Mais Que Um Segredo...

5 Capítulo 5 - O terceiro beijo para sempre...


Q: Onde você estava?

R: Conversando... [respirou fundo] Com o Noah...

Quinn afastou-se um pouco para olhá-la. Sua curiosidade aguçou de repente. Ela queria saber a explicação dada por ele por ter dito que estava envolvido com a morena...

Q: O que ele disse?

R: Quinn... [respirou fundo] Ele sabe sobre a gente...

“Ele sabe sobre a gente...”

Ouvir aquilo ativou todos os sensores de alerta de Quinn. Como se tivesse levado um choque, a loira se afastou de Rachel e a olhou assustada:

Q: Como assim “ele sabe sobre a gente”?

R: Ele sabe que estamos... [parou um pouco para pensar na palavra correta que poderia defini-las] Envolvidas!

Q: O que você disse a ele? Você contou a ele? [perguntava agoniada]

R: Não! Claro que não! [defendeu-se ofendida] Eu prometi não contar a ninguém. Eu dei minha palavra! Como você pode me perguntar isso? [irritou-se]

Q: Desculpe... [disse constrangida] Mas... Como ele sabe?

R: Ele nos viu no auditório...

Q: E por que você não negou?

R: Quinn! Eu acabei de dizer que ele nos viu. Negar o quê? [perguntou irritada]

Q: Oh Deus! [levou as mãos à cabeça] Isso não poderia acontecer. Ninguém poderia saber! Oh meu Deus!

Se um coração partido realmente fizesse ruído ao se quebrar, o som do de Rachel teria ecoado por aquele banheiro. Ela se sentia como o “segredinho sujo de Quinn Fabray” e aquela sensação a fez se lembrar dos dias ruins em que precisou tentar decifrar sua consciência, seus sentimentos... Em que precisou tentar decifrar o que Quinn estava fazendo com ela até que tudo se tornasse o que era hoje...

[FLASHBACK ON]

Depois do beijo no auditório Quinn e Rachel tiveram uma noite difícil. Cada uma em sua casa, chorando compulsivamente sob o edredom. Nenhuma delas entendia o que estava acontecendo. Na mente de Quinn era tudo muito assustador! Ela sabia que não podia ter um relacionamento com a morena, que sua família nunca aceitaria e que ela nunca conseguiria lidar com o preconceito das pessoas. Isso era um fato sobre o qual não pairava qualquer dúvida. Mas ela mesma seria capaz de ter um relacionamento com uma garota? Rachel aceitaria ter um relacionamento com ela? Oh céus! Ela estava ficando louca! Levantou-se e foi ao banheiro lavar o rosto. Seu reflexo no espelho era lastimável: olhos inchados de tanto chorar, pele vermelha...

Q: Gay... [murmurou] Não pode ser... [voltou a chorar]

Era tudo o que Quinn via em seu reflexo. Não havia outra explicação para toda aquela atração, todo aquele desejo que sentia por Rachel. Ela sabia! Sabia o que aquilo significava e, por mais que tentasse encontrar outra razão, sabia que não havia... Olhava-se fixamente e por um segundo ela se odiou. Odiou-se por não se controlar, por ter beijado uma garota, por sentir o que sentia... Ela não podia ter sucumbido àquele sentimento e, no entanto, deixou-se levar completamente. Foi um deslize, uma falha imperdoável! Foi a melhor coisa que ela fez na vida...

Q: NÃO! [gritou consigo] Eu não serei gay! Não!

Olhava-se com firmeza, impondo uma autoridade sobre si que temia fraquejar. Ela era uma Fabray e Fabrays não poderiam ser gays. Era como se ela ouvisse a voz de seu pai dizendo isso no jantar... Ela precisaria ser forte. Ela precisava se afastar completamente de Rachel...

Q: Eu vou conseguir! Tudo vai ser como antes... [respirava fundo]

Ela precisava acreditar naquilo...

Enquanto isso, no quarto de Rachel, a morena se lamentava por tê-la beijado. Ela sabia que aquele impulso poderia ter sido evitado. Ela sabia... Mas ela queria tanto aquele beijo que não dava para esperar! Só que naquele dia, a sensação era diferente. Por mais que depois do primeiro beijo tudo tenha sido incrivelmente confuso, ali, depois do segundo, a confusão era dolorosa. Ela não entendia o que se passava na cabeça de Quinn e estava se sentindo um clichê ridículo. Filha de pais gays, ela havia beijado uma garota... Era como se estivesse dando razão a todos os preconceituosos que julgaram seus pais como incapazes de criá-la, ao dizerem que ela estaria fadada a se envolver com uma mulher quando crescesse. Aquilo sempre havia soado absurdo, e era! Desde criança ela sempre soube que deveria respeitar a todos e que poderia ser livre para amar quem seu coração escolhesse, independente do gênero. Ela não estava condicionada a ser hetero nem gay. Ela foi criada para ser humana e amar. Ponto final. Mas, mesmo assim, ela se sentia um clichê. Só que sequer sabia o que sentia por Quinn. É claro que admirava sua beleza e charme, toda aquela imponência que a cheerio apresentava enquanto andava. Inteligente, linda, misteriosa... Ok! Ela poderia mesmo se sentir atraída, mas tudo se potencializou quando a loira a beijou. Por que ela a beijaria? Por que justamente ela? Será que ela nunca teria a resposta para essas dúvidas? Por que Quinn não queria conversar?

Ela não teria aquela resposta naquela noite. Ela não teria... Ela dormiu de tanto chorar...

No dia seguinte, nenhuma das duas queria ir à aula, mas não tinham boas desculpas para faltar. Evitar aquele dia não resolveria o problema de todos os outros posteriores... Rachel se arrependeu amargamente de ter saído de casa assim que viu Quinn entrar pelo corredor da escola. A morena poderia facilmente chamar aquele lugar de Pólo Norte, porque nunca o sentiu tão frio como naquele dia. A loira passou por ela sem sequer demonstrar qualquer sinal de que a enxergava. Ela estava mais fria do que sempre foi... E foi assim pelos dias que vieram depois... Era como se Quinn não a conhecesse, como se nunca tivessem se falado antes na vida. Rachel havia se tornado invisível. Não era sequer alvo de seus insultos ou de seu olhar de reprovação. Não havia raspadinhas, não havia piada de mau gosto, não havia nada... E aquilo era muito pior do que ela pensava... A indiferença de Quinn lhe doía e era a causa de seu choro todas as noites. A loira não estava sendo má, estava apenas usando a única forma que conhecia para se proteger do que sentia. Mas Rachel não aguentaria por muito tempo...

A morena sabia da rotina de Quinn. Sabia que a loira estava correndo no campo sozinha. Sabia que ela gostava de ter o vestiário inteiro só para ela...

Quinn virava o corredor à direita, com as mãos nos bolsos do casaco de moletom. Não havia ninguém em seu caminho, então não precisava fingir. Sua postura era mais relaxada, sem precisar se impor. Olhava o chão distraidamente quando sua visão periférica captou o sapato preto de verniz que ela já conhecia. Seu olhar deslizou pelas pernas infinitas donas daquele sapato, passando pela saia plissada xadrez e a blusa preta... A loira estremeceu. Por vários motivos... Rachel estava encostada à parede, logo ao lado da porta do vestiário. Quando seus olhos cruzaram com os de Quinn a loira desviou o olhar, tentando ignorar a presença da morena. Retirou a chave do cordão em seu pescoço e se colocou a abrir a porta...

Rachel limpou a garganta e tomou coragem para falar:

R: Precisamos conversar!

Q: Sobre o quê? [tentou não dar importância]

R: Sobre o quê? [perguntou incrédula] Como sobre o quê? Sobre você me beij...

A morena não conseguiu terminar a frase. A mão de Quinn tapou sua boca com rapidez. Havia raiva nos olhos da loira. Ela não permitiria que Rachel terminasse de falar aquilo ali no corredor, mesmo que não houvesse ninguém para escutar. Abriu a porta e deu passagem a ela, fechando à chave logo em seguida:

Q: Por que tanta obsessão por uma porcaria de um beijo? [perguntou ríspida]

R: Dois, na verdade! [revidou com a mesma rispidez]

Não... Quinn não achava que beijar Rachel era uma porcaria. Estava muito longe disso! Mas ela precisava diminuir a importância de algo que a estava levando à loucura...

Q: Que seja!

A loira se afastou, retirando o casaco do moletom. Fingia que estava fazendo algo muito natural, que aquela conversa não lhe afetava. Mas era exatamente o contrário... Rachel caminhou alguns passos e se forçou a não olhar para Quinn por um momento. Vê-la com o top esportivo não ajudaria muito...

R: Eu só queria entender... [sussurrou fragilizada enquanto se sentava no banco]

Quinn a olhou imediatamente. Ela não queria magoá-la e era o que estava fazendo. Não tinha coragem de falar...

R: Eu queria muito entender! [disse mais alto] Porque você não pode fazer isso! Você não pode simplesmente me beijar de repente e depois se recusar a falar sobre o assunto. [começava a chorar] Você não pode, Quinn! Agora você me trata como se nem me conhecesse. Você passa por mim e faz com que eu me sinta invisível. Mas você me beijou e eu te beijei... [tentava parar de chorar, mas não conseguia] Isso precisa ser conversado. Precisa de uma explicação.

O coração da loira estava acelerado. Ela não queria ter aquela conversa. Ela não queria ver Rachel chorando. Ela queria muito abraçá-la. Mas ela não queria fraquejar... A morena enxugava as lágrimas, tentando parar definitivamente de chorar. Respirou fundo e buscou o olhar de Quinn, na esperança de que ela pudesse falar alguma coisa, mas não... Nada saiu de sua boca.

R: Você não vai falar nada?

Q: Eu...

Ela era mais covarde do que pensava... Respirou fundo e assumiu uma postura que em nada condizia com o que sentia de verdade...

Q: Eu não sei o que você quer ouvir...

R: Eu não quero que você fale o que eu quero ouvir. Eu quero que você fale o que sente. Que me explique o que significa isso tudo!

Q: Eu não tenho que te dizer nada! [virou-se para abrir o armário]

Rachel começava a ficar furiosa. Quinn não apenas se negava a falar como fazia pouco caso do que estava acontecendo. Não. Ela não podia fazer aquilo. Rachel havia passado noites em claro, chorando por ser ignorada por ela. Chorando pela confusão de sentimentos que ela provocou. Não! Quinn Fabray não ia fazer aquilo tudo ser em vão...

R: Olha pra mim enquanto eu falo com você! [disse irritada enquanto se levantava]

Ninguém falava com Quinn daquela maneira. Ninguém! A loira virou o rosto surpresa e a olhou como ordenado:

R: Você não vai me tratar assim! Eu não vou permitir que você me trate assim! [apontou o dedo para ela] Você quer que eu enlouqueça? Está perdendo seu tempo porque eu não vou deixar você me enlouquecer. Eu não vou enlouquecer por sua causa! [disse extremamente irritada] Essa não é a primeira vez que me coloco à disposição para conversar com você e, no entanto, só recebo a sua recusa. Você acha que ignorar vai fazer o que você sente desaparecer? Você acha, Quinn? Eu posso te garantir que não! Você até pode me ignorar no corredor, pode não querer falar comigo e nem responder a nenhuma das minhas perguntas, mas eu sei que você gosta de mim! [disse segura] O jeito que você me beijou... O jeito que você me segurou... [fechou os olhos por alguns breves segundos, recuperando a respiração] Eu não sou nenhuma idiota! E eu sei que de alguma maneira você gosta de mim! [afirmou convicta] E você deve estar se odiando por isso, porque nunca pensou em gostar de uma garota. E deve ser pior por essa garota ser eu... Mas eu te garanto que ignorar isso não vai fazer o que você sente ir embora! Não vai! Não vai! [disse exaltada]

Quinn estava perplexa. Como Rachel tinha coragem de falar aquilo tudo? Como ela pôde dissecar tão bem como ela se sente? A morena estava surpresa com sua própria capacidade em dizer aquelas coisas. Ela não sabia que teria essa coragem... Elas não saberiam dizer quanto tempo durou a troca de olhares intensa que travaram. Nenhuma palavra saía da boca de Quinn. Nada... Rachel deu um passo para trás. Seu olhar para a loira foi de total decepção...

R: Eu esperava mais de você... [sussurrou frustrada] Nunca mais toque em mim! [disse firme] Continue agindo dessa forma que tem agido. Passe por mim direto. Não me olhe, não fale comigo. Mande jogarem raspadinhas em mim, ou não mande. Isso é problema seu. Só não se aproxime de mim! [disse decepcionada] Nunca mais você vai ter a chance de me beijar de novo. Nunca mais você vai fazer isso! Eu não quero que você me beije! Eu não quero você perto de mim... [afastou-se para ir embora] Eu nunca contarei para ninguém. Não se preocupe...

Tudo o que Rachel disse que não queria era pura mentira. Ela queria Quinn perto. Ela queria Quinn olhando para ela. Ela queria Quinn a tocando. Mas ela não queria a dúvida, a incerteza. Ela não queria...

Quinn não acreditava no que estava ouvindo. Sentiu seu estômago embrulhar ao ouvir Rachel dizer que a queria longe. Aquilo não podia ser real. Não podia!

Tudo o que Rachel sentiu foi o puxão em seu braço e seu corpo ser atirado contra os armários de metal. Já não havia dor na mão direita de Quinn. Não mais! Já não havia inércia. Ela tinha que agir. Não havia outra opção...

A morena a olhou assustada. Ela não esperava aquela reação. Quinn iria bater nela?

Q: Você não vai me dizer o que eu posso ou não fazer! [disse ríspida]

A respiração quente de Quinn batia no rosto de Rachel e aquilo era... Aquilo era... Bom demais! A respiração da morena passou de normal para prejudicada. Ela já não sabia como se sentir diante da abordagem da loira...

R: A boca... Ela é minha... [tentava se manter firme, mas a voz saía falha] Eu decido quem pode me beijar... E você não pode... Não mais... [disse quase sem voz]

Q: Isso não é verdade... [disse insegura]

R: É... [murmurou]

Q: Não...

R: Fique... fique... longe de mim...

Rachel tentava parecer convincente, mas sua voz não combinava com suas palavras. Ela estava amolecendo diante de Quinn...

Q: Fico se eu quiser! [disse firme]

R: Não seja mimada! [tentou se mover, mas a loira a impediu]

Q: Fique quieta um instante... [disse calma]

A morena a obedeceu. Ficou quieta. Precisava saber o que a loira queria. Esperou que ela dissesse alguma coisa, mas nada foi dito de imediato. Quinn a olhava de uma maneira que ninguém nunca a havia olhado. Era uma forma nova de ser vista, de certa forma admirada, e ela queria que aqueles olhos claros continuassem a olhando daquela maneira...

Q: Por que você faz tanta questão de conversar? Por que palavras são tão importantes?

Ok... Era um pouco difícil raciocinar quando a voz de Quinn se misturava ao calor de seu hálito batendo no rosto de Rachel. A morena estava tentando ser forte e ignorar a profusão de sensações que aquilo lhe causava, mas era uma tarefa quase impossível...

R: Porque... [fechou os olhos tentando fugir da intensidade do olhar da loira] Porque é assim que as pessoas se entendem...

Q: Não é a única maneira de fazer isso... [disse com a voz extremamente calma]

R: É a que eu sei...

Q: É a que eu não sei...

Rachel abriu os olhos novamente e se deparou com o olhar inseguro de Quinn:

Q: Você quer que eu fique longe de você de verdade?

Claro que não! Claro que a morena não queria aquilo, mas que escolha ela tinha diante de uma Quinn completamente confusa?

R: Isso só depende de você...

As mãos de Quinn estavam apoiadas nos armários, na altura dos ombros de Rachel. A morena as viu sair dali. Não imaginava que o destino delas seria sua cintura. Mas foi. A loira a puxou para mais perto e cravou o olhar em seus olhos castanhos.

Q: Eu não quero falar sobre o que isso significa.

R: Só admita que significa alguma coisa...

Quinn não precisava falar que significava. Suas ações falariam por si... Rachel sentiu os lábios da loira roçarem os seus e a sensação que aquilo lhe causava era inexplicável. Ela não esperou que Quinn se responsabilizasse por tudo. Levou as mãos ao pescoço dela e a puxou pela nuca. Era o terceiro beijo delas, mas o primeiro onde as vontades se dividiam. O primeiro em que as duas estavam conscientes do que estava acontecendo...

Rachel se encaixava perfeitamente em seus braços e Quinn não podia deixar de apreciar aquilo. Algo tão bom não poderia ser ruim... A língua da loira logo invadiu a boca da morena e o encaixe se tornou ainda mais perfeito. A mão direita de Rachel deslizou pelo ombro de Quinn, continuando a deslizar até suas costas. A morena gemeu durante o beijo ao sentir a pele exposta da loira. Ela estava quente... Ela era macia como nada no mundo poderia ser...

A mente de Quinn não se permitiu pensar em mais nada além da maciez dos lábios de Rachel. Naturalmente, as mãos da loira mergulharam sob a blusa da morena. Nada muito avançado, mas o suficiente para sentir a pele dela em seus dedos. Quinn cortou o beijo devagar e sentiu o toque delicado dos dedos de Rachel em sua nuca, como se desenhasse círculos aleatórios em sua pele... O medo de que ela se afastasse abruptamente estava ali, mas ela não se afastou. Encostou a testa na da morena, que fechou os olhos com esse gesto, sentindo a fragilidade da loira se materializar ali, diante dela...

Q: Isso é assustador... [murmurou com a voz quebrada]

Rachel se moveu de modo a abraçá-la por completo. Sentiu o corpo de Quinn estremecer ao seu toque.

R: Você vai fugir de mim? [perguntou insegura]

Q: E adiantaria fugir disso? [perguntou no mesmo tom]

R: Receio que não...

Quinn se afastou um pouco para olhá-la. Rachel era corajosa demais para insistir em entender aquilo. Talvez fugir não fosse mesmo a saída mais inteligente...

Q: Eu não sei falar sobre algo que eu não entendo...

R: Eu também estou confusa, Quinn...

Q: Eu não... Eu não... [não conseguia prosseguir falando]

R: Que tal irmos entendendo aos poucos? Mas, para isso, você não pode fugir de mim. Não pode fugir disso...

Quinn apenas assentiu com a cabeça, recolhendo-se ao silêncio de quem não conseguia dizer mais nada... Sentiu a mão de Rachel em seus cabelos, arrumando alguns fios que haviam se soltado de seu apertado rabo-de-cavalo.

R: Vamos acabar entendendo... [sorriu suavemente]

Foi o suficiente para Quinn a beijar novamente...

[FLASHBACK OFF]

Quinn saía em disparada pelos corredores, à procura de Noah Puckerman. Logo o avistou saindo do refeitório e o puxou pela gola da camisa direto para uma sala de aula vazia:

Q: Para quem você já contou? [perguntou nervosa]

N: Hey! Calma! Do que você está falando? [soltava-se do aperto da loira]

Q: Não se faça de idiota que você sabe muito bem do que eu estou falando! [avançava sobre ele]

N: Eu não contei a ninguém, tá legal?! [ergueu as mãos em sinal de rendição] Nunca tive a intenção de contar! [garantia]

Quinn levou as mãos novamente à cabeça e passou a andar de um lado para outro:

Q: Isso não poderia estar acontecendo... [murmurava nervosa] Não era pra ser assim...

N: Do que você está falando?

Q: Ninguém poderia saber! Isso não era pra ser do conhecimento de ninguém! [disse irritada]

N: Qual o problema?

Q: Qual o problema? Como assim “qual o problema”? [perguntou extremamente irritada] Eu não vou nem responder a essa pergunta idiota!

N: Esqueça que eu sei que você está namorando a Rachel e pronto!

Q: Não estamos namorando! [disse bruscamente]

N: Não? [perguntou confuso] E o que você está esperando para namorá-la?

Q: Isso não é da sua conta!

N: Quinn... Fique calma. Vamos conversar normalmente.

Q: Cale a boca! [disse ríspida]

N: Já que você não a namora, não vai se importar se eu for o namorado dela, não é?!

Puck sabia que tinha que fazer algo para provocá-la. Ele precisava saber quais as verdadeiras intenções de Quinn com sua princesa judia. Ele sabia que a loira não o queria mais. Já fazia um bom tempo que eles não ficavam. E desde que descobriu sobre ela e Rachel, ele pôde entender porque não deu certo entre eles... Sentiu o empurrão da loira o jogando contra a parede. O joelho dela se encaixou entre as pernas dele, imobilizando-o ali. Ela pôs o braço sobre a garganta dele e foi possível ver fogo em seus olhos claros:

Q: Não ouse tocá-la! [sua voz era ameaçadora] Não ouse tocá-la! [repetiu furiosa]

N: Espera... [tentava respirar] Me larga, Quinn!

Q: Você não vai namorá-la! [disse autoritária enquanto o soltava] Ela não está disponível!

Ele levou as mãos ao pescoço, tentando diminuir a dor causada pela fúria da loira ciumenta.

N: Mas você disse que vocês não estão namorando...

Q: Isso não tem nada a ver! Ela não está disponível!

N: Por quê?

Q: Porque ela está comigo! [disse firme]

O sorriso de satisfação que apareceu no rosto dele a fez levar as mãos à boca. Ela não conseguiu se conter...

N: Eu não estou a fim da Rachel, se é isso que está preocupando você... [aproximou-se de uma cadeira e a puxou, sentando-se tranquilamente] Você pode não chamar isso que vocês têm de namoro, mas acaba de admitir que ela está com você. Então é coisa séria, não um simples beijo dado de repente... Isso é o suficiente para entender sua explosão...

Q: Noah, você não...

N: Não vou contar a ninguém! [garantiu] Eu não tenho esse direito, Quinn! Eu não vou brincar com a sua vida! Nem com a da Rachel... Ela veio me questionar sobre o porquê de ter dito a todo mundo que eu estou com ela e eu lhe dou a mesma resposta: eu quero proteger vocês!

Q: A troco de quê?

N: Eu não preciso de nenhuma vantagem sobre isso. Nós tivemos nossa história, Quinn. Eu quero que você seja feliz. Se o Finn sonhar que a Rachel está envolvida com alguém que ele não sabe quem é, ele vai virar o mundo do avesso até descobrir. E se ele souber que é você, eu não preciso nem dizer o que pode acontecer. Ou preciso?

Q: Não... [murmurou enquanto se sentava também]

N: Então se essa pessoa com quem ela está for eu, ele vai sossegar...

Q: O que você ganha com isso?

N: O que eu perco com isso?

Ela o olhou desconfiada...

Q: Não há nenhum interesse seu sobre ela?

N: Nenhum... [garantiu]

Q: Você não pode tocar nela! [apontou o dedo autoritária] Não haverá beijo nesse namoro fake de vocês! Você está entendendo?

N: Sim... [sorriu] Eu estou entendendo!

A loira apoiou os cotovelos nas pernas e levou as mãos aos cabelos. Respirou fundo...

N: Eu imagino que deve ser muito difícil para você lidar com isso. Eu não vou te pressionar a conversar comigo. Mas saiba que estou aqui caso queira um dia se abrir com alguém que não seja a Rachel...

Q: Obrigada... [murmurou fracamente]

Quinn caminhava de volta ao banheiro onde deixou Rachel mais cedo e o encontrou vazio. Claro que a morena não estaria mais lá, principalmente depois de ver a loira saindo desesperada porta afora. Quinn a procurou em todos os lugares possíveis e imagináveis. Concluiu que ela havia ido para casa. Tirou o celular da bolsa. Pensou em ligá-la, mas desistiu. Pegou o carro e seguiu em direção à casa da morena. Parou um pouco distante, não queria que ninguém passasse e visse seu carro parado em frente à casa dos Berry. Observou ao redor e não viu ninguém conhecido. A garagem da casa estava fechada, então ela não tinha como saber se os pais de Rachel estavam por lá. Parou em frente à porta e se perguntou se deveria arriscar. Depois de respirar fundo algumas vezes tocou a campainha. Se algum dos pais da morena abrisse a porta ela teria que lidar com aquilo e inventar alguma desculpa... Mas foi Rachel quem apareceu à sua frente. Vestida numa blusa azul comprida que deixava seu ombro à mostra e calça de moletom cinza. Cabelos presos num rabo-de-cavalo despojado. Ela estava linda e Quinn precisou se controlar para não avançar sobre ela... Havia apenas alguns minutos que ela tinha chegado em casa. Ficou surpresa com a rapidez com que Quinn chegou ali.

Q: Seus pais estão?

R: Não... [encostou-se ao vão da porta e cruzou os braços]

A loira percebeu a chateação no semblante da morena. Era bem óbvio que ela iria se chatear diante de sua reação quando soube que Puck sabia sobre elas...

Q: Posso entrar? [perguntou constrangida]

R: Tudo bem... [virou as costas para ela seguindo em direção à sala]

Rachel ouviu o barulho da porta se fechando atrás delas e o corpo de Quinn agarrar-se ao dela:

Q: Me desculpe! [beijava o ombro da morena] Por favor, me desculpe... [subia os beijos pelo pescoço]

Não tinha como não se derreter com o calor do corpo de Quinn em suas costas. O jeito como a loira a agarrava pela cintura já demonstrava a possessividade que tinha se tornado delas...

R: Você me deixou sozinha naquele banheiro. Saiu de lá voando como se estar comigo fosse a pior coisa do mundo! [reclamou magoada]

Q: Ei... [virou-a para encará-la] Não é nada disso! [levou a mão ao rosto dela, acariciando sua bochecha] Não é nada disso! [puxou-a para um beijo]

Era um beijo carinhoso. Mais do que uma expressão de seus desejos, era um beijo que mais falava do carinho do que da paixão... Quinn puxou Rachel para si, colando seus corpos completamente. A morena rodeou o pescoço da loira com os braços, entregando-se àquele beijo tão sincero e necessário... Ela poderia reclamar e iniciar uma discussão ali. Ela poderia... Ainda estava chateada, mas ela preferia ser beijada a brigar... Sentiu os beijos de Quinn desviarem para seu pescoço...

R: Vamos subir!

[CONTINUA...]

Notas finais
Peço desculpas por ter demorado a atualizar. Quero deixar claro que não estou abandonando nenhuma das fics, mas é que além da correria do meu dia-a-dia, preciso de inspiração para escrever os capítulos e às vezes trava de verdade. Apesar de saber o que quero escrever, colocar no "papel" não é tão simples assim... :-( Espero que entendam... Tenho me esforçado e vou continuar me esforçando para tentar manter um ritmo constante de postagens semanais. Quero agradecer às mensagens e recomendações maravilhosas de vocês!