Notas iniciais
Olá pessoas!~ Trazendo o segundo e último capítulo da fic. Ela ficou meio grandinha, por isso me desculpem! Eu sinceramente amei escrever cada pedacinho do desfecho final, espero que também gostem! Boa leitura~

Momoi não esperava mais encontrar o caminho de volta, era perigoso com aquele tempo ficar se pendurando em árvores. A chuva começa a cair de forma rápida e intensa e em poucos minutos ela já estava totalmente encharcada. Os ventos sopravam fortes, também, sua localização era alta e isso só aumentava as correntes de vento que deixavam a rosada trêmula de frio.

Caminhar precisava ser bem de cautela, pois o chão estava enlameado devido à erosão natural do lugar, e um rio que corria por lá já estava com suas margens transbordando pela intensidade da chuva. “Eu preciso me abrigar em algum lugar”, pensava Momoi abraçando o corpo para tentar se esquentar, mas era em vão.

Já na pousada, os rapazes tiveram seu banho nas termas interrompido por causa da chuva e por fim acharam melhor se reunirem no quarto para jogar baralho e comer alguns petiscos.

– Vocês viram a Momoi-san? – Katsunori entra no quarto dos alunos e eles se entreolham.

– Não, sensei. – Responde Susa. – No jantar ela disse que iria para as termas, mas com a chuva não deve estar mais lá.

– Tsc, ela deve estar perambulando por aí. – Resmunga Aomine que estava deitado em um canto do quarto folheando uma de suas revistas com garotas de biquíni.

– Eu vou procura-la, sensei. – Imayoshi se levanta e oferece para achar a rosada, Sakurai o acompanha.

– Eu estava pensando aqui, senpai, sensei... – Sakurai começa a falar pausadamente. – Ela pode ter ido procurar a caverna dos vagalumes...

– O que? Nesse tempo? Como deixaram isso acontecer, é perigoso! – Katsunori fica irritado, agora as coisas estavam preocupantes pois a tempestade só piorava lá fora. – Mas não acredito que a Momoi-san seria irresponsável ao ponto de sair nesse tempo.

– Ela é teimosa, quando coloca uma coisa na cabeça, ninguém tira. – Acrescenta Aomine.

– Você não está preocupado, Aomine-kun? – Sakurai deixa escapar aquilo e Aomine o olha de forma assassina.

– Me desculpe! Desculpe-me por viver! – Sakurai começa a se desculpar e aquilo faz todos darem algumas risadas.

– Bom Imayoshi, eu conto com você. – Pede Katsunori e o capitão de Touou assente com a cabeça.

Era a terceira vez que ela caía, mas infelizmente a queda dessa vez causou um ferimento em seu joelho, ela colidiu-o com uma pedra escondida pela terra enlameada. A rosada xingou todos os palavrões que sabia e já estava com a roupa toda suja de lama e terra, mas não podia sentar e esperar, precisava continuar até achar um abrigo seguro. Continuando sua caminhada, o morro agora tinha virado uma descida bem escorregadia e ela tomava o cuidado de se apoiar nos galhos das árvores para pode se equilibrar, mas a natureza foi sorrateira e um dos galhos se rompeu, fazendo Momoi escorrer e cair no chão, batendo ao longo da descida em qualquer obstáculo que tivesse por lá.

A busca por Momoi havia se estendido por todos os membros do clube de basquete, eles se uniram para procurar a rosada por cada canto da pousada e começaram a interrogar os outros hospedes e os funcionários também.

– Teremos que ir para a floresta procura-la, é certo que ela foi atrás da lenda dos vagalumes. – Comenta Imayoshi preocupado.

– Ora meu senhor... – Uma senhora que trabalhava na pousada estava acompanhando-o. – Isso é só uma lenda, ninguém nunca encontrou essa caverna dos vagalumes.

– Como assim, senhora? – Pergunta Wakamatsu que estava ajudando nas buscas também.

– Estudos geológicos feitos na região mostraram que a possibilidade de ter uma caverna ou gruta aqui nesta região é impossível.

– Agora as coisas pioraram! – Wakamatsu olha preocupado para Imayoshi.

– Wakamatsu, junte todos, vamos ter que procurar a Momoi na floresta.

– Onde você vai, senpai?

– Eu já encontro com vocês, preciso resolver uma questão. – Responde o capitão.

“Ah...eu devo ter morrido, não sinto meu corpo...”, Momoi estava deitada em um chão de pedras úmido, mas cravejado de pequenos brilhantes. Ela não conseguia mexer o corpo, só os olhos e fitava o local onde estava, parecia estar dentro de um caleidoscópio. “Que lugar bonito...dá vontade de ficar aqui para sempre”, ela pensava e continuava entretida olhando para aquele cenários tão bonito e delicado, até que a sombra de uma pessoa chama sua atenção. “Quem está aí? É um shinigami por acaso?”, ela não conseguia falar, mas parecia que seus pensamentos ecoavam pelo local.

A sombra tinha um brilho cálido esverdeado e era acolhedor, uma sensação boa percorreu o corpo da rosada. “Vou cuidar de você, até que o seu desejo se complete”, uma voz doce e com um misto de tom feminino e masculino ecoam na mente de Momoi. “Cuidar de mim...Desejo...Por acaso você é...”, Momoi respondia e recebe outra mensagem em sua mente: “Não diga mais nada, apenas descanse, seu corpo não vai suportar por muito tempo, você bateu a cabeça em uma pedra e o sangramento é sério...”

Aomine estava deitado despreocupadamente no quarto, ainda folheando sua revista, quando o capitão de Touou abre a porta de correr de uma vez, chamando a atenção do moreno.

Oe, não vai quebrar a pousada...

– Aomine! – Imayoshi parte para cima do moreno de repente e o levanta pelo colarinho da yukata que ele usava. – Não existe a caverna dos vagalumes, e ela foi para lá acreditando fielmente nesta lenda!

– Você está ficando doido, Imayoshi? – Aomine não tinha uma expressão agradável no rosto e leva as mãos para o colarinho da yukata de Imayoshi também. – Não sei do que está falando!

– Momoi está lá fora, no meio daquela tempestade! E você fica aí, despreocupado! – O capitão estava fora de si e empurra o Às para a parede. – Tudo isso por que ela quer dizer que te ama!

– Eh!?

Aomine foi pego de surpresa agora, demorou um tempo para processar tudo que o capitão estava dizendo, mas mesmo assim era inacreditável. Satsuki sempre amou foi o Tetsu, não havia lugar para Aomine, pelo menos da mesma forma na vida da rosada, era o que ele concluía. Ela era sua única verdadeira amiga e sempre esteve ao lado dele e para ele as coisas estavam boas assim, era o suficiente.

– Me solta, Imayoshi. – Pede Aomine impacientemente. – Não fala merda, todo mundo sabe que a Satsuki gosta é do Tetsu.

– Tudo bem, se você não quer acreditar. – Imayoshi solta Aomine. – Você realmente é um idiota por não reparar as coisas ao seu redor. Mas agora, não reclame se outra pessoa levar ela de você.

Com aquelas últimas palavras, Imayoshi deixa o quarto e segue de encontro para os outros membros do clube de basquete que estavam iniciando a busca pela desaparecida manager. O moreno ainda se recuperava daquela reação inesperada do capitão, Imayoshi sempre foi um cara tão centrado e aquilo foi de repente, mas as palavras deles estavam incomodando Aomine que quando percebeu, já estava se vestindo com a roupa de treino do clube para poder ia trás da baixinha.

“Eu senti algo ruim à algumas horas... a última vez que isso aconteceu foi à tanto tempo...” pensava o Às enquanto saia da pousada despercebido pelos demais membros de Touou. “Ah sim...Agora eu me lembro, foi quando a Satsuki ficou presa naquela árvore, a gente estava no jardim de infância...Eu estava brincando e senti um aperto no coração, achei estranho ela não está lá comigo e fui atrás dela, quando a vi presa na árvore. Sem nenhum adulto perto, pensei que nunca mais iria poder ficar com a Satsuki e tinha me decidido até em morar debaixo da árvore só para não deixa-la...”.

O rapaz estava tão centrado em seus pensamentos que a tempestade lá fora parecia não incomoda-lo, pelo contrário, parecia que nada atingia ele. Será que algo aconteceu com Satsuki? E por que o sentimento de não poder ficar ao lado dela o machucava? Será que ter ela como apenas a amiga de infância era suficiente? Ou até chegou a ser, mas agora não cabia mais dentro dele aquele sentimento puro... Sim, não cabia mais àquela sensação infantil, ele a desejava e aquilo começou a se formar dentro dele quando entraram em Teiko, infelizmente ele não podia mais vê-la como só a melhor amiga de infância.

Foi quando lhe veio à mente a mensagem que Tetsu tinha lhe enviado, as palavras ditas por Imayoshi e por ele ter notado que desde que voltou de uma visita ao colégio Seirin, Satsuki estava diferente. Sacou rapidamente o celular sem se importar que o mesmo se molhasse e leu atentamente à mensagem do baixinho de Seirin, aquilo foi o suficiente para algumas lágrimas se formarem no canto dos olhos do moreno.

– Me perdoa Satsuki... – Ele aperta o celular com força na mão e começa a correr por todo o local, chamando por sua baixinha rosada. Então era aquilo que havia acontecido em Seirin, ela havia procurado Tetsu para se desculpar e dizer que ela descobriu os verdadeiros sentimentos que ela tinha, e não eram para ele.

“...Eu espero que as coisas se acertem agora entre vocês, a Momoi-san finalmente entendeu que o amor dela é para você. Espero que ela tenha consigo ter a coragem de se declarar para você, Aomine-kun...”, a mensagem de Tetsu foi como uma libertação para o moreno, ele não podia acreditar naquilo, tudo que ele inconscientemente reprimiu estava emergindo do fundo do seu ser. “Eu preciso dela, eu quero ela e a desejo...eu amo a Satsuki!”. Ele nunca imaginaria que viria a sentir algo que não fosse só pelo basquete, ou talvez sabia, mas não queria dividir a atenção, mas agora com aquilo tudo às claras, não tinha mais amarras nele.

Oe! Satsuki! – Ele grita por ela. – Responde baixinha!

Aomine estava ofegante e já completamente encharcado pela chuva e sujo pelo local enlameado, um desespero começa a tomar lugar dentro dele e seu coração baita acelerado. O pânico de perdê-la era inexplicavelmente assustador.

– Satsuki!!! – Ele continua a gritar e a procura-la, não se importando o quão ruim a tempestade estava. – Satsuki...

Aomine pisa em falso e caí de joelhos no chão, suas lágrimas se misturavam nas gotas torrenciais da chuva que batiam-lhe no rosto.

– Eu sou um idiota, deveria ter ido atrás de você antes! Satsuki aparece, por favor!

Os olhos tristes do moreno percorrem rapidamente todo o local e uma pequena luz chama sua atenção, uma luz esverdeada que piscava intensamente, como se o chamasse. O moreno se levantou e começou a seguir aquele ponto luminoso que com o passar o tempo se multiplicava, mesmo com aquela chuva absurda, os pequenos e frágeis pontos luminosos resistiam bravamente, levando Aomine até um lugar mais afastado, logo após descer um morro.

– Não pode ser... – Aomine estava atônito, aquele conjunto de luzes esverdeadas entrou em uma caverna e o moreno teve que pensar duas vezes antes de resolver continuar a segui-las. – Mas o Imayoshi disse que não existia caverna por aqui...

Ao invés de ficar questionando aquilo, Aomine resolveu entrar na caverna e teve uma surpresa logo que adentrou mais no local úmido, mas incrivelmente iluminado por vários pontos de luz verde, como vagalumes. O brilho intenso deles transformavam as paredes da caverna em um festival de imagens, como os de um caleidoscópio era muito bonito de se ver.

– Finalmente você chegou. – Uma voz ecoa pela caverna e deixa o moreno um pouco assustado, mas ele não demonstrou.

– Quem está aí? – Ele pergunta com medo da resposta, mas as luzes esverdeadas começam a se juntar, exibindo uma forma meio humana, meio sobrenatural que o moreno não conseguia identificar o sexo.

– O desejo dela só pode ser completo com o seu...Quando dois corações se encontram aqui, ficam juntos para sempre.

– Dela? Você sabe onde está a Satsuki!? Diga-me, por favor!

– Ela está aqui.

A forma tomada pelos vagalumes se desfaz e revelam o corpo de Momoi escorado em uma grande pedra dentro daquela caverna, mas aquela imagem de Satsuki deixa Aomine perturbado, pois ele podia ver filetes de sangue escorrendo da cabeça dela e manchando-lhe o rosto.

– Satsuki! – Ele corre até ela e a pega nos braços. – Oe, Satsuki! Fala comigo!

O corpo dela estava esfriando e Aomine continua a chamar por ela, desesperadamente. Não, aquilo não podia acontecer! Ele iria perdê-la? Mas tinha tantas coisas para dizer, tanto o que se desculpar...Não conseguiria viver sem sua baixinha que sempre abriu mão dela mesma para ficar ao lado dele.

– Por favor Satsuki...não me deixa! – Pela primeira vez em anos, lágrimas deslizavam pelo rosto do moreno. – Você precisa viver para ouvir o que eu tenho a te dizer... Eu te amo! Eu sempre te amei e é você que eu desejo!

Ele abraça o corpo de Satsuki e apoia a cabeça dela em seu peito, ele se inclina para beijar a testa dela e assim permanecer, não sairia de lá, nunca mais. Ficaria eternamente com sua rosada, nada mais importava. Enquanto ele chorava não percebeu, mas os dois ficaram cercados dos pequenos pontos de luz verdes.

As you wish...

Novamente a voz misteriosa ecoa pela caverna e uma forte luz esverdeada envolve todo o local que desaparece repentinamente...

.

.

.

As luzes da manhã incomodam sua visão e ele abre os olhos. Até a visão deixar de ser turva, Aomine se perguntava onde ele estava e o que tinha acontecido, até que se lembrou e deu um salto da cama onde estava e que parecia ser a cama de um hospital.

– Satsuki! — Foi a primeira coisa que ele gritou.

– Dai-chan, estou aqui! – Uma voz o faz olhar para o lado esquerdo da cama. – Teve um sonho ruim?

– S-Satsuki! – Ele gagueja ao vê-la completamente bem e sem nenhuma marca evidente da que ela carregava dentro da caverna. – Você está bem?

– Estou sim, Dai-chan! – Ela sorri e se senta na beirada da cama, ao lado dele. – Você me salvou, obrigada...

– Eu te salvei? Mas e a caverna? E os vagalumes? – Ele parecia confuso.

– Não existem, é só uma lenda...você jogou o corpo em cima de mim para me proteger de uma árvore que caiu no meio daquela tempestade! Eu fiquei tão preocupada e apavorada! – Ela começa a chorar. – Pensei que ia te perder...

Oe... – Ele de repente a abraça e puxa o corpo dela para mais perto, roubando um beijo dela e por fim dizendo ao pé do ouvido dela. – Isso nunca vai acontecer.

– D-Dai-chan... – Ela fica com as maçãs do rosto rubras e o olha incrédula.

– Eu te amo, Satsuki. – Ele disse direto, na lata. Continuou abraçando-a e depois a beijou novamente e desta vez ela cedeu a aquela reação inesperada.

– Dai-chan, eu preciso te falar que...

– Shh... – Ele põe o dedo indicador nos lábios dela. – Eu já sei, vamos pular essa etapa e aproveitar que os dois já sabem o que vai acontecer a partir de agora...

– Dai-chan... – Ela se aconchega nos braços dele. – Eu te amo...Fica comigo para sempre, tá?

O moreno sorri debochado e se aproxima aos pés do ouvido dela.

As you wish...Satsuki.

Notas finais
Você que chegou até aqui, obrigada e novamente obrigada! Por favor, não deixe de comentar para eu saber da sua opinião~ A gente se vê na próxima! Glossário: San - Honorífico japonês usado para referir-se a alguém de mesma hierarquia, quer etária, quer profissional. Aplica-se tanto a homens como a mulheres, e a tradução mais próxima ao português é senhor e senhora; Kun - Utilizado entre jovens quando existe alguma intimidade, sendo geralmente utilizado para nomes masculinos; Sensei - Professor; Senpai - Veterano; Chan - Para demonstrar informalidade, confiança, afinidade ou segurança com a outra pessoa, não obrigatoriamente do sexo feminino. Para acentuar a informalidade, pode-se atribuir chan à inicial da outra pessoa. Ex: "Daiki" - "Dai-chan". Yukata - Vestimenta tradicional japonesa, usada no verão. Tem o mesmo princípio que um quimono, porém o tecido é mais leve, mais fresco; Shinigami - "Deus da morte", entidades do folclore japonês responsáveis por buscar as pessoas que estão destinadas a morrer; As you wish - "Como desejar", expressão em inglês que traduzida seria "Como desejar; Manager - Cargo de gerente. Nos clubes das escolas japonesas, o manager é a pessoa responsável pela administração e cuidados com o clube e com seus membros.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!