Mais Que Um Segredo...
12 Capítulo 12 - Nada ou mais que isso...
O coração de Rachel parecia que ia sair pela boca. Era normal, já que fazia muito tempo que ela não corria daquele jeito. Aliás, ela nunca havia corrido daquela maneira... Mas ela não conseguia fazer outra coisa ali além de correr. Correr muito rápido até estar perto de Quinn. Por um momento, ela esqueceu completamente de todo o segredo que envolvia a relação delas e nada mais importava...
Noah corria logo atrás, impressionado com a rapidez da morena baixinha. Ele não pensou em impedi-la de correr. Ele também queria se aproximar de Quinn e saber como ela estava. Todas as Cheerios a cercavam e Sue Sylvester gritava ordens que Rachel não conseguia identificar. Antes que ela alcançasse seu objetivo, bateu de frente com uma barreira que se formou. Santana e mais duas Cheerios que ela nunca tinha visto eram um muro que a impedia de seguir adiante:
S: Aonde pensa que vai, Berry?
R: Eu... Eu... Eu vou...
Só então ela percebeu que estava agindo além dos limites. Só então ela se lembrou do segredo. Seu coração disparava, como se quisesse fugir de seu peito, mas já não tinha a ver com a corrida. Era tudo preocupação.
S: Saia daqui! Aqui não é seu lugar!
B: Deixa a Rachel, S!
S: Fica tranquila, Britt! Deixa que eu resolvo aqui!
Rachel se esticava para tentar ver Quinn por trás do grupo que a cercava, mas sentiu a mão de Santana a carregando para longe.
S: Quinn Fabray nunca caiu! Aconteceu justamente no dia em que você aparece aqui! É alguma bruxaria, Berry? [perguntava irritada]
R: Quê?! [assustou-se] É claro que não!
Noah empurrou quem estava à sua frente e se deparou com Quinn deitada no chão, inerte, mas consciente. Abaixou-se rapidamente:
N: Quinn? O que você está sentindo?
Q: Tire-a daqui! [murmurou]
Sue: Q, uma ambulância está vindo. Não se mova, ok?!
Q: Eu estou bem, treinadora! [tentava falar]
Sue: Só não se mexa! [ordenou]
Q: Noah... [chamou baixinho] Tire-a daqui rápido!
N: Mas Quinn...
Q: TIRE A RACHEL DAQUI!
O grito da loira foi ouvido por todos, inclusive pela morena e a latina enfurecida. Rachel desviou o olhar e conseguiu vê-la deitada. Seu coração se despedaçou...
Q: Tire a sua namorada daqui! [disse firme, porém mais baixo] Tire-a de perto de mim! [disse irritada]
O rapaz assentiu e se levantou, indo em direção à Rachel e segurando-a pelo braço:
N: Vamos embora!
A morena sequer teve qualquer reação. Deixou-se levar...
S: Isso! Vai embora bruxinha! Você não é ninguém para estar aqui! Não tem nada que ficar urubuzando a Q!
Enquanto era retirada do campo por Puck, Rachel via Sue Sylvester expulsar o restante das Cheerios de lá também. A morena se soltou bruscamente do aperto dele em seu braço e passou a caminhar sozinha. Ele tentava acompanhar os passos dela:
N: Espera, Rachel!
R: Não! [enxugava as lágrimas que começavam a cair]
N: Ela vai ficar bem! [tentava tranquilizá-la]
R: Ela... Ela... [chorava mais forte, mas sem olhar para trás]
N: Ela vai ficar bem...
Noah a puxou de volta, envolvendo-a em um abraço apertado. Logo sentiu os braços da morena o envolverem. Rachel soluçava de chorar. Estava apavorada! Mas também estava ferida:
R: Eu preciso saber como ela está, mas ela não me quer perto dela... [falava entre soluços]
N: Hey... [buscou os olhos dela] Eu não sou nenhum gênio, mas sei que ela fez isso para proteger vocês!
R: Para se proteger! [corrigiu] Eu não preciso desse tipo de proteção!
N: Que seja... [deu de ombros]
R: Oh meu Deus! [voltou a chorar forte] Será que é grave? [preocupou-se mais]
N: Ela está consciente. Isso já é um bom sinal...
Russel Fabray dava ordens a todo mundo que aparecia em sua frente. Ele queria o melhor tratamento para sua caçula. E ele teria. Assim que recebeu a ligação avisando que Quinn havia se acidentado, acionou todos os contatos que tinha no melhor hospital da cidade e assim que a ambulância da loira chegou, a mais completa equipe médica a recebeu. Todos os exames foram realizados em tempo recorde e o melhor neurologista apareceu na companhia do melhor ortopedista para assegurar que nada de grave havia acontecido...
Russel: Então foi só uma torção?
Médico: Uma luxação no ombro que logo vai sarar se ela não abusar dos movimentos.
Russel: Não deu nada na tomografia? [perguntava preocupado]
Médico: Está tudo perfeito, senhor Fabray!
O homem imponente levou as mãos aos cabelos, alisando-os apreensivo:
J: Calma, querido! Está tudo bem agora!
Russel: Eu preciso de um calmante, Judy! [sentou-se cansado]
J: Nosso voo é daqui a pouco. Você não gosta de viajar sonolento.
Russel: Eu não vou mais viajar hoje! Precisamos ficar com a Quinnie.
F: Eu fico com ela, papai!
Frannie Fabray era tão linda quanto a irmã. Talvez um pouco menos, mas sempre chamava atenção onde chegava. Não apenas por sua beleza, mas por sua personalidade expansiva. Sempre comunicativa e sorridente. Ao contrário de Quinn, que era sempre observadora e calada.
Russel: Filha... [levantou-se para abraçá-la] Você demorou...
F: Trânsito... Como ela está?
J: Está bem! Vai ficar um tempo com o braço imobilizado por conta do ombro e com uns arranhões, mas tudo passa logo.
F: Graças a Deus!
J: Precisamos ir para Washington. Seu pai tem essa conferência importante.
Russel: Eu já disse que não vou, Judy! [esbravejou] Onde já se viu? Deixar minha filha acidentada para ir ouvir baboseiras de políticos idiotas?
F: Isso faz parte da sua profissão, papai... [disse tranquila] Vocês podem ir! Eu cuido dela.
Russel: Eu não vou!
F: Vai sim! [insistiu]
Depois de uma longa discussão, Russel acabou cedendo. Viajou contrariado, principalmente por não ter conseguido se despedir de Quinn, já que a loira estava completamente apagada por conta dos sedativos que lhe foram dados.
Enquanto isso, Rachel estava em casa arrasada. Obviamente que as aulas naquele dia acabaram não rendendo nada. Logo se espalhou pelos corredores a notícia de que Quinn Fabray havia sucumbido à falha de uma pirâmide fraca que a levou ao chão sem dó nem piedade. A chegada da ambulância foi um show à parte. A multidão estava tão ansiosa que mais parecia que testemunhava um eclipse solar...
A morena estava deitada no sofá, olhando para o teto, enquanto Noah estava sentado no chão, encostado no estofado.
R: Eu preciso saber dela... [murmurou chorosa] Mas eu não posso ligar ou mandar mensagem...
O rapaz se moveu e retirou o celular do bolso da calça:
N: Tome! [passou para ela] Acho que do meu você pode, né?!
R: Não! [recusou] Eu não sei quem vai atender. Eu não posso dar essa bandeira. Ela vai ficar com raiva.
N: Ok... [começou a discar] Então eu ligo!
Rachel o olhou ansiosa, achando-se burra por não ter pensado nisso antes. Mas ninguém atendeu. Mais três tentativas e nada...
N: Deve estar no silencioso... [tentou não preocupá-la]
R: Ou é algo grave? [voltou a chorar]
N: Hey! [subiu no sofá e a abraçou] Não pensa assim. Notícia ruim chega logo!
R: Isso não está provado cientificamente... [continuava chorando]
N: Não força, Rachel...
Ela não reconhecia aquele cheiro... Nem aquela cama. Abriu os olhos devagar, sentindo um peso estranho nas pálpebras. Instintivamente se mexeu e sentiu dor...
F: Hey, mocinha! Fique quieta!
Q: Fran... Frannie? [perguntou confusa] O que houve? [murmurou cansada]
F: Você despencou do topo da pirâmide como uma maçã podre cai de uma árvore. [disse sorrindo]
Q: A maçã precisava ser podre no seu exemplo?
F: É mais divertido assim...
Q: Está doendo... [murmurou] Eu estou bem?
F: Apesar dessa dor, está perfeita! [sorriu aliviada]
Quinn olhou ao redor devagar e não viu os pais. Antes que perguntasse, a irmã se adiantou:
F: Foi difícil convencer o papai a viajar, mas eu consegui.
Q: Era uma viagem importante... [murmurou]
F: Ele não estava se importando muito em perder. Mas eu e mamãe o convencemos a ir.
Q: Fez bem... [fechou os olhos] Estou com sono...
F: Durma! Tente descansar...
Rapidamente, a loira voltou a dormir. Frannie foi muito atenciosa com todos que estavam na sala de espera: Sue Sylvester, Cheerios e parte do Glee Club. Santana insistia em se vangloriar da forma como expulsou Rachel do campo, mesmo que Brittany pedisse que ela parasse de fazer aquilo.
À noite, foi a vez de Noah ceder seu posto aos Berry. O rapaz ainda tentou ligar mais algumas vezes para Quinn, mas não foi atendido. Leroy e Hiram ouviam calmamente as lamentações da filha, e diziam a ela, exaustivamente, que tudo ficaria bem...
R: É tão ruim! [reclamava] Eu não sei nem o hospital onde ela está. Eu não posso ligar para saber de nada. Não posso aparecer. É como se... [respirava fundo] Como se eu não fosse ninguém...
L: Filha... Deve estar tudo bem. Você já saberia se fosse algo grave.
R: Saberia como? Ninguém se preocuparia em me dar a notícia, porque afinal eu sou o segredo dela.
H: Mas as fofocas correm. Ou você acha que a filha de Russel Fabray se envolveria num acidente grave e os jornais não falariam nada? Já olhei na internet e não há nenhuma notícia.
R: É... Você deve ter razão... [murmurou] Mas, mesmo assim... É muito ruim ficar de fora!
Aquela noite não foi nada boa! Rachel revirou na cama durante horas, revisando o celular à espera de alguma notícia dela. Mas o sol surgiu e nada havia mudado... Ela queria ficar em casa, mas sabia que indo à escola poderia ter notícias. E ela tinha razão... Não demorou muito para ouvir pelos corredores que Quinn estava bem. Praticamente, todo o boletim médico era narrado a cada 5 metros. E a cereja do bolo era saber que Santana havia atribuído a queda a uma magia que Rachel Berry havia feito. Algo que a morena baixinha havia supostamente aprendido com seus ancestrais meio judeus e meio bruxos. Aquilo soava tão ridículo que ela custou a compreender que muita gente estava acreditando. Mas ela não queria se preocupar com aquilo ainda. A consciência de que Quinn estava bem e de que todos sabiam, menos ela, colocavam-na numa realidade alternativa onde tudo acontecia ao seu redor, mas de forma alheia à sua existência. Sentia-se por fora, sem importância, uma qualquer diante de todos... Se Quinn estava tão bem, por que não havia ligado para ela ainda? Por que não havia sequer mandado uma mensagem?
Frannie lia uma revista quando a loira acordou:
Q: Quando eu vou sair daqui? [perguntou com a voz rouca]
F: Agora! Estava só esperando você acordar... [respondeu calma]
Q: Certo... [murmurou]
F: Eu vou cuidar de você, mas gostaria que fosse no meu apartamento. Pode ser?
Q: Hum hum... [assentiu]
F: Ótimo! [sorriu] Enquanto você dormia, deixei que Santana e Brittany lhe fizessem companhia e peguei algumas roupas suas.
Q: Obrigada! Você... Viu meu celular?
Sem responder, Frannie abriu a bolsa da irmã e lhe passou o aparelho. Quinn o revisou com calma e sentiu um aperto no coração ao não encontrar nenhuma ligação ou mensagem de Rachel. Em compensação havia 15 ligações do Noah. Ela logo entendeu que não podia ter sido só ele...
Ele caminhava em direção ao vestiário quando sentiu o celular vibrar no bolso. Assim que viu o nome de Quinn no visor, olhou ao redor para ver se avistava Rachel, mas nem sinal dela...
N: Alô? [atendeu desconfiado]
Q: Noah?
N: Oh Deus, Quinn! Como você está? [perguntou preocupado]
Q: Estou bem! Eu vi suas ligações...
N: Minhas e dela... [esclareceu]
Q: Foi o que pensei... [murmurou]
Quinn ergueu o olhar para observar a irmã e não teve coragem de perguntar nada do que pretendia.
Q: Só avisa que estou bem e que depois eu ligo ou mando mensagem, ok?!
N: Ok!
Q: Você entendeu, não entendeu?!
N: Eu não sou tão burro assim, Quinn!
Q: Certo...
Rachel ouvia o recado e se sentia confusa. Uma parte dela estava aliviada por saber que Quinn estava bem, mas isso ela já sabia graças aos corredores. Mas essa mesma parte se sentia um pouco satisfeita por saber que a loira se importou em mandar notícias. Porém, outra parte ainda se sentia mal, excluída, distante...
Frannie arrumou tudo no apartamento para que Quinn se sentisse o mais confortável possível. Percebeu que ela estava muito quieta, mas já estava acostumada com os silêncios duradouros aos quais a irmã caçula se submetia. Ia à cozinha quando ouviu a voz dela:
Q: Eu posso chamar uma amiga para vir aqui?
A voz da loira era baixa, um tanto constrangida...
F: Santana ou Brittany?
Q: Nenhuma... Nenhuma das duas... [respondia com a voz hesitante]
F: Quem então?
Q: Você não a conhece... [mantinha o olhar em qualquer lugar, menos nela]
F: Mas ela tem nome, não tem?! [sorriu]
Q: Claro! [sorriu encabulada] É... Rachel...
F: Berry?
Apesar de ter tido febre, Quinn estava suando frio e ficou ainda mais gelada com a pergunta de Frannie...
Q: Como... Co... Como você sabe?
F: Eu adoro os pais dela!
Q: Você os conhece? [perguntou confusa]
F: Hiram Berry foi meu professor na faculdade. O melhor arquiteto que já conheci! [sorriu orgulhosa] E ele é louco pela filha! Impossível não conhecê-la. Eu sei que ela estuda com você. Só não sabia que eram amigas.
Q: Somos... Há um tempinho... [baixou o olhar, com medo de deixar algo transparecer]
F: Chame quem quiser aqui, meu amor! [sorriu carinhosa] Esse apartamento é seu também!
Q: Está no seu nome...
F: Mera formalidade, Quinnie... Chame-a! Assim eu aproveito e vou ao mercado quando ela estiver aqui te fazendo companhia...
Rachel juntava seu material para a aula de física quando sentiu o celular vibrar dentro da mochila. Não acreditou quando viu o nome de Quinn no visor. Olhou ao redor e se sentiu vigiada. Algumas pessoas ainda a observavam, soltando piadinhas envolvendo a bruxaria inventada por Santana. Não... Ela não estava à vontade ali. Precisava sair. Guardou o material de volta no armário e sentiu o celular parar de vibrar. Dirigiu-se à saída do colégio e discou o número que já sabia de cor... Quinn atendeu ao primeiro toque:
Q: Desculpe... Você está ocupada? [perguntou temerosa]
O silêncio de Rachel fez Quinn se preocupar...
Q: Rachel?
R: Essa é a primeira coisa que você quer perguntar?
O tom de voz da morena era magoado e Quinn pôde supor que ela já sabia de tudo e que não gostou nada de não saber através dela...
Q: Me desculpe... [pedia com sinceridade]
R: Ok... [respondeu fria] Fico feliz por você estar bem...
Q: Posso te ver?
R: Hã?
Q: Eu quero te ver...
R: O... Ok... Como?
Q: No apartamento da minha irmã...
R: Você vai pra lá?
Q: Eu estou aqui agora... Vou ficar por aqui alguns dias. Ela vai cuidar de mim, o que significa vigiar...
Quinn percebeu que conseguiu extrair uma pequena risada de Rachel. Já era alguma coisa...
Q: Você vem?
R: Eu fiquei louca de preocupação... [confessou]
Q: Me desculpe!
R: Louca, Quinn! [enfatizou]
Q: Mais uma vez... Me desculpe! Por favor...
R: Estou indo...
Não demorou e Rachel estava em frente à porta do apartamento. Duas batidas leves e logo ela se deparou com a figura magnética de Frannie.
F: Você é exatamente igual à forma como seus pais te descrevem!
R: Você... Conhece meus pais? [perguntou surpresa]
F: Sim! E é um prazer conhecê-la! [sorriu sincera]
R: Obrigada! [respondeu corada]
F: Quinn está no quarto. É só seguir em frente.
Rachel ouviu a instrução sem deixar transparecer que já conhecia muito bem o quarto onde Quinn estava.
F: Estou indo ao mercado aqui ao lado comprar algumas coisas. Você se incomoda em fazer companhia à Quinn?
R: Claro que não!
F: Ótimo! [sorriu amplamente] Ela me disse que você é vegetariana, como seus pais. Por isso, me pediu para comprar alguma coisa para você jantar.
R: Não precisa se incomodar comigo! [disse preocupada]
F: Eu faço questão!
Assim que Frannie fechou a porta, Rachel caminhou em direção ao quarto. Mal colocou o pé dentro do cômodo e sentiu o corpo inteiro estremecer ao ver Quinn indefesa sobre a cama, encostada na cabeceira, confortável com vários travesseiros.
O olhar da loira brilhou ao vê-la entrar:
Q: Pensei que você ia ficar na sala para sempre... [sorriu encabulada]
Rachel nada disse. Apressou o passo e sentou na cama, segurando o rosto de Quinn entre as mãos. Nada mais deveria ser feito além daquele beijo. Era a prioridade. A primeira coisa certa a ser feita! Não demorou um segundo para que a loira cedesse aos lábios carnudos da morena, deixando-se provar da forma que ela quisesse... Sentiu o beijo parar e a testa de Rachel encostar na dela...
R: Eu fiquei louca quando te vi caindo e minha loucura foi aumentando... Eu me senti mal quando você me expulsou de perto de você... [confessava chateada]
Q: Eu não podia deixar que você permanecesse ali. Me desculpe...
R: Eu fiquei preocupada! E você não tem ideia de como é ruim me sentir tão alheia ao que acontece com você! [afastou-se para olhá-la] Todo mundo teve acesso a alguma informação. Todo mundo pôde ficar perto. Enquanto isso, eu fiquei de fora, como se eu não fosse nada sua. Eu fui, literalmente, o “nada” que Santana fez questão de deixar claro que eu sou...
Q: Santana foi uma idiota!
R: Ninguém discordou quando ela me abordou...
Q: Eu não...
R: Eu sei... [interrompeu] que você não podia me defender... Eu já me acostumei com isso...
Era fato que Rachel estava magoada. Quinn não precisava de mais nada para saber...
Q: Rachel...
R: Esquece! [suspirou] Me diga como você está... Eu quero saber por você!
Q: Ok...
Por alguns minutos, a loira contou sobre seu estado, tranquilizando a morena...
R: Ainda bem que não foi nada grave! [suspirou aliviada]
Q: Frannie volta já! [disse de repente]
R: Imagino que sim!
Q: Rachel...
R: Oi...
Q: Que tal você entender que deveríamos aproveitar esse momento sozinhas e tomar a iniciativa? Ainda estou dolorida e não consigo me mexer muito. Seria muito bom se você me beijasse de novo por conta própria... [disse frustrada]
O sorriso lindo que Rachel deu fez Quinn pensar que, talvez, a chateação da morena tivesse passado. Sentiu o colchão ceder ao lado e Rachel se aconchegar de uma forma que não fosse possível machucá-la mais. A morena levou a mão delicadamente ao queixo dela e a puxou suavemente para um beijo que continha mais carinho do que qualquer outra coisa... Seus lábios se comunicavam sem mágoas. Não havia qualquer chateação em suas línguas...
R: Devagar... [sussurrou tão logo percebeu que Quinn avançaria] Você está machucada...
Q: Eu não me importo...
R: Mas eu sim... [sorriu suavemente]
Quinn bufou...
Q: Você está chateada mesmo, né?!
R: Estou feliz por você estar bem e por ter me chamado aqui. Esse sentimento é maior e mais forte do que chateação que sim... Ela existe.
Q: O que eu posso fazer para você me perdoar?
R: Huuum... [sorriu maliciosa] Tenha paciência... Assim que você estiver completamente bem, eu saberei como te cobrar.
Quinn se arrepiou e já tinha a coisa certa a dizer quando ouviu o chamado de Frannie se aproximando do quarto. Rachel se moveu rapidamente e sentou mais na ponta da cama, afastando-se o máximo que podia para que nada nela indicasse que minutos antes estava aos beijos com Quinn.
F: Meninas, cheguei! [entrou no quarto]
Q: Percebemos...
F: Não seja ranzinza...
Rachel sorriu encabulada e Frannie percebeu um certo rubor no rosto da morena. Mas nada disse. A Fabray mais velha se aproximou da irmã e pôs a mão na testa dela...
F: Você está febril...
Q: Bobagem...
F: Agora é. Mas pode virar febre de verdade. Vou pegar o remédio e já deixar aqui ao lado.
Q: Você está exagerando!
F: Você acha que estou exagerando, Rachel?
R: Não! Eu não acho! Eu não disse nada, mas eu senti sua pele quente mesmo...
A frase não foi adiante. Não que a partir dela desse para concluir que a forma que ela usou para sentir a pele de Quinn tinha sido um abraço bem íntimo como parte de um beijo bem romântico. Mas ela sabia que tinha sido dessa forma e sentiu-se completamente decifrada por Frannie. Quinn gelou e olhou para a irmã a fim de encontrar algum sinal de que ela tinha pescado alguma informação excessiva.
F: Obrigada, Rachel! [sorriu] Tenho minha aliada, Quinnie! [piscou-lhe] Então, o remédio vem para a mesinha lateral. E eu vou preparar o nosso jantar. Rachel... Você janta conosco, certo?!
R: Eu... Não sei... [olhou confusa para Quinn]
Q: Sim! Ela janta!
F: Ótimo! Eu chamo quando estiver tudo pronto!
R: Você não quer ajuda? [perguntou educadamente]
F: Quero! Para cuidar da teimosa aí! [piscou-lhe]
R: Ok! [sorriu]
Q: Eu não sou teimosa!
F: Hum hum... Sei... Até já!
A porta se fechou e as duas ficaram alguns segundos encarando a madeira...
R: Você acha que... Que eu falei demais e ela...
Q: Não! [interrompeu] Claro que não!
R: Certo...
Q: Estou feliz por você estar aqui... [sorriu corada]
R: É o que uma namorada deve fazer... [sorriu de volta]
Q: Deve? [arqueou a sobrancelha] Então é uma obrigação?
R: Não... É sempre prazer... [sua voz saiu quase que um sussurro]
Na cozinha, Frannie separava as compras e tentava aliar seus hábitos alimentares e os de Quinn, ao peculiar de Rachel... Por um momento desviou o olhar em direção ao quarto e voltou a encarar os alimentos que tinha à frente. Encheu os pulmões de ar e um sorriso suave a acompanhou no momento em que expulsou aquele oxigênio. Ela conhecia Quinn como ninguém...
[CONTINUA...]
Fale com o autor