Mais Que Um Segredo...

15 Capítulo 15 - Confiança que liberta...


Quinn queria voltar no tempo. Alguns poucos minutos já seriam suficientes para apagar aquela pergunta e fazer com que ela fosse para outro lugar. Era a pergunta que ela mais temia! Ninguém poderia fazer perguntas sobre ela e Rachel, até porque ninguém sabia que elas tinham uma ligação. Ninguém além de Noah, dos Berry e, agora, Frannie... Ela se arrependeu por ter baixado a guarda, por ter permitido que a irmã soubesse que ela e Rachel eram amigas. O problema era que não era apenas amizade e parece que ela não conseguiu esconder isso...

Quinn bebeu a água oferecida pela irmã, respirando fundo para recuperar a respiração normal. Frannie estava calma...

Q: O que... O que você perguntou? [hesitou]

F: Você ouviu bem, Quinnie... [respondeu tranquila]

Q: Mas não entendi... [tentou esconder a insegurança que sentia]

F: Tem certeza de que não entendeu?

Q: Tenho!

Frannie a olhou ainda calma, soltou os talheres ao lado do prato com delicadeza e pôs os cotovelos sobre a mesa, juntando as mãos e cruzando os dedos:

F: Eu te conheço melhor do que qualquer pessoa no mundo. E você sabe muito bem disso! [enfatizou] Eu cuidei de você mais do que qualquer babá e te acompanhei em todas as suas aulas de balé. Eu fui a tantas reuniões de pais porque os nossos pais estavam viajando, mesmo que eu fosse jovem demais para estar ali. E te preparei jantares nutritivos porque você tinha testes para ser líder de torcida no outro dia. [falava com carinho] Eu falei com você quase todos os dias quando estive na Europa e exigi saber como estavam suas notas. E mesmo distante eu ainda te conhecia melhor do que qualquer pessoa...

Q: Onde... Onde você está querendo chegar? [perguntou temerosa]

F: Eu conheço seu olhar, Quinnie... Eu conheço...

Quinn baixou os olhos, temendo que pudesse dizer mais do que queria...

F: Eu vi a forma como você olha para a Rachel. Se eu te perguntar se você a considera tão amiga quanto Santana e Brittany você vai me dizer que sim?

Q: Mas ela é minha amiga! [ergueu o olhar, encarando-a] Por que haveria de ser diferente?

F: Porque é. Não é?

Q: Não! [disse sem sequer pensar] Não! [repetiu com mais afinco]

F: E você acha que consegue mesmo mentir para mim?

Q: Eu não estou mentindo! [começava a tremer]

Frannie se levantou e puxou a cadeira para mais perto dela. Percebeu o quanto a irmã caçula estava nervosa. Quinn desviou o olhar mais uma vez...

F: Olha pra mim... [pediu suavemente]

Q: Estou olhando! [tentou ser firme ao olhá-la novamente]

F: Por que você acha que precisa mentir para mim, Quinnie?

Q: Eu não... [sentiu um nó se formar na garganta] Eu não estou...

Quinn não queria chorar. Ela não queria! E só Deus sabia como ela estava se esforçando para se segurar. Mas foi mais forte do que ela...

F: Eu te amo! [disse firme] Nada é mais importante, nem ninguém é mais importante para mim do que você! Eu não voltei da Europa porque o papai me pediu tanto, ou porque a mamãe chorou quando eu disse que queria ficar por lá. Aceitei o apartamento para ser mais livre, mas a verdade é que eu nunca quis ficar por lá mesmo porque eu nunca quis ficar longe de você! [confessava]

As lágrimas silenciosas de Quinn ganhavam força e inundavam o rosto perfeito... Talvez ela imaginasse que um dia teria essa conversa com Russel ou Judy. Mas ela não queria tê-la com Frannie. De todos os medos que ela tinha, perder o amor da irmã talvez fosse o maior deles...

F: Quando eu soube que ia ganhar uma irmãzinha eu passei a noite toda em claro. Eu fiquei ansiosa. Muito ansiosa! Porque eu me perguntava o que eu deveria fazer para ser perfeita quando você chegasse. E eu tinha muito tempo para descobrir! Porque eu queria que você me amasse tanto quanto eu já amava a ideia de ter você em casa. [sorria se emocionando um pouco] Então quando você nasceu eu não quis sair de perto um minuto sequer. Mamãe precisou criar uma planilha de horários para que eu me aproximasse, porque eu não deixava você dormir...

Quinn sorriu... Apesar da tensão, ela conseguiu sorrir. Mas ainda tinha medo do rumo daquela conversa...

F: E eu sempre me senti muito orgulhosa quando diziam que você era uma miniatura de mim! E eu não me lembro de uma única vez em que me desapontei com você. Até hoje...

O sorriso de Quinn se desfez. Ela tinha certeza de que aquele era o momento que ela havia temido tanto! O momento em que seria descoberta e que passaria a sentir o gosto das perdas que viriam por conta disso...

Q: Eu não...

F: Não minta para mim! [disse firme] O meu desapontamento consiste em você tentar mentir para mim. Eu te amo! Você não tem motivo nenhum para mentir para mim!

Quinn apertava a mão esquerda. Ela estava perdida! Não sabia o que dizer. Frannie não estava perguntando mais sobre ela e Rachel, pois estava claro que ela tinha certeza sobre tudo. A dúvida era sobre a necessidade de Quinn em esconder dela. E aquilo era bem complicado de explicar...

F: Quinnie... [pôs a mão no ombro dela] Eu não vou te obrigar a falar o que você não quer falar. Eu só quero que você saiba que eu sei! Sei sobre você e Rachel.

Q: O que você sabe? [perguntou chorando]

F: Se eu disser você vai contestar? Vai tentar mentir para mim?

Q: Por que você está fazendo isso?

O choro de Quinn se tornou mais forte e Frannie recuou. Apenas por alguns segundos. Logo suas mãos encontraram o rosto da irmã, fazendo-a olhá-la em seus olhos:

F: Você gosta da Rachel mais do que como amiga e eu sei que é recíproco. Eu não estou vendo razão para você mentir para mim, nem para chorar. Eu te amo e sempre soube que um dia teríamos essa conversa...

Quinn a olhou confusa...

Q: Co... Como assim?

F: Eu não sei... Eu sentia. [respondeu tranquila] No seu modo de olhar para outras garotas. No seu modo de não olhar para os garotos. Na forma como você se importava mais em falar sobre a garota que queria roubar o Finn de você do que em como seu namoro ia. E em como a garota tinha longas pernas mesmo sendo tão irritantemente baixinha... Na forma como você falava do Puckerman... Garotos nunca te impressionaram!

Q: Como? [ficava ainda mais confusa]

F: A tal garota era a Rachel, por acaso?

Q: E... Era... Mas...

F: Está explicado! [piscou-lhe]

Q: Eu não entendo! [dizia agoniada] O que você quer dizer com isso? Que você sempre soube que...

F: Você é gay! [complementou]

Q: Eu não sou! [defendeu-se]

Frannie se levantou. O olhar de Quinn a seguiu e parecia pedir ajuda de alguma forma.

F: Por que você está negando algo que eu sempre soube? [Quinn não respondeu] Vamos fazer assim... [sentou-se novamente] Eu disse que não vou fazer você falar sobre o que não quiser. Mas eu vou te fazer perguntas e espero que você não se recuse a respondê-las.

Q: Não faça isso... [choramingou]

F: Você confia em mim?

Q: Não faz...

F: Quinnie... [chamou suavemente] Você confia em mim?

Q: Confio! [assentiu]

F: Você acha que eu seria capaz de te magoar?

Q: Não... [murmurou chorosa]

F: Então eu te peço para abrir seu coração comigo. Tudo o que eu quero é que você divida comigo essa inquietação que você sempre teve dentro de si e que agora se manifesta pelo que você sente pela Rachel. Eu estou aqui para te apoiar, meu amor! Eu sou sua irmã e sempre vou te proteger! [emocionava-se]

Quinn explodiu em um choro forte, impossível de conter. Frannie a tomou em seus braços e a abraçou, sentindo a força com que ela chorava e tremia!

F: Não chora... [pedia carinhosa] Não há razão para chorar...

Q: Eu me sinto tão pequena! Tão pequenininha! [chorava]

Quinn se separou do abraço e tentou enxugar as lágrimas. Ela se sentia exposta e aquilo a fragilizava mais do que ela gostaria...

Q: Não é justo! Não é justo que você saiba assim! Que pense que sabe! [corrigia]

F: Mas eu sei! [disse suavemente]

Q: Deveria ser uma escolha minha!

F: E você escolheria me contar?

Q: Eu não sei! [levou a mão esquerda aos olhos] Eu não sei!

Sem perceber, Quinn acabava de confessar o que tanto fez questão de esconder. Mas a consciência logo apareceu. Seus ombros relaxaram e a mão mudou de lugar. Quando seu olhar encarou o de Frannie novamente, ela sabia que não tinha mais como negar:

F: Você sabe que acabou de confessar, não sabe?!

Q: Não era... a minha intenção... [murmurou]

Quinn estava perplexa com sua grande falha. Ela poderia ter insistido na negativa, ter ido para o quarto, mas ela permaneceu ali e acabou caindo diante dos argumentos de Frannie... A loira fechou os olhos tentando entender como tinha sido tão incompetente. As lágrimas voltaram...

F: Já que esclarecemos tudo, posso fazer as perguntas? Porque estou muito curiosa!

Havia um tom sorridente na voz de Frannie e Quinn não pôde deixar de notar. Abriu os olhos confusa e deu de cara com o rosto alegre da irmã.

Q: Por que você está rindo?

F: Por que eu não sorriria, Quinnie?

Q: Eu não sei...

F: Então... Você gosta da Rachel mais do que como amiga, não é?!

Quinn se remexeu na cadeira. Ela estava muito desconfortável com aquilo, mas sabia que não podia escapar... Assentiu com a cabeça fazendo o sorriso de Frannie se expandir.

F: Ótimo! [vibrou] E ela sente o mesmo, não é?!

Quinn assentiu novamente...

F: Eu sabia que tinha motivos para gostar tanto dela de cara! [sorriu alegre]

Quinn estava incrivelmente corada. Ela não conseguia mais encarar a irmã...

F: Embora eu já soubesse disso e mesmo já imaginando muitas coisas, eu quero saber de você se as coisas são platônicas ou se vocês estão juntas.

A loira respirou fundo e voltou a encará-la. Quais opções ela tinha? Mentir e chatear Frannie? Recusar-se a falar? Como sair daquela situação? Ela estava encurralada, mas já não havia medo. Não tinha visto nenhum sinal de que a irmã ficaria contra ela. Talvez tivesse mesmo chegado a hora de se libertar de alguma forma. Ainda que fosse um pequeno grão de areia diante do todo, Frannie ali representava um universo de liberdade. Era difícil, mas ela precisava fazer:

Q: Estamos namorando... [murmurou]

Naquele momento, Quinn já não sabia mais o que esperar. Aprovação ou rejeição. Tudo era possível! Sua cabeça começou a dar voltas e a ideia de ser necessário se afastar de Rachel se fez presente. Aquilo a assustou. Ela sabia que talvez tivesse que desistir de tudo...

F: Estou orgulhosa de você!

O olhar de Frannie era sincero. Não havia qualquer resquício de inverdade naqueles olhos. O sorriso completava o que era dito...

F: Estou orgulhosa por você ser verdadeira com seus sentimentos. Com o que você realmente é!

Q: Orgulhosa? [perguntou confusa]

F: MUITO orgulhosa! [enfatizou]

Q: Não está desapontada? [perguntou temerosa]

F: De forma alguma! [sorriu carinhosa] Estou orgulhosa e profundamente feliz por você dividir isso comigo!

Tudo o que Frannie sentiu foi o corpo de Quinn se jogando sobre o dela. O abraço desajeitado pelo ombro ainda machucado não impediu que ela tentasse abraçar o mais forte que podia, deixando claro que não havia arrependimento por aquele momento de revelação...

F: Eu te amo, meu amor! Você é minha irmãzinha e eu sempre vou te amar acima de tudo!

Na casa dos Berry, Rachel tentava ser o mais discreta possível ao falar para os pais sobre seus sentimentos. Tentava:

R: E eu sou louca por ela como nunca fui pelo Finn... [dizia sincera] Por isso, eu tenho pensamentos que não tinha quando estava com ele... [disse constrangida]

L: Seja mais específica, filha! [pedia compreensivo]

R: Eu não sei como falar... [corou] Eu prefiro que vocês me expliquem tudo o que devo saber!

H: Não é assim que funciona, estrelinha! Você precisa dividir conosco suas angústias para que possamos ajudar!

R: Mas eu não sei como falar sobre desejo com vocês! [levou as mãos ao rosto] É constrangedor!

L: Estamos aqui para te ouvir...

Rachel respirou fundo e olhou para os pais. Havia um carinho imenso em seus olhares e ela concluiu que não precisava ter medo de expor seus sentimentos mais profundos:

R: Eu quero muito que ela me queira como eu a quero... [confessou]

L: E como você a quer?

R: Inteira! Tudo! [sorriu corada] Ao mesmo tempo em que nos acho jovens e acredito que precisamos de mais tempo de relacionamento, eu preciso que ela queira a mesma coisa! Eu quero que ela queira! [fechou os olhos] Esperar até os 25 anos me parece uma tortura agora que eu a namoro.

H: Filha... [Rachel abriu os olhos] Você acha que está preparada para perder a virgindade? E que deve ser com a Quinn?

R: Pais... [sorriu suavemente] Eu só quero por ser com ela... E não é só a virgindade em si, mas tudo o que envolve esse momento. Eu quero alcançar um nível maior de cumplicidade com ela. Porque é ela! Eu nunca... [lacrimejava] Nunca me senti tão segura como me sinto nos braços dela! [sorriu] Meu coração dispara quando a vejo. Com ela eu sinto coisas que senti com o Finn, mas também sinto coisas que não imaginava que sentiria...

L: Em que podemos te ajudar?

R: Eu preciso saber se vocês vão ficar bravos comigo se eu der um passo além com ela... [corou novamente]

L: Se ficarmos, você vai repensar?

R: Vou... [desanimou] Eu não quero fazer nada que vocês desaprovariam... Eu nem sei se ela pensa a mesma coisa. Ela é a presidente do Clube do Celibato. Não acho que sexo esteja entre os planos a curto prazo dela, apesar de às vezes parecer. Não sei... Mas eu me sinto entregue! Eu me sinto... Mas não vou me sentir bem ao fazer algo que vocês não aceitam!

H: Nós não vamos te dizer o que fazer.

L: Não vamos!

H: Mas, se a Quinn for a pessoa certa para você ter essa experiência, esperamos que vocês duas estejam seguras de que será na hora certa! Não tenha pressa para ir além se você não for capaz de enxergar o que virá depois.

R: Mas eu não sei o que fazer. Nem como fazer!

L: Vocês precisam conversar.

R: Mas eu não sei como iniciar essa conversa. Tenho medo de assustá-la!

L: Se você a assustar, significa que ela não está pronta. Ou melhor, que o relacionamento de vocês talvez não esteja pronto para chegar a esse nível.

R: Mas se estiver? Eu não sei como fazer as coisas!

H: Rachel Barbra Berry! [exclamou] Você não está esperando que nós... [pigarreou] Que a gente explique como é fazer sexo, está?!

R: Estou! [disse firme]

L: Filha, como seus pais, temos a obrigação de aconselhar. E é o que estamos tentando fazer. Teríamos uma lista imensa de coisas a dizer e de proibições, talvez, caso você estivesse falando sobre você e um rapaz. Mas, já que é o caso de você com outra garota, as preocupações são diferentes. Diremos que você precisa se sentir segura com ela. E pelo que disse já se sente...

R: Eu me sinto! [disse firme]

L: Então... [sorriu] A segurança é muito importante! Você precisa se preocupar também com a segurança dela. Ela precisa estar tão segura quanto você. É um momento muito importante! Um marco na vida de qualquer pessoa.

R: Mas e as coisas? Como funcionam?

H: Filha! Se você não percebeu, eu e seu pai não somos duas garotas! [sorriu] Por mais que falemos sobre o ato em si, vai ser muito diferente daquilo que conhecemos. Nenhuma descrição será tão real quanto a própria realidade!

L: Vocês vão aprender juntas! [completou] E será especial por isso. Por ser um momento entre vocês duas! Explicações, vídeos, fotos... Nada disso será igual ao que vocês viverão.

R: Mas ajudam?

L: Converse com a Quinn. Esclareçam as dúvidas juntas. E estaremos aqui para ajudar no que for preciso, dentro dos limites.

Quinn havia dormido razoavelmente bem. Teria conversado mais com Frannie, talvez... Mas a sonolência a abateu após tomar o remédio para dor. Rachel esperou por uma ligação que não veio. Temeu ligar e parecer inconveniente de alguma forma, afinal, Quinn ainda precisava de descanso e haviam passado horas juntas. Ainda era cedo para ser pegajosa?

Rachel mexia em seu armário a fim de pegar os livros para a primeira aula. A flor que Quinn havia lhe dado ainda estava lá e ela queria pegá-la e aspirá-la, como se assim fosse possível sentir a presença da namorada ali, mas Kurt estava ao lado tagarelando sobre qualquer coisa que ela não fazia a menor ideia do que se tratava...

O carro de Frannie parou em frente à escola e Quinn respirou fundo:

F: Tem certeza de que quer voltar às aulas hoje?

Q: Tenho!

F: Promete se cuidar?

Q: Prometo!

F: Se quiser, chame a Rachel para ir ao apartamento mais tarde. [sorriu]

Q: Eu... [corou] Eu pensei em ir à casa dela.

F: OK. Me ligue e eu busco você lá.

Q: Você poderia vir me buscar aqui e damos uma carona a ela?

F: Claro!

Q: Eu te ligo!

Quinn esperou que o carro da irmã se afastasse. Sentia-se bem naquele dia. Era bom ter a confiança de Frannie para se apoiar...

Rachel ouviu os murmúrios que logo se transformaram em palmas. Ao olhar a razão seu coração disparou. Quinn caminhava pelo corredor e era ovacionada pelos alunos. Uma mistura de felicidade e raiva se instalou no interior da morena. Como Quinn estava ali e nem sequer havia se dado ao trabalho de avisá-la? Elas eram namoradas afinal... O que custava uma simples mensagem avisando que ela a veria e que não deveria enfartar quando isso acontecesse?

B: Q! Que bom te ver! Você está inteira mesmo! [sorria animada]

Q: Obrigada, Britt! [aproximava do armário]

A ausência de um olhar fez Rachel bater a porta de seu armário com mais força do que devia, o que acabou chamando a atenção de Santana que acabava de se aproximar:

S: Nervosinha, Berry? [perguntou provocante] Triste porque sua bruxaria não funcionou por completo?

Rachel tentou ignorar. Ela precisava ignorar e se moveu para sair quando sentiu um empurrão forte:

S: Eu falei com você! Não me ignore! [irritou-se]

Não era a primeira vez que ela era empurrada contra armários de ferro, mas era muito melhor quando a autora do empurrão era Quinn Fabray, contemplando-a em seguida com beijos e amassos. Naquele caso, era só dor mesmo. Rachel fechou os olhos levando a mão à parte de trás da cabeça, onde surgiu a dor pela pancada. Ouviu um novo estrondo e abriu os olhos assustada. Quinn estava com o braço esquerdo segurando com força o ombro direito de Santana. A latina estava assustada. Não esperava que a loira a empurraria tal qual ela fez com a Berry segundos antes:

Q: Não seja infantil! [disse firme] Rachel não fez bruxaria nenhuma! Ela tentou me ajudar, você que não deixou. Deixe-a em paz!

S: Que palhaçada é essa, Fabray? Desde quando você defende a Berry?

Não era a primeira vez que Quinn defendia Rachel, e mais uma vez não havia pensado direito. Seu instinto falou mais alto para proteger a namorada. Ela sabia que aquele ato teria seu preço...

Q: Digamos que a queda me deu uma nova perspectiva das coisas... [surpreendeu-se com a própria capacidade de dissimular] Escolha outro alvo! Deixe a Rachel em paz! [ordenou]

Rachel não podia acreditar naquilo. Ela sequer conseguia entender onde Quinn pretendia chegar com aquele ato. Mas era bom, não era?! Tinha que ser... Os olhos verdes da loira cruzaram com os dela, mas antes que qualquer significado fosse compreendido, o sinal tocou, fazendo com que Kurt a puxasse para a aula:

K: Venha e não abuse da sorte!

Durante toda a manhã, Quinn não conseguiu assistir a nenhuma aula. Sue Sylvester a deteve por horas, reunindo Cheerios e jogadores a fim de avisá-los que deveriam facilitar a vida da loira enquanto ela estivesse em recuperação. Quinn tentou argumentar que não seria necessário, mas as ordens para que não permitissem que ela pegasse peso, ou se chateasse com qualquer coisa foram dadas de forma vigorosa. Todos eles deveriam estar à disposição dela e Santana não estava gostando daquela posição de submissão forçada...

N: Estou feliz por você estar de volta! [passou a caminhar ao lado dela]

Q: Obrigada, Noah! [sorriu sincera] Eu preciso de um favor seu.

N: Qualquer coisa!

Q: Eu gostaria... [olhou ao redor para ver se havia alguém ouvindo] Eu gostaria que você levasse a Rachel ao banheiro do auditório.

N: Quando?

Q: Agora!

N: É uma surpresa?

Q: Não. Pode dizer que eu estarei esperando por ela.

N: Certo.

A morena acabava de sair do refeitório frustrada. Havia procurado Quinn com o olhar por todo o espaço e nem sinal dela.

N: Querida namorada! [aproximava-se] Vamos passear comigo!

R: Passear? [estranhou] Eu preciso me preparar para a próxima aula, Noah!

N: Não... Precisamos ir ao banheiro do auditório... [sussurrou malicioso]

R: Noah... [respirou fundo] Nosso namoro é fake. Eu não vou a um banheiro com você!

N: Nem se a Quinn estiver lá? [piscou-lhe]

R: O quê?

N: Sou apenas o mensageiro e seu segurança particular...

R: O que ela quer comigo? [questionou duramente]

N: Sei que não preciso responder...

R: Eu não vou!

Puck até poderia acreditar nas palavras da morena se os passos dela não dissessem o contrário. Para quem havia dito que não ia, ela até que chegou muito rápido ao destino... Quando a porta do banheiro se abriu o sorriso de Quinn se expandiu tão logo a figura da morena baixinha se fez presente.

R: Você queria falar comigo? [perguntou fria]

Q: Você está chateada comigo? [perguntou confusa]

R: Não deveria estar? Às vezes penso que você não sabe namorar, Quinn! Porque o normal seria você avisar à sua namorada que iria sair do seu repouso para voltar às aulas, e não deixá-la descobrir isso junto com todas as outras pessoas! Eu estive com você ontem por horas e você não me disse que voltaria hoje.

Q: Eu não iria voltar hoje, mas decidi te fazer uma surpresa. É uma pena que eu não possa querer te surpreender...

R: Surpresa? [seu tom era de incredulidade]

Q: É! Surpresa...

R: Ainda é difícil distinguir as coisas que você faz... [disse desanimada]

Quinn se aproximou até que seus corpos estivessem juntos, abraçou-a pela cintura com o braço esquerdo e a beijou no nariz:

Q: Eu até te defendi da Santana!

R: Você estaria solteira a essa hora se não tivesse feito algo... [tentou permanecer chateada, mas já estava amolecendo]

Q: Ainda bem que fiz... [passou a beijá-la no pescoço]

R: Hum hum... [estava completamente entregue]

Quinn não queria apressar os carinhos. Não queria que se tornasse algo mais quente. Não ali. Ela queria sentir a presença de sua garota e dar a ela um pouco de noção do que a fazia sentir...

Q: Eu voltei hoje porque precisava estar perto de você... [confessou em seu ouvido] E pra dizer pessoalmente que a Frannie sabe sobre a gente.

R: O quê? [afastou-se para olhá-la] Ela sabe? [Quinn assentiu] Você está bem? Está tudo bem? O que aconteceu?

Quinn não respondeu. Não naquele minuto. Ela preferiu tomar os lábios carnudos para si e dedicar toda sua atenção a eles e à língua deliciosa de Rachel Berry. A morena não teve outra opção além de se deixar levar e ampliar seus pensamentos quentes sobre se entregar à Quinn Fabray...

Q: Significa... [dizia entre beijos] Entre outras coisas... [mais beijo] Que temos outro refúgio seguro...

E os pensamentos dominaram a mente da morena. Quinn não fazia ideia do que a aguardava...

[CONTINUA...]

Notas finais
Quero agradecer imensamente pelos comentários deixados nos últimos capítulos! Vocês são demais! Então... Frannie sendo a irmã ideal! :-) Veremos alguns flashbacks e Rachel sendo Rachel! ;-) Espero que gostem e que comentem! Beijos!