Mais Que Um Segredo...
20 Capítulo 20 - Mais perto do limite...
Era a primeira vez que Quinn Fabray dizia “eu te amo”. Era a primeira vez que ela realmente amava... E como era doce dizer aquilo... Seu coração batia de uma forma diferente. De uma forma que só Rachel Berry era capaz de fazê-lo bater...
Aquilo era um sonho? Ela realmente estava ouvindo aquilo? Rachel sabia que não tinha o costume de delirar, mas aquilo era surreal demais! Mesmo que elas estivessem juntas e namorando, aquela garota linda a sua frente ainda era Quinn Fabray. A perfeita e inalcançável Quinn Fabray. A escola inteira a admirava de alguma forma, mesmo diante de seus atos controversos como capitã das Cheerios. Mas como era perfeita aquela garota da pele sedosa, dos olhos verdes com traços dourados e um sorriso impecável! Rachel tinha a sorte de tê-la e aquilo não parecia ser algo simples de entender. Pelo menos não para a morena. Quinn parecia melhor do que ela merecia. Ela era como um sonho do qual não se quer acordar nunca e aquele sonho estava ali, dizendo que a amava...
R: Vo... Vo... [gaguejava] Você tem... cer... cer... cer... teza?
Aquele sorriso maravilhoso apareceu de novo. Quinn a olhava de uma forma que ninguém nunca havia olhado. Que Finn nunca conseguiria, nem se tentasse muito... Era evidente que apesar de estar demonstrando extrema segurança, a loira estava completamente nervosa. E Rachel percebeu ao sentir que ela tremia levemente. Mas não era pra menos. Quinn nunca imaginou que seria a primeira a falar para alguém que amava. Ela sempre foi levada a acreditar que merecia que as pessoas ficassem a seus pés. Então Rachel apareceu em sua vida e mostrou que ela era capaz de seguir a morena pelo resto da vida e se colocar aos pés dela... E mesmo que Rachel tenha sido a primeira a dizer, Quinn sabia que ela tinha sido a primeira a sentir...
Q: Eu... [tentou falar sem vacilar] Vem cá!
Quinn empurrou a porta e a fechou. Segurou a morena pelas mãos e a guiou até as escadas. Sentaram no terceiro degrau, com as mãos de Rachel envoltas pelas da loira. Ela sentia o carinho singelo dos dedos macios em sua pele...
Q: Eu sei que você merece um relacionamento onde possa andar de mãos dadas pela rua, pela escola... Um relacionamento onde você possa dizer a todo mundo com quem namora e ser verdade. Não um relacionamento fake como com Noah. [olhou-a triste] Mas eu posso te garantir que ninguém sente por você o que eu sinto. Ninguém nunca sentiu... [confessou com um sorriso tímido] Você faz com que eu tenha coragem de dizer o que sinto e o que penso, mesmo que seja só entre a gente. Você faz com que eu tenha coragem de ser quem eu sou, sincera comigo mesma...
Rachel pensou que se abrisse a boca seu coração iria sair correndo e ela nunca mais o veria...
Q: Eu penso em você o tempo todo e desejo estar com você toda hora... Não pode ser outra coisa. É amor e veio antes do seu...
Rachel não disse nada de imediato. Quinn tinha o dom de conseguir deixá-la sem palavras. Aproximou as mãos da loira dos lábios e as beijou...
R: Diz de novo... [sussurrou]
Q: Eu te amo! [sorriu] Eu te amo, Rachel Berry!
A morena avançou e a abraçou. Quinn a recebeu prontamente e sentiu o aperto sentido dos braços da namorada. Sentiu beijos delicados em seu pescoço e teve, mais uma vez, a certeza de que estar ali, nos braços de Rachel Berry, era onde ela se sentia mais feliz...
Q: Eu te amo, minha pequena... [sussurrou sobre os cabelos cheirosos] Desculpe te magoar tantas vezes...
Rachel se separou rápido do abraço e a olhou firme:
R: Não me peça desculpas. Eu prometo ser mais compreensiva com nossa situação. Eu prometo me esforçar para entender quando parecer difícil...
Q: Não... Eu tenho que pedir desculpas sim! Eu...
R: Eu te amo, Quinn! [disse encantada] Eu tenho me esgueirado para ajustar meus horários para ter o fim de tarde livre pra você. Eu tenho fingido um namoro com Noah que, por acaso, já foi seu namorado, ou quase... [sorriu] Eu tenho sentido uma saudade dolorosa nos dias em que você não pode vir... E mesmo assim eu não quero que isso mude. Se eu preciso fazer isso tudo, passar por isso para ter você comigo, eu não quero outra coisa. E por mais que eu reclame das limitações, eu não quero mesmo outra coisa. Eu não quero ninguém além de você... E eu quero tanta coisa com você...
O final da frase saiu quase que como um sussurro. Era a confissão de Rachel sobre o que Quinn já sabia: ela queria mais dela. Bem mais! Mas estava disposta a seguir as regras, a deixar que as coisas acontecessem no ritmo da loira e não no de sua vontade.
Quinn a puxou para um beijo. Ela precisava sentir os lábios macios de Rachel. E, sem demora, o beijo se tornou quente. Como não iria se tornar? Elas estavam ali, confessando o amor recíproco e, acima de tudo, assumindo pala elas mesmas, em voz alta, que aquele sentimento que as fazia tão felizes era mesmo amor... Do tipo mais puro, mais verdadeiro...
Um pigarro alto foi ouvido e só então Rachel se deu conta de que havia esquecido algo. Afastou-se rapidamente de Quinn, sentindo falta de sua língua imediatamente. A compreensão da loira logo veio ao se deparar com Leroy de braços cruzados diante delas.
L: Eu não acho que esse seja o lugar adequado para vocês namorarem, garotas...
Rachel percebeu os olhos vermelhos de seu pai. Ela o conhecia muito bem e sabia que ele tinha ouvido a conversa e, consequentemente, ficado emocionado. Ele também a conhecia bem e ao se dar conta de que ela percebeu, desviou o olhar para outra direção:
L: Vão para o quarto, mantenham a porta aberta e desçam daqui a meia hora, quando o jantar estiver pronto!
Q: Eu... Não posso demorar...
A loira estava vermelha. Ela nunca tinha sido pega em uma situação semelhante...
L: Não vai jantar conosco? [perguntou desapontado]
Q: Agradeço muito pelo convite, mas... [olhou temerosa para Rachel] Meus pais vão me levar pra jantar. Com Frannie também... Me desculpe...
A morena se aproximou novamente e deu um beijo delicado sobre os lábios macios da namorada. Ela não se importou com a presença do pai. De forma alguma! Tudo o que ela precisava era deixar claro para a loira que estava tudo bem...
R: Não se preocupe! Está tudo bem... [sorriu carinhosa]
Era incrível como um “eu te amo” mudava a perspectiva sobre algumas coisas. Normalmente, ao ouvir que Quinn tinha que ir embora logo, Rachel teria ficado irritada. Mas naquele dia ela estava tão maravilhada por ser amada pela pessoa mais linda que já conheceu que tudo parecia ter outro valor...
Rachel olhava para a porta fechada e não acreditava que Quinn havia chegado ali com uma rosa branca e que disse que a amava. Não acreditava também que ela já tinha ido embora... Sentiu as mãos de Leroy sobre seus ombros, tirando-a de seus pensamentos...
R: Ela me ama, pai! Ela me ama!
O sorriso gigantesco em seu rosto logo deu lugar ao choro. Ela começou a chorar e não conseguia parar. Sentiu seu pai a envolver num abraço carinhoso e se agarrou a ele com toda a força:
R: Quinn Fabray me ama! Não é qualquer pessoa. É Quinn Fabray! [dizia entre lágrimas]
L: Você merece que ela te ame, minha estrelinha! [dizia carinhoso] E ela merece que você a ame!
R: Eu amo! Amo...
Quinn dirigia com um sorriso no rosto. Tinha sido mais fácil do que pensava. Ela tinha medo de que fosse diferente, mas foi perfeito! Rachel era perfeita e dizer que a amava foi a coisa mais acertada que ela fez...
Uma hora depois e os Berry se encontravam sentados à mesa de jantar. Hiram havia chegado do trabalho e parecia meio irritado:
H: Não é justo, Leroy! Não é justo que eu tenha perdido mais um momento marcante da nossa filha e que você tenha feito parte!
L: Eu não fiz parte do momento!
H: Mas você estava perto e ouviu tudo! É sempre você o contemplado com esses grandes momentos. [reclamava]
L: Você foi o primeiro a trocar a fralda dela. O primeiro a ouvir “papai”.
H: Mas você foi o primeiro a ouvi-la falar “Barbra” e a cantar Don’t Rain On my Parade!
R: Pais! Por favor! [sorria] Parem com isso! Eu estou feliz e não queria que nada estragasse isso!
L: É seu papai que está com frescura... [provocou]
H: Não é frescura!
R: Chega! [disse um pouco mais firme] Por favor!
L: Ela tem razão! Vamos viajar no fim de semana e não quero nenhum clima chato entre nós.
R: Vocês vão viajar? [surpreendeu-se]
L: Nós três, filha! [disse como se fosse óbvio] Vamos para Columbus e você vai com a gente.
H: Vai ser maravilhoso! [disse animado]
R: Mas... Mas... Eu não quero ir... [fez manha]
H: Não vamos deixá-la sozinha, estrelinha!
R: Mas papai! Eu não posso me afastar agora. Eu e Quinn acabamos de passar por um momento importante do nosso relacionamento e tenho certeza de que ela dará um jeito de nos vermos nos próximos dias. Não posso estar longe se tenho a chance de passar alguns momentos com ela.
L: Filha... E se ela não puder? Se os pais dela a encherem de compromissos familiares de novo?
R: Eu tenho certeza de que ela vai tentar! [disse segura]
H: Mesmo assim... Não podemos deixar que você durma aqui sozinha. Não se estaremos longe.
R: E se ela dormir aqui?
Os talheres dos dois homens pousaram sobre os pratos ao mesmo tempo. Um olhou para o outro e depois olharam para a filha:
L: Você está querendo trazer sua namorada para dormir aqui? [perguntou calmo]
R: Hum hum... [murmurou temerosa]
H: Você entende que passou dias choramingando pelos cantos por ela sequer aparecer por aqui?
R: Hum hum...
L: E você acha que mesmo ela não conseguindo escapar para vir te ver por alguns minutos ela vai conseguir vir aqui dormir uma noite inteira?
H: Eu acho que os pais dela vão perceber quando não a virem no quarto...
R: Ok... [desanimou] Foi uma ideia estúpida...
L: Filha... Mesmo assim, quem disse que nós deixaríamos você dormir com sua namorada sem que estivéssemos em casa?
R: Vocês não... [olhou-os confusa] Não deixariam? Mas vocês disseram que nos apoiam!
L: E apoiamos!
H: Mas não é porque a Quinn é uma garota que as regras universais de pais e filhos não se aplicam aqui! Não é assim tão simples permitir que a sua namorada durma com você.
R: Mas, papai! [exclamou]
L: Se não quiser viajar conosco, tudo bem! Mas terá que chamar alguma amiga ou o Kurt para dormir aqui.
R: O Kurt é homem!
Hiram estreitou os olhos:
H: Ele é gay e vai te proteger. Quinn pode vir, mas não pode dormir.
R: Isso não é justo! [reclamou]
L: Rachel! Estamos discutindo por uma coisa tão remota que nem vale a pena. Não se iluda, meu amor! A Quinn não vai conseguir vir dormir aqui. Então já fale logo com o Kurt, ok?!
R: Mas e se ela conseguir? Eu terei que dizer que o esforço dela foi em vão e que ela não poderá ficar? [perguntou desafiante]
L: Vamos fazer assim... [olhou-a calmo] Se a Quinn conseguir fazer o milagre de poder vir dormir aqui, você terá a autorização de mantê-la. Eu te dou a minha palavra.
O sorriso de Rachel se expandiu e seus olhos brilharam como seus pais nunca viram antes...
L: Mas você pode me dar a sua palavra de que vai se comportar?
R: Hã? [o sorriso se desfez] Como assim?
H: Eu e seu pai poderemos viajar tranquilos, pensando que você e sua namorada, caso estejam dormindo juntas, estarão mesmo apenas dormindo? Com pijamas e tudo?
R: Eu... [olhou-os incrédula] Eu... Não quero lhes dar minha palavra!
L: Eu sabia! [sorriu vitorioso] Você quer aproveitar para fazer mais coisas!
R: E o que tem de errado nisso?
L: Você está mesmo pronta? Pode nos dizer que está pronta para ter sua primeira vez com Quinn Fabray?
R: Eu sinto que estou!
H: Tem certeza?
R: Ela vir não quer dizer que vai rolar nada! [tentou desconversar] E como vocês mesmos estão dizendo, há uma chance muito remota de eu conseguir fazer com que ela venha. Então não precisam se preocupar!
L: Mas e se ela vier?
R: Eu não vou mentir pra vocês... [baixou o olhar para não encará-los] Se ela me quiser eu serei dela... Se vocês quiserem garantir que isso não aconteça terão que me levar com vocês para Columbus...
Leroy se levantou do lugar e se aproximou da filha, dando um beijo em sua cabeça...
L: Você tem nossa permissão para ficar e para tentar ter a companhia de Quinn aqui. Se ela não vier, chame o Kurt...
Rachel se levantou rápido e abraçou o pai eufórica. Hiram se aproximou e passou a fazer parte daquele abraço também...
L: Juízo, filha! Muito juízo...
Eles confiavam nela. Rachel foi criada para dizer a verdade e ela assim fazia. Confiava nos pais e se expressava com mais sinceridade do que eles gostariam. Ela era uma filha tão maravilhosa que eles sentiam que ela merecia esse voto de confiança. Se ela achasse que era a hora certa, eles não a impediriam de passar por isso...
Os Fabray estavam no restaurante mais caro de Lima e Russel era interrompido o tempo inteiro por alguém que queria cumprimentá-lo. Judy mantinha os olhos sobre o marido, enquanto Frannie não tirava os olhos de Quinn. Ela percebeu que havia algo diferente na irmã. Ela estava feliz de verdade...
F: Quinnie... Vamos ao banheiro comigo? Detesto ir sozinha...
Quinn não percebeu que a verdadeira intenção da irmã era ficar um pouco sozinha com ela e a seguiu na maior inocência. Quando chegaram ao banheiro, Frannie logo percebeu que estavam sozinhas...
F: Pronto! Pode falar...
Q: Hã?
F: Por que você está com essa cara de felicidade?
Q: Eu? O que... Foi pra isso que você me chamou aqui?
F: Desembucha, maninha! [sorriu]
Q: Ok... [sorriu sem graça e se encostou na pia, respirando fundo] Rachel disse que me ama...
F: Jura? [sorriu animada]
Q: É... [afirmou tímida]
F: E você? O que fez?
Q: Eu disse que a amo também! [corou ainda mais]
Sentiu um abraço forte. Frannie estava feliz de verdade!
F: Que orgulho, Quinnie! Que orgulho! Como você disse? Me conta! [soltou-a]
Q: Eu disse que a amo, ora... E que a amo antes...
F: Own... Que fofo!
Q: Pára! [ficou ainda mais vermelha]
F: Muito fofo! [continuou provocando]
Q: Não faça com que me arrependa de ter te contado! [preparou-se para sair]
F: Ei! Eu quero saber mais!
Q: Depois... [garantiu] Agora eu estou com fome e quero mesmo comer...
Rachel esperou uma ligação ou uma mensagem de Quinn ainda naquele dia, mas não recebeu nada disso. Ela havia prometido entender e ela iria cumprir. Precisava dar sorte e Quinn deveria ir até ela de alguma forma para que ela pudesse chamá-la para dormir em sua casa. Ela rezou para que a loira não se recusasse...
Quinn caminhava com o uniforme das Cheerios com a mesma imponência de sempre. Percebeu que algumas pessoas não a admiravam simplesmente, mas que estavam cochichando alguma coisa. Ela sabia que tinha a ver com seu voto em Rachel Berry no clube do coral. Aquilo foi realmente surpreendente. Mas era apenas o começo...
A morena arrumava o armário antes da primeira aula. Estava distraída, o que era bem raro. Ela sempre esperava pela chegada de Quinn, mas naquele dia, ela estava com a cabeça na loira, e toda sua atenção nas lembranças do dia anterior... Sentiu alguém se aproximar e olhou para o lado. Seu coração disparou ao perceber que Quinn a olhava. Ela não apenas olhava, mas estava virada para ela, demonstrando que falaria alguma coisa. Rachel olhou ao redor, procurando alguém que pudesse ser o alvo da atenção da loira, mas não havia ninguém tão perto além dela mesma.
Q: Bom dia! [disse segura]
Rachel olhou novamente ao redor e não parecia real que Quinn estava falando educadamente com ela em público...
R: Estamos em público... [sussurrou nervosa]
Q: Eu sei... Agora eu falarei com você em público. [manteve-se firme] Finja que estou falando algo completamente neutro... Nada de muita importância...
A morena assentiu com a cabeça, ainda nervosa...
Q: Bom... As pessoas podem nos ver, mas não podem nos ouvir... Elas podem pensar que estou falando qualquer bobagem, ou até te ameaçando. Mas a verdade é que eu quero que saiba que estou feliz... [sorriu discretamente] Você me faz feliz... E eu falo com você em público. E você poderá vir até mim também... Falar comigo...
R: Eu não sei se consigo me controlar agora, Quinn... [sussurrou] Estou com vontade de gritar em comemoração!
Q: Controle-se... [segurou uma gargalhada]
R: Somos amigas em público?
Q: É... Estamos começando a ter uma boa convivência... [moveu-se para caminhar]
Rachel sentiu o perfume da loira impregnar em seu próprio corpo e estremeceu. Mas aquilo era pouco para o que estava por vir... Antes de se afastar de vez, Quinn sussurrou em seu ouvido:
Q: Você é minha... Eu não vou mais te magoar...
“Você é minha...” A voz de Quinn ecoou na mente da morena até longos segundos depois de ela se afastar. A voz de Kurt a tirou daquele momento...
K: O que ela queria? [perguntou assustado] Ela te ameaçou? Ela te ofendeu?
R: Não... [respondeu entorpecida] Ela decretou trégua...
Rachel não sabia como conseguiu dissimular. Como conseguiu não deixar transparecer que estava completamente apaixonada... Mas ela conseguiu...
Elas não tiveram aula juntas naquele dia. Quinn precisou ser dispensada de todas para poder voltar a treinar. A treinadora estava satisfeita com a recuperação e o desempenho impecável de sua melhor Cheerio. Ela inflou o peito de orgulho. Ninguém merecia ser capitã como Quinn sempre mereceu...
Santana observava o treino e sua expressão não era das melhores. Ela não engoliu o voto de Quinn em Rachel, assim como não estava engolindo o boato que se espalhava pela escola. Agora todos sabiam que Quinn e Rachel estavam desenvolvendo uma amizade e aquilo não parecia normal para a latina.
S: Eu vou descobrir o que está havendo... [murmurou para si] Eu vou descobrir...
Ela conhecia aqueles sapatos, aquelas meias, aquelas pernas. Colocou as mãos nos bolsos do moletom e olhou ao redor. Não havia mais ninguém naquele corredor além de Rachel encostada à parede próxima à porta do vestiário. Quinn se aproximou e retirou a chave do cordão no pescoço e abriu, dando à morena a preferência ao entrar. Assim que o barulho da porta fechando pôde ser ouvido, Rachel sentiu o corpo de Quinn avançar sobre o dela. Alguns passos para trás e ela sentiu, novamente, os armários vermelhos em suas costas. A loira a beijava com necessidade. Ela se sentia protegida ali e podia beijar a namorada da forma que quisesse. Na verdade, bastava ela querer e ela poderia fazer mais, muito mais... Os dedos de Rachel se prenderam aos cabelos de Quinn, desfazendo o rabo-de-cavalo impecável, enquanto os beijos que a loira dava mudaram de direção. Agora o pescoço da morena era seu alvo e os gemidos que passavam pelos lábios carnudos eram música para seus ouvidos. As mãos de Quinn mergulharam sob o suéter de Rachel e deslizaram pela pele quente, chegando aos seios firmes cobertos por um sutiã que ela podia jurar ser preto, só por tocar. Apertou-os, ouvindo a morena gemer cada vez mais...
Era sempre incrível como Quinn era especialista em fugir das palavras. Ela se comunicava melhor daquela forma. Elas já haviam falado o suficiente. Precisavam sentir...
Q: Eu amo todos os sons que saem da sua boca... [sussurrou]
Rachel pôs as mãos sobre as dela e a fez parar de apertar seus seios. Ela não queria mesmo que ela parasse, mas naquele momento ela sentiu que deveriam ir mais devagar...
Q: Desculpe... Me desculpe... [afastou as mãos de vez] Eu só... Me desculpe...
Rachel levou as mãos ao rosto dela e sorriu. Aproximou o rosto novamente e passou a deslizar o nariz sobre o dela...
R: Eu não queria ter que parar...
Q: Mas você está certa... Esse não é o lugar ideal... [amolecia com o carinho]
R: E se tivermos o lugar ideal?
Q: Como assim?
R: Meus pais vão viajar no fim de semana e estarei sozinha em casa... Há alguma chance de você vir ficar comigo?
Quinn enrijeceu. Moveu-se para encarar Rachel. Ela precisava ter certeza de que aquilo era sério.
R: Bom... [começou a ficar nervosa] Na verdade, a ideia era que eu fosse também, mas eu pedi pra não ir. E se você não puder me fazer companhia eu terei que chamar o Kurt. E eu não quero o Kurt. Se você não puder ir, é melhor que eu viaje com eles...
Quinn a soltou e se afastou um pouco. Ela precisava processar as informações que tinha acabado de ouvir. Os pais de Rachel iam viajar e a morena a queria com ela. Elas ficariam sozinhas, completamente sozinhas na casa da namorada. Foi impossível disfarçar o nervosismo que começou a dominá-la. Não era apenas o fato de ter que inventar uma grande desculpa para seus pais não desconfiarem de que ela dormiria na casa dos Berry, mas havia o medo das expectativas que Rachel poderia criar sobre a situação...
Q: Eu não sei se... Se eu posso... Sabe, meus pais vão me encher de perguntas e...
R: Tudo bem!
Rachel achou melhor cortar o assunto. Ela não queria se decepcionar. Talvez tivesse sido precipitado da sua parte pensar que Quinn aceitaria sua ideia...
Q: Não é que eu não queira...
R: Está tudo bem... [tentou convencê-la] Eu vou falar com meus pais. Eu vou com eles pra Columbus. [sorriu compreensiva]
Q: Eu estou te magoando de novo... [disse triste]
R: Não... [puxou-a para mais perto] Não me magoou. Está tudo bem! Está mesmo...
Quinn não se convenceu. Mas o mais importante era que ela mesma não queria se convencer. Não queria que Rachel viajasse. Não queria perder a oportunidade de dormir na casa dela. Afastou-se da namorada e foi até o armário, abrindo uma das portas e pegando o celular na bolsa.
R: O que você está fazendo?
A loira levou o telefone ao ouvido e ergueu o indicador pedindo um segundo...
Q: Hey! Preciso de um grande favor... Me ajuda a passar o fim de semana fora de casa... Depois eu explico...
O coração de Rachel acelerou. Quinn estava mesmo se esforçando?
Q: É... Claro que tem a ver com ela... Por favor! É muito importante! Você faz isso por mim? [ouvia um pouco] Ótimo! Nem sei como agradecer...
Quinn desligou o telefone e ficou segurando por alguns segundos, olhando para a tela que se apagou.
Q: Você não vai para Columbus... [disse sem olhá-la]
R: Não? [perguntou confusa]
Q: Não... [virou o rosto para olhá-la] Eu não vou perder essa chance de ficar com você. Frannie vai me ajudar...
R: Você está falando sério?!
O sorriso e o semblante emocionado que se formaram no rosto de Rachel fizeram o coração de Quinn bater num compasso diferente. Como o simples fato de dizer sim a um fim de semana juntas poderia fazer tanta diferença?
A morena se jogou nos braços dela e encaixou o rosto no pescoço da loira, aspirando o cheiro gostoso da pele perfeita. O cheiro mais maravilhoso que nem três horas de treino eliminavam...
R: Eu te amo... De verdade, eu te amo!
Quinn se moveu e a segurou pelo queixo, dando-lhe um beijo delicado, completamente carinhoso...
Q: E eu te amo antes...
Era sábado e Rachel estava elétrica. Ela já tinha arrumado a casa inteira. Seus pais haviam deixado milhares de recomendações e ela jurou obedecer a grande parte delas. Empilhou os filmes preferidos sobre a mesa de centro da sala de estar. Separou o milho de pipoca e encheu a geladeira de uma grande variedade sucos e sorvete. Leroy havia deixado o almoço na geladeira, bastava esquentar. Mas ela tinha certeza de que sua obra-prima era o quarto. Ela colocou lençóis cheirosos e travesseiros fofos. O quarto inteiro tinha o cheiro de limpeza misturado com lavanda e, correndo o risco de ser brega, ela poderia jurar que tinha cheiro de amor... Ela não sabia que desculpa Frannie havia inventado, mas soube que deu certo. Quinn confirmou que iria e já não importava mais de que forma. O importante era que ela chegasse às 10 horas, como havia combinado. Mas já eram 10:05 e ela começou a ficar aflita... O som da campainha a fez entender que não precisava se afligir. Quer dizer... Era óbvio que haveria um rodamoinho de sentimentos. E ele surgiu, trazendo como o mais evidente de todos o nervosismo. Ela não sabia dizer como conseguiu descer as escadas sem cair, pois podia jurar que suas pernas estavam tremendo mais que gelatina. Abriu a porta como um furacão e não havia ninguém. Olhou para baixo e havia flores, muitas flores coloridas numa cesta. Rosas vermelhas, brancas, amarelas... Ela se abaixou e segurou a cesta aspirando o cheiro que aquelas flores emanavam. Ergueu o olhar e viu Quinn parada, encostada ao carro que tinha Frannie como motorista. A loira tinha sido mesmo rápida ao deixar as flores e voltar ao veículo. Ela segurava uma bolsa um pouco maior do que a das Cheerios, com tamanho suficiente para levar o que ela precisaria para aqueles dois dias. O sorriso maravilhoso em seu rosto não indicava em nada como ela estava no dia anterior, ou melhor, na noite anterior. Ela estava ansiosa, mas também estava apavorada. A simples ideia de seus pais descobrirem fazia seu estômago revirar. Mas, talvez, pior do que isso seria não atender às expectativas de Rachel. Ela não poderia ser uma companhia ruim, uma namorada ruim, nada poderia ser ruim... Ela seria capaz de ser perfeita como a morena merecia? Ela mal sabia que, para Rachel, ela já era...
Frannie disse alguma coisa que a morena pôde supor que era alguma palavra de incentivo. Quinn começou a caminhar em sua direção e o carro se afastou, desaparecendo rapidamente do seu campo de visão. Rachel deu alguns passos para trás, deixando que Quinn entrasse em sua casa sozinha, sem que ela precisasse dar-lhe a vez. Era uma forma silenciosa de dizer “você está em casa...” E era como a loira se sentia: em casa.
R: Você veio... [sorriu]
Q: Eu disse que viria... [sorriu de volta]
R: Você não vai se arrepender! [garantiu]
Q: Eu sei que não...
Tudo fluía bem. Ao contrário do que elas pensaram individualmente que seria, não avançaram uma sobre outra de forma desesperada. Elas tinham a casa só para elas por dois dias e não precisavam ter pressa. Era a primeira vez que a pressa não estava com elas...
O almoço tinha sido perfeito. Conversaram sobre muitas coisas e Quinn percebeu que qualquer coisa saída da boca de Rachel era mesmo o som mais lindo do mundo...
Estavam sentadas no sofá. Depois de alguns longos minutos de indecisão, optaram por assistir Funny Girl. Quinn tinha Rachel deitada sobre suas pernas e acariciava os cabelos da morena conforme ela ria e se encantava com o filme que já tinha visto tantas vezes. A loira pegou o controle remoto que estava ao lado e apertou o botão “stop”.
R: Hey! [surpreendeu-se] O que houve?
Quinn não respondeu. Ela se moveu, obrigando a morena a sair de suas pernas. Quando Rachel se sentou, buscando uma explicação para aquela atitude, percebeu o sorriso encabulado da loira. Quinn a puxou para seu colo e acariciou os cabelos escuros, colocando a parte maior da franja da namorada atrás da orelha...
Q: Eu pensei que poderíamos fazer outra coisa além de assistir ao filme...
R: É? O que você quer fazer?
Era, sem dúvida, o beijo mais gostoso do mundo. Nenhuma das duas poderia negar isso. Era como se suas bocas tivessem sido feitas para se encontrar. E como se encontravam! Não demorou para que Quinn estivesse sobre Rachel, no confortável sofá. A morena estava em êxtase. Ela sentia os beijos de Quinn em seu pescoço, queixo, colo... Elas estavam avançando e não havia melhor momento, melhor lugar... Mas a loira parou de repente.
R: Quinn? [chamou calma]
Ela continuava parada sobre ela, apenas respirando sobre o pescoço moreno...
R: Quinn?
A loira se afastou e sentou...
Q: Estamos indo além... Não estamos? [perguntou nervosa]
R: Estamos... [sentou-se também] A menos que... A menos que não seja o que você quer...
Q: Eu quero! [disse firme] Eu quero muito!
Rachel sorriu. Era muito bom ouvi-la dizer que também queria... Sem pensar em mais nada, levou as mãos à barra da própria blusa e a retirou, jogando no chão. Quinn se arrepiou ao ver os seios da namorada cobertos apenas pelo sutiã. Mas aquilo não duraria muito tempo, pois Rachel foi rápida ao retirá-lo também. Os olhos verdes ficaram ainda mais escuros e com as pupilas dilatadas. Não era a primeira vez que Quinn os via, mas naquele dia os seios de Rachel pareciam ainda mais perfeitos...
R: Esse é o momento mais íntimo que eu já tive e eu escolhi você para dividir algo que vai me marcar para sempre... [disse apaixonada]
Q: Tem... T... Tem certeza? [perguntou nervosa]
R: Me toque... [pediu suavemente] Só me toque...
Quinn obedeceu à namorada e, principalmente, aos próprios desejos. Levou as mãos aos seios macios de Rachel e gemeu. Ela gemeu como nunca. Eram tão macios e tão perfeitos... Ela já havia tocado, mas naquele momento, tudo era melhor...
Por um momento Noah apareceu na mente de Quinn. Ela se lembrou rapidamente do dia que ela queria tanto esquecer. O dia em que cometeu o equívoco de tentar expulsar de sua mente e de seu corpo todo aquele desejo que ela sentia por Rachel e que a sufocava. Ela ainda estava longe de admitir para si mesma o que sentia e de se sentir livre e feliz por sentir. Mas agora ela tinha Rachel. Ela tinha o seu objeto de desejo. A pessoa que a fez entender sua sexualidade mesmo quando nem sonhava com seus sentimentos... Ela a tinha ali, pronta para se despir por completo. Pronta para ser dela por inteiro. E ela a tinha em suas mãos... Ela sentia a textura dos seios macios... Noah sumiu de sua mente. O passado inteiro sumiu de sua mente e tudo o que ela era capaz de pensar era em Rachel completamente entregue a ela. E ela a queria... Mais do que um dia já quis qualquer coisa... Mais do que um dia já quis não a querer...
Q: Eu quero... [murmurou]
R: O que você quer?
Quinn não respondeu. Ela se moveu. Deitou Rachel novamente no sofá, com cuidado, com carinho... Uma breve troca de olhares mostrou a intensidade dos sentimentos que elas dividiam naquele momento...
R: O que você quer? [perguntou carinhosa]
E Quinn resolveu mostrar, ao invés de falar. Ela se moveu novamente e beijou o queixo da morena, descendo os beijos pela garganta, pelo colo... Rachel fechou os olhos e sentiu o nariz da loira deslizando por sua pele. Ela parou em seus seios. Ela aspirava o cheiro da pele morena e não queria mais sair dali. E Quinn foi além do que Rachel podia pensar naquele minuto. Ela deslizou a língua sobre o mamilo do seio direito da morena e foi um momento de glória... Foi o momento em que todos os seus medos pareciam ir embora. Ali, sobre Rachel ela sentia toda a segurança da qual precisava. Rachel Berry tinha um gosto delicioso e pensar que ela estava tendo a sorte de ser a única pessoa no mundo a provar... Aquilo era magnífico! E ela seguiu. O simples deslizar da língua se transformou e ela abocanhou o seio, surpreendendo a namorada. Era mais, muito mais do que ela esperava ali no sofá. Rachel a segurou no rosto com as duas mãos, despertando-a do entorpecimento em que havia mergulhado. Quando Quinn ia pensar que era hora de parar, a morena lhe deu a resposta...
R: Vamos para o quarto...
Ela olhou para Rachel como se olhasse para toda a perfeição do mundo. Ela estava tão feliz com o que estava acontecendo que a morena quase desistiu de sair dali. Mas não... Ela tinha preparado o quarto e ele estava perfeito. Elas tinham que subir. E a cada degrau Quinn observava o movimento dos quadris de Rachel. E como ela era sexy só de saia... Cada passo era o paraíso se aproximando. Não! O paraíso estava, na verdade, puxando-a pela mão...
[CONTINUA...]
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