Mais Uma Vez, Feliz
1 Fogo na alma
Ainda me sinto mal por me lembrar do quanto calor fazia naquela tarde, estava andando pela rua tentando me concentrar na tarefa de ir ao supermercado, sempre me esquecia do que estava indo comprar. Estava passando em frente ao meu colégio agradecendo a mim mesmo por não ter que estar lá, uma vez que já tinha passado de ano e podia aplicar a mim mesmo longas e boas férias adiantadas, uma última olhada equivalia a um Adeus até o ano que vem e isso trazia um largo sorriso à minha face.
Minhas pernas começaram a se acelerar involuntariamente, andando em frente eu não conseguia mais controlá-las, era estranho mas mesmo assim deixei que me levassem, quando de repente minha peregrinação é interrompida por um objeto sólido no meu caminho que me fez da,r três passos para trás, a princípio pensei que fosse uma parede ou uma estátua mas logo percebi que se tratava de uma pessoa, agora eu estava a uns 3 passos de distância dele e pronto para pedir desculpas e sair, mas não era qualquer pessoa, tanto que ao olhar diretamente ao rosto, não pude controlar uma lee risada.
Meu ex professor de geografia realmente causava essa reação em mim, e eu podia sempre ver que ele sofria mudanças ao me ver, era tão legal ver que estávamos tão sintonizados mesmo depois de tanto tempo, me lembro como se tivesse acontecido há 5 minutos, seu último dia na escola e eu queria fazer algo especial pra ele que tanto havia me ajudado em uma matéria que pra mim era um enigma, esperei o tempo suficiente porque se o abraçasse na frente de todos certamente seria seguido por um grande período de zoação, tive que correr para encontrá-lo no café naquele dia, ao me ver ele se prontificou a ficar de pé abrindo seus braços, eu não resisti e corri em sua direção, segurando-o o mais forte que podia, tive medo que ele não gostasse daquela reação, mas para minha boa surpresa, ele se abaixou e me deu um leve beijo no rosto, mas isso não foi nada se comparado ao seguido, direto nos meus lábios, fiquei entorpecido por um segundo e então o deixei lá e fui correndo para casa.
Todas essas coisas me passaram de uma vez pela cabeça agora que eu via meu professor Diogo, me sentia muito feliz mesmo sabendo que já havia esquecido de tudo que haveria de comprar no mercado, agora não importava mais, só queria estar com ele.
Tirei aquela distância entre nós com um forte abraço, mas ele nunca teve vergonha de fazer acontecer, logo me deu um beijo no rosto que acendeu a esperança de que acontecesse algo significativo entre nós, o diálogo porém ocorreu de forma normal e vergonhosamente ordinária, então decidi avançar um pouco, me levantei do muro onde estávamos sentados e o chamei para ir à cafeteria, sentamos nas grandes poltronas que haviam lá dentro e ficamos discutindo um pouco sobre música e alguns gostos no geral, mas ainda assim a conversa me irritava pelo seu nível de impessoalidade, ao terminarmos o café eu estava me decidindo por desistir daquilo tudo e realmente ir ao mercado, talvez lembrasse de uma ou outra coisa ao olhar para ela, mas ao me levantar para fazer as despedidas ele segurou minha mão.
Minha vontade era de cair na risada naquela hora, coincidências sempre me causaram esse tipo de reação, mas tentei fingir que não era nada e o olhei.
- E-eu... Ah, eu comprei o novo CD do Arctic Monkeys, quer ir lá em casa ver?
Coincidência demais? Também pensei isso, mas realmente havia outra coisa em que pensar, e não era sobre coincidências e causas, ele se levantou apoiado na minha mão e pagou a moça do caixa e fomos andando até seu carro, eu mal esperei ele abrir a porta e já estava sentando no banco de trás do carro, propositalmente, assim ele me pediu para sentar no banco da frente, ao lado dele. E eu o fiz rapidamente para não me dar tempo de pensar, o tempo no carro foi curto, mas a conversa foi extremamente estimulante porque ele se desenfreou a falar sobre si mesmo, eu me contentava em ouvir o que ele dizia, sua boca parecia estar dançando e cada palavra parecia ser ensaiada
O carro entrou no prédio pelo portão da garagem, Diogo estacionou o carro e descemos, porém antes mesmo de chegar ao elevador ele me abraçou e me surpreendeu com um beijo, me empurrou para dentro e apertou o botão, eu sempre desejei que ele me beijasse, mas dessa forma eu me sentia tão estranho, como se estivesse sendo invadido por um estranho
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