Capítulo 6: Entre água e mordida! O sinal tocou, anunciando o intervalo. Levantei da carteira e caminhei para fora da sala, logo sendo seguida pela Jeh e fomos para o pátio, conversar. — E ae? Por que você saiu no meio da aula ontem e não voltou mais? — É uma longa história, mas adivinha quem me ligou ontem! — Ahn... O Diego? — Como você é esperta! — Haha... Muito difícil descobrir isso, né? — Então, deixa eu contar... Rapidamente expliquei para ela tudo o que ele havia me dito, como chegar na casa do Conrado, quem iria estar lá e sobre levar a roupa de banho por causa da piscina. — Que droga, velho... Piscina?! Piscina nãão! — Eu também não gostei muito da idéia... — Mas, você vai levar a roupa? — Vou, né? Fazer o que? — Ah, então também vou levar. Continuamos a conversa por mais um tempo, até que olho no relógio. — Então, já ta na hora da gente entrar, né? — Verdade... Vamos. Voltamos para a sala de aula e o resto da noite foi normal, mas eu nem prestei muita atenção nas aulas. Finalmente sábado chega, enquanto eu acordava ao som do despertador. Lentamente, sai da cama, um pouco sonolenta e vou para o banheiro, lavar o rosto e me trocar. Volto para o quarto e arrumo minha mala com roupas extras e de banho. Desço para tomar um café rápido e logo saio de casa, indo para a casa da Jeh, que estava super animada. Seguimos o nosso caminho, logo chegando na casa do Conrado. Verificamos o número da casa, apertando a campainha em seguida, sendo atendidas por ele mesmo. — Ahh, vocês! Não se perderam pelo caminho? — Perdemos sim. Tamo aqui pra pedir informação. Sabe onde fica a casa do Conrado? — a Jeh disse em um tom irônico. — Ui... — ri com a resposta de minha amiga. — Ah, você vira na esquina e segue reto até a puta que pariu, sabe? — Ui! Chega, né? A gente pode entrar? — Você pode, mas a sua amiga não. A Jeh apenas lançou um olhar mortal em direção a ele, enquanto o mesmo nos dava passagem para entrar em sua casa. Fomos cumprimentar a todos, percebendo que faltavam o Gee e o Diego. Algum tempo depois me afastei da rodinha onde estávamos e fui até a mesa, onde a comida estava servida e, durante o caminho, estava tão distraída que não percebi a aproximação de uma pessoa. Esta me empurra para a piscina, mas agarrei seu braço por reflexo, puxando-o junto comigo. Caímos ambos dentro da água. Após poucos segundo, pude perceber de quem se tratava, mergulhando para a superfície. Mas, de repente, sinto seus braços envolverem minha cintura, puxando-me de encontro ao seu corpo, de costas para ele. Me debati, tentando me soltar de seus braços, sem sucesso. — Ninguém mandou você me puxar pra piscina, vai ter vingança! Paralisei ao sentir sua mão em minha barriga, os dedos deslizando de forma lenta, enquanto ele direcionava os lábios para meu ombro. E meu coração disparou com a possibilidade que se passou pela minha mente, mas tudo o que senti foram seus dentes me morderem com força, fazendo uma fina dor percorrer todo meu corpo. — AAAAAAI! Tentei de todas as formas possíveis escapar dele, mas ele me apertou firmemente contra seu corpo, afastando o rosto de meu ombro depois de alguns minutos, rindo alto, divertido com a situação, deixando uma marca avermelhada na minha pele. — Não falei que ia ter vingança? — sussurrou em meu ouvido, causando um leve arrepio em mim. Olhei para ele sobre o ombro, deixando que nossos rostos ficassem próximos demais. Foi impossível conter o rubor que se apossava de minha face, me desvencilhando de seu abraço, empurrando-o para longe de mim. — Some da minha frente, seu canibal! Olha o que você fez em mim! Levei a mão para meu ombro, sobre a região dolorida e suspirei. Aquilo havia realmente doído! — Ownn... tadinha dela. Vem cá, deixa eu dar um beijinho que passa... Ele disse, em um tom debochado, se aproximando novamente de mim. Mas, a raiva que eu sentia dele no momento fez com que eu me afastasse dele. — Sai daqui! Fica longe de mim o resto do dia! Rapidamente sai da piscina, indo buscar a toalha que estava sobre a cadeira, ignorando o olhar dos outros. Percebi que a Jeh se aproximava de mim, com um meio sorriso. — Huuuuuuuum... O que foi isso, hen? — Você também não começa! — Ihh, ta bom então! E o riso dela só serviu para aumentar ainda mais a minha raiva. Bufei, indo me sentar em uma cadeira isolada, me secando, tentando me acalmar um pouco. Passarem-se alguns minutos até que eu finalmente me senti calma o suficiente para ter uma conversa sociável. Levantei, voltando a me aproximar da mesa, a fim de pegar a bebida que eu não consegui por causa do Diego. — Olha quem voltou... — Eu não falei pra você ficar longe de mim pelo resto do dia? — Ih, ainda ta bravinha? — ele se aproximou de mim, tentando me abraçar — Deixa eu dar um beijinho, vai... — Sim, eu to \"bravinha\" com você e não, eu não vou deixar você dar um beijinho. Esqueça. — o empurrei, impedindo ele de tentar algo. — Awn, desculpa, desculpa... — Eu não te desculpo nada! O deixei lá, falando sozinho, voltando para a cadeira em que estava sentada. Mas, ele realmente parecia determinado a não me deixar em paz, pois me seguiu, sentando na cadeira ao lado. — Você não cansa, não? — deixei um longo suspiro abandonar meus lábios. — Hum... Não! — sorriu, animado. Revirei os olhos, decidindo apenas ignorá-lo, virando para o outro lado. Até que o senti me cutucar freneticamente, mexendo no meu cabelo, bagunçando-o. Olhei para ele com desprezo e ameacei jogar a bebida nele. — Joga... — Hum, não. Não vou desperdiçar minha bebida geladinha e gostosinha em alguém como você. — Realmente, \"alguém como eu\" não pode se sujar com uma simples bebida. — Affe... Cara me deixa em paz! E levantei da cadeira, indo para o outro lado do quintal. Mas, ele continuou me seguindo, com um largo sorriso no rosto. — Não adianta você fugir de mim. Ainda temos o dia inteiro, meu amor... — O que? — olhei para ele, não acreditando no que ele havia me chamado — Que meu amor o que?! Ele apenas riu e continuou a me encher pelo resto do dia. — Ahh, me deixa! Eu vou embora, hen! Fui até onde a Jeh estava, puxando-a pelo braço para a porta. — Vamos, Jeh. Não dá para ficar com pessoas insuportáveis... — Ah não... Ta legal! — A gente vai sim. Senti uma mão envolver meu pulso, me impedindo de continuar. — Não, vocês não vão não. — E quem vai me impedir? — Eu! Em rápidos movimentos, me pegou e me jogou sobre seu ombro, voltando para dentro de casa, enquanto eu distribuía tapas em suas costas para que ele me soltasse. Dentro de casa, ele foi até a sala, me jogando no sofá, se inclinando sobre mim, deixando nossos rostos próximos, frente a frente. Eu podia sentir sua respiração bater contra minha face, deixando-me sem ação. Então, ele sentou sobre minhas coxas, apoiando os joelhos ao lado de meu corpo, no sofá, sem soltar todo o seu peso sobre mim. — Daqui você não sai! — O que eu fiz para merecer isso? — falei, choramingando. — Ei, o que ta acontecendo aqui? Ouvi a voz da Jeh e sorri, levantando o rosto para fitá-la apoiada no batente da porta, nos olhando. — Socorro, me salva desse louco! — Pô, Diego... Dá uma trégua pra ela de 5 minutos, pelo menos... tadinha da menina! — Ok, ok... Eu to com fome mesmo. E saiu de cima de mim. Suspirei, aliviada por finalmente me ver livre dele, agradecendo mentalmente por isso. — Ai, Jeh... Obrigada, você é um anjo na minha vida... — Tsc, eu sei que você tava gostando... Cala a boca. — Nãão! Affee, eu joguei pedra na cruz, só pode ser... — Sei, sei... Aham. Apenas ignorei seu comentário, saindo da sala para me juntar ao grupo. Ficamos lá até anoitecer, conversando, comendo, bebendo, rindo. E, quando voltei para a sala, olhei no relógio, percebendo que já era muito tarde. Falei para a Jeh que era melhor irmos embora e aquela peste do Diego acabou ouvindo. — Se quiserem, eu dou carona pra vocês duas... Melhor do que pegar ônibus de noite. — Claro, claro! — a Jeh respondeu, toda animada por ter se livrado do ônibus. — Ah, que gentileza sua... — respondi, em um tom irônico. — Sua viagem vai ser especial... MUAHUAHUA Senti um certo medo com o seu tom de voz. — Imagino como vai ser... Assim que a Jeh desceu do carro e entrou em sua casa, o Diego olhou para mim, com um sorriso maléfico. — Onde a mocinha mora? Expliquei o caminho para ele, rapidamente, já que eu não morava muito longe da casa dela. Ele apenas assentiu com a cabeça, voltando a dirigir. Porém, o caminho que ele tomou foi totalmente contrário ao que eu havia descrito, parando em uma rua sem saída. Diego desligou o carro, voltando a me olhar. — Pronto... Agora você não me escapa... — Nem se atreva a fazer nada ou eu grito. — É exatamente o que eu quero: que você grite... Grite muito. — Como assim? — olhe para ele, temerosa. Ele riu, segurando no meu braço, me puxando para perto. — Quer que eu te mostre? — Me mostrar o que? — perguntei, ainda mais temerosa, sem me afastar. Ele se aproximou ainda mais, sorrindo. — O filme de terror que eu comprei ontem. É bem assustador! Olhei para ele, chocada. — É isso que você quer me mostrar? — É, mano! Muito loko esse filme! — E você me trouxe até esse beco pra me mostrar o filme? — Ah, se quiser que eu mostre outra coisa eu mostro! — Não... Pode parar no filme. Ele me solto e eu voltei a me sentar \'direito\' no banco, enquanto ele retomava o caminho para minha casa, rindo. — Você devia ver sua cara... — É, eu vou ver minha cara. Affe, que besta. Ao chegarmos em casa, ele parou em frente ao portão, virando-se para mim. — Ta entregue... — Ahh, lar doce lar... Finalmente vou poder descansar. — Vou sentir saudades de te encher o saco, sabia? — É, mas eu não! — Ah, dá um beijinho aqui... — indicou a própria bochecha. Apenas olho para ele, arqueando a sobrancelha com seu pedido, me negando a atendê-lo, recebendo um suspiro como resposta. — Ta bom... Se você não dá, dou eu... Aproximou o rosto do meu, depositando um beijo em meu rosto. — Tchau... Abro a porta e saio do carro, pegando a chave dentro da mochila para a abrir o portão. Entro e, enquanto trancava o mesmo, olho para ele dentro do carro, que ria. Me limito a sorrir, logo entrando em casa, escutando o som do carro partindo em seguida.