Mais Que Um Segredo...

30 Capítulo 30 - Precipícios...


Rachel estava estranhamente silenciosa e Hiram não pôde deixar de notar. Desde que chegou ao hospital tudo o que ela fez foi conversar um pouco com um sonolento Leroy e sentar no sofá do quarto folheando uma revista que sequer lia:

H: Quer falar sobre o que está na sua cabeça?

R: Sinceramente? Não... [disse desanimada]

Ouvir a pergunta de seu pai não foi nenhuma surpresa para a morena. Ela sabia que ele perceberia que não estava tudo bem. Era questão de tempo até ele perguntar. Como sempre, ele esperava que ela se manifestasse espontaneamente e como viu que ela não o faria nem tão cedo, resolveu que perguntar seria a melhor opção...

H: Arrisco-me a dizer que você vai se sentir melhor se conversar comigo...

R: Não sei se tem como eu me sentir melhor. Eu acho que fiz besteira!

H: Tente...

R: Ok... [largou a revista de lado] Eu acho que estou deixando a Quinn mais insegura do que ela é.

H: Em que aspecto?

R: Eu acho que a minha insistência em querer que ela torne nosso relacionamento público a faz pensar que eu posso deixá-la a qualquer momento. Que ela não é o suficiente para mim...

H: E você a culpa por pensar assim?

R: Eu... [olhou-o desanimada] Eu só não consigo achar que seria tão grave assim. O pai dela foi maravilhoso conosco. Isso ela não pode negar. E isso indica muito sobre o tipo de pessoa que ele é. Alguma coisa me diz que ele não viraria as costas para ela caso soubesse sobre nós.

H: Você não sabe disso, filha...

R: Mas eu sinto!

H: Isso não basta! Você não sabe o que se passa na casa das outras famílias. Não pode pensar que a sua realidade é como as outras. Se a Quinn diz que não pode conversar com os pais sobre isso, você tem que respeitar. E mesmo que eles não sejam tão preconceituosos como parecem ser, você precisa respeitar o fato de ela não se sentir confortável em contar.

R: É como se ela tivesse vergonha...

H: De você?

R: De si mesma.

H: Talvez tenha...

R: Isso não é bom, papai!

H: Não... Não é... Mas a gente nem sempre consegue controlar o que sente. De alguma forma pode ser difícil para ela ser alguém que nunca quis ser. Ser o tipo de pessoa que os pais dela abominam.

R: A gente não sabe se eles abominam mesmo...

H: Não duvide dela, filha. Não duvide dos discursos homofóbicos de Russel Fabray.

R: Ele nunca mais fez discursos do tipo. Talvez ele tenha mudado de ideia...

Hiram sorriu suavemente. Ele via a inocência da filha diante de si e tinha medo do quanto ela poderia se magoar por causa disso:

H: Confie na Quinn... E não a force a fazer nada que ela não queira.

R: OK... [disse desanimada] Eu só queria saber quanto tempo mais eu terei que me esconder. Quanto tempo mais eu precisarei ficar trancada em casa para tê-la comigo?

H: O tempo é irrelevante quando a gente ama... Se você a ama, estar com ela já deve valer a pena, independente do lugar...

Rachel não disse mais nada...

Frannie estava com Quinn em uma cafeteria que nunca havia ido. Quando a irmã ligou nervosa pedindo que ela fosse buscá-la, dirigiu o mais rápido que pôde, preocupada com o que teria acontecido. Quinn se recusou a ir ao Breadstix e a guiou até ter certeza de que estavam longe do perímetro da escola.

Q: Santana sabe...

Foi quase um murmúrio, mas Frannie entendeu muito bem. Então tudo ficou claro. Era óbvio que o fato de Santana saber sobre Quinn e Rachel causaria algum tipo de pânico. A rivalidade que existia entre elas, apesar da amizade, era conhecida por todos. Ela imaginou o medo que a irmã estava sentindo...

F: Ela ameaçou contar a alguém?

Q: Não... [disse fria] Ela falou como se... Como se estivesse do meu lado.

F: Hum... [olhou-a tranquila] E você acredita nela?

Q: Eu não sei... Sinceramente? Eu não sei... [disse preocupada] Eu não sei como ela descobriu, mas se ela descobriu outras pessoas podem descobrir. Eu fiz alguma coisa errada. Ou algumas... Eu deixei escapar... Eu...

F: Hey! Calma!

Ao ver que a irmã começava a se desesperar, Frannie mudou de lugar e sentou-se ao lado dela.

F: Mantenha a calma! O que eu posso fazer por você além de sair correndo do trabalho pensando que você estava machucada ou algo do tipo?

Q: Desculpe... [pediu constrangida] Eu precisava de você... [choramingou]

F: Não tem problema! [sorriu carinhosa, puxando-a para um abraço]

Q: Eu não estou feliz... [confessou]

F: O quê? [afastou-se para olhá-la]

Q: Hoje... Eu não estou feliz hoje... E tenho medo de que continue assim...

F: Então é mais do que o fato de Santana ter descoberto?

Q: É... [respirou fundo] Rachel não vai aguentar por muito tempo...

F: Por que você diz isso?

Q: Porque ela não vai aguentar ser meu segredo por muito tempo. Isso a está sufocando e a cada dia ela fica ainda mais incomodada. Agora ela não tem tanta certeza de que papai é homofóbico... Ela vê um certo exagero no meu medo...

F: Oh... Ela não conhece mesmo os Fabray...

Q: É... [disse triste] Às vezes parece que nem a mim ela conhece...

Frannie levou Quinn de volta à escola para que ela pudesse pegar o carro. A loira logo foi para casa. Ela precisava dormir um pouco antes de encontrar Rachel. Hiram voltava do refeitório do hospital com dois cafés quando viu a Fabray mais velha no corredor.

H: Hey! [sorriu contente] Que visita maravilhosa!

F: Tudo bem, Hiram? Desculpe não ter vindo antes...

H: Não se preocupe, querida! [disse compreensivo] Está tudo bem agora!

F: Rachel está por aqui?

H: Sim... Ela está no quarto com Leroy. Vou chamá-la...

A morena se surpreendeu quando seu pai lhe disse que Frannie estava lá à procura dela. Saiu apressada do quarto preocupada, pensando que algo poderia ter acontecido com Quinn. Deixou o café para trás...

R: Está tudo bem?

F: Oi, Rachel! [sorriu] Eu quem deveria perguntar isso a você. [apontou para o quarto]

R: O pai está bem sim... Obrigada por ter vindo! Está tudo bem?

F: Vamos caminhar um pouco?

R: O... Ok...

Frannie seguiu com Rachel até uma área aberta do hospital. Havia um jardim muito bonito, e um busto de bronze com o rosto de Russel Fabray...

F: Eu sei que você e seus pais devem estar encantados com o ato do meu pai...

R: Estamos sim! [sorriu] Ele foi muito generoso! Ele é um bom homem! Ele...

F: É homofóbico! [interrompeu]

R: Eu não disse que...

F: Ele é cheio de preconceitos! [interrompeu novamente] Ele é um bom pai, um bom marido, um bom homem até que ele esteja diante dos objetos de sua repulsa. [explicava] Crescemos ouvindo que gays são aberrações. A materialização do inferno na Terra. Que gays não deveriam ocupar o mesmo espaço que os heterossexuais. Que um gay jamais colocará o pé em nossa casa. E esse discurso sempre tinha uma voz de apoio: nossa mãe. [olhava-a séria] Eles não vão mudar só porque a filha deles é gay. Se eles descobrirem sobre a Quinn eles são capazes de expulsá-la da vida deles para sempre. São capazes de mandá-la embora de Ohio.

R: Por que você está me dizendo isso? [perguntou assustada]

F: Porque eu sei que você pensa que ela pode estar exagerando...

R: Ela te contou? [perguntou constrangida]

F: Você está mexendo com o maior de todos os medos. Ela viveu e vive apavorada com medo de que descubram sobre ela. Ela tem medo de que possam ler seus pensamentos. Duvidar dela é mexer com o medo mais aterrorizador que ela sente... Sabe o que é esconder quem você realmente é dentro de sua própria casa? Sabe o que é ouvir seus próprios pais falarem com repulsa sobre a sua forma de amar outra pessoa?

R: Eu não... Eu não sabia...

Um nó se formou na garganta de Rachel. Ela teve uma breve visão de como devia ser claustrofóbico para Quinn viver numa família que não a aceitava, mesmo que não soubesse a verdade sobre ela...

F: Bom... Eu não quero tomar seu tempo. Desculpe vir aqui...

R: Eu agradeço por você ter vindo!

F: Pode ser difícil para você lidar com isso, mas a Quinn não precisa ser empurrada para fora do armário. Não seja a pessoa a atirá-la no precipício...

Rachel se sentiu péssima, arrasada por cada vez em que não conseguiu ser compreensiva com a necessidade de Quinn em manter tudo entre elas. Ela não aguentou. Avisou a Hiram que precisava ir e correu em direção à casa de Quinn. Da porta ela já podia ver a ostentação de tudo: a casa enorme, as portas da garagem, a fonte no jardim... Tocou a campainha hesitante. Precisou tocar uma segunda vez até que a porta se abrisse... Quinn a olhou confusa. Não esperava que ela aparecesse ali.

R: Eu posso entrar?

A loira abriu espaço para que ela passasse...

Q: Está tudo bem? [perguntou preocupada]

R: Sim...

Rachel continuou caminhando, olhando tudo ao redor. As várias fotos espalhadas pela casa que mostravam sempre a família posando de uma forma quase aristocrática. Os lustres eram claramente caros e os móveis também... Mas tudo era assustadoramente grande, um espaço enorme sendo preenchido por uma sensação de vazio... Era triste ver Quinn completamente sozinha ali...

Q: Como está Leroy?

R: Bem... [parou no meio da sala] Ele está bem! [sorriu suavemente]

Q: Eu posso lhe oferecer alguma coisa? Eu posso...

R: Eu te amo! [disse de repente] Me desculpe não estar sendo a melhor namorada do mundo. Desculpe estar estragando as coisas. Eu te amo!

Quinn não imaginava que Frannie havia procurado Rachel para dizer algumas verdades. A morena achou que não deveria contar. A loira se aproximou dela e levou a mão direita ao rosto da morena.

Q: Não se preocupe com isso! Preocupe-se apenas com seu pai...

R: Ele está bem! Não tenho mais que me preocupar com ele!

Rachel retirou a mão de Quinn de seu rosto e entrelaçou seus dedos, caminhando em direção à escada.

R: Me corrija se eu seguir o caminho errado até seu quarto...

Quinn a seguiu e Rachel não errou o caminho. O cheiro da loira estava no ambiente. Havia livros nas prateleiras, alguns vinis e muitos cds. Ali parecia o refúgio de sua namorada. Mas ela não pôde deixar de perceber que era um pouco triste. As palavras de Frannie voltaram a sua mente e de repente ela entendeu porque a loira gostava tanto da casa dos Berry...

Rachel levou as mãos à barra da própria blusa e a retirou. Quinn respirou fundo e admirou cada movimento da morena:

R: Faz amor comigo de novo... Faz amor comigo aqui!

Parecia que elas faziam aquilo há muito tempo. Seus corpos se comunicavam com um entendimento inexplicável. Era Quinn quem estava por cima. Ela beijava Rachel com força. Ela a penetrava com intensidade... O corpo nu de Rachel era tudo o que ela precisava naquele momento. Ter transado com ela no fim de semana havia sido um momento de profunda descoberta, mas o infarto de Leroy acabou dando espaço para que um precipício começasse a se formar entre elas. Mas a morena havia agido de modo a evitar que se perdessem. E agora elas estavam ali, encontrando-se novamente. No sexo...

R: Eu sou sua...

Quinn a beijava como se sua vida dependesse daquilo. Como se o mundo estivesse para acabar... Seus lábios largaram os lábios carnudos e rumaram aos seios. Quinn sugava os seios da morena com volúpia, prendendo os mamilos entre os dentes, deslizando a língua no bico, arrancando gemidos altos de Rachel. Sentia a umidade da morena além de seus dedos, sentia na palma de sua mão. Logo levou os dedos à boca, sugando tudo o que Rachel havia derramado. Seus lábios logo assumiram o lugar e tudo o que ela sabia fazer era sugar o clitóris de Rachel como se quisesse engoli-la por inteiro. Havia uma necessidade quase vital em seus toques. Quinn estava se agarrando àquele momento como se fosse sua última chance de ser feliz... Ela sentia o deslizar de sua língua por toda a intimidade da namorada. Ela estava extasiada de prazer pela maciez da pele de Rachel naquela região. Ela queria sugar tudo, o tempo todo, para sempre...

Estava gostoso. Muito gostoso. Mas Rachel não queria que aquele momento se resumisse à carne, ao sexo por si só. Quinn sentiu as mãos da morena em sua cabeça, puxando-a para cima:

R: Vem aqui...

A voz suave a fez obedecer sem sequer questionar. Palavras não foram necessárias. Rachel a beijou com carinho. Não havia pressa, não havia desespero. Havia a mais genuína calma, a tentativa de assumir o controle para mostrar que era amor...

Quinn sentia todo carinho que Rachel queria lhe dedicar. E era tão bom! Era tão bom sentir que havia tanto amor ali...

Q: Eu te amo tanto...

As línguas se misturavam. Quinn não queria parar de sentir o gosto de Rachel. De nenhuma parte de seu corpo. Ela percorreu cada centímetro. Ela foi muito além do que tinham ido no fim de semana. Rachel prendia os dedos nos cabelos loiros da nuca da namorada, buscando sustentação para o prazer que sentia. Quinn respirava quente em seu ouvido e os gemidos baixos da loira a faziam se perguntar se seria possível viver sem ela um dia. A resposta só podia ser “não”...

Os dedos de Quinn estavam dentro dela novamente e ela não podia pedir por nada melhor do que aquilo. Era como se a loira soubesse o ponto certo onde tocar. E ela tocava... Ela tocava sua alma enquanto contemplava seu corpo daquela forma...

E não havia mais nada além daquele momento. Não havia vontade de dizer ao mundo, não havia vontade de se revelar... Naquele momento, tudo o que importava era que elas estavam mais ligadas do que nunca. Pela primeira vez na vida Quinn se sentiu confortável em seu próprio quarto. Pela primeira vez na vida sua casa pareceu realmente um lar, porque ela tinha Rachel lá, porque a morena fazia tudo se tornar melhor...

O orgasmo de Rachel chegou primeiro e Quinn admirou cada tremor de seu corpo enquanto os espasmos não cessavam. Ela tinha o gosto da morena em sua boca e nenhum sabor poderia ser melhor.

Havia precipícios e Quinn parecia conhecer vários tipos deles. Mas naquele momento, tudo o que ela sentia era que talvez ela não fosse cair. Havia precipícios... E havia Rachel... E talvez ela a segurasse...

[CONTINUA...]

Notas finais
Espero que gostem! ;-) Comentem! Beijos!