Makroy.
4 Quatre
Notas iniciais
* Flashback on *
" –Oliver, só mais um pouco!-Eu dizia para o meu ilustre amigo bêbado -Me dá sua chave!?-Ele agora estava encostado na parede ao lado da porta de seu apartamento.
–Ta no meu bolso... Só não entendo por que meu bolso não para de se mexer...-Ele diz olhando para suas calças em uma fala enrolada.
"Ok, Samantha. É só um bolso. Você vive enfiando a mão nos bolsos, não é? ! Claro que não!"-Pensei comigo mesma.
Eu mordia a parte interna da minha bochecha enquanto me aproximava de Ollie. Lentamente eu pûs minha mão no bolso da frente. Eu estava com o coração batendo tão forte que era possível senti-lo bater na ponta dos meus dedos. Eu estava próxima demais dele, dava para sentir o cheiro da respiração dele. Com a minha mão dentro do bolso ele resolveu abrir a santa boca de bêbado;
–Sabe, Sam...-Eu havia congelado e ergui a cabeça, nossos olhos se encarando- Eu devia ter ficado na balada...Talvez eu estaria com uma garota muito sexy agora.
Aquilo soou engraçado, ele não estava aguentando com o próprio peso do corpo! Mas também tocou fundo, eu não era suficiente.
–Estaria... Mas aposto que a chave não seria a única coisa que não encontraria sua devida fechadura.-Eu falei agarrando finalmente a maldita chave e me afastando.
Eu abri a porta do apartamento e ascendi as luzes. Poxa... Aquilo tava uma tremenda baderna! Eu pendurei minha bolsa no porta casacos que tinha no hall de entrada e empurrei, literalmente, meu amigo semi morto para dentro da sua casa.
–Euuu... Vou me deitar aqui!- Oliver diz como um típico bêbado. Ele planejou sentar no sofá, acabou errando e sentando no chão. -Aqui também está servindo.
Eu fui até o banheiro e liguei o chuveiro no mais gelado possível, estávamos no verão, o mais quente que presenciei, eu estava particularmente derretendo de calor. Voltando para a sala Oliver estava em um estado deplorável. O álcool deixa até os mais lindos do mundo, acabados. Eu tirei os saltos e fui até ele me abaixando na altura dele, que estava de olhos fechados.
Uma fina camada de suor cobria sua testa, colando alguns fios pretos como ébano. Eu passei minha mão tirando os cabelos de sua testa e fazendo eles voltarem ao lugar de costume. Mesmo com aquele cheiro forte de vodka eu sentia seu cheiro usual.
O cheiro que fazia uma leve dor no meu peito, que vinha acompanhado de um sorriso que pintava meus céu cinza da cor mais bela no mundo. Eu não podia escapar dele, não sobre aqueles olhos verdes feito esmeraldas recém polidas.
Lentamente eu tirei a camiseta dele, pra um cara que estava bêbado e cochilando, foi uma tarefa fácil. Eu desafivelei o cinto e abri o único botão e o zíper de sua calça. Antes de puxar a calça tirei os sapatos e as meias dele, e logo puxei a calça dele.
Ele estava ali. Deitado sobre um tapete felpudo na cor creme, apenas em uma cueca box branca. Seu abdômen era liso, não havia gominhos, era liso. As pernas eram tonificadas na medida perfeita. Ele estava lindo, e mesmo que ele estivesse dormindo eu corei. Antes que eu perdesse a coragem o levantei o despertando levemente.
Com o box do banheiro aberto eu o coloquei em baixo da água corrente. Seus olhos se abriram rapidamente, assim como o grito que ele deu.
–SAMANTHA! -Nessa hora eu fechei o box o deixando do lado de dentro. Oliver tentou se levantar e sair, mas acabou escorregando no banheiro e quase caindo de cara.
–AI MEU DEUS! -Eu gritei e abri a porta o mais rápido e entrei pra ajudá-lo.
Acabamos os dois caindo no chão. Eu fiquei totalmente ensopada imediatamente -Oliver!? Entra nesse chuveiro!-Eu ordenei assim que consegui me levantar.
O máximo que consegui foi um hematoma na nádega esquerda e meu braço, do mesmo lado, dolorido, e minhas roupas encharcadas. Tirei o Oliver do banheiro e o forcei ficar acordado o suficiente para por uma cueca seca sozinho.
* * *
–Posso entrar?-Pergunto do lado de fora do quarto.
–Uhum...-Escuto um resmungo mínimo.
Entrei no quarto e ele estava de barriga para baixo e apenas com uma calça preta de pijama.
–Ei -Chamei adentrando o quarto e colocando uma xícara com café forte em cima do criado mudo -Ollie?!
Tudo que recebi em resposta foi um resmungo.
–Tem café e aspirina...ou você pode suportar a ressaca amanhã -eu falo e ele se vira ficando de barriga para cima ainda de olhos fechados.
Não consigo evitar de descer o olhar pelo seu corpo,mesmo que eu tenha o despido e dado uma espécie de banho,ele me deixava sem fôlego.
–Porque você está molhada?! -ele pergunta abrindo um dos olhos e me olhando.
–Você me derrubou no banheiro, esqueceu?
–Derrubei?-Ele pergunta meio grogue e eu confirmo.
Eu precisava ir pra casa, mas com essas roupas molhadas seria impossível dirigir, o banco do meu carro iria encharcar. Fui até o guarda roupa dele e peguei uma blusa consideravelmente velha e um short que eu havia esquecido na casa dele da última vez que vim aqui. Depois que me troquei voltei ao quarto e Oliver estava largado na cama ainda.
–Toma a aspirina.-Digo e vou até ele pegando o comprimido e indo até ele na cama.
Por algum motivo divino ele se ergueu no momento que me abaixei para dar o remédio para ele. Nossos rostos ficaram extremamente próximos e antes que eu pudesse me afastar senti a mão de Oliver me puxando pela nuca e nossos lábios se encostando.
Foi nosso primeiro beijo, não aconteceu como sempre sonhei, com Oliver Chevallier declarando seu amor para mim. Mas foi tão bom, como se aqueles lábio fossem feitos para mim. A língua dele pediu passagem e tocou a minha, eu não devia, mas me aprofundei mais no beijo.
Quando o ar se fez necessário nos afastamos e ficamos nos encarando assustados e sem pensar saí do quarto indo para sala pegando minha bolsa e o casaco e saindo do apartamento sem parar um segundo para pensar no que havia acontecido. "
*Flashback off *
Sam fechou os olhos com força e balançou a cabeça para afastar os pensamentos.
Ela sabia que aquela era uma lembrança só dela porque quando eles se falaram de novo,Ollie não se lembrava de nada,ela via nos olhos dele que estava sendo sincero quando falou que não lembrava nem de como tinha ido para a casa e quando começou a rir quando ela contou que ele que ele a derrubara no box do banheiro.
Sam balançou a cabeça novamente,e se olhou no espelho ajeitando o cabelo já em perfeito estado.
Ela forçou um sorriso para o seu reflexo e saiu do banheiro em seguida,tinha aula e coisas mais importantes a fazer do que remoer lembranças sem importância.
* * *
Sam sentou-se no sofá preto da sala de seu pequeno apartamento e esperou sua mensagem ser respondida.
Alguns minutos depois um bip do seu celular.
"Seu horário é 21:45".
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