Notas iniciais
1+1=+1

Os dois viajaram pelas dimensões para encontrar a dimensão 123/Eba. Essa dimensão é conhecida pela forma de vida que a habita – que geralmente são doces tão fofos que qualquer arco-íris que já foi vomitado por qualquer ser das dimensões com forma de vida parecida com a humana seria pouco perto daquele que seria vomitado diante de criaturas como elas. Aliás, pode ser fatal. William só não vomitou arco-íris porque, de certa forma, sua genética não permite que o faça – e pela distribuição espacial, pois a dimensão, diferentemente da maioria das dimensões conhecidas, não permite que aqueles que entram nela tenham as imagens invertidas para que as coisas sejam vistas de forma normal, mas tudo está de cabeça para baixo. Isso porque a dimensão 123/Eba se casou com a dimensão Morcego e, depois de casadas, as dimensões devem ter uma relação de reciprocidade muito forte.

Aliás, grande parte das dimensões se casam e mudam de acordo com o matrimônio que contraem. Por exemplo: a dimensão Castanhola se casou com a dimensão Mão, o que faz com que tudo o que faz parte da Castanhola tenha relação com a Mão; a dimensão Desenho-Animado se casou com a dimensão Nonsense, e os efeitos são notáveis; a dimensão Medonha se casou com a Borreimetodo e por aí vai.

Até mesmo a dimensão Vida Real se casou. Contarei um pouco da história sobre o casamento entre a Vida Real e a Invisível.

Acontece que Invisível estava sozinho, procurando alguém para poder contrair matrimônio. Afinal, ele via precisava de alguém que pudesse fazer parte de sua caminhada nas dimensões da vida, e não pretendia esperar muito. Então começou a procurar uma namorada que lhe servisse para casar: tentou casar-se com a dimensão Irônica, mas descobriu que essa dimensão quase não levava nada a sério; depois começou a se relacionar com a dimensão Flatulenta, mas o cheiro se tornara insuportável; tentou também se relacionar com a dimensão Alfa/12, mas ela estava muito mais preocupada com o que via, e a dimensão Invisível não era muito adequada para tal avaliação. É claro que a dimensão Alfa/12 acabou se casando com o safado traidor Ciência, que pula de cerca em cerca, mas de qualquer forma ela diz que está feliz porque “pelo menos ele se veste bem”.

Depois de tanto esperar, Invisível chegou para o criador das dimensões e perguntou por que ele ainda não tinha encontrado a dimensão perfeita. O criador das dimensões – que para alguns pode ser chamado de Mateus – respondeu que ele precisava esperar, pois a dimensão que mais se encaixaria com ele ainda estava chegando. Foi então que apareceu Vida Real.

No primeiro encontro, Invisível estava meio tímido pois nunca tinha se engajado num relacionamento com uma certeza que parecia não ser tão certa mas que estava presente: a certeza de que ele teria muito trabalho. Ele começou a conversar com ela, e todas as vezes que dirigia seus olhos a ela, era difícil ela retribuir o contato com tanta rapidez. Às vezes ocorria que ela olhava nos olhos dele e esperava uma resposta interessante, mas sempre séria. “Acho que vou ter muito trabalho”, Invisível pensou. Conversou com Mateus, que lhe respondeu que sim, era ela a dimensão que ele deveria investir. Foi então que ele começou a ir um pouco mais fundo e deu a ela um pouco de chocolate dimensional. Sim, chocolate cultivado pela dimensão 123/Eba, que aliás, na época, não costumava ter doces vivos. Era aniversário de Vida Real, e ele fez a surpresa, pois ela desejava há muito experimentar aquele chocolate. Ela agradeceu, mas sem expressões mais expressivas (desculpe-me a palavra) de como estava bom e do quanto ela estava muito agradecida pelo que ocorrera. É claro que Invisível sabia que Vida Real gostou muito do chocolate e que estava tendo algumas dificuldades em demonstrar isso para ele de alguma forma.

Foi então que ele se aproximou um pouco mais e brigou com ela. O motivo não é muito bem lembrado, até porque os dois já se perdoaram e fizeram as pazes de uma forma muito inusitada: marcaram o casamento. Sim, o pedido de casamento de Invisível para Vida Real foi feito logo depois de uma briga como pedido de reconciliação (e que reconciliação!).

Acontece que Ciência não estava muito satisfeito com isso. Afinal, estava de olho na Vida Real há muito tempo, apesar de já estar casado com Alfa/12 por mais tempo que Robert Nesta Marley ficou sem tomar banho. Como já foi dito, Ciência gostava de traí-la, e nesse período já o tinha feito oitocentas vezes; mas Vida Real era especial de alguma forma. E Mateus não queria permitir que um qualquer safado colocasse as mãos nela. Por isso fez com que Invisível se apaixonasse por ela, mesmo com tanta dificuldade e com tantos problemas que traria, como as guerras mundiais, a fome, a indiferença e o Internet Explorer. E Vida Real ainda não compreendia por que Invisível deveria se apaixonar por ela, ela que era tão desejada por outros dimensões incríveis mas que sempre a fizeram se decepcionar e acreditar que nunca mais casaria com ninguém. Invisível gostava mesmo dela. E gosta até hoje, apesar de muitas partes da Vida Real ainda quererem estar com outro dimensão.

Enfim, Invisível cuidou de Vida Real, dando o necessário para que ela sobrevivesse até o casamento, que não pode ser muito divulgado devido aos ciúmes extremos causados em outras dimensões. Eles se casaram e então as coisas começaram a aparecer de uma forma linda.

Esta é a história do casamento entre Invisível e Vida Real. E, aliás, talvez ocorra que alguém pergunte: “mas e se uma das dimensões morrer?” Pois é... Acontece que há uma lei para as dimensões que prediz que “toda dimensão, no ato do casamento, assina sua sentença de morte, pois o casamento de dimensões, diferentemente de outros tipos de casamentos que virão a surgir, são para a vida das dimensões, e a relação é tão íntima que na morte de uma dimensão, a outra morre também”. Portanto, quando a Vida Real for destruída, Invisível vai junto com ela, e tudo o que há nelas fará parte de uma dimensão dividida e imortal.

Parece que falei bastante sobre Invisível e Vida Real. Parece que teremos que adiar a chegada de William e Ruf para o próximo capítulo. E o faremos.

Notas finais
Charlote era uma pixel comum, vaidosa, que gostava de se arrumar e de estar sempre cheirosa. Acontece que um dia sua mãe lhe disse que não era para ela se colocar entre Teresa Fernandes e Picolé de Ameixa, pois se não o sistema daria pane. Infelizmente, Charlote não ouviu sua mãe e, no momento em que o sistema passou por aquele local, houve um bug, e as três morreram de pixolexia. Portanto, pixels não podem sair do seu lugar programado.