Mais Que Um Segredo...
21 Capítulo 21 - Elo...
Rachel fechava a porta do quarto enquanto Quinn caminhou para sentar à beira da cama. A morena a olhou com um sorriso tímido e percebeu o olhar da loira fixo em seus seios descobertos. Aproximou-se devagar, vendo o olhar de Quinn não desviar. Parou diante dela, sentindo as mãos macias tocarem sua cintura desnuda. Enfim, os olhos verdes encararam os castanhos e Rachel sentiu um calor diferente. Levou as mãos aos cabelos loiros e os acariciou com extremo carinho. Não parecia ser um momento de pressa. Quinn tinha as mãos trêmulas e ela sentiu. Moveu-se para sentar em seu colo, com as pernas juntas para um mesmo lado. Levou as mãos ao pescoço dela e se segurou suavemente.
R: Está tudo bem? [perguntou calma]
Quinn acenou devagar com a cabeça, olhando fixamente para cada canto do rosto da morena. Fechou os olhos ao perceber que ela iria beijá-la. Sentiu os lábios carnudos passearem suavemente por todo seu rosto, demorando-se no canto dos olhos. Sentiu o nariz de Rachel deslizar por sua pele, dando-lhe um pouco da calma que precisava para aquele momento...
Q: Você tem certeza de que quer isso?
Ao ouvir a voz rouca hesitante Rachel parou de se mover. Lentamente, afastou o rosto para olhá-la:
R: Por que pergunta? [questionou suavemente]
Q: É o certo... Eu preciso saber se você está segura...
R: Não estou entendendo, Quinn. Não parece óbvio? [ergueu a sobrancelha]
A loira a olhou com o máximo de segurança que poderia. Rachel era mesmo mais forte e decidida do que ela. Havia na morena muito mais coragem do que havia nela. E ela admirava aquilo! Como ela admirava!
Q: Então você tem certeza de que quer que a sua primeira vez seja comigo?
R: Nunca tive tanta certeza de nada na minha vida. Essa é a maior certeza que eu poderia ter!
Quinn estremeceu! Ela esperava um “acho que sim”. No máximo, um “sim” meio inseguro. Mas a convicção com que Rachel respondeu abalou suas estruturas...
R: Por quê? [acariciou-lhe o rosto] Você não tem certeza de que quer que sua primeira vez seja comigo?
Quinn estremeceu ainda mais. Aquela pergunta a acertou em cheio. Ela não queria pensar naquilo. Ela não queria se sentir sufocada com a verdade...
Q: Tudo o que eu queria era que minha primeira vez fosse com você!
Era verdade... Era a mais pura verdade. E o tempo verbal não indicava nada. Rachel sorriu. Para ela, parecia que estava tudo perfeito!
R: É um momento especial em nossas vidas. Sempre seremos especiais... Não poderia ser mais perfeito...
Ela estava feliz com aquela declaração. Ela realmente se sentia daquela forma. E Quinn se sentiu mal... Algo estava errado e Rachel percebeu.
R: Hey... [chamou suavemente] Você não parece bem... Me fala o que está te afligindo...
Q: Estou nervosa...
R: Eu também estou...
Q: Eu estou mais... [sorriu insegura]
R: Hey... [segurou-a suavemente pelo queixo] Não precisamos fazer nada hoje se você não estiver segura... É um momento muito especial para acontecer de forma prematura. Se você não estiver pronta, eu espero. Eu não quero que seja um erro para você...
Aquelas palavras... Elas martelaram na cabeça da loira e ela fechou os olhos. Ela não queria lembrar que errou. Ela não queria se lembrar do Noah. Havia decidido esquecer o passado. Havia decidido que aquele erro seria apagado... Ela precisava pensar que não era válido, não contava, não podia ser considerado real... Sentiu Rachel juntar ainda mais seu corpo ao dela e um beijo delicado em sua testa... Sentiu-se uma covarde como há muito tempo não se sentia...
[FLASHBACK ON]
Quinn sentia um arrependimento assustador por ter cedido aos seus sentimentos. As boas sensações do beijo de Rachel Berry deram lugar ao pavor de se ver revelada, analisada, julgada... Mas tinha sido tão difícil resistir! Agora ela estava sentada à beira da própria cama, pensando numa forma de dizer à morena que não poderia levar à frente qualquer tentativa de entender os sentimentos que as ligavam. Não tinham trocado apenas um beijo. Não tinham também definido o que eram. A única coisa que Quinn sabia era que Rachel a fazia se sentir bem, mas quando ela se afastava o medo voltava. E ela não queria mais sentir medo...
A loira estava novamente na casa da morena. Ainda não se sentia completamente à vontade ali, mas era estranha a sensação de que se sentia melhor do que em sua própria casa. Mas ela não poderia se acostumar...
Q: Eu só... Só queria um lugar para ficar... Ficar quieta...
R: Você é sempre bem-vinda aqui...
Rachel estava preocupada com o tom de voz de Quinn, mas não quis pressioná-la a falar mais do que ela quisesse. A loira chegou à casa dela sem ser convidada, sem precisar de um incentivo verbal. Ela simplesmente apareceu à porta dela com uma expressão diferente. Era como se ela tivesse algo importante a dizer, mas as palavras pareciam faltar...
R: Teve um dia difícil? Eu não te vi na escola.
Quinn estava deitada na cama dela, olhando para o teto, quase que em total silêncio, respondendo às perguntas de Rachel com poucas palavras...
Q: Foi cansativo... [disse baixinho]
A morena se mantinha deitada de lado, observando o perfil impassível da loira. Tinha uma sensação estranha, mas também tinha esperança de que aquela sensação fosse passageira...
R: Quer alguma coisa?
Q: Só quero ficar aqui um pouco... Tem problema? [perguntou temerosa]
R: Claro que não! Eu já disse que você é sempre bem-vinda!
E os minutos passaram. Rachel resolveu ficar na mesma posição de Quinn e o teto passou a ser a imagem que via...
Q: Será que...
Era muito difícil falar! Ela queria e não queria. Ela precisava e não precisava...
Q: Será que dá para... Será que depois de tudo o que houve, podemos ser só amigas?
Não havia firmeza na voz de Quinn. Pelo contrário... Havia um temor absurdo que provocou um arrepio na espinha de Rachel. Em nenhum momento aquela pergunta a irritou. Em nenhum momento a decepcionou. Porque ela, simplesmente, sentiu em cada sílaba o medo na voz da loira. Seu coração apertou... A morena se moveu e voltou à posição inicial. Percebeu a trilha molhada de uma lágrima solitária que havia escorrido pelo olho direito da loira e não achou que precisava comentar sobre isso:
R: Nós podemos ser o que você quiser que sejamos...
Ela tentou falar com a voz natural, mas foi impossível não sair um pouco quebrada. Mesmo assim, ela se segurou para não chorar...
R: O que você quiser, Quinn...
A loira não conseguia se mover para encará-la. Ela sentia que não conseguiria ir em frente se a olhasse.
Q: Eu não quero ser gay...
Aquilo saiu de forma dolorosa. E doeu em Rachel também...
R: Você acha que é uma questão de escolha?
Q: Eu quero que seja!
A voz de Quinn saiu embargada. Era o momento em que ela tentava abrir mão de ser o que ela realmente era. O problema era que ela não queria ser...
R: Nós não somos amigas, Quinn... [disse em um tom triste] Você sabe disso! Nós podemos tentar ser amigas, mas eu acho que você não vai levar isso à frente... Ser minha amiga vai afetar sua reputação. Não há vantagem nisso...
Q: Mas eu quero tentar!
Rachel a olhou por alguns segundos e se incomodou com a ausência do olhar da loira. Sentou-se e encostou-se à cabeceira da cama, agarrando o travesseiro.
R: Eu posso ser sincera?
Finalmente, Quinn a olhou. Ela achou que a morena já estivesse sendo sincera. Acenou levemente com a cabeça enquanto se sentava de frente para ela:
R: O que você está me pedindo é algo bem difícil de atender. Eu estou disposta a atender, mas entenda que é bem difícil para mim. Ser só sua amiga depois de termos... Você sabe... Nos beijado algumas vezes... É um pouco complicado...
Q: Mas você disse que podemos ser o que eu quiser!
R: É isso mesmo o que você quer?
Q: Rachel! Não dificulta! [pediu agoniada]
A morena se levantou e passou a caminhar de um lado para o outro, aparentemente calma, mas estava claro que ela faria um monólogo:
R: Você pode fugir o quanto quiser, Quinn, mas você continuará sentindo o que sente. Se não for por mim, pode ser por outra garota que cruzar seu caminho...
Q: Eu não quero outra garota! [rebateu]
R: Mas me quer?
Q: Rachel! [levou as mãos à cabeça] Eu não sei lidar com isso! É muito complicado para mim e eu não quero!
R: Você estava disposta a tentar entender o que sente. A não fugir disso! Você me deu o fone de ouvido e ficou feliz em me dar. Você ficou feliz em me agradar. Você pareceu leve ao me beijar de novo e você sorriu para mim, como nunca havia sorrido antes...
Q: Mas eu mudei de ideia!
Aquela frase saiu errado! Muito errado! Quinn não podia ter dito aquilo. Ela poderia ter escolhido qualquer outra coisa para dizer...
R: Mudou de ideia?!
Havia indignação na voz de Rachel. Havia a irritação que ela não tinha se permitido sentir antes:
R: O que você pensa que está fazendo comigo? Você pensa que pode brincar com meus sentimentos dessa forma?
Q: Calma! [arrependeu-se] Eu usei as palavras erradas. Eu...
R: Erradíssimas! [irritou-se]
Ela se sentou à beira da cama e olhou para qualquer lugar, menos para Quinn. Sem nenhum pudor começou a chorar. A loira não sabia o que fazer.
R: Eu não quero ser sua amiga! Eu volto atrás no que disse. Eu não quero ser só sua amiga! Você me fez querer você! Querer seu beijo, querer a surpresa do que você faria em seguida! Você me fez querer você! [enxugava as lágrimas] Ser sua amiga é pouco! Ser sua amiga é impossível!
Q: Não faz isso! [começou a chorar de verdade] Eu não quero ficar sem você... Eu não posso mais ficar sem você!
Rachel enfim a olhou. Seus olhos vermelhos fizeram Quinn se arrepender de ter ido à casa dela. Queria voltar no tempo e não estar ali:
R: Vamos voltar ao que era antes. Você me ignora nos corredores. Pode mandar jogarem raspadinhas em mim. Por favor, faça piadas de mau gosto sobre as minhas roupas e critique minha forma de cantar. Se puder, volte para o Finn e jogue na minha cara que ele é seu e não meu. Faça da minha vida um inferno pior do que Santana é capaz de fazer.
Q: O que você está dizendo?
R: Me faça te odiar! [disse mais alto] Faça com que eu precise te odiar! [voltou a chorar] Volte à sua vida normal e me permita ter a minha vida normal também. Faça eu te odiar para que eu deixe de te querer!
Q: Rachel...
Doeu! Ouvir a súplica da morena doeu em Quinn. Ouvi-la pedir para ser magoada foi muito pior do que ela poderia esperar ouvir.
R: Eu quero ficar sozinha... [pediu com dificuldade] Se é para dar um fim a o que quer que isso seja... Eu quero ficar sozinha...
Q: Não! Não resolvemos! [disse firme]
R: Não resolvemos o quê? [olhou-a agoniada] Não vamos ser amigas! Não vamos ser nada! Me desculpe! Eu sei que é difícil pra você e eu não vou te pedir pra ficar comigo se não é o que você quer. Mas entenda que você me colocou numa posição complicada. Você me enfiou no seu rodamoinho de sentimentos e agora você quer pular fora. E eu não vou bater um papo inocente com você, sobre o tempo ou sobre garotos enquanto desejo que você me beije de novo. É masoquismo demais e eu não quero isso! Não tem como sermos amigas! Você me fez te querer e eu não tenho vergonha disso! Eu não tenho porque mentir pra você! [disse irritada] Pegue e use isso contra mim. Pra me magoar, pra me atingir. E acelere esse processo para que eu te odeie logo... [respirou fundo] Agora... Eu queria ficar sozinha...
Quinn se sentia uma covarde. Não tinha coragem de consertar aquilo. Ver Rachel chorando fazia seu coração despedaçar, mas não foi capaz de voltar atrás... Ela saiu dali depressa, deixando a morena arrasada. Enquanto Rachel chorava sobre a cama, a loira sequer conseguiu dar a partida no carro. Por mais de meia hora ela permaneceu diante da casa dela, sem conseguir sair dali. Ela chorava aos prantos, sabendo que estava abrindo mão da única pessoa que a fazia se sentir inteira... Ela era metade de novo...
Rachel não apareceu no colégio no dia seguinte, nem no outro. Logo vieram o sábado e o domingo... 4 dias sem vê-la e Quinn estava enlouquecendo. Queria saber o que tinha havido e só conseguia se culpar por aquilo. Rachel a estava evitando de verdade e ela não poderia julgá-la por isso.
Um temporal havia se instalado em Lima e as aulas foram canceladas naquela segunda-feira. Rachel caminhava pela casa com uma calça de moletom e uma blusa comprida. Apesar do clima, seus pais saíram para trabalhar. Ela se deitou no sofá e cruzou as mãos sobre o ventre, fechando os olhos para ouvir o barulho da chuva. Era pesada, era intensa... Ela sentia que podia ouvir todas as gotas d’água tocarem o chão. Sentia-se sozinha. Sentia-se vazia... Nunca havia se entregado tanto a um sentimento. Nunca tinha sentido algo tão forte. Foi tão rápido! Tão efêmero... O toque da campainha a fez resmungar. Kurt havia prometido passar o dia na casa dela, mas pareceu desistir quando a chuva ficou mais forte. Ela não queria companhia, mas não conseguiu dizer não ao amigo. Levantou-se desanimada. Deparou-se com Quinn ensopada diante de sua porta. A loira usava as roupas de corrida. Era óbvio que ela não tinha ido ali de carro. Correr tinha sido sua opção para expulsar aquela agonia que a dominava. Nem a chuva torrencial a impediu de sair de casa. Ela precisava correr, precisava fugir daquela falta de ar que a impedia de seguir em frente. Cada passo que ela dava era um passo rumo à rua de Rachel, à casa de Rachel... Ela não podia mais fugir...
A morena a olhou assustada. Puxou-a para dentro de casa depressa, sem sequer pensar em questionar a presença dela ali.
R: Eu vou... Eu vou pegar uma toalha para você...
Antes que ela se afastasse, Quinn a segurou pelo pulso. Ela estava gelada!
Q: Ficar sem você é ruim... [disse de uma vez] Ficar sem você é horrível!
A fala da loira era ofegante. Pela corrida, pelo medo, pela necessidade de estar com ela. Quinn havia se dado conta de que o medo que sentia era grande, mas o medo de não ter mais Rachel era maior...
R: Foi sua opção! [disse triste]
Q: Foi sua! [rebateu] Você nos reduziu a nada...
Rachel se soltou do toque dela:
R: Eu vou pegar a toalha!
Novamente sentiu a mão de Quinn a segurar, mas dessa vez também sentiu ser puxada para perto da loira. Sentiu o frio do corpo molhado e os lábios macios dominarem os seus. Cedeu instantaneamente ao beijo desesperado que buscava não perdê-la.
Quinn cortou o beijo. As duas ficaram ofegantes. Rachel sentia a respiração quente da loira bater sobre seu rosto e não queria deixar de sentir aquilo por nada nesse mundo...
Q: Eu não quero mesmo ser sua amiga! [disse intensamente] Nem por um segundo eu quero ser só sua amiga...
O coração de Rachel acelerou desesperado...
R: Então não seja... [manteve os olhos fechados] Por favor, não seja!
Q: Você me desperta essa loucura! Deus, como eu fico louca! [disse com mais intensidade, envolvendo a morena pela cintura]
R: O que você quer ser então?
Q: Eu quero ser eu quando estou com você!
R: Então seja!
Q: Eu não quero fugir! [passou a beijá-la por todo o rosto] Eu não quero fugir!
R: Então fique comigo! [pediu firme] Fique comigo de uma vez e sinta medo junto comigo, mas não longe de mim!
Quinn a abraçou forte, descansando o rosto na curva do pescoço da morena. Não disse mais nada. Sentiu as mãos de Rachel deslizarem por suas costas, num carinho singelo...
R: É melhor eu pegar a toalha. Você pode se resfriar...
A morena tentou se soltar, mas Quinn a manteve firme em seus braços. A loira se moveu apenas para olhá-la. Rachel se arrepiou ao se deparar com a intensidade daquele olhar:
Q: Eu te quero! Eu não queria te querer, mas te quero. Eu queria fugir, mas não vou. Eu queria negar, mas não posso. Eu te quero! Contra toda a força que fiz pra não te querer... Eu te quero...
Rachel sorriu. E aquele sorriso fez Quinn se perguntar como ela foi capaz de achar que poderia fugir daquilo? Ela estava presa e não poderia se libertar jamais!
R: Vai ficar comigo? [perguntou carinhosa]
A loira a beijou. E ali, naquele momento, Rachel soube que outros beijos viriam... Quinn a olhou com um pequeno sorriso tímido:
Q: Eu já estou com você há mais tempo do que você pensa...
[FLASHBACK OFF]
Sem que mais nada precisasse ser dito, Rachel a sentiu se mover. Antes que precisasse falar sentiu os lábios da loira sobre os seus. Um beijo calmo, sem urgência... Segurou-se à nuca de Quinn aprofundando o beijo, caçando a língua da loira, provocando nela um gemido intenso... Sentiu seu seio ser coberto por uma das mãos dela. Então não teve mais dúvidas de que elas iriam em frente. Mas não tão rápido! Quinn separou seus lábios de forma brusca, buscando o ar que lhe faltava. Olhou-a intensamente e a segurou firme, movendo-as a fim de deitar Rachel na cama e se colocar sobre ela. A morena se sentiu confortável para sorrir travessa, entendendo que aquele gesto era um sim...
Q: Eu preciso que você me escute com atenção...
Rachel assentiu rapidamente, sentindo as pernas de Quinn se moverem para ficar entre as dela.
Q: Você é mais do que uma garota linda para mim. Mais do que beijos. Mais do que desejo. Mais do que minha namorada. Você é minha libertação. [olhava para ela encantada] Você é a minha descoberta. Minha redenção... Meu conhecimento... Minha compreensão... Você apareceu na minha vida e me bagunçou inteira para me organizar. Pra me consertar... Pra me fazer entender que não havia nada errado comigo... Que eu não precisava de conserto. Eu só precisava... De você...
Rachel sentiu seus olhos marejarem. Abriu um sorriso imenso e percebeu o encanto que provocou nos olhos verdes que a admiravam.
R: Você me dá mais importância do que eu mereço... [disse corada]
Q: Eu te dou a importância que você tem! [disse séria] Nada antes de você importa. Nada antes de você valeu de verdade... Nada que eu tenha feito foi real, teve valor. Nada...
R: Eu te amo! [interrompeu de repente] Eu te amo! Não importa o passado. Nada importa. Só importa que eu te amo!
Q: E eu te amo! Eu te amo antes!
R: Bobagem... [sorriu travessa] Pare de ser competitiva! [puxou-a para um beijo]
Rachel pensava que Quinn se referia às brigas, às raspadinhas, às perseguições. Jamais imaginaria o que a loira realmente queria dizer... Mas, naquele momento, o passado não importava mesmo. Elas davam um novo passo adiante. O que ficou para trás virou escuridão...
O beijo ficava mais quente conforme as mãos de Quinn passeavam pelo corpo da morena. A loira sentia os dedos dela mergulharem em seus cabelos e a forma como ela fazia aquilo a incentivava a ir além... Rachel gemia ao sentir os beijos de Quinn desviarem em direção ao seu pescoço. Mas a loira não se demorou ali. A morena se surpreendeu ao sentir o afastamento brusco. Abriu os olhos e se deparou com Quinn a olhando de uma forma confusa.
R: Algum problema?
A loira estava de joelhos na cama, entre as pernas dela. Olhando-a de uma maneira que misturava desejo e insegurança:
Q: Como você quer que eu faça? Quer dizer... O que você quer?
Era tão fofa a expressão tímida da loira, que Rachel se derreteu:
R: Vem aqui... [chamou suavemente]
Quinn voltou a se deitar sobre ela, equilibrando-se com os cotovelos:
R: Isso também é novo para mim... [sorriu corada] Eu não faço ideia da prática... Eu até pensei em assistir a algum filme... Você sabe... [fechou os olhos encabulada]
Q: Pornô?! [exclamou quase com uma gargalhada]
R: Não ria de mim! [abriu os olhos e a repreendeu constrangida] Eu queria saber o que fazer quando chegasse a hora. Mas pensar em ver filme ou fotos... Eu me senti meio pervertida e desisti... [levou as mãos para cobrir o rosto]
Quinn sorriu suavemente e retirou as mãos dela dali:
Q: Não seja boba... Tivemos aula de educação sexual. Tirando o fato de que não há um homem aqui, acho que podemos ter alguma noção do que fazer com nosso corpo... Não vou entrar em detalhes, mas digamos que a Britt já me contou algumas coisas que me fazem ter alguma noção do que fazer... [piscou-lhe]
A loira também estava corada, mas tentava parecer segura. Alguma delas tinha que assumir as rédeas da situação. Rachel era a mais convicta do que queria, mas Quinn não permitiria que ela a guiasse. Não! Era sua chance de ter uma primeira vez digna, da forma que merecia. E ela faria da forma mais perfeita possível. Ela devia isso a si mesma e, principalmente, devia à Rachel...
R: Então você pode dar os primeiros passos? [perguntou carinhosa] Eu prometo que seguirei você...
Quinn não respondeu. Não verbalmente. Ela se afastou mais uma vez e retirou a própria blusa, depois a calça, até ficar só com a roupa íntima. O olhar de cobiça de Rachel não a fez corar. Pelo contrário... Deu-lhe ainda mais vontade de se mostrar para ela. Quinn era tão linda que a morena não conseguia acreditar que estava diante dela! O corpo perfeito da capitã das Cheerios estava à sua frente, revelando-se, despindo-se para ser tocado como nunca antes... Ela se sentia privilegiada...
Rachel observava atentamente cada movimento de Quinn. A forma como a loira se movia era hipnótica... Estremeceu em excitação ao sentir os dedos dela engancharem no cós de sua saia. Sem que Quinn precisasse pedir, a morena ergueu um pouco os quadris para permitir que o tecido fosse retirado, deslizando suavemente por suas pernas. A calcinha branca logo se revelou e o olhar de Quinn sobre ela fez Rachel se lembrar da primeira vez em que estiveram no apartamento de Frannie. Ela se lembrou de Quinn salivando enquanto admirava sua calcinha naquele dia... Sorriu com a lembrança excitante...
A loira voltou a deitar sobre ela. Dessa vez, a junção de suas peles fez com que ambas gemessem em alto e bom som... Quinn a olhou intensamente, percebendo as pupilas dos olhos castanhos dilatarem...
Q: Por favor... Me peça pra parar se eu for longe demais!
Aquilo estava mesmo acontecendo? Quinn Fabray iria mesmo possuí-la, amá-la?
R: Não existe longe demais! [disse segura] Com você eu vou ao infinito...
Rachel parecia melhor do que era possível ser! Quinn nunca acreditou que a realidade poderia parecer um sonho, mas a morena a fez enxergar tudo de uma forma diferente. Nela a loira encontrava tudo o que sempre lhe faltou. Em Rachel ela encontrava as respostas. Em Rachel ela encontrava a si mesma...
De repente, toda a insegurança se tornou secundária e tudo o que os lábios rosados da loira sabiam fazer era deslizar pela pele deliciosa da morena. Sentir a boca de Quinn Fabray envolver a carne de seu seio novamente fez Rachel sentir sua intimidade inundar. Ela, então, descobria uma forma de prazer nunca antes sentida. Sua intimidade pulsava e não havia uma maneira daquilo passar sem ser através de Quinn. A loira estava concentrada sentindo o sabor da pele da namorada. A textura do seio da morena fazia com que ela a desejasse ainda mais. Ela precisava sugar e sugou. Nunca tinha se permitido pensar naquilo por mais do que segundos em sua vida. Ali, naquele momento, ela se sentia realizada por estar fazendo o que seus desejos mais profundos gritaram por tanto tempo... Percebeu a inquietude de Rachel e se concentrou no que a morena tinha começado a fazer. Para aliviar a pressão entre as próprias pernas, Rachel levou a mão ao local, começando a se tocar, mas sentiu a mão de Quinn a impedir. Abriu os olhos surpresa ao sentir que a loira também havia parado de sugar seus seios. Um olhar foi trocado e ela logo entendeu que não precisaria dar conta de si mesma. Quinn desceu a mão direita, olhando atentamente o caminho que seguia. Sentiu com a ponta dos dedos a calcinha já úmida da morena e aquilo a excitou ainda mais. Sorriu de forma travessa sem perceber, mas era gratificante saber que tinha sido capaz de causar aquele efeito. Moveu-se naquela direção, como se estivesse sendo atraída de uma forma magnética incontrolável e Rachel tremeu em antecipação à excitação que estava por aumentar...
Quinn se colocou novamente de joelhos entre as pernas dela e enganchou os dedos nas laterais da calcinha da morena. Deslizou o tecido com uma precisão quase milimétrica, como se apreciasse cada centímetro de pele das pernas perfeitas. Por um momento, Rachel se sentiu inundar por uma timidez absurda ao perceber a forma como a loira olhou vidrada para sua intimidade. Quinn nunca havia olhado tão fixamente, tão de perto, a nudez de ninguém. E a nudez de Rachel era perfeita, apetitosa, fascinante... Mas foi só o olhar da loira encontrar com o dela novamente que toda a timidez passou. Quinn tinha uma expressão de encantamento e realização. Ela fazia Rachel se sentir perfeita e nada no mundo poderia ser melhor do que aquela sensação. Bom... A morena descobriria que poderia sim!
Quinn fez sinal para que ela fechasse os olhos e ela assim o fez. Sentiu as mãos macias da loira deslizarem por suas pernas, forçando delicadamente para que se abrissem um pouco mais. Rachel sentiu a respiração da loira bater em sua intimidade e aquilo quase a enlouqueceu. Manteve os olhos fechados e sentiu o nariz de Quinn deslizar por sua intimidade, virilha, ventre... Suspirou de prazer, mas também aliviada por ter tido a ideia de se depilar dois dias antes.
Aquilo deveria ser assustador para Quinn, mas não estava sendo. Ela se sentia cada vez mais atraída por aquela intimidade que compartilhavam. O cheiro de Rachel era o aroma mais delicioso que já havia sentido. Ela sabia que deveria fazer mais do que aspirá-lo, mas era viciante, quase impossível de parar. Ela nunca poderia imaginar que um dia iria agir daquela maneira, aspirando o cheiro da intimidade de outra garota. E o cheiro não era suficiente. Ele lhe dava água na boca e uma vontade imensa de sentir o gosto. Era inevitável... Deslizou a ponta da língua pela fenda úmida de Rachel, fazendo-a arquear as costas ao toque. Ergueu o olhar para admirá-la e a viu apertando os olhos, tentando conter o prazer desenfreado que tomava conta de seu corpo. Levou a mão direita para perto da boca e utilizou os dedos indicador e médio para auxiliá-la, deslizando-os suavemente pela entrada da morena, enquanto com a língua tentava sugar o clitóris. Não... Ela não tinha certeza de que estava fazendo certo, mas ela estava se deliciando com aquilo e a reação de Rachel a fazia acreditar que não havia nada de errado. Prendeu o feixe de nervos entre os lábios e sugou, sentindo o gosto da morena invadir seus sentidos. E foi ali, naquele momento, que ela se sentiu uma mulher pela primeira vez na vida... Voltou a se mover, deitando sobre o corpo da morena, sem deixar de acariciá-la com os dedos. Rachel abriu os olhos e neles Quinn pôde enxergar todos os sentimentos do mundo. Sentiu os braços da morena a envolverem com força. Ela precisava senti-la mais, muito mais... Não demorou para que Rachel se incomodasse com o fato de Quinn ainda estar de sutiã. Sem precisar dizer nada, libertou-a do pedaço de tecido sem qualquer dificuldade, agarrando os seios claros com firmeza. Havia na loira uma delicadeza calma, enquanto na morena habitava uma urgência excitada...
Q: Calma... [sussurrou com a voz rouca] Temos todo o tempo do mundo...
Rachel levou a mão direita ao rosto dela e a fez olhá-la com firmeza:
R: Eu preciso de você dentro de mim... [disse segura] Fora é bom, mas eu preciso de mais... Eu preciso dentro...
Quinn corou violentamente e sorriu como nunca antes. Rachel era mesmo muito mais corajosa do que ela. Não apenas nas atitudes, mas também nas palavras...
R: E eu preciso muito ficar dentro de você...
A loira assentiu suavemente e a beijou na testa...
Q: Eu cuido de você primeiro e depois você cuida de mim... [sussurrou carinhosa]
Rachel acenou devagar... Quinn se afastou um pouco para retirar a própria calcinha, voltando a se deitar tão rápido que nem deu tempo de a morena admirá-la como gostaria. Mas ela teria tempo... A loira a beijou carinhosamente, enquanto voltava a tocá-la intimamente. Rachel suspirou forte, fechando os olhos...
Q: Você promete que me fala se incomodar? [Rachel assentiu devagar] Olha pra mim! [pediu suavemente]
Os olhos castanhos se abriram e as pupilas estavam mais dilatadas do que nunca...
Q: Eu preciso que você me avise quando doer.
R: Pode ser que não doa...
Q: Vai doer! Mesmo que seja pouco... Eu preciso que você confie em mim e me diga se devo parar...
R: Não quero que pare...
Q: Se for preciso, eu paro...
R: Não vai ser preciso... [disse segura]
Quinn a olhou por alguns segundos e depositou um beijo delicado em seus lábios:
Q: Obrigada por me conceder esse privilégio!
Rachel sorriu encantada com a sinceridade da namorada. O quão especial ela ainda era capaz de se sentir? Os dedos de Quinn se tornaram mais reais em sua entrada e ela se remexeu um pouco. A loira a olhou atenta, tentando não deixar passar qualquer expressão despercebida. Empurrou o dedo médio para o interior da morena e se sentiu inundar por um prazer indescritível. Ela estava iniciando a pessoa que amava sexualmente. Se ela não teve a chance de ter esse momento tão especial antes, sentia-se incrivelmente feliz por dar aquilo à garota que amava. Ela sempre seria a primeira vez de Rachel Berry e nada mais no mundo iria se comparar àquilo... Movia o dedo devagar, vendo cada mudança de expressão no rosto perfeito da namorada. A cada movimento, sentia as unhas de Rachel cravando na pele de seus ombros. Introduziu o dedo indicador junto ao médio, vendo a morena se contorcer um pouco mais:
Q: Tudo bem? [perguntou atenciosa]
Rachel assentiu sem abrir os olhos...
Q: Continuo?
A morena assentiu novamente... Ela sentia um incômodo pequeno que era nada comparado ao prazer imenso que os toques de Quinn estavam lhe proporcionando. Ela havia decidido ter sua primeira vez aos 25 anos ou quando ganhasse o primeiro Tony. Mas tudo mudou quando Quinn a beijou de repente, escondido, cheia de medo. A loira, mesmo sem querer, mudou todos os seus planos, sua trilha, seu rumo... Provocou nela desejos nunca antes imaginados e uma urgência absurda de não ser mais quem era. Ela queria ser mais, muito mais. Ela queria ser dela. E ela era... Ela estava sendo. E nada poderia ser melhor...
Os movimentos de Quinn começavam a se tornar mais intensos, mas ainda não eram profundos. Ela olhou atenta para o rosto da morena e passou a introduzir os dedos um pouco mais, até sentir algo impedindo. Era a fina barreira que ela buscava e que ela atravessaria.
Q: Olha pra mim... [pediu suavemente]
Rachel respirou fundo e a obedeceu...
Q: Eu te amo... [sussurrou]
Enquanto a morena processava aquela declaração, sentiu os dedos da loira forçando um pouco. Não podia fingir que não doía, mas não era nada que não pudesse suportar. Quinn tentava ser cuidadosa, mas precisou aplicar um pouco mais de força e profundidade. Percebendo o desconforto que causava, parou de repente. Rachel abriu os olhos em busca de explicação:
Q: Está doendo e você não está me dizendo...
A morena levou as mãos ao rosto dela e a encarou:
R: Não importa o que aconteça, não pare! Eu quero que você vá até o fim...
Q: Mas você está sentindo...
R: Prazer! [completou] Você está me dando prazer... Não pare! Eu quero você até o fim...
Quinn assentiu e prosseguiu. Rachel mordeu o lábio inferior, tentando conter o incômodo que ainda não havia passado. A loira então achou que poderia fazer melhor e a beijou. Aquele beijo conseguiu fazer a atenção de Rachel se dividir e a dor se tornou menor... Quinn sentiu a barreira se romper e uma mordida da morena em seu lábio. Algumas lágrimas escorreram dos olhos de Rachel, mas não eram de dor. Ela se sentia feliz como jamais sonhou. Uma barreira quebrada havia se tornado o elo mais profundo que ela tinha com qualquer pessoa no mundo. Quinn Fabray havia acabado de entrar para sempre em sua vida. Ninguém mais seria capaz de ocupar seu lugar...
Rachel a abraçou forte, sentindo o corpo quente da namorada ainda mais perto. O prazer era maior por sentir seus seios se tocando e a camada fina de suor que se formava se misturando...
R: Não pare... [sussurrou no ouvido dela] Por favor, não pare...
Quinn continuou. Ela movia os dedos com um pouco mais de intensidade enquanto sugava a pele do pescoço da morena. Não precisava mais observá-la para entender suas reações. Seus corpos se comunicavam à perfeição. Sentia as unhas dela arranhando suas costas e aquilo não era nem de longe ruim. Era a dor mais prazerosa que podia imaginar sentir.
Toda a inexperiência das duas foi ficando para trás. A necessidade em se unirem era tão grande que nada era capaz de atrapalhá-las. Quinn sentiu uma pressão sobre seus dedos e logo entendeu que Rachel estava chegando ao limite. O espaço para se movimentar dentro da morena foi ficando cada vez mais apertado e o corpo dela começou a apresentar espasmos. Ela buscou a boca carnuda e a invadiu com sua língua. Estava excitada com a consciência de que estava levando seu amor ao orgasmo. Ela tinha sido capaz. Ela foi capaz de dar à Rachel uma primeira vez especial. Só que não fazia a menor ideia da dimensão daquilo para a morena.
Rachel levou a mão esquerda aos cabelos loiros e afundou os dedos ali com força, procurando sustentação enquanto se derretia. Ela se sentia de uma forma que não tinha sido capaz de imaginar que poderia se sentir um dia. O prazer que Quinn lhe proporcionou superou todas as expectativas que sua mente criativa foi capaz de construir.
Respirava ofegante, sentindo os beijos delicados de Quinn sobre seu colo suado. A loira não parecia querer desgrudar daquela pele, mas foi forçada a subir para olhá-la... Um sorriso tímido em seus lábios contrastava completamente com o jeito dominante com o qual guiou o momento com maestria. Rachel a olhou encantada. Trocaram um olhar cúmplice sem precisar dizer o que se passava em suas cabeças. Sabiam que passava a mesma coisa. Estavam extasiadas com suas peles juntas. Com a nudez compartilhada, com o limite ultrapassado. Rachel passou as mãos pelo rosto da loira, afastando os fios de cabelos que caíam sobre a testa, puxando-a para um beijo carinhoso...
R: Nada nunca vai se comparar a isso... [sussurrou]
Quinn a olhou apaixonada e um flash rápido correu por sua mente, trazendo lembranças do começo conturbado...
Q: Nada nunca vai se comparar a você...
Rachel sorriu e a fez deitar de lado, encaixando-se em seus braços, entrelaçando as pernas...
R: Você foi perfeita!
Quinn deu-lhe um beijo demorado na testa e sentiu a respiração dela ficando mais tranquila. Os raios de sol do fim da tarde invadiam o quarto pela fresta da janela, criando uma iluminação especial que deixava Rachel ainda mais linda. A loira sorriu suavemente ao se dar conta do corpo nu preso ao dela. Fechou os olhos e fez uma prece silenciosa pedindo que nada abalasse aquela relação. Sentiu Rachel relaxar e dormir rapidamente. Um sentimento de paz a invadiu de repente. Ela já não era mais a mesma...
[CONTINUA...]
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