Mais uma história de Percy Jackson
2 Capítulo 2 - Uma nova escola
Atualmente.
Ring, ring, ring. O despertador tocava, irritando minha cabecinha em plena manhã. De olhinhos fechados, procurei seu botão de desligar e apertei-o com força, quase desmaiando de sono, acabando por cair da cama por se esticar até de mais.
Ploft.
Eu ia rir do meu próprio tombo, se eu não estivesse com sono e se meu alarme não começasse a tocar "My milkshake brings all the boys to the yard". Dei um suspiro antes do meu pai entrar porta à dentro requebrando o popozão em conjunto da música. Claro, tive que acompanhá-lo. E lá estávamos novamente, outro novo dia, outra nova manhã.
Depois do meu pai sair do quarto, começando a suar pelo rebolado com a música, fui tomar um banho antes de ir para a escola. Ao entrar no banheiro, subi no meu banquinho para atingir a pia e olhei para o espelho profundamente. Olheiras. Observei cada detalhe do meu rosto: o cabelo azul escuro, natural, cortando com franja e liso até o pescoço, ganhando ondulações nas pontas até atingir os ombros. Eu parecia a Cleópatra. Os olhos púrpuras que giravam e pareciam ter vida própria, era de certo modo psicodélico, pois eles clareavam dependendo da situação. Sardas. Pequenos pontinhos em cima da bochecha, meu pai fala que é um charme. Baah, deixei de lado e fui tomar meu banho.
Depois do banho, vi minhas roupas já preparadas em cima da cama. Sapatilhas pretas, minha gargantilha(presente do meu pai, era uma gargantilha preta colada na garganta com um coração de ouro, onde estava a foto dele. Ganhei quando tinha cinco anos de idade), minhas fitas de seda vermelha e um vestido lilás bufante, com uma fita para amarrar na cintura, branca. Eu parecia uma boneca.
Desci para tomar café da manhã, escorregando pelo corrimão da escada de madeira. Como todos os dias, ao chegar na cozinha, tive que guardar as risadas. Meu pai era hilário, de um humor impecável. Estava dançando "I Love Rock'n Roll" na versão da Britney Spears, usando a vassoura como par e pondo o café da manhã na mesa. Era assim. Todos os dias, uma dança diferente, uma energia positiva. Após eu sentar na mesa, a música acabou e começou uma muito pior, "Beat It" do Michael Jackson.
Enquanto eu comia meu waffles com bacon, eu via ele dançando que nem uma profissional, mexendo os quadris e dando gritinhos esganiçados e utilizando seus pedaços de bacon como arma, antes de comer. Foi divertido.
Depois do café da manhã, escovei os dentes e fui para a escola. Meu pai me deixava uma quadra antes, mesmo que eu não me importasse de ser vista com ele. Parecia que ele queria entender a mente dos adolescentes, dizia eu te amo e me mandava ir. A escola era insignificante para mim, eu nunca entendia muita coisa e era expulsa de tempos em tempos por falta de atenção(e meu pai nunca se importou com isso, continuava me apoiando).
Mas, incrivelmente, eu tinha um amigo. Apesar de mudar sempre de escola em escola, ele me seguia por todas as que eu passava. Ele era estranho. Usava muletas, e nos dias de preguiça, uma cadeira de rodas. Vivia desenhando. Um dia, fez uma caricatura minha. Ele gostava de mundos mágicos, e disse que me desenhou como uma chibi elfa. Até hoje guardo o desenho.
Nova escola, novas pessoas, personalidades iguais. Entrei na minha sala e como sempre veio a professora. Essa era estranha, alta, magricela, parecia um louva-deus, ela era engraçada. Me empurrou um pouco para frente e disse como todos os outros, as mesmas palavras.
Classe, dêem boas-vindas para a nossa nova aluna, Zelda Skraastad. Ela veio de uma escola longe e está louca para conhecer todos vocês.
Estufei o peito, tomando coragem para falar naquele monte de crianças alvoroçadas, algumas rindo e algumas admiradas, outras cochichando.
– Prazer em conhecer todos vocês, meu nome é Z-Zelda! Z-Zelda Skraastad, m-mas podem me chamar de Rohan, como o reino do Senhor dos Anéis!
Não pude conter, senti minhas bochechas esquentarem. Eu estava gaguejando e citando sobre O Senhor dos Anéis, logo de início. Eu já devia ter me acostumado com isso. Automaticamente olhei para o chão, envergonhada. Foi como sempre, ouvi muitos "owwwn" no fundo da sala. Sempre faziam isso. Me arrastavam para todos os cantos, fazendo esse barulho, me chamando de boneca e fofa. Eu tenho um metro e quarenta centímetros. Eu sou menor do que todos da minha idade. Eu não crescia. Nunca cresci. Eu tenho hipopotuarismo... e assim comecei mais outro dia na minha vida.
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