E logo o dia mais quente da temporada surgiu, pronto para incendiar todos os pensamentos.

A cidade estava movimentada, carruagens e carroças perambulavam pelas ruas, belas damas desfilavam nas avenidas, acontecia o que se chamava de festival dos Canis, onde um grupo viajante de teatro se apresentava todos os anos, indo de cidade em cidade. A peça já havia começado e muitas pessoas estavam sentadas na frente do grande trailer com alguns panos limpos pendurados e pessoas encenando seu ato.

A lagarta e a Maçã, de Christopher R. T. Lien, lia-se no cartaz. Risadas rolavam entre o público, crianças corriam entre as barracas e tropeçavam na cordas amarradas.

Lucy estendeu a mão para Heydon e corou levemente.

–Você é está muito bonita, Lucy.- Heydon era o garoto desejado por todas as garotas de Twrimi, seu cabelo tigela era liso como folha, seus olhos azuis como o oceano, nada mais importava para ele do que aquela garota na sua frente, Lucy, filha do prefeito e a garota que deu-lhe o primeiro beijo.

–Obrigado, Heyds, você me envergonha assim.- Lucy riu de suas próprias palavras.

–Venha, desça dessa Carruagem.- Lucy era tímida, Heydon adorava isso, mas queria ver a peça, e aquele estacionamento improvisado de cavalos e carruagens não estava sendo legal. Se ao menos pudessem se flertarem.

–Vamos lá, sua família inteira está aqui fora.- disse Heydon, impaciente-Seu pai até deu uma piscadela ao me ver.- Henry adorava o namorado de sua filha, mas sempre procurava ver as cartas mandadas entre eles.

–Que seja. Me ajude.- Lucy, segurou na barra de ferro interna e desceu o pequeno degrau.

–Esse corpete está me matando, minha mãe adora quando uso isso. Pareço uma cabra do deserto.- Os dois riram. Heydon amava o humor da Lucy.

–Vamos para a praça?-perguntou Heydon.-O festival está incrível.- e então começaram a andar em direção ao fim da fileira de carruagens.

– Seu pai está bem?- perguntou Lucy para não alongar a falta de assunto.

–Sim, e o seu? espere.. já o vi.- Heydon, pegou um guarda chuva das mãos de Lucy e abriu, protegendo a do sol.

–Não está com calor?- Heydon questionou.

–Morrendo. Lucy, passou a mão sobre sua barriga, e sobre a cintura, nem conseguindo respirar direito.

–Não dá para tirar? ahn, você sabe, essa... — Heydon apontou para a roupa dela, esperando resposta.

–Aqui? nem pensar, se minha mãe me ver ser o coperte ela me queima viva.- Lucy fechou a expressão.

–Ah, então vamos?- Heydon começou a andar novamente.

–É. Lucy, odiava ser tratada assim pela sua mãe, e queria desabafar com alguém, mesmo Heydon sendo o amor de sua vida, ela queria que ele a ouvisse, queria fugir com ele para sempre, e nunca mais voltar para sua vida normal, mesmo sendo rica de bens matérias se sentia pobre de amor e liberdade.

Chegaram na praça e a família de Lucy se encontrava nos bancos da frente, Robyn, Jame, Henry e a Sra. Soveig.

–Olha aquilo, aquela mulher não tira o olho do seu pai.-Heydon apontou para uma mulher no canto direito da praça.-Aquela com o vestido vermelho.

–Deixe a, deve estar pensando como meu pai é bonito.- Lucy deu uma risada curta, já conhecera aquele rosto.

–Acho que já a vi. É aquela rodada de Twrimi.- Disse Heydon.-Um dia, cheguei em casa ouvi barulhos no quarto do meu pai, e fui ver o que era, peguei eles em uma cena não muito agradável.

–Mentira!-exclamou Lucy, dando risadas.

–E não é só ela, olhe, tem umas três olhando para seu pai. E não parecem estarem felizes, estão encarando, esperando...- Heydon pensou em milhares de coisas que poderiam estar se passando, mas não chegou nem perto da verdade.

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–Esta muito melhor esse lugar assim.- Charlie disse olhando em volta.

As minas estavam mais claras, no entanto, apenas perto das entradas, quando havia as curvas, acabaria toda a claridade e surgia o medo.

–O Xeriff ta na cidade, não precisamos esperar por ele. Teremos que entrar sozinhos.- Tremendo Fuller e Charlie entraram nas Minas.

O calor era dos piores, as minas estavam abafadas, quente e havia uma podridão no ar, quanto mais andavam, mais se distanciavam da claridade, Charlie adorava estar investigando algo tão importante, para ele é claro, sua primeira experiencia foi uma taturana gigante na cidade de Prencitoll, onde era cercada de Arvores, plantas, rios e pantanais. Fuller e Charlie se conheceram em uma Taberna na época dos estudos na Inglaterra, logo começaram a trabalharem juntos e praticamente viverem juntos, Fuller era órfão, havia um parente perdido pelo Reino unido, que nunca se quer quis saber dele, já Charlie havia perdido sua mãe com 14 anos e seu pai estava internado com depressão no sul da Inglaterra. Começaram a viajar logo depois de se formarem, e depois de se envolverem em brigas de gangues, machucados e bêbados decidiram que já era hora de partir.

–Temos que começar fazer essas coisas com intenção de sermos ricos. Se eu morrer, quero pensar que iria ganhar uma boa grana.- disse Charlie, sem nem pensar, mais uma curva, era difícil respirar lá dentro.

–Vamos ser ricos, o prefeito prometeu uma boa grana.- revelou Fuller.-Só espero que ele esteja sendo franco.-

–Se ele não pagar o prometido, cortarei sua garganta.- Charlie soltou uma risada sincera. Já estavam no buraco da noite passada.

–Ei, olhe.- Fuller apontou para oque parecia a marca no chão, na borda do buraco.

–O corpo não está mais ai?- Charlie engoliu em seco.

–Parece que sim...não?- Fuller agachou e olhou para dentro do buraco, por alguns instante sentiu o chão deslizar e dar uma leve tremida.

–Vamos atravessar.- Fuller levantou e colou seu corpo rente a parede, colocou seus pés na borda que havia do buraco e foi andando de lado grudado à parede, depois e pular um pequeno deslize já estava do outro lado do buraco.

–Venha, Charlys.- Fuller riu.

–Charlys é a sua vó. Babaca.-Charlie segurou nas rochas da parede e andou, logo já estava com Fuller.

–Vamos, Fullis.- Charlie soltou um longo sorriso e começou a andar.-garanto que você vai achar um belo saco de ouro, nessa droga de mina.

–Gostaria de achar água, estou com a boca seca.- Fuller respirou fundo, tropeçando em uma pequena pedra.

Uns instantes se passaram, algo aconteceu de errado, e a intuição de Fuller não era das melhores, se sentia preso, sendo compressado aos poucos, indo lentamente para a morte, ou para o principio dela.

O chão tremeu, agora não era intuição, Fuller sabia que não era, poeira invadiu todo o logo túnel, areia caia das rochas acima, as madeiras que sustentavam as rochas começavam a rachar.

–Vamos dar o fora daqui!-exclamou Charlie, Fuller começou a correr de volta ao buraco.

–Temos que atravessar de vol...- Fuller foi interrompido por o que parecia ser um grande rosnado, o chão tremia demais agora, Fuller se inclinou para o buraco, estava pronto para cair,gritou, Charlie o segurou pela a camisa.- Vamos ter que ir por ali.-Charlie disse apontando para o outro lado, tirando a areia que caia sobre sua cabeça.

Os dois começaram a correr, uma madeira logo quando eles passaram se rompeu enchendo o túnel com pedras, rochas rolavam junto com seus pés correndo a toda velocidade.Nenhum dos dois olharam para trás.

–Está desmoronando.- Fuller gritou.

–Mentira, sério?- Fuller odiava o sarcasmo de Charlie, as vezes é preciso descrever a cena.

Se encontraram em uma encruzilhada. o chão tremia bem pouco, mas prosseguia crescendo a velocidade.

–Trilhos, isso leva à uma saída.- Fuller se adiantou andar para o túnel da frente da direita que virava para baixo.

–Mas não sabemos o caminho.- Charlie ofegou e seguiu Fuller.

–Podemos encontrar um vagão.- Fuller passou os pés entre os trilhos e começou a correr e seguir o túnel, junto com Charlie, as rochas começaram a tremer.

Voltas e mais voltas e logo encontraram um fila de vagões vazios, alguns com insetos dentro, Fuller e Charlie subiram no primeiro da fila, tiraram a madeira que prendia as rodas e encaixaram nos trilhos, um grande rosnado abafado interrompeu o silencio do túnel escuro.

–Não deixe por nada desse mundo esse lampião cair.- Charlie assegurou Fuller, tomando cuidado, Fuller prendeu no gancho de ferro do vagão e passou seus pés para dentro dele, Charlie do lado de fora, começou a empurrar o vagão até conseguir uma velocidade adequada para ser acompanhado por alguém que esteja correndo, segurou no carrinho,e tentou subir, caiu e arqueou, um rosnado mais alto interrompeu, -Venha, Suba...-disse Fuller,ele tentava ajudar o Amigo que logo ia ser deixado para trás, Charlie tentou mais uma vez, respirando rápido, seu pé esquerdou ficou na borda do carrinho, havia mais rochas sendo atiradas de cima dos trilhos deixados para trás, Fuller segurou a perna de Charlie e o trouxe para dentro do vagão que já se inclinava para a esquerda. Um rosnado do que parecia ser um cão enorme indicava que eles estavam ferrados.

–Cadê a alavanca dessa merda?-perguntou Charlie, procurando em volta, o carrinho já perdendo velocidade.

–Aqui atras, me ajude.- revelando uma alavanca, Fuller e Charlie começaram a fazer funcionar o vagão, tomando mais velocidade, o vento era um obstaculo, areias caiam das rochas acima.-Cuidado para não deixar cair nos olhos- Fuller gritou.

O vagão estava descontrolado, no máximo da velocidade, a alavanca subia e descia, Fuller e Charlie haviam a ignorado, depois que o menor problema era velocidade e o maior problema era a grande ponte de madeira na frente. Tem que dar certo , pensou Charlie, havia acabado o túnel, eles se encontravam na ponte de madeira, que parecia ser segura, alguns rangidos abaixo deles, os tremores continuavam, um espaço enorme sem tuneis foi se abrindo para eles, a ponte estava no meio do que parecia ser o coração das minas, todos os túneis estavam com trilhos, laçando teias e labirintos de pontes que entrelaçavam umas entre as outras, morcegos voavam no distante teto acima deles, Fuller olhou para baixo com um certo cuidado, no fundo daquele abismo se encontrava o que seria ouro, muito ouro, cargas enormes e centenas se vagões cheios, olhou para um pouco acima dos vagões e encontrou o que seria uma fogueira acesa, estranhou, e chamou Charlie que estava distraído, com o que parecia ser horrível.-Charlys, olhe aquilo...- Fuller viu sua felicidade desaparecer por completo, não restou nada dentro dele, virou seu rosto para cima, onde Charlie parecia estar olhando faz tempo, a velocidade ainda mais rápida não cessou, o que parecia ser grandes tentáculos ásperos de polvo, sete tentáculos saiam dos túneis, devidamente espalhados, tentando pegar algo invisível, Fuller os contou mentalmente, simplesmente jurando que estava delirando, piscou duas ou três vezes, mas não desapareceu, logo caindo na realidade, ele olhou para frente, pasmo, Charlie soltou um grito, rosnados e tremores estavam os mais fortes possíveis.

Entrando em um novo túnel, Charlie e Fuller se encontraram com as pernas bambas, virando em uma curva, o silencio tomou conta, nada era perceptível, os tremores haviam cessados de uma hora para outra e os rosnados foram cada vez menores. Mas de algum jeito, Fuller não se surpreendeu com os tentáculos, a fogueira foi um choque, quem estaria naquelas minas por livre espontânea vontade com todas aquelas mortes? outra curva se passou, o lampião seguindo as curvas e a luz invadindo o destino deles, o túnel já estava fazendo curvas para baixo, de canto de olho, Charlie e Fuller perceberam uma movimentação, sombras passavam ao seus lados, Fuller jurou que viu um rosto camuflado entre as rochas, o que parecia ser indígena. Olhando para trás para ver melhor oque se passou, observou cada detalhe, mas nada de diferente, virou e deparou-se com uma luz, Charlie virado para trás, virou se e apontou para o que parecia ser a saída, a luz solar invadindo o túnel, Fuller apagou o lampião e desamarrou do gancho, tentando para a alavanca Charlie machucou a mão, -Droga.- gritou, Fuller olhou para a saída, não vai dar, pensou, vamos cair.

–Vamos ter que pular. Fuller segurou Charlie pelos braços.-Vamos ter que pular!-exclamou com mais força, o fim já estava próximo.-Vamos pular no 3...- Fuller gritou, esperando os intervalos certos.-2- o vagão começou a tremer -1- já estavam em cima do final do trilhos, o vagão estava descontrolado-Vai.- Fuller e Charlie pularam do carrinho, batendo os pés na borda lateral, tropeçaram em pleno ar e cairão no chão, o vagão cairia em cima dos dois se Fuller não tivesse empurrado Charlie para a esquerda e ele indo sentido contrario. O Vagão quebrado havia caído e o lampião havia se quebrado, pegando fogo e pronto para explodir, Fuller levantou e o chutou para longe, observando a explosão distante.

–Está bem?- Fuller ajudou Charlie à levantar.

–Melhor impossível.- Charlie respondeu, sorrindo, os dois se viraram para as montanhas alaranjadas e iluminadas pelo sol, começaram a caminhar, tentando lembrar aonde ficava a cidade.

Ao horizonte, ao em vez de surgir a pequena cidade Twrimi, surgiu três troncos moldados em animais e criaturas lendárias e coloridas, a do meio era maior que as duas ao lado, na ponta do totem, havia oque seria uma criatura de olhos vermelhos e pico prateado, uma coruja enorme com suas asas abertas feita de madeira, observava os dois rapazes confusos indo de encontro com ela.

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Fim do segundo capítulo.