Mais Que Um Professor

1 Capítulo 1 - As Cargas Opostas se Atraem


Cheguei cedo no primeiro dia de aula, e sentei, como de costume, na segunda carteira da fileira do canto. O clima estava agradável. Queria me surpreender este ano, queria que as coisas fossem diferentes, esperava por isso. A rotina de sempre, as mesmas pessoas, tudo isso estava me cansando.

Meus amigos aos poucos foram chegando e sentando em seus lugares, mal tive tempo de conversar com alguém. O assunto era um só: o novo professor de física. O sinal bateu, e foi quando ele chegou.

Ouvi sobre ele nas férias, uma amiga comentou que um professor bravo, mas excelente iria pegar nossas aulas de física. Não sabia como ele era fisicamente, imaginei um homem velho, cabelos brancos, baixo, e chato. Ficava nervosa só de pensar que eu teria que me acostumar novamente com um novo método de ensino, com um professor ainda mais exigente e difícil. Tentei não agir assim, mas não consegui evitar. Sou demasiadamente ansiosa, esperar é uma tarefa difícil pra mim.

Aos poucos todos foram se aquietando, e quando um silêncio pairou no ar, pude perceber que o novo professor havia adentrado na sala. Eu estava abaixada retirando meu material da mochila, e quando levantei, o vi. O homem mais charmoso que já vi na minha vida, ali, parado em frente à sala.

Ele tinha uma estatura média, queixo bem talhado e um cabelo lindo; não era muito novo, devia ter uns 30 anos, era magro e tinha um porte atlético. Usava óculos e, para o meu encanto, barba. Estava com uma camisa rosa, uma calça jeans, mochila nas costas e um chapéu panamá. Um charme e uma frieza visíveis a uma grande distância. Fiquei atônita.

Eu devia estar a um bom tempo olhando para ele, pois quando percebi, ele também estava olhando para mim. Corei rapidamente, e seu ar de superioridade despertou algo que logo tomou conta de mim.

Colocou sua mochila na mesa, e voltando ao meio da sala, disse:

– Me chamo Vitor e sou o novo professor de física.

E eu me chamo Anna, e acho que estou apaixonada à primeira vista, pelo meu novo professor de física.

**

Não consegui parar de olhar, foi tão estranho. A voz grave e sonora ecoava em meus ouvidos. E seu olhar penetrou em minha mente. Ele seguiu falando sobre seu método de ensino, e como espera que a sala aja com ele. Não consegui prestar atenção, tudo o que eu pensava no momento era no quanto eu estava ferrada. Logo eu, com um currículo cheio de decepções amorosas, fui me encantar por um homem treze anos mais velho.

Me distraí tanto que não percebi que ele havia pedido a sala que se apresentasse, e quando me dei conta, estava na minha vez. A última aluna a se apresentar.

– E o seu nome? – olhando amistosamente para mim, perguntou.

Se ele pudesse ler pensamentos eu estaria com problemas, pensei. Ansiei que meus olhos não demonstrassem nenhum tipo de sentimento, respirei fundo e respondi:

– Anna.

“Pare imediatamente de fantasiar coisas” disse a mim mesma quando notei que meu novo professor permaneceu olhando para mim por alguns segundos, após a minha resposta. Um olhar diferente. Eu só podia estar fantasiando as coisas. Qual a chance de um professor se interessar por mim? Justo por mim? Nenhuma, eu sei.

Logo depois ele se dirigiu a lousa, escreveu uma frase referente à matéria e sem enrolar, começou a sua explicação. Mais um ano letivo estava se iniciando, e para minha surpresa, que bela forma de começar o ano:

“As cargas iguais se repelem e as cargas opostas se atraem”.

Desejei uma novidade, algo que movimentasse minha vida e, de repente, conheço ele. Acredito que nada é por acaso, seria então o universo orquestrando algo para mim? Seria ele a novidade, o que movimentaria minha vida? Nós, professor e aluna, poderíamos ser as cargas opostas que se atraem?

De uma coisa eu tenho certeza, eu teria que parar de pensar em bobagens, a campeã em fantasiar momentos teria que tirar uma folga, ou senão a única novidade do meu ano seriam minhas futuras notas catastróficas em física.

Mas não controlo meus pensamentos, o sinal bateu e comecei a guardar meu material. Como sempre, fui a última aluna a sair da sala e quando estava prestes a cruzar a porta, uma voz me interrompe:

– Anna, espere!

Olhei assustada.

– Você ia esquecendo seu casaco... – ele sorriu e eu podia sentir meu coração batendo nos dedos.

Foi onde eu percebi que estava completamente enganada em pensar, por um momento, que poderia deixar de devanear com ele.

Notas finais
Comentários são sempre bem-vindos. Continuem acompanhando, ficarei feliz! Beijos.