Notas iniciais
Com exceção de Alice que já é uma figura marcante da história, os demais nomes citados foram escolhidos aleatoriamente Mais um chap. reescrito, caso ainda tenha escapado algum erro me informem, por favor. Boa leitura

Que tipo de irmão eu sou por ver esses maus tratos e não fazer nada?

O que eu posso fazer?

Mesmo não gostando de admitir também tenho medo da diretora desse sanatório.

Não há como eu me opor contra todas as “sombras” daquela doente.

Eu seria morto antes mesmo de expressar minha opinião...

– Charlie? Vagando novamente pelos corredores? – alguém me chamava em um tom de deboche e aquele sorriso que eu tanto desejava arrancar. Por que dentre tantas pessoas justamente ele que resolve me aparecer?

– Nem se aproxime de mim, Mohammad. É muita cara de pau da sua parte vir falar comigo.

– Nossa... O que foi que eu te fiz? – soou falso.

– Pode parar com esse cinismo, Mohammad!

– Ainda irritadinho só por causa do que faço com sua irmã?

– Só?! Ela só tem onze anos, seu doente! Alice confiou em você. E você se aproveitou de seu estado.

– Admita Charlie...

– Não me chame pelo primeiro nome!

– Tudo bem, “Foster”. Se prefere esse sobrenome esquisito, então... – deu de ombros. Se ele continuar com esse cinismo vou descer o braço nele. – Isso não é só ciúme?

– O que?

– Admita que sua irmãzinha possui um corpo extremamente convidativo, mesmo tendo pouca idade. – não continue. – Viciaria se experimentasse.

Senti meu sangue ferver e sem pensar nas conseqüências que encararia depois, atingi-lhe o rosto.

– E não é que sabe bater... – incrível que nem assim ele perde esse sorriso. Como ele me irrita. Pelo menos o “rostinho perfeito” desse idiota agora está com rastro de sangue por causa do soco no nariz.

– Eu quero você longe de minha irmã.

– Sabe que não farei isso.

Estava disposto a levar aquela briga a um fim nada agradável.

Eu poderia ser punido da pior maneira depois do que estava prestes a fazer, mas aquele idiota não tocaria mais em Alice.

Infelizmente quando eu voltaria a avançar sobre ele, foi impossível não me preocupar ao ouvir uma confusão vinda de um dos quartos. E o mais próximo de mim naquele momento ainda era o de Alice.

– Parece que atrasaram novamente os remédios da garota, ou ela simplesmente estranhou alguma coisa. – dizia em um tom de deboche. – Se acaso venha a tentar fugir seria um problema.

Não perdi mais tempo com aquele sádico.

Por mais que eu odeie ver Alice sempre drogada com todos aqueles remédios. Era ainda pior quando os efeitos passavam completamente.

Não que ela chegue a ficar completamente agressiva, mas tudo acaba lhe tornando uma ameaça. Fora que é quando ela se toca do verdadeiro inferno que se encontra.

– Me deixe em paz! – não demorei a avistar a pequena sendo detida por dois funcionários ao tentar sair do quarto.

– Alice. – chamei com a voz branda ao me aproximar devagar. No pior dos casos ela poderia me ver como uma ameaça também.

– Charlie... Me ajude Charlie... Eu não agüento mais... – por mais que me doesse vê-la daquela maneira, eu não sabia o que fazer.

– Por favor, Alice, não dificulte ainda mais as coisas... Você disse que esperaria, não é? O retorno da Rainha Branca.

– Ela não vai voltar... Ela me abandonou aqui... Minha mãe não me quer mais...

– É claro que ela ainda te quer... Alice, mamãe sempre te amou...

– Não minta pra mim! Não mais... Não você...

– Alice... – não dá mais. – Soltem-na – aqueles subordinados hesitaram perante a ordem. – Mandei soltá-la. Ela não irá fugir mais. – ditei vendo-os finalmente recuarem. – Sinto muito Alice. – abracei a pequena que se demonstrava apático. Era quase como abraçar um objeto sem vida. – Perdoe-me... Meu anjo...

– Que confusão é essa? – e a megera da diretora saiu de sua sala. Isso não é bom sinal.

– Di... Diretora... Um dos pacientes tentou escapar...

– Então é isso Alice? Pensou que poderia fugir?

– Qualquer um gostaria de fugir daqui estando em juízo normal. – revidei, querendo protegê-la.

– Juízo normal? – riu com escárnio. – Ensinarei a ela nunca mais me desafiar.

– Ela não fez nada contra a senhora! Quem precisa de correção é apenas a madame.

– Ousa me desafiar também Charlie? – indagou em um tom ameaçador e eu me calei, porém sem recuar nem abaixar a cabeça.

– Andrew! – gritou e logo aquele idiota estava ao seu lado com um curativo sobre o nariz. – Para que isso?

– Foi resultado de um pequeno desentendimento, senhora. – respondeu com aspereza dirigindo o olhar a mim, mas ainda submisso a diretora.

– Por que não me surpreende vocês dois brigando? – indagou, porém nem eu e nem ele se atreveu a responder. – Charlie querido... Você resolveu me dar trabalho também? Não é a toa que sua irmãzinha pensou que podia fazer o mesmo. Que mau exemplo. Parece que terei que dar um corretivo nos dois. – abrindo um sorriso perturbador.

– Diretora... Se me permite... Gostaria de cuidar de Charlie. – pediu Mohammad. – Tenho contas a acertar com ele.

– Como quiser Andrew. – cedeu. – Quanto a nossa pequena paciente... Talvez uma terapia de choque a faça pensar duas vezes antes de tentar fugir de novo.

– Está louca?! – levantei no pulo. – Ela só uma criança! Não tem necessidade disso!

– Levem a garota. – ordenou a seus subordinados, me ignorando completamente.

– Hey! – gritei mais uma vez não percebendo a aproximação de Mohammad.

– Charlie, seu problema é comigo agora. – estava tão preocupado com aqueles subordinados levando minha irmãa que só notei Mohammad após o primeiro chute no estomago que me fez voltar ao chão. – Não vou deixar barato o soco no nariz. Aquilo doeu sabia?

– Deveria ter batido com mais força... – me levantei ignorando a dor em meu estomago, pronto a dar o troco. Porém, como já devia ser esperado, Mohammad não estava sozinho. Logo alguns subordinados apareceram para tentar me mobilizar. – O que? Mohammad lute direito! É só eu e você!

– Lutar? – riu com escárnio. – Charlie, meu querido Charlie... Isso não é uma luta e sim sua punição. Quem apanha é apenas você. – sorriu abertamente. – Tenham certeza de segurá-lo com firmeza. Ele não é tão fraquinho quanto a irmã.

Enquanto eu era feito de saco de pancadas, sem nenhuma brecha para revidar. Ainda conseguia ouvir Alice gritando, mesmo que baixo e rouco. A sala da famosa terapia de choque possuía uma boa acústica proposital. Para que se pudesse ouvir por todo o prédio.

Era uma tortura e uma humilhação parar naquela sala.

– Alice... – ela não vai agüentar... – Sinto muito...

– Charlie... Eu estou aqui. – pronunciou acertando meu rosto apenas para que minha atenção voltasse a ele.

– Vá pro inferno Mohammad. – ditei recebendo outro chute contra meu estomago e o gosto de sangue já tomava minha boca.

– Que engraçado dizer isso, Charlie. – sorriu cínico levando uma de suas mãos a meu queixo, me forçando a encará-lo. – Já vivemos nele.

E é aqui que o inferno se faz presente...