Mais Que Um Segredo...

34 Capítulo 34 - Natal feliz...


Era amor. Muito amor. Quinn não estava apenas fazendo sexo com Rachel. O que aconteceu no cinema teria que ficar para trás. Teria que ser um passado remoto. Não poderia ditar o ritmo do namoro delas. Amor... Todo o amor de Quinn por Rachel transbordava naquela cama. Em cada toque, em cada beijo... E a morena sentia. Sentia na língua da loira em sua boca. Sentia na língua da loira em seus seios. Sentia na língua da loira em sua intimidade...

Agora Rachel estava deitada sobre o abdômen de Quinn enquanto a loira acariciava seus cabelos. A morena aspirava o cheiro inebriante da pele da namorada e aproveitava o carinho gostoso que ela lhe dava. Elas haviam chegado a um nível de intimidade que tornava as palavras desnecessárias. Elas conseguiam se comunicar em silêncio, e fizeram isso por longos minutos...

Q: Eu sinto muito por perdermos o filme!

Rachel se moveu para olhá-la e logo se deitou sobre ela, admirando os olhos verdes fixamente:

R: Eu não me importo com o filme... [disse sincera]

Q: Então eu sinto muito pelo desentendimento... Eu fiquei preocupada com... Não sei... Eu não me sinto segura em público.

A morena levou a mão direita ao rosto de Quinn, aproximando-se para capturar os lábios macios da namorada de forma extremamente carinhosa...

R: Não precisamos discutir isso. [disse suavemente] Está tudo bem!

Q: Mesmo?

R: Mesmo! Você só precisa entender que sempre estará segura comigo! Haja o que houver... Eu não quero que você se prejudique por nada, principalmente por minha causa... Talvez eu esteja exigindo demais de você de novo, mas às vezes é impossível aceitar tão pouco!

Q: Talvez eu seja pouco pra você!

Rachel se sentou bruscamente, olhando-a séria:

R: Jamais diga isso de novo! Jamais!

Q: Mas é como eu me sinto às vezes! [sentou-se também]

R: Mas isso não faz sentido!

Q: Claro que faz! [insistiu] Desde que começamos a nos envolver eu sempre deixei claro que não posso tornar público meu sentimento por você, mas sempre discutimos porque você se chateia pela minha discrição. Eu só posso sentir que não sou quem você deseja que eu seja.

A morena fechou os olhos por alguns segundos, apenas para controlar a respiração. Quando os abriu novamente, moveu-se para sentar sobre as pernas de Quinn, ficando o mais perto possível de seu rosto:

R: Eu vou deixar claro para você que quando eu digo “pouco”, eu nunca estou me referindo a você. Pouco é um beijo mais curto. Pouco é um filme pela metade. Pouco é um jantar não terminado... Poucas são as coisas. Você não é pouco! Você é muito! Você é tudo. Você é mais do que suficiente...

Era Natal e Quinn apreciava o aroma que dominava a casa. Todos os anos era a mesma coisa: Russel preparava biscoitos e os pratos principais com a ajuda de Frannie. Ele recusava a ideia de ter empregados cozinhando para eles em datas festivas. Ele queria ouvir os elogios de seus temperos. Mal sabia ele que a filha mais nova tinha o mesmo talento na cozinha... Judy sempre passava o dia inteiro fora se dividindo entre chá com as amigas e salão de beleza. Às vezes era como se a família se resumisse a Quinn, Russel e Frannie, enquanto Judy era apenas uma coadjuvante muito insatisfeita por fazer parte daquele elenco...

Desde que os pais voltaram de viagem, os preparativos para o Natal viraram a prioridade familiar, o que, de certo modo, tornou ainda mais difícil os encontros entre Quinn e Rachel. A loira temia uma nova crise entre elas, mas a morena estava agindo de forma muito tranquila, mesmo que não se vissem há dias...

F: Está tudo bem?

Frannie se aproximou atenciosa, percebendo o silêncio duradouro no qual a irmã mais nova havia mergulhado:

Q: Há dias não consigo ver a Rachel. Mamãe está marcando em cima e não tivemos aulas... Estou com saudade... [resmungou]

F: Quer que eu dê um jeito de te dar cobertura por aqui?

Q: Você sabe que é impossível escapar no dia de hoje... Não consegui ontem, nem antes... Hoje é que não vou conseguir mesmo! [reclamou]

F: Não há uma forma de a convidarmos para a ceia?

Q: Não! [disse rapidamente] Rachel é judia. Ela não comemora o Natal. Ela tem o hanukka e é diferente. Não comemora em um único dia e nem é hoje. Nossa tradição é comemorar só nós quatro. Eu não tenho como explicar a inclusão dela na nossa ceia. A mamãe jamais irá encarar isso com naturalidade, principalmente sabendo que a Rachel é filha de pais gays e que é judia...

F: Você tem razão... Não sei como eu fui capaz de pensar que seria possível...

Q: Eu terei que me conformar que talvez fique mais uns dias sem vê-la... [disse desanimada]

F: Daremos um jeito... [piscou-lhe]

Russel cortava o peru animado, enquanto conversava com as filhas sobre diversos assuntos. Judy se mantinha alheia a tudo, mexendo no notebook sobre a mesa, analisando planilhas e e-mails relativos à popularidade do marido no Senado. Russel já havia desistido de pedir que ela parasse de pensar em trabalho enquanto eles estivessem à mesa. A teimosia da esposa era maior do que tudo...

O som da campainha tocando os surpreendeu. Quinn se ofereceu para atender. Não imaginava quem estaria à sua porta naquela hora. A surpresa foi ainda maior quando se deparou com Santana completamente agasalhada diante do frio que fazia naquela noite:

Q: Santana? O que faz aqui?

S: Feliz natal para você também, Fabray! [disse sarcástica]

Q: Me desculpe! [abraçou-a] É que eu me surpreendi. Não estava te esperando. Quer entrar?

S: Não! Eu consegui escapar da minha ceia familiar por pouco tempo. Enquanto estão brigando por vários motivos, eu aproveitei para vir.

Q: Brigando?

S: Família latina, sangue quente, assuntos diversos... [piscou-lhe] Eu só vim como mensageira.

Q: Como o quê? [perguntou confusa]

S: Mensageira... [colocou a mão no bolso do casaco e retirou uma caixinha comprida com um cartão] Tome!

Surpresa, a loira logo reconheceu a letra de Rachel grafada no pequeno envelope.

Q: Como a Rachel conseguiu te convencer a trazer algo por ela nesse frio?

S: Considere um milagre de Natal! [piscou-lhe]

Quinn não precisava saber que Brittany havia insistido muito para Santana fazer aquele favor para a nova amiga delas. Antes que a loira pudesse falar mais alguma coisa, Santana já estava entrando no carro, jogando beijos pelo ar...

O cartão. O presente... Quinn precisava urgente abri-los! Ela precisava saber o que tinha dentro de cada um. Mas ela não podia ficar mais tempo afastada da mesa de jantar. Seus pais notariam sua ausência. Eles perguntariam quem era à porta. Abriu a gaveta do aparador próximo à escada e guardou a caixa e o envelope, voltando à mesa rapidamente.

R: Quem era à porta, filha?

Q: Era Santana.

J: O que ela queria?

Era praticamente a primeira vez que Judy falava durante toda aquela noite. A presença de Santana ali foi a púnica coisa que despertou a curiosidade da mulher. Na verdade, ela nunca havia engolido aquela amizade de forma fácil. Achava a latina atrevida demais e não gostava da proximidade dela com Brittany. Acreditava que havia algo estranho nelas que preferia não saber...

Q: Ela veio me dar feliz Natal. Não estava conseguindo falar comigo ao celular e aproveitou que precisou sair da ceia dela para comprar algumas coisas que a mãe dela pediu e passou aqui para me dar um abraço. Só isso...

Frannie estava orgulhosa! Ela conhecia a irmã tão bem que sabia que ela estava mentindo. Mas também sabia que ela havia se saído muito bem na mentira...

Duas horas depois de um Russel muito falante e feliz por estar com suas filhas, Frannie terminava de arrumar a cozinha com a ajuda de Quinn. Judy continuava por perto, como se sentisse o cheiro de alguma encrenca. Então as irmãs conversavam coisas aleatórias e completamente neutras...

Frannie sabia que Quinn precisava sair dali, só não tinha certeza da razão específica. Deu um jeito de chamar a atenção de Judy. Falou em dinheiro e logo a mulher passou a falar sem parar...

Quinn acelerou o passo até a gaveta do aparador e pegou a caixinha e o envelope, subindo as escadas rapidamente, sem chamar a atenção do pai que ouvia Jazz bebendo conhaque na sala de estar.

Ao chegar ao quarto parou por um segundo e observou que havia começado a nevar. Ela adorava neve. Um sorriso suave surgiu em seu rosto. Caminhou até a cama e se sentou, abrindo o envelope ansiosa:

“Tudo em você é lindo, inclusive a sua fé. Sei que hoje é um dia especial para você e eu adoraria estar ao seu lado... Quero que saiba que estou pensando em você... Sempre estarei... Feliz Natal! Eu te amo! R”

Quinn se emocionou com a delicadeza e o amor de sua namorada. Em poucas palavras Rachel havia conseguido ser profunda a ponto de aquecer o coração de Quinn naquela noite fria... A loira retirou a fita que envolvia a caixa e a abriu. Sentiu o coração acelerar ao ver a linda pulseira de ouro com um pingente de coração... Era discreto o suficiente para não chamar a atenção de ninguém, mas chamativo demais entre elas. Ela sabia que não havia ganhado um cordão porque já tinha um. Sabia que não tinha ganhado um anel porque poderia ser alvo de muitas interpretações. A pulseira era perfeita! Ela colocou no braço rapidamente e sentiu que a usaria para sempre...

O barulho era chato e parecia vir de seu sonho. O barulho não parava. O barulho passou a ser irritante a ponto de fazê-la acordar para não mais sonhar com ele. O barulho persistia com ela acordada. Não era sonho. Era sua janela sofrendo o ataque de pedras. Pequenas pedrinhas, mas ainda pedras. Levantou-se assustada e um tanto curiosa. Ela deveria chamar a polícia? Duas surpresas: seu jardim coberto de neve e Quinn Fabray morrendo de frio sobre o chão branco. Olhou o relógio e viu que já havia passado de duas horas da manhã. Saiu correndo, colocando um roupão pelo caminho, descendo as escadas como se fosse um trem bala. Abriu a porta com urgência e não teve tempo de dizer nada. Quinn a beijou com uma perfeição cinematográfica. As mãos da loira a seguraram firme pela cintura enquanto os lábios se dominavam. Rachel sentiu o frio tocar seu rosto e só então se deu conta de que elas estavam na varanda de sua casa, fora dos limites de suas paredes. Estavam com as estrelas como testemunhas e a neve as rodeando como moldura... Ela entendeu que o Natal era amor. Então para ela, o Natal sempre significaria Quinn...

[CONTINUA...]

Notas finais
Se eu tivesse postado antes, o capítulo seria diferente. Mas, dominada pelo espírito natalino, resolvi fazer um capítulo especial mais fofinho, sem dramas. :-) Espero que gostem e comentem! Feliz Natal! Beijos!