você vai errar, respire fundo, e relaxe.

Se não, você vai ser uma mãezilla, e ninguém quer ser a mãezilla, ou ter uma mãezilla.

Notas finais
Chegamos ao último capítulo. Eu fico feliz em saber que você está aqui lendo isso. Saber que você me acompanhou até o último ponto final. E acho justo, dizer que tudo que escrevi aqui, é verídico, aconteceu comigo, e quis compartilhar a quem interessar possa. Espero que possamos nos ver em outras fic. Agradeço muito pelo seu comentário e principalmente pelos seus elogios. Obrigada e até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!