Mais Uma Vez
2 A segunda chance que tenho...
Capítulo 2: A Segunda chance que tenho... Ainda era terça-feira, 6 horas da tarde, e eu já estava me arrumando para ir para a faculdade. A Jeh tinha me falado que hoje ela iria ligar para o amigo dela e iria me dar a resposta. Sim, eu estava nervosa para saber a resposta que ela ia me dar. Me arrumei com pressa. Fiz chapinha, coloquei um jeans, meu all-star vermelho e uma blusa qualquer. Na verdade, eu coloquei uma blusa preta e branca que me dava sorte sempre que eu a usava. Sai de casa atrasada. Sempre saio de casa atrasada. Dessa vez eu resolvi passar na casa da Jeh para irmos juntas até a facul. Cheguei na casa da Jeh e toquei a campainha. Foi ela que atendeu. Nem falou oi, simplesmente gritou da janela: \'\'Só mais 5 minutos\'\'. E realmente depois de alguns minutos ela apareceu na porta toda feliz e saltitante. — Prii, que você tá fazendo aqui? — Tô a fim de pedir esmola, que tal? Eu acho que estou aqui para irmos juntas até a facul... — Eu sei, só que eu me surpreendi quando te vi. Mas então, pronta? — Faz tempo, bora que a gente tá atrasada. — Não faz mal, tô sem pressa... Nisso, nós já estávamos no ponto esperando o ônibus chegar. Ficou um breve momento de silêncio, mas que foi quebrado pela Jeh. — Eu sei que você está ansiosa pela minha resposta... — Deixa eu pensar... É... Um pouco... — Eu aceno para o ônibus que já estava perto. É lógico que eu estou, menina! Desembucha!! Já dentro do ônibus, nossas vozes ficaram mais baixas, ela espera nós duas sentarmos no banco e fala: — Eu falei com o meu amigo e ele disse que sem problemas... Mas tem uma condição. — Qual? — eu senti meu coração bater mais forte. — Tem que ser esse final de semana... Mais exatamente neste sábado. — Por que? — agora, eu sentia uma vontade de gritar. Ainda não estava preparada para vê-lo. — Por que neste sábado vai ter show da banda dele, e meu amigo vai. E ele disse que vai ser em um lugar pequeno. — Hum... — fiquei pensando no tinha marcado para sábado, e depois que eu percebi. — Não é neste sábado, que nós vamos fazer o trabalho? — É, mas pode ficar tranqüila que a gente vai fazer durante a semana. Não tem como você escapar. Você vai ver e falar com o Diego neste sábado. E no ônibus mesmo, eu abracei e comecei a beijar a bochecha daquela menina. Só parei por que ela falou: \'tá todo mundo olhando\'. Chegamos na faculdade, e eu nem conseguia prestar atenção na matéria. Eu só queria que chegasse sábado, o mais rápido possível. Já na ultima aula, ela me manda um bilhetinho com um desenho de um coração e dentro escrito \'Pri e Di\'. Eu simplesmente pego o bilhete e jogo no estojo, e faço uma cara feia para ela, que responde com risadas. Fomos embora juntas, com ela me enchendo o saco. Mas eu estava disposta a agüentar tudo aquilo até sábado. Eu não conseguia ficar irritada com ela. Todos os dias pareciam duplicar as horas e os minutos. Durante as tardes eu ficava na casa da Jeh fazendo o trabalho e ia direto com ela para a faculdade. Meu maior desejo era pegar uma tarde para dormir. E essa tarde seria sexta, só que meu sonho não foi concretizado pela Jeh, que decidiu querer ir ao shopping para comprar uma calça que ela tinha visto fazia uma semana. Cheguei morta em casa. Fui direto para o chuveiro. Estava com a esperança de que após o banho eu iria acordar um pouco, mas foi depois do banho que eu senti mais sono. Eu tinha que me preparar para o grande dia, que seria amanhã. Amanhã eu ia ver e falar com o Diego. E já estava com sensação de borboletas no estômago. Quando me deitei na cama, e fechei os olhos fui repassando tudo o que me aconteceu na semana. Nem percebi que já ia se fazer uma semana que toda aquela loucura estava acontecendo. E depois de cinco minutos eu percebo que estou dormindo... **************** Um som vai surgindo e aumentando gradativamente. Ao abrir os olhos eu entendo que é o despertador. Já eram 8 horas. Eu tinha que estar na casa da Jeh as 9:30. Fico me remexendo na cama por mais cinco minutos, até que eu tomo forças para levantar e ao chegar no banheiro uma espécie de ficha cai na minha cabeça: era hoje! Naquele segundo, eu sinto um arrepio subir em cada osso. Lavo meu rosto e desperto completamente, quando a água gelada o toca. Ao chegar no meu quarto vinha meu grande problema, qual roupa eu ia usar em tamanha ocasião. Quando meu guarda-roupa já estava todo espalhado pelo meu quarto, a idéia da roupa surgiu em minha cabeça. Minha calça listrada, uma camisa branca e meu colete. Volto ao banheiro e olho para o meu cabelo, e me desespero. Por que bem hoje ele iria ficar ruim? Mas nada que uma chapinha não tivesse resolvido em questão de 20 minutos. Pronto, já estava arrumada e pronta para ir até a casa da Jeh, e já eram 9:15. No caminho até a casa dela, eu só tinha uma coisa na cabeça: \'era hoje\'. A única frase em minha cabeça era essa. Ao chegar em frente ao portão dela, eu toco a campainha e depois de segundos eu escuto vozes e barulhos. Vejo a Jeh surgir e escuto ela falar alguma coisa, que só vou entender quando ela chega mais perto: — Prii, preparada para hoje? Como você tá? Dormiu bem? — Jeh, como é bom te ver também. Sim, comigo está tudo bem... — Foi mal Pri, mas eu pensei em você a noite toda, imaginando como você estaria. — Pô Jeh, brigadão, eu dormi bem até. Acho que foi o cansaço. Durante a espera pelo ônibus ficou aquele silêncio. Até metade do percurso também, mas eu não agüentei e falei: — Migá, eu não sei como vou reagir ao ver ele... — Hun, normal isso. Tente agir naturalmente... Só por favor, não tenha um ataque lá, hen !? — Podexá, vou ver o que eu consigo fazer... E estas foram as únicas frases que saíram durante todo caminho até chegar ao lugar esperado. Logo que descemos do ônibus, andamos mais um pouco e paramos em frente a um portão preto. Em cima estava escrito: \'Hangar 110\'. Era esse local. E já tinha pessoas esperando na fila. Entramos para procurar o amigo da Jeh. Eram duas baratas tontas andando no recinto. Quando encontramos o balcão, fomos de encontro com a recepicionista. — Por favor, onde eu posso encontrar o Fábio? — Ele ainda não chegou. Desejar deixar algum recado? -Não... Não precisa. Mas brigada. — Bem Pri, ele ainda não chegou e eu não sei o número do celular dele de cabeça, portanto, vamos ter que esperar um pouco... — Por mim tudo bem. Mas você pelo menos perguntou pra ele, que horas que vai ser o show? — Perguntei sim! Vai ser as 10 horas. — Quê? A gente vai ter que esperar até as 10 horas??? — Não, nem pensar, a gente entra lá e pede o número dele e liga pra ele. Mas eu não sou louca de ficar aqui esperando até as 10 da noite... E foi exatamente o que fizemos. Pedimos o número do celular do Fábio e ligamos para ele. O menino, só iria chegar no Hangar as oito e pouco. Agora vinha a questão: O que fazer até as oito da noite? Procuramos um shopping ou um parque mais próximo e ficamos dando voltas e mais voltas. Quando o relógio da Jeh marcou seis horas, voltamos para o Hangar. A fila já era do tamanho do quarteirão. E antes de entrar lá, a Jeh fala: — Pri, boa sorte nessa luta. Você tem MUITAS concorrentes. Ainda bem que a gente vai entrar no camarim, senão você tava f*... — Jeh, cala a boca. Foi você que planejou tudo isso, eu nem gosto mais dele, okays? — Aham... Sei... E eu sou o papai-noel... — Mano, eu vou te bater, menina. Por mim... Ela nem deixou eu terminar a frase. O Fábio chegou antes da hora marcada. Ela puxou meu pulso e foi na direção dele. Ele por sua vez, de longe nos reconheceu e já foi acenando. — Fábio, e aí, tudo beleza? — Opa, claro. E vocês, beleza? — e foi nos cumprimentando com um beijo na bochecha. — Tamo indo. Mas então, como é que vai ser? — Jeh perguntou e ainda não tinha soltado meu pulso. — Ah! Bem lembrado. Oh presta atenção: vocês fiquem aqui, que quando tudo estiver pronto eu dou um toque pra vocês. — Entendi — eu respondi — mas como você vai nos dar um toque? — Eu to com o número da Jeh marcado aqui no meu celular. Então quando estiver pronto eu ligo pra ela e venho pegar vocês para irem até o camarim. Fechado? — Fechado. — nós duas dizemos em coro. Ele saiu e entrou em uma das portas que tinha por lá. Nós ficamos ali sentadas em um dos bancos que tinha lá por mais ou menos uma hora. Olhei para o relógio e vi que já eram quase oito e meia. Depois de ficar admirando meu relógio, a Jeh me puxa e fala: — Pri acorda que o Fábio já está vindo nos pegar. Nós nos levantamos e começamos a nos arrumar. A Jeh tenta arrumar meu cabelo e eu faço o mesmo com o dela. Após cinco minutos, o Fábio reaparece na mesma porta por onde ele sumiu e nos chama. Passamos por alguns corredores e logo dos deparamos com uma porta branca e nela havia um papel escrito: \'camarim — nx zero\'. Era aquela sala. — Bom, já fiz o meu papel aqui nesta missão... — e Fábio vai embora e se despede de nós. — Fábio... Muito obrigado cara. — a Jeh fala e logo dá um abraço nele. Ele vai embora e nos deixa sozinha naquela sala, que eu nem acreditava que daqui a algumas horas eu estaria conversando com ele. — A Jeh gosta do Fábio! Eba! — e olho pra ela com um sorriso malicioso. — Affe menina, pára! Eu só quis agradecer, ta? — Uhum... Você não me engana, tudo bem? Pode falar. — Sim, Eu tô a fim dele faz um tempinho, mas deixa quieto. Rimos e conversamos por mais algum tempo, e sem perceber se passou uma hora que nós estávamos no camarim e nada deles chegarem. Ouvimos passos no corredor e por um breve momento fizemos silêncio para escutar o que se passava no lado de fora do camarim.
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