Mais Uma Vez
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Enquanto dirigia pelas ruas da cidade, Sesshoumaru mergulhava de cabeça em seus devaneios ou como ele costumava dizer para seus alunos “coisas de adultos”. Vez ou outra perguntava-se mentalmente se havia tomado a decisão certa. Porém julgava tarde demais para voltar atrás. Sentia-se na obrigação de dar um novo rumo à sua vida. Não sabia como, mas daria. E tal decisão fazia parte. Já estava cansado de tudo aquilo. Desde que separou-se de sua esposa, Rin há cinco anos, por algum motivo achou-se desenganado da vida, tentava de todas as formas mostrar a si mesmo que estaria bem. Porém, mera ilusão...
Na verdade, não foi ele quem deu o ponto final à estória; Há cinco anos atrás, julgara aquilo apenas como uma atitude de fraqueza daquela mulher. Uma atitude impensada da mesma...Mal sabia ele que isso mudaria sua vida drasticamente. Ele a amava. E ainda a ama. Sempre a amou. Do jeito dele talvez, e embora nunca fosse bom com palavras, ele vivia para ela. Pelo menos ele achara isso, agora porém, não tinha mais certeza.
À altura do campeonato isso já não mais importava. Ela estava feliz e isso já estava bom para ele...pelo menos é nisso em que ele preferia acreditar.
Sesshoumaru nunca entendeu ao certo tal fato, mas com o tempo, procurou não dar muita importância ao mesmo, não mudaria muito a realidade.
A questão agora era outra: Sentia falta de Rin!! Como conseguiria sanar isso? A resposta para essa pergunta não teve tempo de ser respondida, pois em meio aos seus pensamentos, Sesshoumaru é interrompido pelo seu celular. Nunca desejou tanto jogá-lo tão longe como agora.
- Alô?
- Já deu para perceber o seu mau humor...O que foi meu filho?
- Nada.
- Tem certeza? Ah, desculpe, eu não deveria estar perguntando por isso, como você mesmo disse, é um problema seu.
- O que você quer Izayoi? – Pergunta ele curto e grosso.
- Gostaríamos que você viesse jantar conosco mais tarde sabe, há muito tempo que não vem nos ver e estamos com saudade. Além do mais, acho que precisaremos conversar não é mesmo?
- Não sei, precisamos?
- E então, o que me diz? Você virá?
- Verei o que posso fazer. Talvez eu vá...
- NÃO! Você virá... – Interrompe-o soltando uma risadinha logo após.
- Está bem eu irei.
- Certo. Obrigada meu filho, até mais.
- Até.
Era incrível como sua mãe costumava ser tão irritante em alguns aspectos! Mas ainda assim, ele não deixava de amá-la. Sentia era pena de seu pai em certos momentos...
Em casa, Kagome e sua mãe conversavam. A Sra. Higurashi guardava as louças enquanto sua filha separava alguns ingredientes para um bolo.
- Engraçado, não achei que a Sango fosse trabalhar hoje. Pensei que fosse tirar o dia de folga, ela tem trabalhado tanto.
- É mesmo, também pensei nisso. E ela realmente planejava folgar, mas resolveu ir de última hora, sua irmã sabe que sairá em lua de mel, por isso ela pretende adiantar todo o serviço que ela puder. E também...sabe como sua irmã é, responsável demais, chega a ser obcecada. Miroku às vezes procura dar uma trava nela mas ela nunca vai aprender.
- Às vezes ela irrita, isso sim, não sei como ele não se cansa, sinceramente...
A Sra. Higurashi ri e continua enquanto quebrava os ovos depositando-os na bacia:
- Ah eu não sei, ele já se acostumou com isso, senão não a teria pedido em casamento...- subitamente ela para – Ai, eu acabei de me lembrar!!! Preciso ligar para a Iza, ela ficou de me ajudar com algumas coisas! – Completa risonha. – Você me lembra mais tarde, Kagome?
- Sim senhora... – Hesitante, Kagome lembra-se de algo e pede licença à mãe, retirando-se para o seu quarto. Logo após retorna trazendo consigo o tal envelope dado por Sesshoumaru.
- Olhe mãe.
- O que é isso?
- O mesmo de sempre, veja.
Yue pega o envelope, como se o analisasse, imaginando para quem seria.
- Eu não acredito... Ele sabe que isso não vai adiantar, é um teimoso mesmo.
- É eu sei. – responde Kagome dando um pesado suspiro. – Eu realmente sinto pena dele. Tudo bem, a gente sabe do jeito dele e a última coisa que ele fará será reconhecer que não está bem e que tudo o que aconteceu entre ele e a Rin ainda o afeta, mas ele precisa de ajuda...não precisa? – Pergunta hesitante.
- Talvez sim, talvez não ora!! Talvez ele precise aceitar e seguir em frente, isso não é o fim do mundo!
- Acha que a Rin pensa assim?
- Eu não sei, eu não sei. Na verdade a sua irmã é a mais complicada de vocês quatro. Não dá para saber o que se passa na cabeça daquela menina e tudo por causa de um complexo idiota...
- Acho que ela também precisa de ajuda...
- Não Kagome, nenhum dos dois precisam de ajuda e você não vai meter o seu nariz onde não é da sua conta.
- Mas mãe?!
- Você sabe o que isso me custou da última vez, portanto não me arrume mais um problema. – Já batido, o bolo é despejado na forma e levado por Yue para o forno. Alguns minutos se passam e Kagome mantém-se calada pensando ou não se deveria continuar aquele assunto.
- Mãe, você acha que a Rin ainda o ama?
- Por que você não pergunta isso a ela? Você acha que eu vou saber?! – pergunta travessa.
- Mãe convenhamos, sabemos por que a Rin foi morar em outro lugar.
- Sim sabemos. Mas já se passaram cinco anos...
- E daí? Isso não significa nada.
- Olha, eu não quero me meter nos assuntos pessoais de sua irmã está bem? Como costumam dizer por aí “em briga de marido e mulher, não se mete a colher” ... eu acho que é isso. De qualquer forma, se eles tiverem que se resolver isso irá acontecer, o Sesshoumaru pode muito bem ir até onde Rin está e tentar conversar com ela.
- Eu acho meio difícil mãe, a senhora sabe como o Sesshoumaru é para certos assuntos.
- Se sei... bem, então ficará tudo na mesma. Esqueça isso e me ajude com a cobertura do bolo.
Passam-se algumas horas desde então. Depois de muito pensar, Sesshoumaru resolve por fim ir à casa de seus pais. Não sentia-se muito disposto a ir, mas também não achara tão atraente a ideia de permanecer em sua casa sem ter muito o que fazer. “Realmente” – pensava ele – fazia alguns dias que não visitava seus pais. Precisava saber como eles estavam. E quem sabe, retomar uma velha conversa de alguns anos atrás, quando seu pai sugeriu que ele comandasse a empresa da família, a System Tech Produtos Eletrônicos S/A. Porém, na época Sesshoumaru julgara-se incapaz de tal responsabilidade. Não por que tratava-se de incompetência de sua parte, mas por que já havia estabelecido algo para sua vida. Decidira estar à frente de uma turma, lecionar, sentia prazer nisso. Agora, no entanto, quem sabe não era hora de reconsiderar tal proposta, talvez tivesse escolhido a profissão errada...ops!!!!! Espere um momento: Sesshoumaru Taisho cometendo equívocos? “Impossível” – Pensa ele. – Ele só precisa experimentar novas coisas, nada mais. E além disso, não deixaria seu irmãozinho cabeça de vento tomar conta de toda a situação.
Não demorou muito para Sesshoumaru chegar à residência dos Taisho. Lá ele é recebido pela governanta da casa, uma senhora de nome Kaede.
- Sua mãe a espera na sala e seu pai encontra-se no escritório.
- Ok, avise a ela que fui falar com o velho. – Responde ele beijando-lhe levemente a face.
- Sim.
Subindo um lance de escada, Sesshoumaru dirigi-se a um corredor abrindo a primeira porta a sua frente. Seu pai encontrava-se sentado, parecia concentrado lendo um livro, mas deixando-o de lado assim que viu seu filho entrar.
- Sesshoumaru meu filho, sinceramente achei que não viesse.
- Eu também achei. Está tudo bem por aqui? – Cumprimenta com um abraço.
- Sim, como pode ver. E você sente-se. Ou prefere descer?
- Acho que prefiro me sentar aqui e conversar com o meu bom e velho pai. – Diz Sesshoumaru ao mesmo tempo em que sentava-se em um dos sofás dispostos naquele lugar. Oyakata sorri e põe-se a observar o filho.
- Por acaso esse conversar é simplesmente conversar ou pretende dizer algo importante?
- Apenas conversar, como duas pessoas costumam fazer. – Sorri Sesshoumaru. – Alguma novidade?
- Ah não, a mesma coisa de sempre.
- Puxa, mesmo estando um bom tempo longe daqui, quando eu resolvo aparecer vocês não tem nada para me dizer? E como vai o nosso querido desmiolado? Como tem se saído na empresa?
- Ora, vamos Sesshoumaru, não fale assim do seu irmão. Você sabe que ele é bom.
- Infelizmente eu tenho que reconhecer que o meu irmãozinho presta para alguma coisa. Mas pai, o senhor sabe que Inuyasha não leva nada a sério.
- Mas sabemos o quanto é responsável quando se empenha em fazer algo. Aliás, tanto você quanto Inuyasha levam a sério o que fazem, você mais ainda. E à propósito, como está indo com os seus alunos?
Essa era a pergunta a qual Sesshoumaru desejava infinitamente não responder. Principalmente vinda de seu pai. Desviando o olhar para a paisagem noturna da janela à sua frente, ele volta a encarar o pai com um sorriso irônico e responde:
- Melhor do que nunca!
- Que bom filho, assim eu fico sossegado. Para dizer a verdade, você nunca teve...
- Apresentei minha demissão hoje. – Dispara Sesshoumaru de forma tranquila , interrompendo o pai.
- ...grandes pro...blemas... – O pai parece por um momento, perguntar-se mentalmente se havia escutado de forma clara o que seu filho acabara de dizer. Erguendo as sobrancelhas e mostrando certa surpresa, pergunta:
- Você fez o que?
- Exatamente o que você ouviu, pai. Me demiti, acabou.
- Você não é o Sesshoumaru, Você tomou o lugar dele, não foi? – Ergue-se Oyakata para caminhar em direção à escrivaninha. Sesshoumaru também se levanta e fica a observá-lo. – Me responda uma coisa: O que o levou a isso? Deve ser um motivo muito sério para fazê-lo tomar tal decisão.
- Nada extraordinário. Apenas tomei uma decisão. Pessoas fazem isso o tempo todo.
- Não você. Escute Sesshoumaru, o que eu seié que conheço os meus filhos e sei quando há algo errado com eles, principalmente com você. Sempre foi muito centrado, além de esclarecido e muito decidido também.
- Isso não me impede de cometer erros, não acha?
- De fato. – o mais velho encara Sesshoumaru esperando tentar decifrar algo de significativo nas feições sérias daquele rapaz, algo que pudesse confirmar suas suspeitas. – E sendo assim, o que o faz pensar ter cometido um erro? E por que?
- Pai, isso agora não vem mais ao caso. – voltando a encará-lo mais uma vez, Oyakata finalmente parecia ter matado a charada.
- Seja sincero Sesshoumaru e me responda: Por acaso não tem nada a ver com ela tem?
- Com ela quem pai? – tarde demais, arrependera-se de perguntar, pois suspeitava onde o pai queria chegar.
- Rin. Ou há outra mulher ocupando os seus pensamentos? – Sorri triunfante.
- Quanta bobagem – responde aborrecido. Oras e desde quando o seu problema se resumia a mulheres? Muito menos o que dizia respeito a Rin – pensou ele – tentando de todas as formasse convencer de que aquele assunto já estava esquecido. Não resolvido talvez, mas esquecido.
- Você tem razão. Pode ser bobagem, mas eu não consigo pensar em outro motivo que não pudesse ser este. Há mais algum?
- Pai, não há nada me atormentando. Estou bem e apenas quero dar um novo rumo à minha vida. Quero mudar minha rotina. Há algum problema nisso?
Com um pesado suspiro, Oyakata se rende:
- Está bem, está certo. Mas me faça um favor: Se por acaso quiser desabafar, conversar, seja lá o que for, me procure está bem? Sou seu pai e acho que não há maiores problemas em se abrir com o velho aqui. Há muito não temos um momento como este.
Mesmo querendo manter-se fechado como sempre estivera, Sesshoumaru não pôde deixar de sentir culpa por tal comportamento. De certa forma, acabava afastando-se dos pais.
- É melhor descermos, Izayoi está nos esperando para jantar. E não queremos deixá-la esperando, não é um bom negócio. – Ironiza ele com um meio sorriso. O pai o retribui, caminhando para juntos saírem dali.
O jantar ocorreu tranquilo, conversas agradáveis entre o trio seguidas de olhares significativos por parte do casal presente. O irmão mais novo não pôde se unir a eles. Na verdade, Oyakata e sua esposa esperavam passar um tempo com o filho mais velho, pois como puderam perceber, a cada dia que passava Sesshoumaru afastava-se mais e mais.
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