Notas iniciais
essa é a 38ª fanfic da série. Antes dela vem "A Casa de Kouyou"

Sereny estava na cozinha, tirando a fôrma de bolo do forno. Yuu entrou cabisbaixo e fechou a porta, fazendo a garota encará-lo.

— O que foi, Yuu-chan? – ela se aproximou e tocou-lhe o ombro preocupada.

— Eu não sei, Ny-chan... Mas, me bateu uma tristeza de repente... – ele segurou a mãozinha dela.

— Uma tristeza repentina? – ela o fez sentar em uma cadeira e afagou carinhosamente seus cabelos.

— Um... Mal súbito... – ele suspirou pesaroso. – Não sei se consegue entender...

— Entendo melhor do que imagina, Yuu-chan – a morena sorriu.

— Já teve isso? –ele a olhou surpreso.

— Sempre tenho... Já faz muito tempo... – ela explicou.

— E o que você faz pra passar, Ny-chan? – ele choramingou como uma criança e ela o abraçou.

— Eu escrevo... A maioria das vezes sobre o que eu estou sentindo... Costumo chamar de “mal de poesia” – a garota deu risada.

— Por que “mal de poesia”, Ny-chan? – o guitarrista perguntou confuso.

— Porque é quando eu tenho esse mal súbito, como você chamou, que eu escrevo as poesias mais bonitas, mais carregadas de emoção...

— Até pra essa sensação horrível, minha Ny-chan é poética... – ele sorriu e ela lhe deu um beijo na testa.

— É, deve ser... Quer um pedaço de bolo? – ela ofereceu e um pequeno sorriso brotou no rosto dele.

— Claro, Ny-chan... Quem resiste aos seus bolos? – a garota deu risada e cortou um pedaço generoso, colocando em um prato que entregou ao moreno.

Ele comeu algumas garfadas deliciado, mas parou de repente e ergueu os olhos, fitando-a preocupado.

— O que foi, Yuu-chan? – Sereny perguntou desconfiada da expressão que ele fazia.

— Kouyou não gosta que eu fique sozinho com a Ny-chan dele... – Yuu respondeu e parecia se sentir muito culpado.

— Ele tem ciúmes de você... – ela concordou.

— Não posso culpá-lo... – o mais velho disse, voltando a comer. – Ele faz muito bem em cuidar do que tem... Todos nós o mataríamos se ele fizesse a Ny-chan sofrer... – ela apertou a bochecha dele.

— Você sente falta de ter alguém, Yuu-chan? – a garota perguntou, servindo-se de bolo e sentando ao seu lado.

— Ainda não... – ele riu. – Por mais que eu deteste ser sozinho, ainda não estou pronto pra me prender a alguém... Acho que só não encontrei a pessoa certa...

Ela deu risada e acariciou os cabelos negros do rapaz. Ele colocou mais uma garfada na boca e os dois ficaram um tempo em silêncio, só o barulho dos talheres ecoando pelo aposento.

— Quando a Ny-chan nos conheceu... No começo, quando não ficava conosco... Era “mal de poesia”? – o guitarrista perguntou timidamente.

— Não, não era... – Sereny abaixou o rosto, envergonhada. – Era besteira minha... Infantilidade...

Yuu ergueu as sobrancelhas, sem entender.

— O que quer dizer, Ny-chan? – ele perguntou depois de um tempo que a garota não dizia mais nada.

— Que a Ny-chan ainda é só uma garotinha ciumenta de seis anos... Que fica emburrada quando todas as atenções estão voltadas para sua irmãzinha mais nova... – a morena terminou sem encará-lo, brincando de despedaçar o bolo em seu prato com o garfo, como se tudo fosse muito mais importante do que o que ela estava dizendo. O moreno passou o braço por sua cintura amigavelmente.

— Eu sou capaz de entender isso... – ele disse sorrindo.

— É? – ela perguntou surpresa.

— Não é como se você não gostasse de dividir todas as atenções com ela... Mas quando você vê que ela tem todas as atenções... Você passa a duvidar...

— Da sua própria importância... – Sereny completou a frase do moreno e ele assentiu.

— Não é algo fácil de curar... – ele balançou a cabeça negativamente.

— Ainda mais difícil quando não se admite... – ela sorriu minimamente.

— Tem razão... – ele ponderou. – Mas, admitir é... Horrível! – o moreno fez uma careta.

— E não é nunca entendido da maneira certa! – ela disse emburrada.

— Pois é... – ele suspirou.

— Acho que me acostumei às pessoas ignorarem o que tem de errado comigo... Desaprendi a confiar nos outros... Talvez seja por isso que eu não me contente mais com tanta facilidade... – ela disse entristecida.

— Já falou sobre isso com a Chibi? – ele perguntou de repente e ela ergueu as sobrancelhas.

— Já falou sobre isso com Kou-chan? – ela retrucou. Yuu se encolheu.

— Entendo seu ponto de vista... Mas, vocês suas são irmãs... Mais que isso, são melhores amigas... Ela te venera, Ny-chan!

— Eu sei, mas tudo isso não impede que ela... Não reconheça... Não retribua... Não impede que ela seja mais uma na fila das pessoas que... Não sabem lidar comigo...

— É, talvez sua situação seja realmente mais complicada exatamente por isso...

— O que foi que ele fez? – Sereny perguntou de repente e Yuu se espantou.

— Como é?

— Você me entendeu, Shiroyama! Toda essa história tinha que ter esse propósito! E, se somos assim tão parecidos, só alguma coisa que Kouyou fez te deixaria do jeito que está! – o moreno ficou em silêncio por um tempo e terminou seu pedaço de bolo de chocolate.

— Não foi algo que ele fez... Eu só esperava... Outra reação por eu ter conseguido terminar a nova melodia sozinho e a tempo... – ele lamentou.

— Esperava um agradecimento?

— Não! Nem que ele me parabenizasse ou elogiasse... Só queria que ele... Mostrasse que tem valor... Que meu trabalho ainda é importante... Que não foi tudo em vão...

— Eu sou capaz de entender isso... – ela deu risada e pousou as mãos nos ombros do moreno.

— Ainda bem que eu tenho você, Ny-chan! – ele sorriu, colocando suas mãos sobre as dela.

— Ainda bem que eu tenho você, Yuu-chan... Porque tem vezes que eu pareço estar completamente sozinha...

— E nós dois estamos caminhando nessa mesma estrada, não é mesmo?

— Dois solitários numa estrada deserta... – ela deu risada.

— Procurando por uma razão de viver... Uma estrada...

— Que não seja o sofrimento... – ela completou.

— Acho que vamos ficar bem! – ele sorriu.

— Agora sim...

Notas finais
mereço reviews???

a próxima se chama "Grass Roots"
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!